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CENTRO DE DIREITO DO CONSUMO
FACULDADE DE DIREITO
UNIVERSIDADE DE COIMBRA
ESTUDOS DE DIREITO 
DO CONSUMIDOR
DIRETOR
ANTÓNIO PINTO MONTEIRO
N.º 9 | 2015
EDIÇÃO ESPECIAL
Com o apoio da:
CENTRO DE DIREITO DO CONSUMO 
Faculdade de Direito da Univers idade de Coimbra
TÍTULO
Estudos de Direito do Consumidor 
EDIÇÃO
Centro de Direito do Consumo 
e 
Inst i tuto Jur ídico da Faculdade de Direito de Coimbra
DIRETOR
António Pinto Monteiro
CONSELHO DE REDAÇÃO
Paulo Mota Pinto
Pedro Maia
Mafalda Miranda Barbosa
Sandra Pass inhas
CONCEPÇÃO GRÁFICA | INFOGRAFIA
Ana Paula S i lva | Jorge Ribeiro
CONTACTOS
cdc@fd.uc.pt
www.fd.uc.pt/cdc
Pátio da Univers idade | 3004-528 Coimbra
ISSN
1646-0375
DEPÓSITO LEGAL
151684/00
© DEZEMBRO 2015
CENTRO DE DIREITO DO CONSUMO | INSTITUTO JURÍDICO 
 FACULDADE DE DIREITO | UNIVERSIDADE DE COIMBRA
A C TA S
C O L Ó Q U I O 
O NOVO REGIME DA CONTRATAÇÃO A DISTÂNCIA
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APRESENTAÇÃO
Em 16 de Maio de 2015 teve lugar, na Faculdade de Direito da Universidade 
de Coimbra, um Colóquio sobre o tema: \u201cO novo regime da contratação 
a distância\u201d. O Colóquio foi organizado pelo Grupo de Investigação 
\u201cContrato e Desenvolvimento Social\u201d, do Instituto Jurídico da mesma 
Faculdade, com a colaboração do CDC \u2013 Centro de Direito do Consumo, 
ele próprio associado deste Instituto.
O volume que agora se publica reúne a totalidade das conferências 
proferidas neste Colóquio. Nele intervieram vários membros do referido 
Grupo de Investigação, todos eles Professores da Faculdade de Direito 
de Coimbra. Mas o Colóquio foi ainda enriquecido pelas conferências 
proferidas pela Senhora Directora-Geral do Consumidor, Drª Teresa Moreira, 
bem como pelos Professores Francisco Amaral Neto, da Faculdade de 
Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e António Menezes 
Cordeiro, da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Julgou-se que seria útil transpor a Porta Férrea e possibilitar a um 
auditório mais alargado o conhecimento dos resultados da investigação 
empreendida, em tema tão importante e actual, \u201cmaxime\u201d por força do 
novo regime jurídico em vigor. Daí a publicação deste volume. Oxalá ele 
corresponda às expectativas de todos!
Regista-se, por último, a inclusão desta obra na coleção dos \u201cEstudos 
de Direito do Consumidor\u201d, retomando-se, assim, ainda que numa nova 
versão, aquela série de texto da responsabilidade do CDC.
Coimbra, FDUC, em 5 de Novembro de 2015 
O Coordenador do Grupo de Investigação 
António Joaquim de Matos Pinto Monteiro 
D O U T R I N A
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O NOVO REGIME DA CONTRATAÇÃO 
A DISTÂNCIA
BREVE APRESENTAÇÃO
1. C abe-me a honra de presidir a este Colóquio e, 
nessa qualidade, de dirigir a todos palavras de saudação e 
boas-vindas. Faço-o com todo o prazer e formulo votos para 
que, no fi nal, venham a concluir ter valido a pena terem estado 
hoje aqui connosco. 
Reunimos, à partida, um valioso leque de oradores, de 
qualidade indiscutível, que nos dão plena garantia de que o 
Colóquio irá decorrer com elevado sucesso. A todos o nosso 
profundo agradecimento por nos terem distinguido com a sua 
participação. E o pedido de que levem às instituições de que 
fazem parte \u2014 a Direcção-Geral do Consumidor e as Facul-
dades de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 
da Universidade de Lisboa e da Universidade de Coimbra \u2014 
as nossas saudações académicas e pessoais. 
Por último, uma palavra de felicitações ao Instituto Ju-
rídico desta Faculdade, e particularmente aos Colegas que 
integram o Grupo \u201cContrato e Desenvolvimento Social\u201d, assim 
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como ao Centro de Direito do Consumo, por mais esta impor-
tante iniciativa e realização. 
2. Quanto ao tema do Colóquio, é bem evidente a sua 
importância e actualidade. 
A contratação a distância constitui um dos modos por 
que, na actualidade, se forma o contrato. 
Longe vão os tempos em que o contrato era exclusiva-
mente celebrado entre pessoas fi sicamente presentes e através 
de negociações. Sem prejuízo de ainda hoje continuar a ser este 
um dos modos possíveis de celebração do contrato \u2014 e até o 
desejável! \u2014, a verdade é que as condições da vida actual fi ze-
ram com que se tivessem desenvolvido outras modalidades de 
celebração do contrato. Desde logo, os contratos de adesão, 
\u201cmaxime\u201d quando celebrados através de cláusulas contratuais 
gerais, assim como os contratos a distância, designadamente 
por via electrónica. 
Trata-se, pois, em suma, de modos de formação do con-
trato, razão por que, no (Anteprojecto e no) Projecto do Código 
do Consumidor tenhamos incluído, logo no capítulo I, a abrir o tí-
tulo dedicado aos contratos, a formação do contrato através de 
c.c.g., os contratos de adesão, a celebração por meios de contra-
tação a distância, no domicílio e por outros modos equiparados. 
É claro que esta é uma matéria que o Código Civil não 
tratou. O que bem se compreende, pois o Código foi publicado 
há quase 50 anos, já em 1966. Mas nem por isso ele deixa de ser 
um Código importante, muito importante. 
Efectivamente, tenho acentuado nas minhas interven-
ções, em temas de direito do consumidor, que não tenho um 
A N T Ó N I O P I N T O M O N T E I R O
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discurso miserabilista em relação ao passado. Aqui, como nos 
demais países do mundo, a defesa do consumidor é um tema 
relativamente recente. Verdadeiramente, pode ver-se na Cons-
tituição de 1976 um marco decisivo para a sua afi rmação, ape-
sar de a primeira Associação de Defesa do Consumidor \u2014 a 
DECO \u2014 ter sido constituída já em 1974, pouco tempo antes da 
Revolução do 25 de Abril.
O Código Civil ignorou, pois, naturalmente, o consumi-
dor. Apesar disso, o Código Civil consagrou princípios e regras 
de grande importância para a defesa do consumidor: lembro, 
entre outros, o princípio da boa fé em sentido objectivo (por ex., 
arts. 227º, 239º e 762º, nº 2), a proibição do abuso do direito (art. 
334º) e dos negócios usurários (art. 282º), a doutrina da base do 
negócio (art. 437º), a responsabilidade civil objectiva ou pelo ris-
co (arts. 500º,ss), ao lado do princípio geral de responsabilidade 
assente na culpa (art. 483º), a redução equitativa de penas con-
tratuais quando forem manifestamente excessivas (art. 812º), etc.
Por outras palavras, o Código Civil consagra princípios 
e regras susceptíveis de corrigir desequilíbrios, impedir abusos, 
promover a correcção e a lealdade nas relações contratuais, 
impor deveres, fomentar a segurança e encontrar outros fun-
damentos para a responsabilidade civil, além da culpa. Ou 
seja, o Código Civil partilha de preocupações de justiça ma-
terial e de solidariedade social que, não sendo privativas da 
defesa do consumidor, têm aqui, todavia, um especial campo 
de aplicação. 
Simplesmente\u2026 a vida não é estática, evolui. De 1966 
para cá, com a progressiva afi rmação da \u201csociedade de con-
sumo\u201d, acentuaram-se consideravelmente as situações de dese-
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quilíbrio, multiplicaram-se as fontes de risco e surgiram problemas 
novos. Houve necessidade de intervir legislativamente, perante a 
insufi ciência e/ou a inadequação das soluções tradicionais.
Isso explica a imensa legislação avulsa que existe no pre-
sente. Pensemos, entre tantos outros exemplos, nos contratos de 
adesão, nos contratos celebrados com base em condições ou 
cláusulas contratuais gerais. Perante este novo modelo contra-
tual, em face deste novo modo de celebração de contratos, 
bem distinto do modelo negociado tradicional, havia que inter-
vir, para enfrentar problemas específi cos ao nível da formação 
do contrato, do conteúdo das cláusulas predispostas e dos meios 
de reacção, maxime judicial. Daí a legislação publicada, logo 
em 1985, que consagrou especiais deveres de comunicação e 
de informação, proibiu cláusulas abusivas e consagrou uma im-
portante acção judicial de índole preventiva, a acção inibitória. 
Atentemos, igualmente, na problemática da responsa-