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Modulo-II-Seminario-V

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Matheus Carvalho Pacheco
Turma Sábado
Módulo II
Seminário V
QUESTÕES
1. Compor a(s) regra(s)-matriz(es) de incidência do imposto sobre a renda pessoa física.
Resposta: Conforme a teoria da regra matriz de incidência tributária, segue a composição da regra matriz de incidência do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física – IRPF. Veja-se:
Antecedente:
Critério Material – auferir renda.
Critério Espacial – no território brasileiro.
Critério Temporal – durante o ano-calendário.
Consequente:
Critério Pessoal – sujeito ativo é a Fazenda Nacional; sujeito passivo é o contribuinte ou o responsável tributário.
Critério Quantitativo – base de cálculo é a renda auferida no ano-calendário, sendo a alíquota progressiva, variando entre 7,5% e 27,5%.
2. Defina “renda”, “rendimento” e “ganho”. Qual a relação/diferença entre eles? Que são “proventos de qualquer natureza”? Com fulcro nessas definições, identifique a base de cálculo do IRPF e posicione-se, de forma fundamentada: tal como definida na legislação infraconstitucional, a base de cálculo do imposto representa, efetivamente, a “renda”? Confronte a afirmação doutrinária de que o “fato gerador” do imposto sobre a renda é “complexivo” com a(s) Regra(s)-Matriz(es) do IRPF e responda: 
Resposta: De acordo com o artigo 43 do Código Tributário Nacional, pode-se entender por renda “o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos”, ou seja, renda é o acréscimo patrimonial do contribuinte, inclusive, conforme o entendimento de Hugo de Brito Machado[footnoteRef:1]. Por outro lado, no que tange ao conceito de rendimento, pode-se dizer que é o valor adicionado aos valores recebidos pelo contribuinte de determinada fonte pagadora. Em outras palavras, considera-se rendimento aumento dos referidos valores. Por fim, ganho de capital, por sua vez, são os resultados obtidos pelo contribuinte na realização de certa operação financeira. [1: MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 40ª Edição, 2019.] 
Noutro ponto, em relação aos proventos de qualquer natureza, entende-os como uma peculiaridade do rendimento, conforme sabiamente explica Misabel Derzi. Veja-se:
“Provento é a forma específica de rendimento tributável, tecnicamente compreendida como o que é fruto não da realização imediata e simultânea de um patrimônio, mas sim, do acréscimo patrimonial resultante de uma atividade que já cessou mas que ainda produz rendimentos.”
(BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. Atualizado por DERZI, Misabel Abreu Machado. 11. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999. Pág. 291)
Nos termos do artigo 44 do CTN a base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido da renda ou dos proventos tributáveis. Entende-se que a base de cálculo do imposto deve configurar efetivamente um acréscimo para a pessoa física e lucro para a pessoa jurídica.
Contudo, para que a base de cálculo deste imposto fosse considerada efetivamente a renda do contribuinte, seria necessário que renda líquida tributada fosse o resultado total das rendas, rendimentos, ganhos e/ou proventos percebidos menos as deduções e custos necessários à produção dos rendimentos e à manutenção da fonte pagadora e da sua família, respeitando o mínimo vital. Entretanto, a base de cálculo real do imposto considera como renda líquida o total das rendas, rendimentos e/ou proventos menos as deduções admitidas expressamente em lei[footnoteRef:2]. [2: QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 145.
] 
No que tange ao fato gerador do Imposto de Renda, este pode ser considerado como complexivo ou instantâneo, nos termos da doutrina de Amílcar de Araújo Falcão[footnoteRef:3], sendo bastante criticado pelo doutrinador Paulo de Carvalho[footnoteRef:4], no sentido de que “se o chamado fato gerador complexivo aflora no mundo jurídico, propagando seus efeitos apenas em determinado instante, é força convir que, anteriormente àquele momento, não há que falar-se em obrigação tributária”. [3: FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. Rio de Janeiro: Forense, 1944. Pág. 71-72.
] [4: CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 13 ed. São Paulo: Saraiva, 2000, Pág. 178 e, desse mesmo autor, Teoria da Norma Tributária, 3ª ed. São Paulo: Max Limonad, 1998. Pág. 137-138.
] 
 
(a) como compatibilizar a ideia do “fato gerador complexivo” do imposto sobre a renda com o critério temporal da(s) sua(s) RMIT? e com a(s) base(s) de cálculo? 
Resposta: De acordo com Mary Elbe Queiroz[footnoteRef:5] “o fato gerador dos tributos é composto por um conjunto de vários elementos expressamente descritos em abstrato nas normas. Entretanto, só quando estiverem presentes todos esses elementos, imprescindíveis e suficientes para caracterizarem a ocorrência do fato gerador, é que se poderá dar o mesmo por realizado e apto a produzir os efeitos que lhe são intrínsecos”. Dessa forma, entende-se que, apenas ao fim do lapso temporal periódico e anual positivado em lei, pode-se caracterizar a existência do fato gerador, esta somente analisada quando já estejam presentes no mundo factual todos os elementos que compõe a hipótese abstrata. O mesmo em relação à sua base de cálculo, quando se puder confrontar todas as receitas e despesas.[footnoteRef:6] [5: QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 111.
] [6: QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 112.] 
(b) em que instante deve ser apurado o imposto sobre a renda das pessoas físicas? Como definir o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o IRPF, considerando (i) o imposto anual; (ii) a antecipação na fonte; (iii) o imposto exclusivo na fonte; (iv) o imposto sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos.
Resposta: Primeiramente, ainda nos ditames de Mary Elbe Queiroz[footnoteRef:7], “somente no término de cada período e na data determina da lei, é que se terá condição de apurar se houve a incidência, ou não, da imposição tributária e se nasceu, ou não, a respectiva obrigação”. [7: QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 113.] 
No que tange ao prazo decadencial dos impostos (artigo 150, §4º e 173, I, do CTN), tem-se que a sua forma contábil depende da forma de lançamento tributária. Para os casos de impostos com lançamento por declaração aplica-se o disposto do artigo 173, I do Código Tributário Nacional, in verbis:
Código Tributário Nacional - CTN
“Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados:
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;”
Por outro lado, no que diz respeito aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica-se o disposto no artigo 150 do CTN. Veja-se
Código Tributário Nacional - CTN
“Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.
(...)
§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”
Quanto à natureza jurídica do lançamento do Imposto de Renda, conforme entendimento sumulado do CARF, “imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional” (Súmula CARF nº 123). 
Nesse sentido, o prazo decadencial para que a Fazenda Pública exerça seu direito de revisar ou constituir crédito da tributação do imposto de renda sobre ganho de
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