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Teorias da Comunicação

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Teorias da Comunicação

nos mosteiros, que primavam por uma lógica de isolamente como condição para contemplar Deua. 
	
FIM AULA 01
Teorias da Comunicação
Aula 2: Ciência e paradigma
Apresentação
Quando você pensa em um cientista provavelmente logo imagina alguém com um jaleco branco, dentro de um laboratório, certo? Mas, apesar de a imprensa e a mídia de maneira geral terem criado esse estereótipo, você sabia que um comunicador também pode acabar se tornando um pesquisador?
Nesta aula, você compreenderá as características do conhecimento científico, especialmente aplicado ao campo comunicacional. Verá que há um modo de organizar a pesquisa, que o saber acadêmico é apenas mais um tipo de conhecimento dentre os demais e que estruturar uma pesquisa não é algo assim tão complicado quanto aparenta.
Objetivos
· Identificar as características do conhecimento científico;
· Descrever a natureza do objeto científico em uma pesquisa comunicacional;
· Definir o conceito de paradigma.
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(Fonte: agsandrew / Shutterstock)
O que é epistemologia?
Sempre que falamos sobre campo científico também está em jogo uma epistemologia.
O que esse termo significa? A epistemologia engloba o conhecimento fundamentado, sendo diferente da opinião, por exemplo. Estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento.
Ao compreendermos a epistemologia comunicacional, portanto, levamos em conta como produzimos o conhecimento científico na área atualmente:
· Metodologias recomendadas para os estudos;
· Conceitos e autores reconhecidos;
· Estruturas diversas da produção científica (monografia, artigo, dissertações e teses).
Dessa maneira, buscamos nos aproximar do autorizado pelo campo científico comunicacional.
Regras para fazer ciência
Existe regras para fazer ciência, que vão desde o modo de escrever, passando por autores e vertentes teóricas aceitas e pelas regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT, até a maneira de organizar os estudos, só para citar alguns exemplos.
O passo básico para uma pesquisa é ter um problema.
Após, há a formulação de uma hipótese. O trabalho ocorre justamente para responder ao problema da pesquisa.
Deve-se testar a hipótese, sempre a partir de uma maneira escolhida previamente para conduzir a pesquisa, ou seja, uma metodologia. Assim, é possível chegar a uma conclusão.
Exemplo
Talvez a partir de um exemplo fique mais fácil compreender isso.
Imagine um aluno de jornalismo que tem interesse em pesquisar sobre o Jornal O Globo.
Isso é muito amplo, certo? Como chegar ao problema que deve ser realmente considerado na pesquisa?
Vamos supor que o aluno se interesse pela área de cultura. Já avançamos, mas ainda é possível responder a muitas questões de pesquisa envolvendo o jornal e a cultura, certo?
Então, já percebemos que a pesquisa precisa seguir alguns critérios que serão estudados a partir de agora.
Esquema clássico de uma pesquisa científica
Não se trata de nenhuma fórmula mágica ou receita de bolo, mas vamos conferir abaixo um exemplo de uma sequência básica para a construção da pesquisa acadêmica.
Lembre-se de que, apesar de existir uma lógica na construção do conhecimento científico, há a necessidade de embasamento teórico e uma escolha metodológica.
É muito importante, também, a questão do bom senso do pesquisador para refletir se seu percurso está condizente com seus objetivos de pesquisa.
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Atividade
1. Correlacione as colunas:
Enunciado de um problema 1 Formulação de uma hipótese 2 Testagem 3 Conclusão 4
a) Compreender se, pelo fato do jornal se apresentar enquanto um programa religioso, há critérios de noticiabilidade que orientem a construção das notícias e qual o espaço destinado na programação para notícias negativas.
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b) No período da análise, das 37 notícias analisadas, apenas duas tinham um teor negativo e foi constatado o uso de critérios de noticiabilidade, com destaque para o de personalização e referência a pessoas que integram a elite.
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c) Analisar a programação ao longo de uma semana para investigar quais os critérios de noticiabilidade presentes, para entender, dessa forma, se há espaço para notícias de cunho negativo na programação.
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d) O programa de uma emissora religiosa divulga muito mais notícias boas do que ruins.
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Gabarito
Gabarito
a) Enunciado de um problema / b) Conclusão / c) Testagem / d) Formulação de uma hipótese.
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(Fonte: agsandrew / Shutterstock)
O campo científico da Comunicação
Como em qualquer área, para chegarmos nesse panorama atual, a Comunicação precisou passar por um processo de legitimação social, a fim de ser reconhecida enquanto campo científico.
O século XIX inaugurou uma nova ordenação científica de mundo. As ciências humanas, como a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia, a Geografia e a História surgem nesse ínterim, bem como a noção de Homem.
Antes, a ideia de indivíduo não fazia tanto sentido, pois havia um senso coletivo muito forte, com comunidades coesas, vivendo à luz de uma tradição transmitida dos mais velhos para os mais jovens.
Os grupos ficavam circunscritos a uma localidade geográfica bem restrita, já que os meios de transporte e as formas de comunicação eram limitados.
Uma das grandes contribuições dos meios de comunicação massivos foi exatamente essa possibilidade de redesenhar as fronteiras do tempo e do espaço, impostas à humanidade por séculos.
A nova concepção territorial precisava levar em conta a emergência desse novo ser que sofre um processo de desterritorialização.
Vimos, na aula anterior, que a palavra comunicação foi criada em um contexto medieval, para designar a nova prática de jantar dos monges. No entanto, a Comunicação só começa a ser pronunciada à exaustão, não à toa, a partir da segunda metade do século XX, por conta dos meios de comunicação de massa.
De forma paralela, surge um novo saber especializado, uma nova disciplina científica, cujo objeto seria os processos de comunicação.
 
Quando essa ciência começa e qual a definição de seu objeto de estudo?
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Quando essa ciência começa e qual a definição de seu objeto de estudo?
Existem pelo menos dois grandes desafios quando pensamos nas teorias da comunicação.
O primeiro é a plurissignificação, que procuramos discutir introdutoriamente na aula anterior, a partir das variadas semânticas dos verbetes nos dicionários.
O segundo desafio seria a dificuldade de definir o campo de pesquisa e de atuação do profissional da Comunicação.
Se a Comunicação é condição para a própria ação humana, como delimitar quando esse campo começa, o que pertence ao exercício dos profissionais e os objetos de estudo dessa ciência?
A prática comunicacional existe há séculos, com as Actas Diurnas, no Império Romano, e uma “publicidade arcaica”, a partir dos pregoeiros da Antiguidade Clássica e dos egípcios.
No entanto, a construção do conhecimento científico só começa a se tornar possível a partir de um processo de desnaturalização da comunicação humana, que passa a ser encarada por uma ótica de intencionalidade e estratégia, com o advento dos meios de comunicação e da Modernidade.
Por essa razão, o Jornalismo mercadológico costuma ser associado ao século XIX, bem como a Publicidade, que é o setor emergente que possibilita justamente ao Jornalismo abandonar o caráter panfletário para se tornar um empreendimento comercial.
Isso significa que a prática da comunicação é algo que foi desenvolvido em diferentes civilizações, pois o homem é um ser social que organiza sua interação por meio da linguagem. No entanto, a prática da comunicação enquanto uma atividade profissional, com jornalistas e publicitários reconhecidos como uma comunidade profissional, é algo que só se concretiza de uma maneira mais sistemática a partir dos séculos XIX e XX.
E no Brasil? Como foi?
A estruturação dos campos profissional e científico da Comunicação podem ser explicados a partir das décadas de 1960 e 1970, no Brasil.
A era do milagre econômico e o aperfeiçoamento gradativo dos equipamentos inventados (rádio e TV) propiciaram a integração e