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Teorias da Comunicação

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Teorias da Comunicação

modernização das indústrias da Comunicação.
Qual o objeto da Comunicação?
A Comunicação é um tipo de saber no qual a marca da interdisciplinaridade se faz presente, com o diálogo entre distintas áreas do saber. Isso é compreensível, pois vários campos se interessam pelas interações humanas.
"Esse trabalho de definição/conceituação sobre qual espaço a Comunicação ocupa e onde reside sua materialidade é fundamental, à medida que um objeto comunicacional pode ser confundido com o objeto de outras ciências.
É importante compreendermos que essa confusão em torno do objeto comunicacional se revela, sobretudo, pelo fato de que os processos comunicativos atravessam praticamente toda a extensão das Ciências Humanas."
(FRANÇA, 2015)
O objeto da Comunicação é o conjunto de objetos empíricos, bastando que nós observemos com atenção, para nos depararmos com um programa de rádio e TV, um outdoor, campanhas políticas, revistas e jornais, conversas cotidianas etc.
Devemos lembrar que esses objetos não estão “prontos e acabados”, pois necessitam de um recorte, um determinado olhar que deve ser aplicado a fim de que realmente se configurem como objetos da Comunicação, pois, segundo França (2015, p 42), “o objeto da comunicação não são os objetivos comunicativos do mundo, mas uma forma de identificá-los, de falar deles — ou de construídos conceitualmente”.
O objeto da Comunicação é uma leitura do social a partir dos meios de comunicação e/ou modalidades comunicativas. Dessa forma, os meios de comunicação e a cultura de massa não se opõem e nem se reduzem um ao outro, mas exigem uma relação de reciprocidade e complementação.
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"A emergência da nossa disciplina reside na compreensão das condições de possibilidades históricas dos processos comunicativos e das práticas que envolvem a utilização dos meios de comunicação e o seu objeto de estudo."
(MARTINO, 2010)
Exemplo
Um sociólogo, por exemplo, ao refletir sobre os discursos de um determinado jornal, em um dado contexto, talvez consiga, a partir da análise das matérias, representar as condições históricas e sociais em jogo, algo que o trabalho de um comunicador também deveria dar conta, talvez não com o mesmo nível de profundidade.
Contudo, o estudo do sociólogo não traria para o debate as condições da produção noticiosa, os critérios de noticiabilidade, a seleção e a hierarquização da informação, tampouco as características da materialidade do jornal impresso, pois estas são questões mais caras ao universo comunicacional, embora também tendam a ser tratadas tangencialmente e superficialmente por outros campos.
O mesmo se aplicaria a um sociólogo refletindo sobre peças publicitárias. Talvez esse intelectual retratasse brilhantemente o contexto social de origem das peças, mas dificilmente seria hábil ao analisar as cores e elementos da peça de um modo mais técnico/teórico, ou mesmo, refletir sobre os arquétipos que cada peça sugere.
Não se trata apenas de:
"Um objeto que está à nossa frente disponível aos nossos sentidos, materializado em objetos e práticas que podemos ver, ouvir e tocar."
(FRANÇA, 2010)
O objeto da Comunicação pressupõe a apreensão e a conformação dos estímulos na forma de um “objeto” recortado. O problema sentido se transforma em problema formulado, a partir do qual se constrói um objeto de conhecimento.
Comentário
Lembra do exemplo anterior com o jornal O Globo? Começou apenas com o apontamento de um grande jornal, para, após vários recortes, chegarmos ao problema de investigar o espaço destinado à periferia no jornal ao longo de um mês e se as notícias apresentariam a periferia de um modo estereotipado ou não.
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(Fonte: PopTika / Shutterstock)
Conhecimento científico
Tendo compreendido o objeto da Comunicação, você entenderá melhor a própria questão do conhecimento científico como uma das formas de apreendermos o mundo a nossa volta.
O saber científico, portanto, prima pela representação do conhecido a partir de uma construção do sujeito por meio de modelos de apreensão. Por isso, envolve método, ou seja, maneiras de estudarmos, perspectivas teóricas que são acionadas.
Entender o processo de construção do conhecimento é importante para se estabelecer as relações que se formam entre os saberes.
Há diferentes formas de compreendemos o mundo, como o conhecimento religioso ou místico. Há o conhecimento estético a partir da fruição artística e, também, o que denominamos de senso comum1.
"O conhecimento da Comunicação começa como uma forma básica da vida social e o aprendizado do homem se dá nos primeiros momentos da vida. Somos inseridos nas formas comunicacionais de nossa cultura e passamos a reconhecer os modelos comunicativos com os quais somos defrontados cotidianamente."
(FRANÇA, 2010)
É um conhecimento experimentado, espontâneo, vivo, intuitivo, que transita no dia a dia dos sujeitos. Por essa razão, muitas vezes, várias pessoas se sentem autorizadas a falar sobre os meios de comunicação, embora geralmente falte o conhecimento do perito.
Todo conhecimento apresenta limites, por meio de métodos e técnicas de pesquisa, categorias analíticas, ou seja, uma lógica disciplinar. Portanto, o conhecimento científico exige rigor e é menos imediatista do que o conhecimento do senso comum.
Isso não quer dizer que todo conhecimento científico seja incontestável ou que tudo que se apresente como ciência efetivamente seja.
Exemplo
Você sabia, por exemplo, que, no século XIX, Samuel Morton convenceu a comunidade científica de que os brancos eram superiores aos negros, a partir da medição e análise dos crânios? Isso serviu, inclusive, como argumento que impulsionou a suposta raça ariana, na Segunda Guerra Mundial.
Hoje, a teoria da superioridade do crânio dos caucasianos não é mais reconhecida, mas assumiu estatuto científico na época.
Isso porque, naquele contexto, a partir do qual o Nazismo se erigiu, as condições históricas eram favoráveis a essas prerrogativas, que hoje consideramos racistas e eugenistas, apesar de o racismo persistir, conforme abordado no trecho da notícia abaixo.
"Ele angariou fama em seu país e na Europa no século XIX disseminando a teoria de que a superioridade racial é corroborada pelo estudo dos crânios. Aqueles de estrutura mais complexa e avançada, um sinal inegável de inteligência e maior capacidade de raciocínio, seriam os de caucasianos. Seu argumento resistiu por 150 anos. Foi analisado por figuras como Charles Darwin, convenceu abolicionistas e só foi definitivamente desmantelado na década de 1980, embora as manifestações racistas persistam."
(GRANDELLE, 2014)
 
O desejo de compreender o mundo
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O desejo de compreender o mundo
A ciência é criada pelo homem, a partir de propósitos políticos e ideológicos. Geralmente há a vontade de melhorar o mundo e compreender melhor a natureza, o homem e a tecnologia. Contudo, o conhecimento científico, por vezes, não ultrapassa o senso comum e, desta maneira, pode ser atravessado pelo viés dos interesses de posições de poder.
A diferença, porém, reside na constante tentativa da objetividade, pela autocrítica de métodos e resultados, pela constante validação.
Como principais objetivos da ciência podemos citar:
· O desejo de compreender o mundo;
· A vontade de facilitar a vida;
· A prevenção de fenômenos;
· A necessidade de controlar a natureza.
Cabe à teoria produzir reflexões sobre o mundo, portanto.
Esse movimento do conhecimento ajuda a entender por que os estudos da Comunicação são recentes, já que, como vimos, ela só passa a ser vista como um problema a partir dos meios de comunicação de massa.
Atividade
2. Confira a notícia Estudo de crânios serviu como base à falha ciência do racismo publicada pelo Jornal O Globo e responda:
Qual o gancho utilizado pelo jornalista para abordar a teoria de Morton, do século XIX?
Gabarito sugerido
O gancho utilizado foi a agressão sofrida pelo jogador Daniel Alves. O jornalista explora o episódio da “banana” para demonstrar que ainda existe racismo e abordar o estudo dos crânios que Samuel George Morton fez no