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Teorias da Comunicação

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Teorias da Comunicação

século XIX.
“Dinâmica invertida”
Uma primeira dificuldade no campo de estudo da Comunicação diz respeito ao protagonismo da prática em relação ao desenvolvimento acadêmico da temática, ou a uma “dinâmica invertida”, um conceito da professora Vera França.
Isso indica que as reflexões teóricas ocorreram quando a prática já estava relativamente consolidada e que os profissionais começaram a desempenhar suas funções sem pensar, por exemplo, em questões éticas.
Exemplo
Você sabia que alguns jornalistas no século XVIII e XIX inseriam o nome de marcas e pessoas no meio da notícia, sem uma relação direta e lógica com o fato noticiado?
Era apenas para lucrar com essa inserção, que era negociada por fora. Essa preocupação ética e outras mais só começaram depois que a prática já tinha se desenvolvido.
"Ao pensarmos a comunicação, portanto, devemos entender que foi a partir do desenvolvimento das práticas e da invenção dos meios de comunicação que foram alavancados os estudos e as reflexões, indagações, questionamentos e tensionamentos."
(HOHLFELDT, 2008)
 
O estudo da Comunicação
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O estudo da Comunicação
Mesmo na Academia instaurou-se uma certa ordem pragmática de ativação do conhecimento objetivo, pese, por exemplo, o estímulo a cursos profissionalizantes na área de Comunicação, onde o Jornalismo foi o maior expoente.
Essas práticas antecederam as proposições teóricas, que chegaram depois, abrindo para a formação técnica a dimensão humanística e social.
A consequência dessa ordem invertida pela prática, segundo França (2010), trouxe alguns inconvenientes e distorções, pois o comunicador primeiro trabalhou e criou notícias, campanhas, filmes. A reflexão só chegou depois que a prática estava consolidada.
A relação exagerada com a prática provoca, no terreno da Comunicação, uma série de implicações, inclusive, o desprezo pela empiria, que pode acarretar na perda do papel explicativo e de sua razão de ser.
Daí resulta também uma certa rivalidade entre comunicadores que se situam em uma esfera mercadológica e alguns acadêmicos da Comunicação, quando estes deveriam estar em um diálogo construtivo.
A vivência dos profissionais pode ajudar e trazer novos elementos para os teóricos refletirem, bem como os acadêmicos, ao promoverem e divulgarem seus estudos, podem contribuir para que os profissionais compreendam melhor questões centrais da comunicação e do próprio mercado. Ou seja, prática e teoria são igualmente importantes e o comunicador completo entende a função de ambas, mesmo que aprecie mais uma forma à outra.
Outra dificuldade refere-se à extensão e diversidade da dimensão empírica que a comunicação recobre, bem como a diversidade dos fatos e práticas que podem constituir seu objeto, como já vimos também na aula anterior.
A variação de atividades do campo comunicacional e os diversos veículos assumem aspectos e rotinas particulares, tornando quase inviável construirmos esquemas conceituais que sejam capazes de dar conta de tamanha diversidade.
Não podemos esquecer que a mobilidade do objeto empírico da Comunicação dá-se no ritmo que supera a reflexão acadêmica, ou seja, o tempo da prática é mais acelerado e dinâmico do que o tempo da reflexão, que exige rigor, problematização, fundamentação teórica e testagem.
Alguns teóricos, como Martino (2010), consideram que:
O corpo das Teorias da Comunicação apresenta um quadro fragmentado, muito em função da falta de uma tradição de estudo científico na área. O campo da Comunicação ainda não constituiria, claramente, o seu objeto e metodologia, pois encontra-se espalhado em outras áreas do saber. Por conta disso, pensamos a Comunicação enquanto domínio ou espaço interdisciplinar, influenciado pela Filosofia, Psicologia, Ciências da Informação, Ciências Sociais, entre outras.
A ideia de paradigma
O esforço de conhecer a Comunicação faz surgir teorias, que podem ser consideradas como um sistema de enunciados sobre a realidade ou sobre um aspecto da realidade. Por isso, não podemos pensar em uma Teoria da Comunicação, mas sim em teorias, cada qual advinda de um contexto social específico, a partir de autores que compartilham certas premissas, ou seja, que são orientados por um paradigma.
A ideia de paradigma foi criada por Thomas Kuhn (1970) e é oriunda do grego, significando representar de maneira exemplar.
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As ciências evoluem através de paradigmas, que são modelos e interpretações de mundo ou abordagens, enfoques. É como uma espécie de paisagem mental que ajuda a orientar o olhar do cientista, tanto na maneira como ele percebe e recorta o objeto, quanto na metodologia que emprega e autores que aciona.
Para criar uma analogia, poderíamos afirmar que cada ciência envolve uma grande cultura, premissas básicas que serão compartilhadas por todos.
Exemplo
O publicitário, por exemplo, é tido como um grande criativo e tal característica do campo é tão forte que é experimentada pela maior parte dos publicitários, mesmo que alguém de atendimento não tenha isso tão introjetado quanto um diretor de criação (ou seja, temos aqui diferentes maneiras de perceber os fatos a partir da atividade em questão).
Mas a publicidade feita no Brasil é muito diferente da de outros países e mercados, o que mostra paradigmas diferenciados, em diálogo com questões locais.
 
Paradigma no âmbito das Teorias da Comunicação
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Paradigma no âmbito das Teorias da Comunicação
O mesmo ocorre com relação às teorias que buscam analisar os processos comunicacionais: você verá que nos Estados Unidos, no início do século XX, alguns autores percebiam a comunicação de uma maneira bem diferenciada da escola alemã. E, mesmo dentro de cada tradição teórica, embora possamos pensar em um paradigma que oriente os autores, de maneira geral, não há total consenso.
Ao falarmos de paradigma no âmbito das Teorias da Comunicação, portanto, estamos supondo ordenação, método, quadros de referência e uma determinada paisagem mental.
A prática científica ao formular leis, teorias, e explicações cria modelos que fomentam as tradições científicas e fornecem problemas e soluções para uma comunidade científica.
Entender as ciências é conhecer sua prática, seu funcionamento e seus mecanismos. É compreender o comportamento do cientista, suas atitudes e suas decisões, pois os paradigmas moldam nossa visão de mundo e comportamento, pressupondo, então, um viés ideológico e lógico.
Todo campo tem uma racionalidade própria e, à medida que você avança em um curso na Universidade, por exemplo, vai identificando os principais modelos, esquemas lógicos e teorias, pois não entender a lógica do campo de atuação pode significar exclusão da área, já que isso pode ser exigido em uma entrevista, em sua empresa e, especialmente, na pesquisa e docência. Por meio da Educação, o jovem adquire os esquemas conceituais de sua atividade.
A ciência é uma tentativa de forçar a natureza (física e social) a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional, que permite a apreensão e internalização dos pressupostos de um determinado saber.
Fases do processo de conhecer
Segundo Kuhn (1970), há 3 fases envolvidas no processo de conhecer:
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Estágio pré-científico
Ciência normal
Ciência extraordinária ou revolucionária
Nada mais é do que a adoção de um outro paradigma, isto é, de visão de mundo. A partir de contradições que surgem dentro da ciência normal, precedentes vão sendo criados para que alguns cientistas contestem o conhecimento já aceito.
Isso não ocorre sem que os representantes da ciência normal tentem ao máximo fornecer explicações que refutem as anomalias surgidas, esvaziando o movimento contestatório.
Uma vez que a proposta de explicação da ciência revolucionária passe a ser reconhecida pelo campo científico, o conhecimento deixa de ser revolucionário para se tornar ciência normal.
No entanto, o fato de uma explicação substituir a outra não necessariamente significa que o paradigma “vencido” era errôneo, pois há toda uma demanda das conjunturas