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MAÇARANDUBA E SEU USO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

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na mata pluvial de terra firme. Também no sul da Venezuela e Guianas, seu 
nome varia de acordo as regiões. Planta Perenefólias, Ciófita até Heliófita, seletiva Xerófita, 
clímax, característica e exclusiva da mata pluvial Amazônica de terra firme e mais raramente 
na mata de várzea pouco inundável. Sua frequência é elevada, porém com padrão de dispersão 
descontínua e irregular ao longo de sua vasta área de distribuição. Ocorre na mata primária 
alta onde ocupa o dossel superior. Produz anualmente uma quantidade moderada de sementes 
viáveis, prontamente disseminadas pela avifauna. 
 O látex extraído da maçaranduba é comestível, e consumido como substituto do leite 
de vaca; o fruto, também comestível e às vezes comercializado. Por sua vez, a árvore produz 
madeira pesada, dura e resistente, que escurece ao contato com o ar e, por esse motivo, é 
usada tanto para construções pesadas e principalmente na construção externa como, 
dormentes ferroviários, pisos industriais, moirões, cruzetas, pontes, caibros, vigas, assoalhos, 
tacos, estacas e vigas, assim quanto para mobiliário de alta qualidade. 
 
Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne vermelho-claro 
tornando-se vermelho-escuro com o tempo; sem brilho; cheiro e gosto imperceptíveis; 
densidade alta; dura ao corte; grã direita; textura fina. 
Descrição anatômica macroscópica: 
 
• Parênquima axial: visível apenas sob lente, em linhas numerosas, às vezes interrompidas. 
• Raios: visíveis apenas sob lente no topo, na face tangencial é invisível mesmo sob lente; 
poucos a numerosos. 
https://goo.gl/41s6hP
https://goo.gl/41s6hP
 
• Vasos: visíveis apenas sob lente, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; em arranjo 
radial; solitários, múltiplos; obstruídos por tilos. 
• Camadas de crescimento: distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais 
escuras. 
 
Fonte: (IPT,1983; IPT,1989a) 
 
Durabilidade natural: a Madeira de maçaranduba é resistente ao ataque de fungos 
apodrecedores e cupins subterrâneos. Tratando-se de umidade, ela é bastante resistente, pois 
costuma apodrecer apenas na superfície; a água não atinge o miolo da madeira com facilidade. 
Justamente por esse motivo, na hora do acabamento, é melhor você apostar em produtos que 
não são à base de água – como tintas e vernizes. Apresenta moderada resistência aos cupins-
de-Madeira-seca e baixa resistência aos xilófagos marinhos. (Chudnoff,1979) A 
espécie Manilkara amazonica foi descrita como muito resistente ao ataque de fungos e 
térmitas, porém susceptível aos perfuradores marinhos. (Berni et al.,1979) A 
espécie Manilkara huberi foi considerada altamente durável em contato com o solo, 
apresentando uma vida útil superior a oito anos. (Jesus et al.,1998) Manilkara 
longifolia e Manilkara elata, em ensaios de laboratório demonstraram ter resistência 
moderada a alta ao apodrecimento. (IPT,1989a) . 
 
Trabalhabilidade: a Madeira de maçaranduba é moderadamente difícil de cortar e aplainar, 
porém é fácil de tornear e colar. Tende a rachar se pregada ou parafusada sem furação prévia. 
Recebe bom acabamento, pintura e verniz. (Jankowsky,1990). 
 
Secagem: a secagem ao ar é difícil, apresentando rachaduras, empenamentos e severo 
endurecimento superficial. A secagem em estufa deve ser lenta e controlada cuidadosamente. 
 (Jankowsky,1990). 
Programas de secagem podem ser obtidos em (IBAMA,1997a; Jankowsky,1990). 
 
Densidade: Madeira altamente densa, com 13% de umidade tem 1.010 kg/m 3, verde tem 
1.320 kg/m3 , seca rapidamente ao forno ou ao ar livre. 
 
A madeira é um material natural com diversos usos no campo da engenharia civil, 
especialmente ao nível das estruturas. É proveniente de florestas, e quando bem geridas, é um 
material que contribui para a redução do dióxido de carbono (através da fotossíntese) na 
atmosfera durante toda a sua vida útil. Contudo, devido à existência de defeitos e limitações 
nas dimensões das secções transversais foram criados produtos derivados da madeira. As 
características destes materiais permitiram a criação de estruturas de madeira mais arrojadas. 
No entanto, a criação de novas estruturas só foi possível devido a um desenvolvimento 
correspondente de novas técnicas de ligação de maneira eficaz como: encaixes, cavilhas de 
madeira, pregos, pinos metálicos, parafusos, barras roscadas, anéis metálicos, colas e chapas 
de dentes estampados (Gang-Nail). 
 Ultilizar a Maçaranduba para construção de algo, é necessário fazer a escolha de um 
prego adequado. Como a madeira é muito dura e resistente, pregos comuns não conseguem 
penetrá-la. Por esse motivo, é necessário investir em pregos para madeiras, também 
conhecidos como pregos tipo ardox, que fornecem uma fixação adequada e impedem que a 
madeira rache. Além de serem sulcados em espiral como um parafuso, são compridos o 
suficiente para atravessar a primeira madeira e penetrar na segunda com o mesmo 
comprimento que na primeira. 
 
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Figura 4: Prego Ardox 
 
 
Fonte: Mercado Livre 
 
Em caso de corte ou aplainação, saiba que a tarefa será moderadamente difícil, mas fácil de 
colar, aparelhar e tornear. Por essa última qualidade, a madeira é ótima para criação de tacos 
de bilhar ou arcos de violinos. 
 O preço varia conforme a finalidade do uso. Em suma, depende do que será criado 
com a madeira. Uma ripa de 5×2 de Maçaranduba bruta custa em torno de R$ 3,00, enquanto 
uma viga de 20×6, também bruta, sairá por R$ 40,00, esses dados podem variar de acordo 
com a região. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS 
RENOVÁVEIS (IBAMA). Banco de dados de madeiras brasileiras. 2005. Disponível em: 
<http://www.ibama.gov.br/lpf/madeira/default.htm>. Acesso em: 12 de junho 2018. 
NAHUZ, M. A. R.; MIRANDA, M. J. A. C.; IELO, P. K. Y.; PIGOZZO, R. J. B.; YOJO, T. 
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Tecnológicas do Estado de São Paulo, 2013. 103p. (Publicação IPT, 4371). 
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GOMES, J. I.; SILVA E. M. A.; MELO, A. T. S. Durabilidade de 15 espécies de madeiras 
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Oriental, 2005. 4 p.(Comunicado Técnico, 148). 
 
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TAKEDA, P. S.; GURGEL, E. S. C. CARVALHO, A. C. M.; SANTOS, J. U. M. dos. 
Manilkara huberi Standley (Sapotaceae: aspectos morfológicos do fruto, da semente e do tipo 
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MPEG/SBB, 2003. 
 
CARVALHO, J. O. P. Classificação em grupos ecológicos das espécies mais importantes 
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WHITMORE, T.C. An introduction to tropical rain forests. Oxford: Oxford Unicersity 
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ESPÉCIES ARBÓREAS DA AMAZÔNIA. [Belém]: Embrapa Amazônia Oriental, 2004. 
PEREIRA, Antônio Batista; PUTZKE, Jair. Dicionário Brasileiro de Botânica. Brasília, 
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TRIGIANO, Robert N.; WINDHAM, Mark T.; WINDHAM, Allam S. Fitopatologia: 
conceitos e exercícios de laboratório. 2. editora ARTEMED . São Paulo:, 2002.

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