CIÊNCIAS NATURAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL I
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CIÊNCIAS NATURAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL I


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CIÊNCIAS NATURAIS 
NO ENSINO 
FUNDAMENTAL I 
A disciplina \u201cCiências Naturais no Ensino 
Fundamental I\u201d tem como principal objetivo propiciar 
a reflexão sobre o ensino de ciências e sua 
importância na formação da criança. Não são 
fórmulas mágicas e nem receitas prontas de como 
ensinar este ou aquele conteúdo, mas uma discussão 
dos caminhos que o ensino de ciências tem percorrido 
ao longo dos anos e de como os professores devem 
explorar a disciplina para que seu aluno atinja o 
chamado letramento científico. 
Bastante discutido, o ensino de ciências vem 
proporcionar ao aluno o desenvolvimento do 
letramento científico, o qual busca desenvolver "a 
capacidade de compreender e interpretar o mundo 
(natural, social e tecnológico), mas também de 
transformá-lo com base nos aportes teóricos e 
processuais das ciências." (MEC-BNCC, 2018, p.321) 
Nesse sentido, a ciências naturais deixa de ser uma 
disciplina distante da formação básica da criança, 
tendo como principais protagonistas a escrita, a 
leitura e a matemática e passa a ser essencial na 
formação do indivíduo autônomo e partícipe da 
construção do mundo que o rodeia. 
Entendemos ser necessária a discussão sobre o 
processo ensino aprendizagem de ciência, uma vez 
que a referida disciplina se torna, com a Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC), elemento chave 
na formação do indivíduo. 
[...] a área de Ciências da Natureza, por meio de um olhar articulado 
de diversos campos do saber, precisa assegurar aos alunos do 
Ensino Fundamental o acesso à diversidade de conhecimentos 
científicos produzidos ao longo da história, bem como a aproximação 
gradativa aos principais processos, práticas e procedimentos da 
investigação científica. (MEC-BNCC, 2018, p.321) 
 
Iniciamos a disciplina conversando sobre a evolução 
do Ensino de Ciências no Brasil. Além explorar a 
importância do Ensino de Ciências Naturais nos Anos 
Iniciais do Ensino Fundamental 
O Ensino de Ciências é relativamente novo no Brasil, 
pois até a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação de 1961, o ensino de Ciências era 
ministrado apenas nas duas últimas séries do ginásio, 
o que corresponderia hoje aos 8º e 9º anos. Somente 
a partir da Lei 5692 de 1971 é que o ensino de 
ciências passou a ser ministrado nas oito séries do 1º 
grau, hoje Ensino Fundamental. 
Percebemos que, à medida que se avolumam os 
problemas sociais, ambientais, econômicos e 
políticos no mundo, outros valores e outras temáticas 
vão sendo incorporadas aos currículos. O aumento da 
poluição, as crises ambientais, a crise energética, 
traduzem o que se tem chamado atualmente de 
situação de emergência planetária (BYBEE, 1991 
apud GIL PÉREZ, et al., 2005). 
Durante esse processo evolutivo o papel do 
professor, assim como do aluno também modificou, 
deixando de ser mero transmissor e receptor 
respectivamente, para agentes ativos no processo 
ensino aprendizagem. 
Espera-se que os alunos realizem intervenções 
conscientes e revisitem, de forma reflexiva, seus 
conhecimentos e sua compreensão acerca do mundo 
em que vivem. Do professor espera-se que estimule 
e apoie seus alunos e que não se restrinja à 
manipulação de objetos em laboratórios fechados, 
mas que desafiem seus alunos à buscarem soluções 
para questões do dia a dia. 
Nesse sentido o ensino de ciências estimula o 
interesse e a curiosidade científica dos alunos 
possibilitando-o definir problemas, levantar, analisar e 
representar resultados; comunicar conclusões e 
propor intervenções. 
Desta forma, torna-se fundamental conhecer todo 
esse processo histórico e político, compreendendo 
qual a importância e finalidade que a educação 
científica assumiu em cada período, analisando 
criticamente quais eram as reais intenções das 
políticas públicas propostas em nosso país no 
decorrer dos anos. 
A trajetória histórica do ensino de ciências buscou 
superar um modelo tradicional de educação visando 
um ensino que considere "a produção do 
conhecimento científico, sua relação com práticas 
sociais voltadas para o desenvolvimento humano e a 
superação dos problemas socioculturais e ambientais 
através de práticas significativas para o aluno." 
(SALLES, 2007, p. 54) 
Podemos começar a contar a história do ensino de 
ciências no Brasil na década de 1920. Segundo 
Barreto, nessa década o ensino era voltado para as 
verdades clássicas, ou seja, as verdades universais, 
ditadas pelos grandes cientistas e que deveriam ser 
seguidas sem contestação, nem do aluno e nem do 
professor. As atividades práticas baseavam-se na 
mera reprodução daquilo que os cientistas haviam 
descobertos anteriormente. 
Na década de 1930 a disciplina consolidou-se no 
currículo das escolas. Iniciou-se a formação dos 
professores de ciências para as escolas de primeiro e 
segundo graus. 
Nas décadas de 1950 e 1960, o ensino de ciências 
refletiu a situação em que o mundo passava, com a 
industrialização e os desenvolvimentos científicos e 
tecnológicos. A educação científica era centrada em 
aulas que reproduziam modelos científicos, por meio 
da experimentação, seguindo os modelos americanos 
e ingleses. A ênfase estava na repetição e na 
memorização de conteúdos. 
A década de 1960 foi o período em que o ensino de 
ciências passou a ter um caráter científico. Os alunos 
não precisavam repetir os experimentos já 
concebidos, mas desenvolver outros experimentos 
que levassem à novas descobertas. O professor 
torna-se participativo do processo de ensino-
aprendizagem, não mais simples repetidor de 
conteúdos prontos. Em 1961 surgiu a Lei n. 4024, de 
20 de dezembro de 1961 a qual alterou a carga 
horária do currículo de ciências e liberou a 
normalização do ensino para a esfera estadual. 
Ciências passou a ser disciplina obrigatória nas 
escolas, inicialmente nas últimas séries do Ensino 
Fundamental. 
Em 1971, com a Lei n. 5692, de 11 de agosto de 1971, 
houve uma grande expansão da rede privada de 
ensino, nessa década a disciplina de Ciências passou 
a ter caráter obrigatório nas oito séries do primeiro 
grau (KRASILCHICK, 1987; BRASIL, 1997). 
Na década de 1980 o método científico cedeu espaço 
para aproximações entre ciência e sociedade 
valorizando conteúdos mais próximos do cotidiano, 
identificando problemas e propondo soluções. 
Na década de 1990, mais especificamente em 1997, 
os PCNs buscam \u201cmostrar a Ciência como um 
conhecimento que colabora para a compreensão do 
mundo e suas transformações, para reconhecer o 
homem como parte do universo e como indivíduo\u201d. 
Em 2017 A Base Nacional Comum Curricular 
estabelece três eixos para o ensino de Ciências: 
Matéria e Energia, Vida e Evolução e Terra e 
Universo. 
Krasilchik (1987), num estudo sobre a evolução do 
ensino de ciências no período de 1950 a 1985, aponta 
que as principais características do ensino eram: 
teórico, livresco, memorístico, estimulando a 
passividade. 
Hoje, tem-se o ensino de ciências mais participativo, 
dinâmico, interativo e repleto de descobertas. 
 
 
Vá mais Longe 
Como vimos, a evolução do ensino de ciências foi 
bastante significativa, sobretudo, deixando de ser um 
processo de ensino-aprendizagem meramente 
repetitivo, passivo, memorístico, para um ensino 
muito mais participativo e prático, voltado para a 
participação efetiva do professor como orientador e 
do aluno como agente transformador. 
Pensando nisso, pesquise em artigos e no material 
indicado na bibliografia ou disponibilizado na Internet 
quais foram as principais características da evolução 
ocorrida no ensino de Ciências no Brasil. 
O Ensino de Ciências 
Nessa aula discutiremos a importância do ensino de 
Ciências além do papel do professor na construção 
das ciências. 
O ensino de Ciências, embora relativamente recente 
nas escolas brasileiras, assumiu, nos últimos anos 
uma importância ímpar para o desenvolvimento da 
criança, sobretudo, estimulando-as a buscarem 
soluções para os problemas levantados, satisfazendo 
suas curiosidades.