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Caderno de Estudos GESTÃO ESCOLAR Prof.ª Rosinete Bloemer Pickler Buss UNIASSELVI 2013 NEAD Educação a Distância GRUPO Copyright UNIASSELVI 2013 Elaboração: Prof.ª Rosinete Bloemer Pickler Buss Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 371.2 B981g Buss, Rosinete Bloemer Pickler Gestão escolar / Rosinete Bloemer Pickler Buss. Indaial : Uniasselvi, 2013. 194 p. : il ISBN 978-85-7830- 660-1 1. Administração escolar. I. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito 89130-000 - INDAIAL/SC www.uniasselvi.com.br GESTÃO ESCOLAR iii APRESENTAÇÃO Estimado(a) acadêmico(a)! O conceito de gestão escolar é relativamente recente e sua pertinência está relacionada às novas necessidades presentes no contexto escolar. Diz respeito a uma escola que se organiza para atender às exigências da vida social, ou seja, formar cidadãos, oferecendo, ainda, a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. Esse tipo de gestão pressupõe a organização pedagógica, administrativa e de pessoas. Essas dimensões correspondem à realidade escolar e, atualmente, não podem ser tratadas individualmente, mas devem atuar de maneira integrada, de forma a garantir a organicidade do processo educativo. É nesta perspectiva que almejamos dialogar e mediar o processo de construção do conhecimento referente à gestão escolar. Com esta proposta, esperamos corresponder à sua expectativa referente à disciplina e auxiliá-lo(a) em sua prática profissional. Por isso, propomos estudos com vistas à compreensão do conceito de gestão escolar, a fim de que se possa obter êxito e motivação para prosseguir a jornada de estudante e, dessa maneira, ao finalizar esta disciplina, você esteja apto(a) a refletir e agir com praticidade sobre esse tema. Para tanto, os conteúdos foram distribuídos em três unidades e cada unidade subdividida em tópicos e subtópicos. Os conteúdos foram organizados de forma que você possa compreender os aspectos que norteiam a gestão escolar. Ao término de cada tópico você encontrará atividades com o objetivo de aprimorar e enriquecer mais o seu conhecimento sobre os conteúdos abordados. Na primeira unidade apresentaremos uma pequena abordagem sobre a gestão escolar no contexto das políticas da educação. Na segunda unidade apresentaremos enfoques referentes ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), à gestão escolar sob o olhar do planejar e construir projetos, e ao Projeto Político-Pedagógico (PPP), pois não poderíamos deixar de abordar os elementos que norteiam a elaboração, construção e prática do PPP de uma unidade escolar, que são, entre muitos outros, a gestão democrática e compartilhada. Na terceira unidade abordaremos o trabalho pedagógico e a administração escolar, assim como a gestão escolar e o financiamento da educação. Neste contexto, faremos uma relação entre a mudança de paradigma de administração e gestão, ou seja, o trabalho pedagógico. Esperamos, portanto, que os temas propostos neste caderno auxiliem à compreensão do que representa a administração escolar no contexto atual, haja vista que educação é um instrumento necessário para o desenvolvimento humano. É direito de cada um se tornar um GESTÃO ESCOLAR iv UNI Oi!! Eu sou o UNI, você já me conhece das outras disciplinas. Estarei com você ao longo deste caderno. Acompanharei os seus estudos e, sempre que precisar, farei algumas observações. Desejo a você excelentes estudos! UNI cidadão ativo, participativo e criativo. Aprender traz alegria, sentimento de liberdade, abertura ao novo, autonomia do pensar e agir. Quem experimenta a alegria de aprender não esquece jamais, pois ela se repete e se reproduz por toda vida. Prof.ª Rosinete Bloemer Pickler Buss GESTÃO ESCOLAR SUMÁRIO UNIDADE 1: A GESTÃO ESCOLAR NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS DA EDUCAÇÃO ....1 TÓPICO 1 – A ESCOLA .....................................................................................................3 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................3 2 ESCOLA E EDUCAÇÃO – UM POUCO DO PASSADO E DO PRESENTE ..................3 3 A ESCOLA EM TRANSIÇÃO ..........................................................................................6 3.1 FUNÇÃO (INSERÇÃO) SOCIAL DA ESCOLA E DA EDUCAÇÃO ...............................7 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................13 RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................16 AUTOATIVIDADE ..............................................................................................................17 TÓPICO 2 – A GESTÃO DA EDUCAÇÃO: POLÍTICAs E CAMINHOS A TRILHAR ....... 19 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 19 2 GESTÃO DA EDUCAÇÃO ............................................................................................. 19 2.1 GESTÃO EDUCACIONAL E GESTÃO ESCOLAR – INCUMBÊNCIAS ...................... 21 2.1.1 Gestão educacional versus gestão escolar ............................................................... 24 2.2 A GESTÃO ESCOLAR .................................................................................................. 26 2.2.1 Gestão ........................................................................................................................ 26 2.2.2 Olhares da gestão escolar ......................................................................................... 26 2.2.3 Gestão escolar democrática e seus princípios .......................................................... 27 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................. 30 RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................... 34 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 35 TÓPICO 3 – O GESTOR ESCOLAR NOS TEMPOS ATUAIS E SUA FORMAÇÃO ........ 37 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 37 2 GESTOR ESCOLAR ....................................................................................................... 37 2.1 A FUNÇÃO DO GESTOR ESCOLAR E SUA IMPORTÂNCIA .................................... 38 2.2 AÇÕES PRÁTICAS DE UM GESTOR ESCOLAR ........................................................ 40 2.3.1 Gestão de competências ............................................................................................ 44 2.3.2 Gestão de pessoas .................................................................................................... 45 2.4 O GESTOR ESCOLAR FRENTE AO PLANEJAMENTO ............................................. 47 2.5 O GESTOR ESCOLAR E SUA FORMAÇÃO ............................................................... 50 2.6 A ARTE DE SER GESTOR ESCOLAR ......................................................................... 52 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................. 55 RESUMO DO TÓPICO 3 .................................................................................................... 59 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 60 AVALIAÇÃO .......................................................................................................................61 v GESTÃO ESCOLAR vi UNIDADE 2: GESTÃO ESCOLAR: PLANEJAR E CONSTRUIR PROJETOS ................ 63 TÓPICO 1 – PDE - PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA ............................... 65 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 65 2 PDE - QUE PLANO É ESTE? ........................................................................................ 65 2.1 PARTICIPAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DO PDE ............................................................ 67 2.2 PDE - SUA ESTRUTURA ............................................................................................. 69 2.3 PDE - ETAPAS ............................................................................................................. 70 RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................... 72 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................. 73 TÓPICO 2 – PLANEJAR PROJETOS: ADQUIRIR CONHECIMENTO ............................ 75 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 75 2 TRABALHO PEDAGÓGICO E O CONHECIMENTO ..................................................... 75 2.1 CONHECIMENTO ......................................................................................................... 76 3 ESCOLA: CULTURA DE PROJETOS ............................................................................ 80 3.1 CONSTRUÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO ......................................................... 83 3.2 ROTEIRO PARA PROJETOS ..................................................................................... 86 RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................... 90 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................. 91 TÓPICO 3 – PLANEJAR: PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO .................................... 93 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 93 2 FUNDAMENTOS DO PPP .............................................................................................. 94 2.1 A CONSTRUÇÃO DO PPP É RESPONSABILIDADE DE QUEM? .............................. 99 2.2 GESTÃO DEMOCRÁTICA E COMPARTILHADA ....................................................... 100 2.2.1 Características da gestão democrática .................................................................... 102 2.3 PPP: NECESSIDADE, DIREITO OU DEVER? ............................................................ 107 2.4 COMO ELABORAR UM PPP ...................................................................................... 109 2.4.1 Roteiro ....................................................................................................................... 109 2.5 AVALIAR É PRECISO .................................................................................................. 111 2.5.1 Avaliação institucional? Por quê? .............................................................................. 112 2.5.2 Objetivos: avaliação institucional ............................................................................... 113 2.5.3 Campos a serem avaliados ....................................................................................... 114 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 118 RESUMO DO TÓPICO 3 .................................................................................................... 123 AVALIAÇÃO ....................................................................................................................... 125 UNIDADE 3: ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO ........ 127 TÓPICO 1 – A GESTÃO ESCOLAR E O TRABALHO DO PEDAGOGO ......................... 129 GESTÃO ESCOLAR vii 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 129 2 ADMINISTRAÇÃO/ GESTÃO ESCOLAR ...................................................................... 129 3 FUNÇÃO DO PEDAGOGO ............................................................................................ 130 4 PEDAGOGOS/ESPECIALISTAS .................................................................................... 132 4.1 SUPORTE PARA O TRABALHO PEDAGÓGICO ........................................................ 132 4.2 ADMINISTRADOR ESCOLAR .................................................................................... 133 4.3 ORIENTADOR ESCOLAE ........................................................................................... 134 4.4 SUPERVISOR ESCOLAR ............................................................................................ 135 5 O SENTIDO DA PEDAGOGIA ....................................................................................... 138 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................. 138 RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................... 140 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................. 141 TÓPICO 2 – ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E O TRABALHO PEDAGÓGICO ............... 143 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 143 2 A GRANDEZA DO TRABALHO PEDAGÓGICO ............................................................ 143 3 COORDENAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO ...................................................... 146 3.1 O GESTOR DEVE LIDERAR COM A RAZÃO OU COM A EMOÇÃO? ........................ 146 4 TRABALHO PEDAGÓGICO – COMO AVALIAR? ......................................................... 152 RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................... 155 TÓPICO 3 – GESTÃO ESCOLAR E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO ................... 157 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 157 2 FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO – LEI DARCY RIBEIRO ....................................... 157 3 GESTÃO DOS RECURSOS FINANCEIROS – PROGRAMAS ALTERNATIVOS ......... 159 3.1 FNDE ............................................................................................................................ 160 3.2 PDDE ............................................................................................................................ 162 3.3 FUNDESCOLA ............................................................................................................. 162 4 E O SALÁRIO-EDUCAÇÃO? O NOSSO SALÁRIO! ..................................................... 163 4.1 UM POUCO DA HISTÓRIA .......................................................................................... 163 4.2 FUNDEB ....................................................................................................................... 166 4.3 VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO – FUNDEB ........................................................... 169 5 FINANCIAMENTO E A DESCENTRALIZAÇÃO ............................................................ 170 5.1 PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA EXECUÇÃO .................................................. 172 5.1.1 Orçamento educacional ............................................................................................. 172 6 PRINCÍPIOS DA GESTÃO ESCOLAR FRENTE AO FINANCIAMENTO ...................... 173 6.1 GESTÃO FINANCEIRA: PASSOS FUNDAMENTAIS ..................................................174 7 CONSELHO ESCOLAR E O FINANCIAMENTO .......................................................... 176 7.1 CONSELHO ESCOLAR ............................................................................................... 176 7.1.1 Função do Conselho Escolar .................................................................................... 179 7.1.2 Atribuições do Conselho Escolar ............................................................................... 180 GESTÃO ESCOLAR viii 7.1.3 Eleição e composição do Conselho Escolar ............................................................. 181 8 PARCEIROS DA GESTÃO ESCOLAR FRENTE AO FINANCIAMENTO ...................... 182 8.1 PARCERIAS: SOLUÇÕES POR INTERESSES COMUNS ....................................... 182 8.2 ÂMBITO DAS PARCERIAS: PÚBLICO, CIVIL E ESTATAL ......................................... 184 8.3 POSSIBILIDADES DE PARCERIA ............................................................................... 184 8.4 CUIDADOS AO CAPTAR RECURSOS ........................................................................ 185 RESUMO DO TÓPICO 3 .................................................................................................... 188 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 189 AVALIAÇÃO ....................................................................................................................... 190 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 191 G E S T Ã O E S C O L A R UNIDADE 1 A GESTÃO ESCOLAR NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS DA EDUCAÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM A partir desta unidade você será capaz de: identificar e analisar a função social da escola; reconhecer as incumbências da gestão escolar; constatar e discutir sobre os princípios da gestão democrática no contexto e atuação da gestão escolar; compreender e identificar a importância do gestor para a comunidade escolar; elencar as ações e competências do gestor no cotidiano escolar. TÓPICO 1 – A ESCOLA TÓPICO 2 – A GESTÃO DA EDUCAÇÃO: POLÍTICAS E CAMINHOS A TRILHAR TÓPICO 3 – O GESTOR ESCOLAR NOS TEMPOS ATUAIS E SUA FORMAÇÃO PLANO DE ESTUDOS Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades que o(a) ajudarão a refletir e a fixar os conhecimentos abordados. G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R Caro(a) acadêmico(a), neste primeiro tópico da disciplina “Gestão Escolar” faremos uma breve abordagem sobre o que é escola, educação e a sua função social com e na sociedade. Comentaremos brevemente sobre o passado e o presente da escola em relação às concepções e mudanças na política educacional. Para tanto, contaremos com autores como José Carlos Libâneo, Lauro Carlos Wittmann, entre outros, que são referências na gestão escolar. Como leitura complementar apresentaremos recortes do texto: “Por que é importante conhecer a legislação educacional?” Este texto, caro(a) acadêmico(a), ajudará a perceber que a Constituição e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) expressam o pleno desenvolvimento da educação. A ESCOLA 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 1 UNIDADE 1 DIC AS! Estimado(a) acadêmico(a), para melhor compreensão e análise das suas leituras, sugiro que ao ler faça sínteses, esquemas, sublinhe ideias que julgue importantes. Estas são formas de organizar as ideias principais do texto. Então, desejo a você um bom estudo! 2 ESCOLA E EDUCAÇÃO – UM POUCO DO PASSADO E DO PRESENTE Certamente, você já estudou sobre a escola, sua origem, função, enfim, já possui bem definido o significado da sua nomenclatura. Para iniciar o estudo sobre a gestão escolar UNIDADE 1TÓPICO 14 G E S T Ã O E S C O L A R EST UDO S F UTU ROS ! � é preciso observar a necessidade de lançar rapidamente o olhar sobre a escola. Por isso, convido-os a olharem com estranheza para a mesma, pois afinal, que lugar é este? Esta releitura será relevante para que possamos, no decorrer deste Caderno de Estudos, dialogar com mais propriedade sobre o que acontece e/ou deveria acontecer no chão da escola sob o olhar atento da gestão escolar. A escola, segundo o Dicionário Aurélio, “[...] tem origem na palavra grega Scholé, significando ócio, lugar de descanso de trabalho, folga”. O termo adquiriu esse sentido na antiga Grécia, devido seu povo ser amante do pensar e do poder, assim, criou-se a skolé, que “designava o templo liberto de ocupações, que podia ser dedicado livremente à amizade e à cultura do espírito, como o correspondente latino otium”. (ARÉNILLA et al., 2001, p. 151). A escola, organizada historicamente pela humanidade, objetivou a socialização do saber sistematizado. Desta forma, esta instituição é apresentada como um lugar onde se ministra o pensar, onde se ensina as diversas ciências e se multiplica o conhecimento. Conhecimento este que a sociedade julga necessário transmitir às novas gerações. Neste sentido, a escola foi criada por volta do século XVII, tendo como objetivo reproduzir e manter o sistema político vigente na época. No entanto, nenhuma outra forma de organização institucional até nos dias atuais foi capaz de substituir a escola. Há cerca de 200 anos, a escola deixou de ser privilégio somente para os filhos da elite e passou a ser percebida como uma instituição relevante para os filhos de todas as camadas sociais. Isto foi possível graças às mudanças políticas desencadeadas pelos movimentos da Revolução Francesa e da Democracia Americana. (PENIN, 2001). A partir desses acontecimentos políticos, a escola e os movimentos pela busca da democracia aumentaram. Neste sentido, a escola e a democracia estão mais próximas. Podemos dizer que se deu início a uma longa luta para transformar a escola de alguns, para muitos. Luta esta que ainda não se encerrou. Você já deve estar percebendo que fica difícil falar sobre a escola sem adentrar na questão da democracia, autonomia, descentralização e temas afins. Por isso, trataremos desses aspectos no transcorrer deste Caderno de Estudos. Você verá, no transcorrer desta disciplina, textos e atividades sobre a gestão escolar democrática, autônoma, participativa, compartilhada. Mas, vamos com calma, passo a passo chegaremos lá! UNIDADE 1 TÓPICO 1 5 G E S T Ã O E S C O L A R Dando continuidade, caro(a) acadêmico(a), desde o momento da institucionalização da educação, muitas coisas mudaram. Dentre as mudanças, rompeu-se com a discriminação entre as classes sociais, oportunizando uma escola para todos. Enquanto isso, no Brasil, as coisas aconteciam de forma diferente, o direito ao acesso escolar ainda era um privilégio dos poucos que pertenciam às camadas da elite (filhos das classes altas) e aos homens também das classes mais favorecidas, excluindo as mulheres. UNI Atualmente, as mulheres ocupam os mais diversos cargos profissionais em nossa sociedade brasileira. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1996 mostram que os homens estavam em vantagem na média de anos em estudos em relação às mulheres até os anos 80. No período de 1990 a 1996, a média dos anos de estudos entre os homens e as mulheres teve uma mudança significativa. Neste contexto, no Brasil, desde o começo de nossa história foi forte a tradição de uma escola para poucos. A educação é um processo amplo, que não se restringe só à escola; no entanto, a mesma é um espaço privilegiado de formação humana, ou seja, formação do educando e de todos os que por ela passam. Após a Proclamação da República (que aconteceu no fim do século XIX), a situação das escolas, para uma minoria, começou a mudar no início do século XX. Para que a escola possa cumprir seu papel de contribuir com o pleno desenvolvimento das pessoas e prepará-las, qualificá-las para exercitarem sua cidadania e trabalho, a Constituição ea LDB (Lei de Diretrizes e Bases) estabeleceram prioridades necessárias para este fim. É preciso ousar na construção de instituições de ensino, cujas concepções estejam voltadas à escola para todos. Vale lembrar que a diferença em relação às escolas do passado é que estas atendiam poucos alunos. Por sua vez, as escolas públicas de hoje estão repletas, cheias de alunos das mais variadas etnias e classes sociais, enquanto as escolas que atendem uma minoria e obtêm uma clientela seletiva são as escolas privadas, para as quais as famílias pagam pelos estudos dos filhos. Assim, ao analisar a trajetória da escola, é importante lembrar que as instituições permanecem e vão modificando a passos lentos. Nesta perspectiva, estudar a escola, em sua competência, no passado e no presente, é relevante para iniciar a discussão sobre a gestão escolar. Por este viés, poderemos compreender o contexto das relações em que se institui a escola e se desenvolve a educação. UNIDADE 1TÓPICO 16 G E S T Ã O E S C O L A R 3 A ESCOLA EM TRANSIÇÃO A escola está em constante transformação, pois com a crise do paradigma convencional, a mesma transita para uma reestruturação capitalista, e adapta-se às mudanças do mundo do conhecimento. Estes processos de transformação afetam direta e indiretamente a organização escolar em sua conjuntura, principalmente na qualificação profissional dos professores, nos sistemas de ensino e na maneira de gerir a educação. Essas transformações, em nível mundial, advêm de um conjunto de acontecimentos que caracterizam novas realidades sociais, econômicas, políticas, culturais e até mesmo geográficas. Dentre esses aspectos, os mais visíveis são: avanços tecnológicos; globalização; qualificação profissional; mudanças nas concepções, funções e papel dos Estados, buscando fortalecimento nas leis de mercado; avanços no sistema educacional, estando mais voltados à pesquisa, na produção do conhecimento; aumento da exclusão social etc. Os aspectos que influenciam mais diretamente a escola e o desenvolvimento do trabalho dos docentes são, segundo Libâneo (2004), “as mudanças na economia”. Estes aspectos estimulam as pessoas a se prepararem para a competitividade do mercado de trabalho; e os que não conseguirão competir são socialmente excluídos. Atualmente, a sociedade vive a transição da sociedade industrial para a sociedade da informação. Neste contexto, destaca- se a produção de bens culturais primando pela informação. Assim, o papel da escola e dos professores está em propiciar melhores condições intelectuais, sociais e afetivas para as pessoas, alunos, comunidade como um todo. Desta forma, as unidades escolares têm a função de preparar os alunos não só para o mercado de trabalho, mas ampliar suas capacidades no âmbito reflexivo e crítico, através do conhecimento científico e da tecnologia da informação, partindo da realidade e bagagem cultural do aluno. Além disso, caro(a) acadêmico(a), vivemos um processo de “despolitização da sociedade” e, consequentemente, uma diminuição da confiança do povo nas ações públicas dos nossos governantes. Agrava-se, com isso, a individualidade e a insensibilidade social. Deste modo, a escola é desafiada a preocupar-se em realizar novas formas de fazer política, principalmente no âmbito da participação nos processos decisórios que permeiam a sociedade civil. UNIDADE 1 TÓPICO 1 7 G E S T Ã O E S C O L A R EST UDO S F UTU ROS ! � Com este olhar, caro(a) acadêmico(a), você estudará, junto comigo, mais adiante, acerca da importância da gestão escolar ativa e participativa no contexto social. Dentre estes aspectos, também convivemos com a crise dos valores morais e éticos. A revitalização e elaboração de novos valores perpassam pelos bancos escolares, atingindo ações cotidianas nas relações entre os povos, em suas diversas etnias, grupos sociais e no respeito e reconhecimento das diversas identidades culturais e sociais. A escola, portanto, tem obrigação em auxiliar na educação das pessoas que por ela passam. Portanto, caro(a) acadêmico(a), a nossa missão de educador, docente ou gestor escolar, está vocacionada à inserção social e, principalmente, à garantia dos direitos humanos. DIC AS! Caro(a) acadêmico(a), para aprofundar o conteúdo sugiro a leitura do texto: “Uma escola para novos tempos”. Você encontrará este texto, escrito por José Carlos Libâneo, no capítulo II, p. 44 - 62 do livro “Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática”. Goiânia: Editora Alternativa, 2004. O texto aborda questões voltadas ao papel da escola mediante a sociedade; a relação com a democracia, a comunidade e a cultura, com foco na educação. 3.1 FUNÇÃO (INSERÇÃO) SOCIAL DA ESCOLA E DA EDUCAÇÃO A função social da escola, nos meandros da gestão escolar, é um dos assuntos mais debatidos atualmente na educação. Vivemos um período de transformação na história da humanidade, cabendo à escola a função de contribuir para o desenvolvimento das capacidades do sujeito e à construção das condições subjetivas de pensar e criar projetos de sociabilidade. Para tanto, a instituição escolar deve encontrar sentidos para agir de forma compartilhada, focando a sensibilidade dos sujeitos que compõem a comunidade escolar. As funções da escola estão voltadas a oferecer oportunidades educacionais valorizando a herança cultural e a (re)construção do saber acumulado pela sociedade, ou seja, pela humanidade. UNIDADE 1TÓPICO 18 G E S T Ã O E S C O L A R Observe o mapa conceitual a seguir, que sintetiza as funções da escola: FONTE: Brasil (2004, p. 33) Quando a sociedade se defronta com mudanças significativas em suas bases sociais e tecnológicas, pode-se verificar que novas atribuições são exigidas das escolas. Neste foco, a função social da escola é revista, assim como, seus limites e possibilidades são questionados. Comecemos por lembrar, segundo Penin (2002, p. 17), “[...] que a escola representa a instituição que a humanidade criou para socializar o saber sistematizado”. Assim, a sua função social varia, relacionando-se aos mais diferentes momentos da história, às culturas, conforme a região e povos que constituem a comunidade escolar. Sabe-se, portanto, que cada sociedade cria sua própria forma de educação e escolarização, em conformidade com suas características culturais. Neste aspecto, vemos que a educação está intrinsecamente ligada ao passado e ao futuro das mais diversas gerações que compõem sua comunidade escolar. Desta forma, o conhecimento transmitido pela escola expressa significativamente esta mão dupla, caminhando a passos lentos, focando sempre os momentos históricos, as mudanças nas relações que os homens estabelecem entre si. Neste sentido, pode-se afirmar que a função da escola está em realizar o processo educativo, visando o conhecimento, de acordo com os anseios dos alunos, sua cultura e da realidade de sua comunidade. A construção da cultura e da história de uma instituição precisa ser partilhada e depende de todos que dela fazem parte. Na escola, como estabelecimento de ensino, espera-se encontrar o cumprimento de sua função social na construção efetiva do indivíduo, oportunizando condições educativas favoráveis, visão de mundo ampla, com uma perspectiva crítica do futuro. Para Wittmann (2004b, p. 16), a “[...] função da escola é garantir educação aos estudantes, contribuindo para que se tornem sujeitos, isto é, autores e senhores de suas vidas. Isto significa criar oportunidades para que eles decidam, pensem, tornem-se livres e responsáveis, autônomos, emancipados”. INSERÇÃO (FUNÇÃO) SOCIAL DA ESCOLA Construção das condições para a intervenção da escola. Apropriação e incorporação da herança cultural do povo. FIGURA 1 – MAPA CONCEITUAL UNIDADE 1 TÓPICO 1 9 G E S T Ã O E S C O L A R UNI A Constituição de 1988 define, em seu Artigo 205, que “a Educação é um direito de todos e dever doEstado e da Família”. A escola, como mediadora do processo educacional e formadora dos sujeitos de sua história e da história do seu entorno, tem a função de incorporar o patrimônio cultural da humanidade; (re)construir o saber historicamente acumulado e apropriar-se do saber produzido e acumulado pela humanidade. A escola possui ainda duplo papel, ou seja, de formar não somente os indivíduos para o mercado de trabalho, mas também uma cultura que, vem por sua vez, penetrar, auxiliar e modificar a cultura da sociedade atual. IMP OR TAN TE! � A finalidade social da escola deve ser realçada para o conjunto dos agentes que a produzem no nível da sociedade, do sistema de ensino e, sobretudo, no âmbito da escola. Essa finalidade implica em uma atualização histórico-cultural do educando por meio da apreensão dos saberes historicamente produzidos pelo conjunto da sociedade. Neste viés, a escola tem contribuição moral e cognitiva, formando pessoas para o convívio no contexto social, familiar e escolar no cumprimento de seus direitos e deveres para consigo e a sociedade à qual pertencem. FIGURA 2 – ESCOLA E COMUNIDADE, SEMPRE ARTICULADAS FONTE: A autora UNIDADE 1TÓPICO 110 G E S T Ã O E S C O L A R Não se credita à escola somente a responsabilidade pela preservação dos conhecimentos historicamente sistematizados, mas também uma ampla participação no processo de educação continuada. Nos dias atuais, a Educação Continuada refere-se à aprendizagem com o objetivo de obter as qualificações demandadas pelo mercado de trabalho que se encontra em constante mutação. Atende, neste sentido, de maneira ágil as necessidades de mudanças nas habilidades profissionais por parte do mercado de trabalho, permitindo assim que a aprendizagem se realize em consonância com as limitações de tempos onipresentes. Atribui-se à escola a responsabilidade de oportunizar um ambiente onde se divide e multiplica o processo de construção do conhecimento, buscando transformar esse ambiente num espaço especializado para o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos sujeitos que por ela passam. A escola se desenvolve quando procura valorizar a sensibilidade, responsabilidade, respeitabilidade, conviviabialidade através dos aspectos cognitivo, afetivo e social dos indivíduos que compõem o universo escolar. Independentemente do sistema político vigente, em todas as sociedades é atribuída à escola a tarefa de transmitir o conhecimento acumulado para as mais variadas gerações. Nessa perspectiva, conforme Dowbor (1998, p. 259), a escola deixará de ser “lecionadora” para ser “gestora do conhecimento”. Segundo o autor, “[...] pela primeira vez a educação tem a possibilidade de ser determinante sobre o desenvolvimento”. Assim, o objetivo da escola consiste em promover o pleno desenvolvimento do ser humano, permitindo que ele exerça sua cidadania, bem como promover qualificação para o trabalho. A escola possui objetivos claros, relacionados ao desenvolvimento do conhecimento, atitudes, procedimentos, valores e habilidades dos alunos através dos conteúdos ministrados. Deste modo, a tarefa primordial da escola é o ensino e a aprendizagem. Há, assim, segundo Libâneo (2004, p. 106), “uma interdependência entre os objetivos e funções da escola e a IMP OR TAN TE! � Educação Continuada é aquela que se realiza ao longo da vida, relaciona- se com a construção contínua do conhecimento do SER HUMANO. UNIDADE 1 TÓPICO 1 11 G E S T Ã O E S C O L A R organização e gestão do processo de trabalho na escola, de forma que os meios estejam em função dos objetivos”. Neste contexto, a escola, em sua diversidade, trabalha para que seus alunos, sua comunidade, consigam interagir com outras pessoas respeitando a diversidade cultural da sua comunidade escolar. A parceria entre escola e comunidade é necessária para o desenvolvimento das competências de todos que dela participam. Desta forma, precisa de uma gestão competente e autônoma. Portanto, a escola está a serviço da comunidade. Neste prisma, é atribuída também à mesma a função de contribuir para o amplo desenvolvimento das capacidades do aluno, para que consiga desenvolver suas habilidades nas esferas subjetivas do pensar, criar, produzir e construir projetos de sociabilidade. Neste viés, a escola necessita aprimorar-se para cumprir com seu papel na sociedade. Isto se concretiza através das parcerias e trocas de experiências. Partindo deste pressuposto, os indivíduos podem ampliar seus conhecimentos e a capacidade de auxiliar para uma educação promissora, na qual todos possam colher bons frutos e exercer sua cidadania, fortalecendo uma educação justa, mais humana e igualitária. As funções da escola são expressas basicamente no que se refere à inserção social, da qual ela se apropria, incorpora as heranças culturais dos indivíduos, construindo condições para a intervenção e mediação do processo de construção do conhecimento. IMP OR TAN TE! � Veja: A escola tem, portanto, a “missão” de promover, por intermédio do fazer docente e dos recursos pedagógicos, a relação dos alunos com os saberes que lhes permitam desenvolver habilidades, valores, competências sociais, cognitivas e atitudes necessárias para uma vida produtiva e cidadã. UNIDADE 1TÓPICO 112 G E S T Ã O E S C O L A R UNI Os fins da educação derivam da estrutura homogênea do ambiente social, identificam-se como os interesses comuns do grupo, e se realizam igualitariamente em todos os seus membros, de modo espontâneo e integral: espontâneo na medida em que não existe nenhuma instituição destinada a inculcá-los, integral no sentido de que cada membro da tribo incorporava mais ou menos bem tudo o que na referida comunidade era possível receber e elaborar. (PONCE, 1994, p. 21). É pertinente discutir a função social da escola e da educação em seu sentido amplo, ou seja, como prática social que acontece nas relações sociais. Estas relações são estabelecidas pelos indivíduos entre si nas mais diversas instituições, bem como nos movimentos sociais que estas relações se constituem. Veja, para Gryzybowski (apud FRIGOTTO, 1995, p. 26), “[...] educação é, antes de mais nada, desenvolvimento de potencialidades e apropriação de ‘saber social’ (conjunto de conhecimentos e habilidades, atitudes e valores que são produzidos pelas classes, em uma situação histórica dada de relações para dar conta de seus interesses e necessidades)”. Assim, objetiva-se a formação integral do homem, seu desenvolvimento físico, político, social, cultural, filosófico, profissional, afetivo, entre outros. Com esta percepção você pode notar que a concepção de educação que estamos analisando está inserida numa perspectiva crítica, que procura desenvolver o homem na sua totalidade, como ser constituído pelo biológico, afetivo, estético, material e lúdico. Com esta análise, precisamos ter em mente que os sujeitos, em seus processos educativos, são os indivíduos com suas múltiplas habilidades e necessidades, a fim de superar-se, aprimorando-se através da educação social e científica. Refletir sobre a função social da escola é idealizar as mudanças que queremos. Este é o caminho que podemos trilhar para que possamos juntos criar espaços, mecanismos de participação, democracia, compartilhamento, autonomia, descentralização da educação, sendo estas ações fundamentais para a construção de um processo de gestão democrática. UNIDADE 1 TÓPICO 1 13 G E S T Ã O E S C O L A R EST UDO S F UTU ROS ! � Estes mecanismos e concepções que permeiam uma gestão escolar, como já comuniquei anteriormente, serão aprofundados no decorrer deste Caderno de Estudos. LEITURA COMPLEMENTAR POR QUE É IMPORTANTE CONHECER A LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL? Sônia Teresinha de Sousa Penin [...] A população reivindica escola para seus filhos porque esse é um dos direitos sociais — assim como a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infânciae a assistência aos desamparados — assegurados a todos os brasileiros pela Constituição de 1988 (artigo 6°). A reflexão sobre a função social da escola nos remete tanto à Constituição como à LDB. E por que isso? Porque os fins da educação brasileira estão definidos nestas duas leis. Na Constituição estão expressos os princípios da República Federativa do Brasil; os direitos e as garantias fundamentais dos cidadãos; as formas de organização do Estado e dos Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário); a ordem econômica, financeira e social. Encontram-se também na Constituição as principais determinações gerais sobre educação (capítulo III, seção 1, artigos 205 a 214). A LDB complementa a Constituição, reiterando os dispositivos constitucionais em seus títulos introdutórios (Da Educação, Dos Princípios e Fins da Educação Nacional e Do Direito à Educação e do Dever de Educar — artigos 1° a 5º ) definindo as principais orientações para a organização da educação nacional e para a educação escolar em seus diferentes níveis. [...] é preciso lembrar, entretanto, que as leis expressam apenas uma parte da história educacional, retratando seus diferentes momentos. Muitas de nossas leis representam fruto de lutas de educadores em seus movimentos coletivos. Traduzem também, e por vezes de forma autoritária, como ocorreu com a legislação do período da Ditadura, a disposição dos governos de levar adiante um determinado projeto educacional. Devemos conhecê-las, na medida em que contêm as disposições gerais sobre a educação, assim como podem indicar avanços para a superação dos problemas que afetam a realidade escolar. Mas não podemos nos esquecer de que as mudanças em educação resultam de muitos outros aspectos, e não apenas da legislação. UNIDADE 1TÓPICO 114 G E S T Ã O E S C O L A R [...] a Constituição de 1988 estabelece que a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família. Sua finalidade é o “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho” (Constituição, artigo 205). A LDB retoma esse dispositivo, incluindo-o entre os Princípios e Fins da Educação Nacional (LDB, artigo 2º). [...] a missão de cada escola, de cada gestor, de cada professor, é promover o pleno desenvolvimento do educando, preparando-o para a cidadania e qualificando-o para o trabalho. Pleno desenvolvimento significa cuidar não apenas da tarefa de ensinar, mas de dar conta de muitas outras dimensões que fazem de cada pessoa um ser humano perfeito, completo e feliz. Imagine como a escola poderia ser diferente se, em cada momento de seu trabalho, cada membro da equipe escolar estiver concentrado sobre a finalidade fundamental de promover o pleno desenvolvimento do educando! [...] a nova LDB traz um conjunto de dispositivos próprios sobre as funções da escola. Na verdade, é a primeira vez que uma lei de educação define atribuições específicas para os estabelecimentos de ensino, no quadro da organização nacional. A Lei nº 9.394/96 estabelece incumbências para a União, os estados, os municípios e também para as escolas e os docentes. [...] o artigo da LDB que se refere às atribuições da escola [...] Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I – Elaborar e executar sua proposta pedagógica; II – Administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; III – Assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidos; IV – Velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; V – Prover meios para a recuperação de alunos de menor rendimento; VI – Articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola; VII – Informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica. Uma das principais características da LDB é a flexibilidade. Com ela, as escolas têm autonomia para prever formas de organização que permitam atender às peculiaridades regionais UNIDADE 1 TÓPICO 1 15 G E S T Ã O E S C O L A R e locais, às diferentes clientelas e necessidades do processo de aprendizagem (art. 23). Do mesmo modo, são previstas formas de progressão parcial (art. 24, III), aceleração de estudos para alunos com atraso escolar, aproveitamento de estudos e recuperação (art. 24, inciso V, b, d, e). Essas e outras medidas têm por obletivo promover uma cultura de sucesso escolar para todas as crianças [...]. FONTE: Penin (2001, p. 33-36) UNIDADE 1TÓPICO 116 G E S T Ã O E S C O L A R RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico abordamos assuntos relacionados à escola, um pouco da sua história, significado, sua transição, sua função e inserção na sociedade ao longo dos tempos, visando à gestão escolar. Deste modo, vimos que: A escola é o lugar onde se ministra o pensar, se ensina, se aprende e se multiplica o saber. Os aspectos que influenciam diretamente a escola se caracterizam nas novas realidades sociais, econômicas, políticas, culturais e geográficas, bem como a crise dos valores morais e étnicos. A função da escola é visar ao conhecimento, promover o pleno desenvolvimento do ser humano, sua inserção na sociedade e qualificação para o trabalho. UNIDADE 1 TÓPICO 1 17 G E S T Ã O E S C O L A R Prezado(a) acadêmico(a), convido você, agora, a realizar esta atividade escrevendo um texto focando: que tipo de escola você almeja (agora é o momento de sonhar, colocar no papel o modelo de escola em que você gostaria de trabalhar, indique a principal função social da escola, professores, gestor, comunidade...), enfim, registre seu ideal de educação. A seguir, pense e escreva como você vê a escola no real, no concreto. Busque focar a função da escola em sua atualidade e se ela é coerente com esta função, ou seja, verifique se a educação desta escola pratica a inserção social. Então, vamos escrever? AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 1TÓPICO 118 G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R A GESTÃO DA EDUCAÇÃO: POLÍTICAS E CAMINHOS A TRILHAR 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 2 UNIDADE 1 Neste tópico, abordaremos sobre o tema “Gestão da Educação”, conceituaremos gestão, educação e apresentaremos a finalidade da educação. Daremos ênfase à gestão educacional e à gestão escolar, definindo as incumbências de cada esfera governamental no que diz respeito à gestão da educação, composição dos sistemas de ensino e a gestão escolar. Para melhor compreensão do assunto estudaremos um texto de Maria Beatriz Luce, intitulado “Gestão Educacional Versus Gestão Escolar”. Em seguida, dialogaremos sobre a gestão escolar e sua classificação. Como já havíamos mencionado no Tópico 1, fica difícil falar em gestão sem abordar a gestão democrática, assim, citamos os três princípios básicos desta gestão, que são: descentralização, participação e autonomia. Para melhor entendimento destes princípios, você terá a oportunidade de ler como texto complementar as “perspectivas da gestão escolar e implicações quanto à formação de seus gestores”. Bons estudos! 2 GESTÃO DA EDUCAÇÃO Prezado(a) acadêmico(a), a “Gestão da Educação” vem sendo um tema crescente e de vital importância no âmbito escolar, independente da rede à qual a escola pertence, sendo ela estadual, municipal e/ou particular. A temática é pertinente, pois dá abertura ao novo, ao ser democrático, participativo, autônomo, dialógico ... Neste sentido, é pertinente iniciar com o seguinte pensamento de Freire (1987, p. 47): “Se o diálogo é o encontro dos homens para SER MAIS, não pode fazer-se na desesperança. Se os sujeitos no diálogo nada esperam do seu que fazer, já não pode haver diálogo. O seu encontro é vazio e estéril. É burocrático e fastidioso”. UNIDADE 1TÓPICO 220 G E S T Ã O E S C O L A R A gestão vem do verbo latino gerere, que significa fazer, exercer, executar, administrar, ou seja, é o ato de gerir projetos. Nesteaspecto, volta-se à postura dialógica para o conceito gestão como forma de governo da educação. A gestão é entendida também como uma grande evolução do ato de administrar, buscando o trabalho coletivo e abolindo o trabalho individual. Paro (1999, p. 23) entende a gestão como “[...] a coordenação do esforço humano coletivo ou simplesmente coordenação, utilizando a palavra para indicar o campo de interesse teórico- prático da administração que diz respeito ao emprego racional do esforço humano coletivo”. Com este olhar, percebe-se que cada ser humano proponha-se a aprender, estudar, pensar, compreender de maneira racional, com ênfase no trabalho coletivo, estudo coletivo. IMP OR TAN TE! � A gestão da educação deve realizar plenamente suas ações de caráter mediador. Assim como a dialógica da relação pedagógica, deverá assumir postura democrática para atender os direitos da população. FIGURA 3 – ESPAÇO PARA APRENDER FONTE: Disponível em: <http://blogcelianeri.wordpress.com/2012/03/02/mafalda/205-mafalda/>. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 1 TÓPICO 2 21 G E S T Ã O E S C O L A R Nesse contexto, a educação é a arte de formar, desenvolver o cidadão, bem como a criança, em sua totalidade. A finalidade da educação é o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (CF, art. 2005 e LDB, art. 2º). A Lei no 9.394/96 atribui um sentido amplo à educação, definindo que esta abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida da família, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações sociais. A gestão da educação vem justamente para alertar que uma escola não é composta por somente um gestor. Todos os agentes diretos e/ou indiretos são autores/coautores e principalmente gestores da educação. Nesse sentido, você é gestor de suas ações, responsável e corresponsável pelas ações que acontecem em seu entorno. DIC AS! Para aprofundar os seus conteúdos apresento como sugestão de leitura o livro: LÜCK, Heloisa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis: Vozes, 2006. Volume I – Série Cadernos de Gestão. Ótima leitura! 2.1 GESTÃO EDUCACIONAL E GESTÃO ESCOLAR – INCUMBÊNCIAS Estimado(a) acadêmico(a), a gestão da educação como um todo se expressa por meio da organização dos sistemas de ensino. Esta organização perpassa pelo sistema de ensino em três esferas, que são: federal, estadual e municipal. Desta forma, apresento a você as incumbências da União, dos estados e dos municípios. Observe a síntese no diagrama a seguir: UNIDADE 1TÓPICO 222 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: Brasil (1996, art. 9º, 10 e 11) FIGURA 4 – GESTÃO EDUCACIONAL – INCUMBÊNCIAS Da mesma forma, apresento a composição dos sistemas de ensino de responsabilidade de cada esfera governamental. Vale saber: UNIDADE 1 TÓPICO 2 23 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: Brasil (1996, arts. 9º, 10 e 11) A LDB de 1996 dá uma atenção especial à gestão escolar, configurando com um novo olhar sobre a política educacional. Desta forma, são atribuídas 7 principais incumbências à gestão escolar, ou seja, à escola. Incumbências essas, não de alguns, mas de todos os envolvidos no contexto escolar. Visualize-as no diagrama a seguir: FONTE: Brasil (1996, arts. 9º, 10 e 11) FIGURA 5 – COMPOSIÇÃO DOS SISTEMAS DE ENSINO – INCUMBÊNCIAS FIGURA 6 – INCUMBÊNCIAS DA GESTÃO ESCOLAR UNIDADE 1TÓPICO 224 G E S T Ã O E S C O L A R UNI Vale lembrar, caro(a) acadêmico(a), que as políticas educacionais preestabelecem ações, mas não dizem o que se consegue, pois essa realização acontece no cotidiano escolar. 2.1.1 Gestão educacional versus gestão escolar A gestão educacional refere-se a um amplo espectro de iniciativas desenvolvidas pela União, estados, Distrito Federal e municípios, seja em termos de responsabilidades compartilhadas na oferta de ensino ou de outras ações que desenvolvem no âmbito específico de sua atuação. A gestão escolar, por sua vez, como a própria expressão sugere, situa-se no âmbito da escola e diz respeito a tarefas que estão sob sua esfera de abrangência. Nesse sentido, pode-se dizer que a política educacional está para a gestão educacional como a proposta pedagógica está para a gestão escolar. Assim, é lícito afirmar que a gestão educacional situa-se na esfera macro , ao passo que a gestão escolar localiza-se na esfera micro. Ambas se articulam mutuamente, dado que a primeira justifica-se a partir da segunda. Noutras palavras, a razão de existir da gestão educacional é a escola e o trabalho que nela se realiza. A gestão escolar, por sua vez, orienta-se para assegurar aquilo que é próprio de sua finalidade — promover o ensino e a aprendizagem, viabilizando a educação como um direito de todos, conforme determinam nossa Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases. No âmbito do sistema educacional há um significativo conjunto de atividades próprias da gestão educacional, a exemplo de orientações e definições gerais que dão substância às políticas educativas, assim como o planejamento, o acompanhamento e a avaliação. Outras se inscrevem no campo da gestão escolar, de modo específico aquelas que envolvem a tarefa cotidiana de ensinar e aprender. Nesta esfera da gestão situam-se professores, alunos e outros membros da comunidade escolar - funcionários que trabalham na escola, docentes que ocupam cargos diretivos, famílias e integrantes da área de abrangência geográfica onde se localiza a escola. Muitos dos que atuam na esfera da gestão educacional são também educadores e fazem parte de organizações como secretarias de educação, órgãos normativos do sistema ou outras instituições integrantes do sistema educacional, nas diversas esferas do Poder Público. Por vezes existem problemas de comunicação acerca das responsabilidades de cada parte entre os integrantes da gestão educacional e os da gestão escolar. É verdade UNIDADE 1 TÓPICO 2 25 G E S T Ã O E S C O L A R que muito pode, precisa e deve ser feito no sentido de aproximar essas duas esferas da gestão, mesmo porque sua finalidade última tem um norte comum — promover a educação de qualidade para todos, conforme definem a Constituição e a LDB. FONTE: LUCE, Maria Beatriz. Gestão escolar democrática: concepções e vivências. Porto Alegre: UFRGS, 2006. p. 35-36. FIGURA 7 – ATIVIDADES PRÓPRIAS DA GESTÃO EDUCACIONAL E GESTÃO ESCOLAR FONTE: A autora UNIDADE 1TÓPICO 226 G E S T Ã O E S C O L A R 2.2.1 Gestão Gestão é saber que permite lidar com o teórico, com o científico e com o racional. Segundo Lück (2006, p. 1), “[...] o conceito de gestão está associado ao fortalecimento da democratização do processo pedagógico, à participação responsável de todos nas decisões necessárias e na sua efetivação mediante um compromisso coletivo com resultados educacionais cada vez mais efetivos e significativos”. Neste sentido, a gestão está ligada ao fortalecimento da democratização da escola, em seu aspecto pedagógico, obtendo a participação de todos nas decisões das ações a serem realizadas. Por isso, pode-se considerar que a gestão é a instância de organização e funcionamento da escola, ela acompanha a execução de um plano ou projeto. Ou seja, a gestão constitui-se no aspecto da administração, junto com a política, planejamento e avaliação da instituição. 2.2.2 Olhares da gestão escolar A gestão da escola vem passando por desafios e mudanças oriundos das crescentes exigências sociais por uma educação básica de qualidade, do avanço do conhecimento sobre a aprendizagem, de novas políticas educacionais e do avanço do conhecimento sobre a gestão escolar. Para nossa melhor compreensão, é importante considerar que a gestão escolar tem por finalidade superar os desafios oriundos da administração escolar, buscando olhares significativos à gestão pedagógica, gestão dos recursos humanos e administrativosno âmbito da educação escolar. 2.2 A GESTÃO ESCOLAR UNIDADE 1 TÓPICO 2 27 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: A autora Portanto, estas três classificações apresentadas - a gestão pedagógica, gestão dos recursos humanos e a gestão administrativa - caminham juntas, integradas, com o objetivo de garantir o processo educativo das unidades escolares. Sendo o gestor escolar (diretor da escola) o agente responsável direto por todas as áreas. 2.2.3 Gestão escolar democrática e seus princípios A gestão escolar democrática surge para fixar novas ideias e estabelecer, na instituição, uma orientação transformadora, a partir da dinamização da rede de relações que ocorrem no contexto interno e externo da escola. Por gestão democrática entende-se que é uma forma de melhoria na e da convivência humana, que se constrói na cultura do povo e sua história. Num convívio pela busca do exercício coletivo e participativo de uma comunidade junto ao poder público, fortalece a democracia; ou seja, os agentes de uma comunidade são coautores das ações de uma sociedade da qual fazem parte. Bordenave (1994, p. 8) afirma que “Democracia é um estado de participação”. O caráter democrático de uma gestão não pode estar descompromissado da emancipação humana. Trata-se de fortalecer os procedimentos de participação das comunidades escolares no governo da escola, a busca da descentralização do poder e tomada de decisão. Nesse contexto, a gestão democrática tem por objetivo envolver-se na construção de projetos, propostas pedagógicas, projeto político-pedagógico, entre outros. Com este olhar, caro(a) acadêmico(a), o processo de gestão escolar deve ser democrático e vai além da gestão administrativa. FIGURA 8 – GESTÃO ESCOLAR: SEUS OLHARES UNIDADE 1TÓPICO 228 G E S T Ã O E S C O L A R Este processo da gestão escolar, como já mencionado no item anterior, no seu bojo democrático, estimula a participação de diversas pessoas que articulam comumente dos aspectos financeiros, pedagógicos e administrativos. IMP OR TAN TE! � A democracia é o processo de participação, aprendizagem contínua da capacidade crítica e da autonomia. A democracia supõe a convivência, o diálogo entre agentes que pensam diferentes, mas almejam questões distintas. A Constituição brasileira estabeleceu como princípio básico a gestão democrática do ensino público e outros seis princípios. Assim, a Constituição relaciona sete princípios no artigo 206. Observe o diagrama a seguir: UNIDADE 1 TÓPICO 2 29 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: Adaptado de: Brasil (2004, art. 206) PRINCÍPIOS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA I - IGUALDADE Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. II - LIBERDADE Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. III - PLURALISMO IV - GRATUIDADE Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. V - VALORIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS Valorização dos profissionais de ensino, garantindo, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso, exclusivamente, por concurso público de provas e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União. VI - GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO PÚBLICO Gestão democrática do ensino público, na forma da lei. VII – GARANTIA Garantia de padrão de qualidade. FIGURA 9 – PRINCÍPIOS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA UNIDADE 1TÓPICO 230 G E S T Ã O E S C O L A R LEITURA COMPLEMENTAR PERSPECTIVAS DA GESTÃO ESCOLAR E IMPLICAÇÕES QUANTO À FORMAÇÃO DE SEUS GESTORES Heloisa Lück [...] São objeto deste artigo a mudança de concepção de escola e implicações quanto à gestão, as limitações do modelo estático de escola e de sua direção; a transição de um modelo estático para um paradigma dinâmico; a descentralização, a democratização da gestão escolar e a construção da autonomia da escola, [...]. Mudança de concepção de escola e implicações quanto à sua gestão Já é lugar comum a afirmação de que vivemos uma época de mudança. Porém, a mudança mais significativa que se pode registrar é a do modo como vemos a realidade e de como dela participamos, estabelecendo sua construção. No geral, em toda a sociedade, observa-se o desenvolvimento da consciência de que o autoritarismo, a centralização, a fragmentação, o conservadorismo e a ótica do dividir para conquistar, do perde-ganha, estão ultrapassados, por conduzirem ao desperdício, ao imobilismo, ao ativismo inconsequente, à desresponsabilização por atos e seus resultados e, em última instância, à estagnação social e ao fracasso de suas instituições. Essa mudança de paradigma é marcada por uma forte tendência à adoção de concepções e práticas interativas, participativas e democráticas, caracterizadas por movimentos dinâmicos e globais, com os quais, para determinar as características de produtos e serviços, interagem dirigentes, funcionários e ‘clientes” ou “usuários”, estabelecendo alianças, redes e parcerias, na busca de soluções de problemas e alargamento de horizontes. Em meio a essa mudança, não apenas a escola desenvolve essa consciência, como a própria sociedade cobra que o faça. Assim é que a escola se encontra, hoje, no centro de atenções da sociedade. Isto porque se reconhece que a educação, na sociedade globalizada e economia centrada no conhecimento, constitui grande valor estratégico para o desenvolvimento de qualquer sociedade, assim como condição importante para a qualidade de vida das pessoas. Embora esse enfoque não seja plenamente adotado e, quando levado em consideração, seja orientado, ainda, por um velho e já enfraquecido paradigma orientador da cobrança, em vez de participação, ele tem grande impacto sobre o que acontece na escola, que é hoje, mais do que nunca, bombardeada por demandas sociais das mais diversas ordens. Observa-se, também, o interesse de grupos e organizações, no sentido de colaborarem com a escola, constituindo-se essa área um campo fértil para a realização de parcerias em prol da educação, O princípio de gestão democrática do ensino público foi regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.3945/96). UNIDADE 1 TÓPICO 2 31 G E S T Ã O E S C O L A R para o desenvolvimento da sociedade e, por conseguinte, um grande desafio para os gestores escolares, por exigirem deles novas atenções, conhecimentos e habilidades. [...] São demandadas mudanças urgentes na escola, a fim de que garanta formação competente de seus alunos, de modo que sejam capazes de enfrentar criativamente, com empreendedorismo e espírito crítico, os problemas cada vez mais complexos da sociedade. [...]. A educação, no contexto escolar, se complexifica e exige esforços redobrados e maior organização do trabalho educacional, assim como participação da comunidade na realização desse empreendimento, a fim de que possa ser efetiva, já que não basta ao estabelecimento de ensino apenas preparar o aluno para níveis mais elevados de escolaridade, uma vez que o que ele precisa é de aprender para compreender a vida, a si mesmo e a sociedade, como condições para ações competentes na prática da cidadania. E o ambiente escolar como um todo deve oferecer-lhe esta experiência. Educação, portanto, dada sua complexidade e crescente ampliação, já não é vista como responsabilidade exclusiva da escola. A própria sociedade, embora muitas vezes não tenha bem claro de que tipo de educação seus jovens necessitam, já não está mais indiferente ao que ocorre nos estabelecimentos de ensino. Não apenas exige que a escola seja competente e demonstre ao público essa competência, com bons resultados de aprendizagem pelos seus alunos e bom uso de seus recursos, como também começa a se dispor a contribuir para a realização desse processo, assim como a decidir sobre os mesmos. São inúmeros os exemplosde parcerias já existentes no contexto nacional entre organizações não governamentais e empresas, com a escola, assim como o bom funcionamento de associações de pais e mestres. Todo esse movimento, alterando o sentido e concepção de educação, de escola e da relação escola/sociedade, tem envolvido um esforço especial de gestão, isto é, de organização da escola, assim como de articulação de seu talento, competência e energia humana, de recursos e processos, com vistas à promoção de experiências de formação de seus alunos, capazes de transformá-los em cidadãos participativos da sociedade. [...]. A descentralização, a democratização da gestão escolar e a construção da sua autonomia da escola Muito embora as concepções de descentralização, democratização da gestão escolar e autonomia da escola sejam parte de um mesmo corolário, encontramos certos sistemas que buscam o desenvolvimento da democratização da gestão escolar, sem pensar na autonomia do estabelecimento de ensino e sem descentralizar poder para a mesma. Ou que pensam em construir sua autonomia, sem agir no sentido de criar mecanismos sólidos de sua democratização, em vista do que, paradoxalmente, se pode criar a autonomia do autoritarismo local. Por outro lado, ainda, observa-se o esforço de alguns sistemas de ensino, no sentido de desenvolver nas escolas os conceitos de democratização e autonomia, de modo centralizado, o que implica uma contradição paradigmática muito comum, que faz com que os esforços se UNIDADE 1TÓPICO 232 G E S T Ã O E S C O L A R anulem. Isso porque é comum a prática de se incentivar a promoção de mudanças de cima para baixo, na hierarquia funcional, de modo que a mudança pretendida é proposta para a escola, não sendo absorvida e praticada por quem a propõe. Em vista disso, sendo implantada linearmente e contrariamente ao seu espírito e propósitos estabelecidos (LüCk, 1985). [...] O processo de descentralização [...] É preciso reconhecer que a descentralização tem sido praticada tendo como pano de fundo não apenas essa perspectiva de democratização da sociedade, mas também a de promover melhor gestão de processos e recursos e, ainda, como condição de aliviar os organismos centrais que se tornam sobrecarregados com o crescimento exponencial do sistema educativo e a complexidade das situações geradas, que inviabilizam o controle central (BARROSO, 1997). [...] A descentralização da educação é, por certo, um processo extremamente complexo e, quando se considera o caso do Brasil, a questão se complexifica ainda mais, por tratar-se de um País continente, com diversidades regionais muito grandes, com distâncias imensas que caracterizam, também, grande dificuldade de comunicação, apesar de vivermos na era da comunicação mundial em tempo real. Em vista disso, só se pode pensá-la em termos graduais e processuais, mediante conquistas sucessivas. Cabe aqui aplicar os princípios da participação propostos por Pedro Demo (1988), no sentido de que participação é conquista. [...] É em decorrência de tal situação que, em muitos casos, pratica-se muito mais a desconcentração do que propriamente a descentralização, isto é, realiza-se a delegação regulamentada da autoridade, tutelada ainda pelo poder central, mediante o estabelecimento de diretrizes e normas centrais, controle na prestação de contas e a subordinação administrativa das unidades escolares aos poderes centrais, em vez de delegação de poderes de autogestão [...]. Segundo Florestal e Cooper (1997, p. 32), “desconcentração é ato de conferir autoridade a um agente situado em um nível inferior na mesma hierarquia e localizado mais próximo dos usuários do serviço, com o entendimento de que esses agentes mantêm-se sob o controle hierárquico do governo central”. A autonomia da escola Em associação à descentralização, a autonomia da escola é dos conceitos mais mencionados nos programas de gestão promovidos pelos sistemas estaduais de ensino, como também em programas do Ministério de Educação, uma vez que neles está presente, como condição para realizar o princípio constitucional de democratização da gestão escolar. Isto porque a autonomia de gestão da escola, a existência de recursos sob controle local, junto com a liderança pelo diretor e participação da comunidade, são considerados os quatro pilares sobre os quais se assenta a eficácia escolar. UNIDADE 1 TÓPICO 2 33 G E S T Ã O E S C O L A R UNI O conceito de autonomia da escola está relacionado com tendências mundiais de globalização e mudança de paradigma que têm repercussões significativas nas concepções de gestão educacional e nas ações dela decorrentes. Descentralização do poder, democratização do ensino, instituição de parcerias, flexibilização de experiências, mobilização social pela educação, sistema de cooperativas, interdisciplinaridade na solução de problemas são alguns dos conceitos relacionados com essa mudança. Entende-se, nesse conjunto de concepções, como fundamental, a mobilização de massa crítica para se promover a transformação e sedimentação de novos referenciais de gestão educacional para que a escola e os sistemas educacionais atendam às novas necessidades de formação social a que a escola deve responder, conforme anteriormente apontado. A autonomia é uma necessidade, quando a sociedade pressiona as instituições para que realizem mudanças urgentes e consistentes, para que respondam com eficácia e rapidamente às necessidades locais e da sociedade globalizada, em vista do que, aqueles responsáveis pelas ações devem tomar decisões rápidas, de modo que as mudanças ocorram no momento certo, a fim de não se perder o momentum de transformação e da realização de objetivos. E esse momentum é sobretudo dependente de comprometimento coletivo. [...] O verbete autonomia, conforme propõe o Dicionário Básico da Língua Portuguesa (FERREIRA, 1995), é a capacidade de resolver seus próprios problemas”. [...] FONTE: LÜCK, Heloisa. Perspectiva da gestão escolar e implantações quanto à formação de seus gestores. Em Aberto: revista do INEP, Brasília, v. 17, jun. 2000. Estimado(a) acadêmico(a), neste caderno estudaremos mais sobre a gestão democrática, como: descentralização, participação, autonomia da escola. Estes também são princípios que norteiam a gestão escolar voltada ao trabalho dos conselhos escolares, PPP, entre outros. UNIDADE 1TÓPICO 234 G E S T Ã O E S C O L A R RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico você viu que a gestão da educação está comprometida com a emancipação humana e incorpora ao seu papel a mediação do conhecimento. A gestão da educação não é gerida somente pelo gestor da unidade escolar, mas sim por todos os agentes diretos ou indiretos que compõem a escola. Estudamos também sobre: Incumbências da gestão educacional e da gestão escolar. Classificação da gestão escolar. Princípios da gestão democrática. Por fim, você pôde constatar que, na gestão da educação, o caráter democrático de uma instituição não pode estar descompromissado com a emancipação do ser humano. UNIDADE 1 TÓPICO 2 35 G E S T Ã O E S C O L A R A gestão democrática constitui um meio necessário para se atingir objetivos propostos pelos segmentos da escola em sua coletividade. Pense e assinale os objetivos que você considera relevantes para a realidade de sua escola e/ou para a escola em que você irá trabalhar: ( ) Organizar atividades multicurriculares de acordo com a proposta do currículo de sua escola. ( ) Envolver a comunidade escolar nas ações, decisões, oportunizando maior qualidade na educação. ( ) Melhorar o desempenho no processo de construção do conhecimento dos alunos. Agora, tente argumentar, em um parágrafo, de acordo com os objetivos assinalados, se sua escola pratica a gestão democrática e se, para você, esta prática é importante. Por quê? AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 1TÓPICO 236 G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R O GESTOR ESCOLAR NOS TEMPOS ATUAISE SUA FORMAÇÃO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 3 UNIDADE 1 Os gestores escolares são agentes do processo educativo escolar, com a função básica de coordenação sociopolítica da escola. Com este olhar desenvolveremos, neste tópico, a função e o processo de gerir uma unidade escolar. Desta forma, é necessário que o gestor saiba conduzir sua equipe de trabalho para que esta participe das ações da escola como coautores da gestão escolar. Assim, apresentaremos textos referentes à função do gestor escolar, sua competência, a gestão de pessoas e o planejamento escolar. Enfatizaremos também a importância da formação continuada do gestor escolar e a arte de gerir, afinal, a escola funciona como uma colmeia, com a diferença de que seu funcionamento não é natural, mas, sim, historicamente construído. Neste parâmetro, a escola é uma realidade cultural, com normas e costumes elaborados num contexto histórico. 2 GESTOR ESCOLAR UNIDADE 1TÓPICO 338 G E S T Ã O E S C O L A R 2.1 A FUNÇÃO DO GESTOR ESCOLAR E SUA IMPORTÂNCIA Caro(a) acadêmico(a), é momento de olhar o ambiente escolar e conversar um pouco sobre a função do gestor escolar. É o gestor escolar o responsável pela administração e política realizadas dentro de uma instituição de ensino. Este profissional precisa estar bem preparado profissionalmente, consciente de sua fundamental importância no processo político-pedagógico da escola, na qual se encontre à frente. A função deste profissional, há alguns anos, era limitada à resolução dos problemas administrativos, principalmente quando emanados da administração pública. Sua administração era somente direcionada à responsabilidade pela escrituração e registro escolar, assinatura de “livro ponto” dos professores e conservação do patrimônio da escola, tendo tudo registrado em livro ata. Atualmente, sua função vai além disto, direciona-se para a articulação das diversas variáveis que se apresentam na escola, como as relações entre professores, alunos e funcionários. Através do seu papel, procura garantir o bem-estar da comunidade escolar. FIGURA 10 – GESTOR ESCOLAR FONTE: Adaptado de: <http://professoredinfantil.blogspot.com.br>. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 1 TÓPICO 3 39 G E S T Ã O E S C O L A R Muitos autores brasileiros, dentre eles Vitor Paro e Myrtes Alonso, desenvolveram trabalhos sobre Administração Escolar, partindo do pressuposto de que, na escola, devem ser aplicados os mesmos princípios administrativos adotados em empresas capitalistas. Sendo seus métodos e técnicas possíveis de serem adaptados a qualquer tipo de organização, inclusive escolar. Nesta perspectiva, administrar é um processo complexo de gerir negócios com características próprias. Por outro lado, o administrador escolar é muito mais do que um mero administrador, é um agente articulador, que assume, perante a comunidade, o compromisso de oferecer um serviço de qualidade, com habilidade para lidar tanto com o administrativo-político quanto com o pedagógico. E, neste ponto, deve-se atentar para que um não se sobreponha ao outro. Paro (2000) descreve como essencial a participação do gestor escolar no processo político-pedagógico da escola, pois sua atuação pode ter implicações sobre a transformação social, dentro e fora da escola. Nessa perspectiva, a escola é capaz de contribuir com sua parcela significativa para as mudanças sociais, ou seja, em nível econômico, político e do grupo que detém os meios de produção sobre o restante da sociedade. Seria impossível o desenvolvimento da atividade administrativa voltada para a transformação social, na escola, se esta fosse, a priori, incapaz de contribuir para tal transformação. É importante que se determine como imprescindível a participação da escola na formação total do aluno como cidadão, consciente de seus direitos e deveres, e também de sua importância na transformação político-social do seu país. Neste sentido, para que as transformações na qualidade de ensino ocorram, é necessário que o gestor motive para a participação da comunidade escolar. Para isso, o gestor deve estar em contato permanente, fazendo com que cada profissional, aluno e pai, sintam que a escola lhes pertence. O gestor deve ser a referência da instituição, dando apoio e incentivando os professores, valorizando o seu desempenho, e extraindo o máximo de sua equipe de profissionais. Por isso, o gestor, no processo educativo, agrega a função de coordenar a ação pedagógica da escola. É necessário que o gestor escolar saiba envolver sua equipe na realização de projetos que resolvam a situação, de forma que esta transformação faça com que os profissionais compreendam melhor a realidade educacional em que atuam. Ao se resolver tais problemas, a comunidade escolar adquire consciência de seu poder de mudar a realidade, com os recursos disponíveis. Como já foi afirmado, a função do gestor escolar vai além do simples ato de administrar. Ele assume uma série de funções, tanto de natureza administrativa quanto pedagógica, desempenhando as funções de organização, administração e supervisão. UNIDADE 1TÓPICO 340 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! Assista ao Programa TV Escola “A função do gestor”, em vídeo, realizado no dia 04/01/2006, na área do Ensino Médio. (Verifique se sua escola, ou a escola do seu bairro, tem esse material). Nesta abordagem, a direção deve participar de todos os assuntos escolares, descentralizando o poder e dividindo as tarefas com os diferentes tempos e espaços da escola. Dessa maneira, permite um equilíbrio entre os aspectos materiais e pedagógicos da escola. Para Hora (2005, p. 18), a “[...] principal função é realizar, por intermédio da administração, uma liderança política, cultural e pedagógica, a fim de garantir atendimento das necessidades educacionais de sua clientela, cuidando da elevação do nível cultural das massas”. Neste olhar, a principal missão do gestor está em oportunizar o desenvolvimento do potencial humano, suas habilidades, capacidades, conhecimentos, com autodisciplina decorrente de uma gestão autônoma e responsável. ATEN ÇÃO! Gestor é aquele que não apenas administra, mas coordena e articula a participação dos envolvidos no processo pedagógico, almejando a equidade e inclusão dos atores escolares. O objetivo da educação está na formação de cidadãos capazes de elaborar uma visão crítica sobre a realidade social, cultural e econômica. Nesta visão, não cabe ao gestor uma autoridade burocrática, encerrada em ordens manejadas pelo sistema. Cabe-lhe, sim, levar em conta a realidade de sua comunidade e assumir uma práxis educacional socialmente comprometida. 2.2 AÇÕES PRÁTICAS DE UM GESTOR ESCOLAR O gestor escolar, além das habilidades técnicas, deve ter sensibilidade às questões e necessidades humanas. Desta forma, conseguirá multiplicar a participação de todos no processo de gerir a escola. Vejamos, a seguir, algumas das necessidades humanas: UNIDADE 1 TÓPICO 3 41 G E S T Ã O E S C O L A R NECESSIDADES (emoções) Ser notado (Visto) Ser aceito (Sem preconceito) Ser independente (Opinar, decidir) Ser amado (Cultivado) AÇÃO DO LÍDER/GESTOR EM RELAÇÃO AO COLABORADOR (Ser Humano como um todo) Ir até o local de trabalho (sala de aula, onde o colaborador se encontra), conversar sobre sua função e agradecer-lhe pelo empenho. Demonstrar a importância que tem a sua presença . Sempre que possível, chamá-lo para conversar ou tomar um cafezinho. Dar espaço para que o colaborador tome decisões, mesmo que erre algumas vezes. O importante é dar-lhe oportunidade de vez e voz. Perguntar sobre sua família, sua saúde, um cumprimento, um sorriso, um toque no ombro. Mostre que ele é querido em seu local de trabalho e fora dele. FONTE: Adaptado pela autora Desta forma, o tato do gestor para estas questões poderá interferir sobre o desempenho de seu pessoal. Na visão de Lück (2006), é imprescindível o processo de consultoria como via para a atuação do gestor e demais profissionaisda escola, pois é através dela que haverá um consenso das ideias, opiniões e informações sobre determinada problemática. Para tal, o gestor deverá estar aberto às novas ideias, opiniões e propostas de resolução dos problemas referentes à escola. QUADRO 1 – NECESSIDADES HUMANAS E A GESTÃO ESCOLAR UNI Caro(a) acadêmico(a): “Uma instituição não tem cara e não tem alma. Tem história, mas não tem histórias. Cara e histórias têm as pessoas que trabalham na instituição: que são também os que lhes fornecem a alma”. (Luis Fernando Veríssimo) Na sequência, atente para os aspectos preponderantes da ação do gestor, voltando seu olhar para as práticas escolares que você já vivenciou, vivencia ou pensa vivenciar. Esta é uma questão fundamental para nós, pois é necessário identificar as competências exigidas para a gestão escolar, com vistas a desenvolver as habilidades para tal fim. UNIDADE 1TÓPICO 342 G E S T Ã O E S C O L A R O gestor escolar assume uma condição muito próxima a um líder, pois congrega objetivos e ações plurais de um grupo – o corpo da escola manifestados pelos conflitos e consensos da rede de relações entre estudantes, educadores, pessoal de apoio, pais e comunidade do seu entorno. Equivale dizer que há uma relação dialógica a ser cultivada, construída e vivida de forma histórica entre os agentes da gestão a ser empreendida pela escola com caminhos previstos no projeto pedagógico escolar. Segundo o Manual da Escola de Gestores (MEC, 2007), o gestor escolar efetiva um verdadeiro exercício de liderança, na medida em que medeia, integra e catalisa os aspectos encontrados na administração geral da escola e a articulação com os sistemas de ensino, bem como na administração pedagógica e no acompanhamento da proposta educacional. Consideramos que, para a construção de uma identidade própria, é indispensável ao gestor: desenvolver instrumentos que qualifiquem os processos e procedimentos da gestão escolar; identificar e compreender a função social de sua escola na comunidade em que está inserida; propor e coordenar a participação na elaboração do projeto pedagógico; envolver no processo a avaliação institucional e de aprendizagem; propiciar a estimulação e elaboração de projetos com a comunidade; considerar na gestão da escola aspectos que tornem a aprendizagem dos alunos mais significativa; estimular a criação de mecanismos de gestão colegiada; motivar as competências pessoais de professores e funcionários para a efetivação da qualidade de ensino; motivar e coordenar ações de valorização profissional; desenvolver e acompanhar a gestão financeira. UNIDADE 1 TÓPICO 3 43 G E S T Ã O E S C O L A R AUT OAT IVID ADE � Convido você a refletir sobre essas capacidades que foram listadas no texto anterior, descrevendo ações reais para cada item. Lembre-se de atuar como possível gestor. 2.3 COMPETÊNCIAS DE UM GESTOR ESCOLAR IMP OR TAN TE! � A competência é entendida como uma potência geradora capaz de originar atitudes, valores e decisões em função de determinada resolução. Conforme Perrenoud (2000, p. 31), “A competência situa-se além dos conhecimentos. Não se forma com a assimilação de conhecimentos suplementares, gerais ou locais, mas sim com construção de um conjunto de disposições e esquemas que permitem mobilizar os conhecimentos na situação, no momento certo e com discernimento”. Para você, o que é competência? Em se tratando do gestor, evidenciamos não uma competência, mas competências que estão localizadas na pessoa, até mesmo de forma não consciente, e em sua formação específica. Não se estabelecem pelos critérios de habilidades e produtividade. Definimos, então, competência como um princípio ativo da formação humana, que é cognitivo, afetivo e social. Isso significa que competência está ligada ao pensamento, à convivência e à emoção? Esperamos que você também afirme que sim, pois as competências constituem as condições objetivas e subjetivas para que sejamos sujeitos de nossa própria história. Resgatamos, neste momento, dois conceitos referenciados por Wittmann (2004): a gestão de competências humanas e a gestão de pessoas. UNIDADE 1TÓPICO 344 G E S T Ã O E S C O L A R 2.3.1 Gestão de competências Gestão de competências humanas se refere ao processo de formação das pessoas como sujeitos históricos e sociais que pensam, simbolizam e (re)constroem conhecimentos. Sujeitos que produzem sentidos às suas existências. Na escola, esta gestão se faz presente em todo o cotidiano escolar, na medida em que ela não assume mais o papel de mera socialização do conhecimento, mas de formadora da história do princípio ativo da prática humana que ocorre desde a elaboração do projeto político-pedagógico da escola até a participação da família na escola, por exemplo. Ao lado dessa gestão, encontramos os esforços e ações coletivas dos atores-sujeitos envolvidos no fazer pedagógico. Ao gestor escolar, para cumprir sua função com propriedade, são indispensáveis três competências específicas: Liderança política Compromisso com a sociedade Ações Coordenar processos coletivos de gestão; adquirir competência cognitiva e atitudinal para exercer com afinco a gestão do trabalho pedagógico. O gestor deve ter legitimidade na sua função na liderança da comunidade escolar e local; saber dialogar, expressar-se perante sua equipe de trabalho e comunidade num todo; ser gestor político, saber agir com a razão e não somente com a emoção. Ter eficácia ao coordenar a prática educativa escolar, pois o gestor é a referência da administração da unidade escolar; elaborar e executar propostas educativas para a escola, sabendo articular com a gestão democrática, cumprindo com as concepções de educação do Projeto Político-Pedagógico; gerir com competência para uma educação de qualidade e para todos. FONTE: Adaptado de: Wittmann (2004) QUADRO 2 – COMPETÊNCIAS E AÇÕES DO GESTOR ESCOLAR Competências Técnica UNIDADE 1 TÓPICO 3 45 G E S T Ã O E S C O L A R IMP OR TAN TE! � 2.3.2 Gestão de pessoas A gestão de pessoas articula os indivíduos envolvidos de forma direta e indireta, intrínseca e extrínseca, com a finalidade educacional de determinada escola. Cabe à gestão de pessoas a coordenação e sistematização que os permitam desempenhar as suas ações de modo colaborativo, responsável e solidário. Lembre-se de que a competência envolve, antes de qualquer pressuposto, o princípio ativo do homem que é cognitivo, afetivo e social. É importante que você tenha percebido que as competências humanas determinam o sentido da prática educativa, bem como a gestão de pessoas determina as práticas pedagógicas no ambiente escolar. Este é o cerne, também, das competências do gestor escolar. É o gestor que estabelece, juntamente com sua equipe escolar, as finalidades da ação educativa de determinada escola, porque articula as deliberações e encaminhamentos necessários para que essa ação ocorra. Estabelece e procura preservar uma rede de relações administrativas, pedagógicas, sociais e afetivas, capazes de impulsionar uma gestão partilhada e solidária. Essas são demandas atuais presentes em uma educação emancipadora. Uma gestão escolar tem sentido de acontecer quando realizamos a ligação desse processo à educação emancipadora. Uma educação atinge esse sentido na medida em que constrói, para além dos conteúdos, uma formação ética e cidadã de seus envolvidos, principalmente aqueles a quem denominamos alunos. A nossa compreensão sobre este aspecto pode ser resumida da seguinte maneira: a gestão escolar está para a emancipação humana, assim como a emancipação humana contribui para que ela se desenvolva. Significa dizer que, entre tantas funções, a escola contribui para que as pessoas que nela convivem, construam e socializem saberes por meio de ações educativas organizadas. Para isso é indispensável que os atores-sujeitos envolvidos na instituição escolar encontrem oportunidades para decidir,pensar, compartilhar e responsabilizar-se, desenvolvendo suas autonomias. Uma educação emancipadora se faz presente no cotidiano escolar quando este lugar, privilegiado de diferentes saberes, oportuniza o intercâmbio entre todos os envolvidos na UNIDADE 1TÓPICO 346 G E S T Ã O E S C O L A R comunidade escolar e desta com a comunidade em que está inserida. Percebamos, com isso, que o objetivo da educação é contribuir para a construção do ser histórico. O cumprimento desta função exige o envolvimento de todos os atores, comunidade escolar e comunidade local, com participação efetiva na definição das condições que garantam a qualidade da educação oferecida. É oportuno lembrar que a educação não é apenas forjada pela prática social, mas também pela história cultural das sociedades, por isso ela é sócio-histórica. É um produto da cultura que vem se transformando ao longo do tempo, acompanhando os momentos diferentes da história dos homens. As práticas escolares dependem tanto das condições internas para a realização do ato educativo, como do funcionamento da gestão e das condições externas a elas, oriundas das expectativas e interesses dos grupos que interagem com a escola. Estamos reafirmando, aqui, o compromisso do gestor com o processo da relação da escola com a sociedade. Isto porque uma ação inovadora e emancipadora não pode abrir mão da parceria solidária entre as partes e os interesses múltiplos e mútuos de seus usuários, que culminam na utilização de mecanismos de conquista da qualidade educacional. Tal fato caracteriza uma ação interativa. Equivale dizer que a interação entre as pessoas, propiciada pela gestão, e dos vários grupos externos e internos à escola que elas pertencem, por sua vez, mantém expectativas em relação ao trabalho previsto, proposto e desenvolvido pela prática escolar. As mudanças ocorrem quando essas mesmas pessoas participam e deliberam das decisões acerca do que deve mudar e de como isso acontecerá. Lembramos que esse processo não ocorre de modo espontâneo, mas sistematizado e avaliado continuamente pelos participantes. Para a efetivação dessa interação e das propostas surgidas a partir dos grupos, o gestor necessita construir as suas competências e, por conseguinte, suas habilidades, com base em três eixos: o conhecimento, a comunicação e a historicidade. (WITTMANN, 1998). Esses pilares seriam as grandes dimensões de sua formação. O conhecimento está ligado à verticalização que se faz para o entendimento do trabalho pedagógico; envolve os saberes e os fazeres dos diferentes atos educativos. A comunicação diz respeito à interlocução exigida do gestor com seus parceiros, sejam alunos, professores, pais, funcionários e outros membros da comunidade. Envolve ações linguísticas como o diálogo, o encantamento e a (re)escrita. A historicidade diz respeito à inserção histórica do contexto em que se trabalha o conhecimento e as demandas sociais e econômicas para a escola. UNIDADE 1 TÓPICO 3 47 G E S T Ã O E S C O L A R Um gestor escolar constituirá as suas competências no desenvolvimento de suas ações, no contexto sócio-histórico em que são produzidos, pois envolvem um campo no qual ele se situa e no qual ele, também, atua. AUT OAT IVID ADE � Prezado(a) acadêmico(a), sugerimos que você recupere as ideias principais do que estudamos até aqui. Faça um levantamento dos conceitos principais do texto e organize-os sob a forma de um mapa mental. Chamamos isso de mapa conceitual. Desejamos bom trabalho! 2.4 O GESTOR ESCOLAR FRENTE AO PLANEJAMENTO Caro(a) acadêmico(a), além das ações que um gestor deve adotar diante das necessidades dos seus funcionários, colaboradores, cogestores da instituição, também é tarefa do mesmo estimular sua equipe para que ocorra o processo de construção do conhecimento em sua escola. Para isso, cabe a esse administrador: 1 concentrar-se nas pessoas, não nos sistemas; 2 fazer as pessoas acreditarem na possibilidade de mudar seus ambientes de trabalho, procurando diversificar atividades; 3 encontrar tempo para aprender a aprender; 4 adotar uma visão global dos problemas que surgem; 5 estimular a comunicação aberta e franca; 6 acreditar no trabalho em equipe e, principalmente, no trabalho da sua equipe; 7 ser um líder/gestor acessível, capaz de compreender as necessidades do outro; 8 equilibrar o interesse de todos os envolvidos, sem ter colaborador predileto. Nessa perspectiva, abrimos precedentes para uma nova forma de gestão escolar, não UNIDADE 1TÓPICO 348 G E S T Ã O E S C O L A R mais submissa e hierarquizada. Lück (2006), ao referir-se à antiga concepção de administração escolar, comenta que em virtude da necessidade de reordenação do sistema educacional, não se concebe mais dentro da Escola uma ação partidária, unilateral e autocrática por parte do Gestor. Busca-se a descentralização do trabalho de uma redefinição de papéis a fim de proporcionar resultados satisfatórios às pessoas que o praticam para consolidar uma ação progressista no desenvolvimento de todas as atividades dentro da escola. Com isso, a atuação do gestor é decisiva para o dinamismo da escola, uma vez que a mesma não pode afastar-se da realidade e desvincular-se do meio. Longe de desempenhar uma função meramente burocrática, cabe ao gestor estabelecer um relacionamento entre “meios e fins” para equacionar, na escola, problemas educacionais e administrativos. Ao administrador compete envolver o grupo que dirige não só na execução, mas também no planejamento ou programação, e na avaliação das atividades desenvolvidas. Assim, o Gestor deve promover uma criação de ambiente favorável para a autorrealização do seu pessoal, designando-os para funções que permitam a utilização do seu potencial. Entendemos que a prática de orientar as pessoas requer um conhecimento psicológico capaz de detectar nelas quais as habilidades que elas querem desenvolver e qual a melhor posição para que isso ocorra. Esta orientação é fator importante para a mobilização de talentos que resulta em mudança de comportamento e, consequentemente, o comprometimento de todos na construção de um planejamento realmente participativo. É nessa perspectiva que deve pautar a condução do planejamento participativo por parte do gestor, buscando sempre o envolvimento dos diversos segmentos que compõem a comunidade escolar a opinar, planejar, avaliar, e implementar a proposta de educação a ser efetivada na escola, ampliando-se, assim, a possibilidade de sucesso do referido planejamento. No entanto, tal planejamento não pode se reduzir em uma simples integração Escola-Família-Comunidade e, sim, visar à realização das pessoas envolvidas em todo o processo e, por conseguinte, a transformação da comunidade na qual a escola está inserida. A figura do gestor escolar, neste processo de planejamento, é de grande importância, pois cabe ao gestor escolar dar esclarecimentos teóricos a toda Comunidade no que diz respeito ao planejar coletivamente, incentivar as potencialidades para se tornarem ações criativas e inovadoras e garantir o diálogo no processo, a fim de que todas as decisões sejam de acordo com a realidade escolar. Assim, torna-se possível uma educação mais humana e democrática. Dalmás (1994) aborda a questão do clima escolar, mostrando que não pode haver hostilidades, individualismos, irresponsabilidades e omissões, pois esse clima compromete o andamento do planejamento participativo. Em contrapartida, um ambiente de acolhida, aceitação mútua e interesses um pelo outro, proporcionam um clima favorável ao trabalho coletivo, compartilhado e democrático. Assim, a existência da liberdade, do respeito, da fraternidade e companheirismo no UNIDADE 1 TÓPICO 3 49 G E S T Ã O E S C O L A R processo de planejamento participativo são fatores preponderantes para a realização de uma ação conjunta e coerente. Por conseguinte, atingiremos a conscientização,sendo esta a melhor maneira de conseguir mudanças de atitudes, com relação a inúmeras ideologias impostas pelo sistema dominante, pois, caso contrário, permaneceria a comunidade com a visão alienada em que vive. Sabemos que promover um clima favorável e manter o interesse da comunidade escolar não são tarefas fáceis. No entanto, de uma forma ou de outra, o gestor é desafiado a desenvolver situações que permitam o encontro e o diálogo. Haja vista que, muitas vezes, na própria escola há pessoas que participam da realização do trabalho apenas por obrigação ou que visam somente a garantia de permanência no emprego, ao invés de compartilharem objetivos, valores, crenças, expectativas comuns, embora estejam unidas por uma dependência recíproca. Sem contar com aquelas que, só por estarem presentes em determinados momentos, já acham que estão participando. Assim, para que haja de fato um processo participativo é necessário que haja responsabilidade nas etapas de elaboração e execução do planejamento. Tal participação no processo global de planejamento repercutirá na vida da escola, modificando relações e influenciando positivamente o processo de tomada de decisões. Ainda no decorrer da construção coletiva do planejamento, reafirma-se a necessidade da democratização das decisões e da própria gestão escolar. Com isso, vemos o quanto é necessário que tal ação democrática seja provocada, procurada e aprendida por todos, uma vez que a gestão democrática possibilita o caráter mais humano voltado para o aluno e para o seu bem-estar, objetivando a qualidade do ensino. Fica claro que esse caminho deve ser trilhado e descoberto por cada escola, e a mesma precisa despertar para o que assegura e regulamenta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 9.394/96, que, no artigo 14, apresenta os seguintes princípios (BRASIL, 1996): Art. 14 — Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios. I. Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto peda- gógico da escola; Il. Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Assim, percebe-se que se torna necessária e imprescindível a participação dos professores e especialistas na elaboração do projeto pedagógico da escola, na perspectiva de que as decisões antes centralizadas no gestor cedem lugar a um processo de resgate da efetiva função social de um trabalho de construção coletiva entre todos os agentes da escola e, destes, com a comunidade. UNIDADE 1TÓPICO 350 G E S T Ã O E S C O L A R AUT OAT IVID ADE � De certa forma, até o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) procura apoiar a gestão participativa na escola, quando reforça a ideia da participação das crianças e adolescentes na tomada de decisão no que diz respeito à sua vida e de seu direito à liberdade de opiniões e expressão, atribuindo também o direito aos pais ou responsáveis de estarem a par do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais. Com efeito, verificamos que a partir do momento que se concebe uma escola diferente, ou seja, saindo de uma estrutura antiga de administração centralizadora para uma descentralização de poder, assumida pela postura revolucionária do gestor. Agindo desta maneira, o administrador estará contribuindo na formação do tipo de indivíduo ideal para interagir na sociedade, ou seja, capaz de opinar, avaliar e socializar as decisões. A gestão democrática representa uma nova forma de administração, que rompe com a concepção de organização burocrática, assumindo a concepção de administração compartilhada e integrada totalmente à esfera pedagógica, com finalidade maior de desenvolver um ensino e aprendizagem que possa compor a vida do educando em todos os aspectos. Pressupondo um trabalho coletivo e compartilhado, em que os envolvidos se sintam à vontade e comprometidos com as ações educativas. Com isso, integra-se Escola e comunidade, permitindo que todos os membros participem, contribuindo assim para a construção do trabalho educativo. Neste contexto, a dimensão política da função do gestor está na articulação dessas ações coletivas para o desenvolvimento do projeto pedagógico da escola. Enfim, a gestão democrática significa a conquista da autonomia por parte do aluno, da escola, da família e da comunidade. Daí, a vantagem de uma gestão escolar participativa, pois as decisões tomadas coletivamente não se referem apenas na ótica de democratizar a escola internamente, mas também fortalecer a unidade escolar externamente. Caro(a) acadêmico(a), se você já é gestor ou pretende ser, pense sobre: Qual é ou qual será sua missão como gestor(a)? Então, imagine você como gestor/gestora e escreva. 2.5 O GESTOR ESCOLAR E SUA FORMAÇÃO Os desafios enfrentados pela escola exigem maior preparo e competência de sua gestão. Desta forma, a formação dos gestores escolares passa a ser um grande desafio para o sistema de ensino. UNIDADE 1 TÓPICO 3 51 G E S T Ã O E S C O L A R Em geral, a formação básica dos dirigentes escolares não acontece em sua área específica de atuação. A maioria dos cursos de formação continuada tende a ser teórica e conceitual. Em geral, esta também é a característica dos cursos superiores de formação inicial, em nível superior. A formação de gestores escolares, desde a reforma do curso de Pedagogia, esteve vinculada à oferta da habilitação em Administração Escolar. O MEC propunha, na década de 70, que todos os cargos de diretor de escola viessem a ser ocupados por profissionais formados neste curso. Com a abertura política na década de 80 e o início da eleição para o cargo de diretor/gestor, diminuiu significativamente o índice de candidatos para esse curso que, pela pouca procura, tornou-se inviável. Houve, no entanto, um movimento no sentido de ofertar cursos de especialização em gestão educacional, muito procurados por profissionais já no exercício dessas funções, porém, com um número relativamente pequeno de vagas. Nas instituições de ensino superior, o que se observa é uma oferta de oportunidades para a formação inicial de gestores escolares. Essa iniciativa, embora insuficiente, evidencia a necessidade de formação continuada, como complemento à formação inicial. IMP OR TAN TE! � É inconsequente esperar que os dirigentes escolares aprendam sua função em serviço, tentando acertar, através dos ensaios e dos erros. A qualidade de um sistema de ensino e de uma escola está relacionada, com a habilidade de seus profissionais e dirigentes. De pouco adiantam a melhoria do currículo formal, a introdução de métodos e técnicas inovadores, se os gestores não acompanharem tais mudanças e reformas no ensino. A capacitação deve constituir-se em um processo aberto, de formação continuada e permanente, não somente para gestores escolares, como para todos os profissionais da educação. Indico como leitura complementar a Resolução CNE/CP nº 1, de 15 de maio de 2006, que Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura. DIC AS! UNIDADE 1TÓPICO 352 G E S T Ã O E S C O L A R Como o gestor terá a capacidade de desenvolver trabalho que envolva: - estratégias de trabalho em equipe? Monitoramento de resultados? Planejamento e implementação do projeto político-pedagógico da escola? Promoção da integração escola-comunidade? Criação de novas alternativas de gestão? Realização de negociações entre os pares? Mobilização de agentes para a realização de ações educacionais? Manutenção de um processo de comunicação e diálogo aberto entre professores/alunos, pais/gestão, professor/professor, professor/comunidade? Estabelecimento da unidade na diversidade? Planejamento de reuniões e coordenação com eficácia? Articulação de interesses diferentes, perante uma gestão democrática, participativa, autônoma, descentralizada?Etc. Essas perguntas nos fazem lembrar que o trabalho da gestão escolar exige o exercício de múltiplas competências. A diversidade do trabalho do gestor é um enorme desafio. Cabe, no entanto, ao sistema educacional, organizar cursos de capacitação e formação continuada capazes de orientar os gestores no processo de gerir com competência sua unidade escolar. 2.6 A ARTE DE SER GESTOR ESCOLAR Estimado(a) acadêmico(a), a arte de ser gestor é ter consciência dos seus atos, inovar sempre, repensar estratégias e ações. O gestor deve se apresentar proativo, na busca constante de soluções para os problemas da unidade escolar. FIGURA 11 – GESTOR(A) E SUA EQUIPE FONTE: Disponível em: <http://didaticafundamental.blogspot.com.br/2009/04/ser-gestor- desafios.html>. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 1 TÓPICO 3 53 G E S T Ã O E S C O L A R UNI IMP OR TAN TE! � O gestor deve ser o coordenador, facilitador e mediador de todos os processos da escola. Os líderes fazem-se, não nascem feitos... E isto vale para os gestores. Com a arte de se tornar um gestor capaz de administrar sua escola como um verdadeiro líder, que aprende continuamente e se comunica. Arte – em seu significado mais geral, segundo o Dicionário de Filosofia (ABBAGNANO, 2007), é “todo conjunto de regras capazes de dirigir uma atividade humana qualquer [...] para Platão é a arte do raciocínio, como a própria filosofia no seu grau mais alto, isto é dialética [...] arte é a política e a guerra [...] é respeito e justiça [...]”. Neste sentido, a arte de ser gestor é AMAR E LIDERAR, conforme quadro a seguir: PACIÊNCIA BONDADE HUMILDADE RESPEITO ABNEGAÇÃO PERDÃO HONESTIDADE COMPROMISSO RESULTADOS: SERVIÇO E SACRIFÍCIO Mostrar autocontrole Dar atenção, apreciação e incentivo Ser autêntico e sem pretensão ou arrogância Tratar os outros como pessoas importantes Satisfazer as necessidades dos outros Desistir de ressentimento quando prejudicado Ser livre de engano Sustentar suas escolhas Pôr de lado suas vontades e necessidades; buscar o maior bem para os outros. FONTE: HUNTER, James. O monge e o executivo – uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. p. 96. QUADRO 3 – AMOR E LIDERANÇA UNIDADE 1TÓPICO 354 G E S T Ã O E S C O L A R Neste viés, temos que nos reportar sempre à função de líderes e gestores. Quando estão exercendo esta atribuição são chamados a doar-se, amar, servir ao outro. Amar não é como você se sente em relação ao outro, mas como você se comporta em relação ao outro. UNI “TODO LÍDER/GESTOR É UM ARTISTA. SEJAMOS ARTISTAS!” Neste sentido, apresentamos, a seguir, 12 regras da gestão/liderança. Leia com atenção e reflita sobre cada uma delas. 1 os líderes são simultaneamente confiantes e modestos; 2 os líderes são autênticos; 3 os líderes são bons ouvintes; 4 os líderes são eficazes em encorajar os outros e nunca se dão por satisfeitos; 5 os líderes realizam associações e vínculos inesperados; Ser gestor/líder artista é desenvolver suas habilidades de maneira autêntica, criativa, respeitando a si e seus colegas, é saber ouvir e argumentar na hora certa, estar propício a mudanças, é o ato de se dedicar à função de sua profissão. A matéria-prima de uma escola são as pessoas, por isto temos que saber lidar com as diferentes emoções e aptidões. Neste sentido, estimado(a) acadêmico(a), sejamos artistas! FIGURA 12 – ARTISTA CRIATIVO FONTE: Disponível em: <jotadeflavia.blogspot.com>. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 1 TÓPICO 3 55 G E S T Ã O E S C O L A R 6 os líderes fornecem a direção; 7 os líderes protegem dos perigos os que os rodeiam, mas expõem-lhes a realidade; 8 os líderes fazem a mudança – mas mantêm-se fiéis aos valores que são inalteráveis; 9 os líderes lideram através de exemplos; 10 os líderes não culpam, aprendem; 11 os líderes procuram os relacionamentos com os outros líderes; [A REGRA DE OURO:] 12 a verdadeira função do líder: desenvolver mais líderes. UNI O texto indicado como leitura complementar vem ao encontro com o que estudamos sobre as competências do gestor e sua forma de agir perante determinadas situações. Vale a pena conferir! LEITURA COMPLEMENTAR GESTOR: ASPECTOS TEÓRICOS QUE FUNDAMENTAM A DISCUSSÃO ACERCA DE COMPETÊNCIAS Afigura-se que, atualmente, a expressão gestor está sendo mais empregada no âmbito das instituições educativas. Isto pode ter relação com o fato de que este termo apreenda compreensivamente as diversas demandas a que as instituições educativas estão submetidas, e que seu uso decorra da noção de competência, cada vez mais amplamente usada, e das exigências de abertura e participação que atingem as instituições educativas. A partir do final dos anos oitenta a legislação cunha, consolida e dissemina a expressão gestão democrática. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n°9394/96, em seu artigo 3°, exige que o ensino seja ministrado com base em princípios, dentre os quais a gestão democrática do ensino público. UNIDADE 1TÓPICO 356 G E S T Ã O E S C O L A R As escolas estão sendo progressivamente responsabilizadas pelos resultados que produzem, por movimentos de defesa de sua autonomia, por políticas de desregulamentação de processos e de questionamento de procedimentos centralizadores nos sistemas de ensino. Assim, no âmbito escolar a decisão unipessoal está sendo cada vez mais questionada, embora haja muito espaço para o desenvolvimento da corresponsabilidade e construção de projetos coletivos, em decorrência da compreensão da supremacia do trabalho conjunto de agregação de esforços no âmbito escolar. A escola, tendo que assumir suas decisões e tendo mais espaço para tanto, deverá reagir dinamicamente a questões de ordem pedagógica de relações com a comunidade, de projeto institucional, de desenvolvimento profissional dos colaboradores e de utilização de recursos materiais e financeiros. Neste contexto, a noção de competência se coloca ao gestor (não mais o diretor autoridade unipessoal, cargo vinculado à estrutura hierárquica). Exige-se ação competente, reação dinâmica em cada situação, de forma integrada e considerando a situação como um todo (não mais em partes: pedagógico separado do administrativo, planejamento, seleção de pessoal, organização...). Para Isambert-Jamati (1997, p. 104), competente: [...] é aquele que domina suficientemente a área na qual intervém para identifi- car todos os aspectos de uma situação nessa área e para revelar eventualmente as distinções dessa situação. Mas para ser competente, deve também, munido destes conhecimentos, poder decidir a maneira de intervir a fim de obter tal resultado com eficácia e economia de meios. A ação competente implica, assim, numa visão dinâmica e articulada do todo da situação, envolvendo decisão e avaliação constante. As competências são inseparáveis da ação, isto é, “[...] não há competência total se os conhecimentos teóricos não forem acompanhados das qualidades e da capacidade que permitem executar as decisões sugeridas”. (ROPE; TANGUY, 1997, p.16). É impossível definir competências sem explicar as tarefas nas quais estas se materializam. Assim, as tarefas no âmbito da escola exigem um comportamento competente do gestor, sendo este termo rico de possibilidades de responder às múltiplas demandas a que este profissional da educação está submetido, especialmente se vinculado a políticas de autonomia e desregulamentação. Modificações na tomada de decisões no âmbito das instituições educativas estão ocorrendo pela instauração de espaços e processos participativos e colegiados, o que retira o poder de decisão de uma só pessoa, instituindo novas instâncias, ampliando o processo de decisão a grupos que estavam anteriormente excluídos. Tudo isto instaura no âmbito da Escola um ambiente novo e instigante, o qual sugere como mais apropriada a designação gestor e não diretor ou administrador. UNIDADE 1 TÓPICO 3 57 G E S T Ã O E S C O L A R Não há uma açãode organizar uma escola previamente à situação e contexto a ser organizado. Ao contrário, tal ação se estabelece na medida em que se constroem cognitivamente, por meio de relações e ações, as conexões entre os diferentes elementos da situação — os professores disponíveis, as condições físicas do prédio, o contexto comunitário, a proposta pedagógica. Nesta perspectiva, o gestor deve ser capaz de, com seus conhecimentos, estabelecer, fazer surgir pertinência e emergir significações organizatórias na instituição educativa, de forma dinâmica e a tempo, o que envolve agir competentemente. Um conceito apresentado por Yves Schwartz (1998) pode ser esclarecedor para a discussão. O autor assinala que, constantemente, o indivíduo, em situações de trabalho, se vê frente a fatores não previstos, conflitantes entre si, aos quais ele tem que reagir. Não há como predefinir, para estas situações dinâmicas, referentes precisos e circunscritos, estreitamente ligados à lógica de funções e postos de trabalho. No caso da escola, nota-se lógica da ação diretiva delimitada ou da ação administrativa como separada do pedagógico. Schwartz utiliza a noção de dramatique, um adjetivo na língua francesa, cujo significado é dramático, o que se refere a um drama, comovente, patético, ou seja: [...] situação em que o indivíduo tem de fazer escolhas, ou seja, arbitrar entre valores diferentes, e, às vezes, contraditórios. Uma dramatique é, portanto, o lugar de uma verdadeira micro-história, essencialmente inaparente, na qual cada um se vê na obrigação de se escolher, ao se escolher orientar sua ativi- dade de tal ou tal moda. Afirmar que a atividade de trabalho não é senão uma dramatique do uso de si significaria ir de encontro à ideia de que o trabalho, para a maioria dos trabalhadores, é uma atividade simples de ‘execução’, que não envolve realmente sua pessoa. (SCHWARTZ, 1998, p. 4). A situação dramatique envolve o indivíduo como um todo, exigindo-lhe tomada de decisão. Esta tomada de decisão não ocorre no plano concreto do trabalho, como se este fosse independente do indivíduo, mas interfere no e sofre influências do plano pessoal, na medida em [que] cada pessoa, ao decidir, vai se escolhendo a si mesma e, desse modo, realizando o seu trabalho. Não há como realizar um trabalho com exclusiva impessoalidade, uma vez que a constituição de si mesmo como pessoa ocorre também no trabalho que realiza e diversos espaços sociais em que a pessoa atua. Realizando um trabalho, o indivíduo faz “uso de si”, de seus recursos e, assim, produz intervenções, transforma a realidade. O gestor cultural, podemos dizer, vive e responde a esta dramatique, de forma viva e dinâmica, quando atende a pais, intervém numa contenda entre alunos, interage com professores, participa de reuniões, dentre outras situações. Para Tanguy (1997), a competência se situa entre o conhecimento e a situação. Esta noção aproxima-se de “competências mobilizadas”, noção apresentada por Mandon: “Compreendemos por competências: o saber-mobilizar conhecimentos e qualidades para fazer frente a um dado problema, ou seja, as competências designam conhecimentos e qualidades contextualizados”. (MANDON apud STROOBANTS, 1997, p. 142). O gestor escolar é um termo mais adequado para designar aquele que sabe ler e responder adequadamente ao seu contexto, atualizar conhecimentos na e com a situação, na ação. [...]. UNIDADE 1TÓPICO 358 G E S T Ã O E S C O L A R A ideia de que a especialização é adquirida no local de trabalho é bastante pertinente, na medida em que as comunidades escolares variam, bem como a complexidade das instituições educativas e dos sistemas escolares. No caso da educação, muitas vezes um docente assume uma função de gestão, tendo sido preparado como docente de disciplinas específicas — matemática, geografia, educação física — e não para atividades de gestão de instituições educativas, quando precisará se especializar em gestão escolar no exercício da função de gestor de escola. Assim, competência é uma construção social que leva em conta processos locais, envolve o saber-fazer na dinâmica da situação. O saber-fazer comporta primeiramente os saberes empíricos, os práticos, as antigas manhas do ofício, a habilidade, o golpe de vista, em oposição aos saberes dos engenheiros, aos métodos prescritos pelo taylorismo (STROOBANTS, 1997, p. 140). O saber-fazer pode incluir saber-agir, saber-transformar, saber de perícia. Especialmente este saber-fazer se desenvolve nas condições concretas de cada situação que o gestor escolar enfrenta. Estas reflexões envolvem a compreensão de que o trabalho do gestor escolar está diretamente relacionado à noção de competências, por requerer inscrição profunda na cultura da instituição que constitui o seu universo profissional e por envolver processos de construção, negociação e de individualização. “Uma busca de individualização que pode ser interpretada como uma busca de socialização do estatuto e do papel do ator capaz de identificar e incorporar as restrições externas”. (TANGUY, 1997, p.55-6). FONTE: Adaptado de: SILVA JR. et al. Pedagogia cidadã. Cadernos de formação: organização e gestão do trabalho na escola. São Paulo: UNESP, Pró-Reitoria de Graduação, 2004. UNIDADE 1 TÓPICO 3 59 G E S T Ã O E S C O L A R Com relação às funções, formação e competência do gestor escolar, vimos que: Sua função vai além da administração burocrática da escola, direciona-se a articular relações entre professores, alunos, funcionários e comunidade escolar. O gestor escolar deve ter sensibilidade, envolvendo a razão e a emoção para perceber as necessidades emocionais de sua equipe, realizando ações que visem à equidade e à inclusão de todos os agentes de sua unidade escolar. A formação dos gestores e sua capacitação deve se constituir em um processo aberto, de formação continuada, com especificidade na área. É importante considerar que os gestores não nascem feitos, eles se fazem gestores, líderes através da arte de amar e liderar. A competência é uma construção social, envolve o saber fazer, ser, conviver e o saber aprender constante. A ação do gestor escolar, em sua competência, implica ter visão dinâmica e articulada do todo, envolvendo decisão e avaliação constante. RESUMO DO TÓPICO 3 UNIDADE 1TÓPICO 360 G E S T Ã O E S C O L A R Caro(a) acadêmico(a), fazendo remissão ao Tópico 3, escreva a seguir sobre o que você considera primordial em relação ao gestor escolar referente à(ao): a) Função:____________________________________________________________ b) Ação prática:________________________________________________________ c) Competência:________________________________________________________ d) Planejamento:_______________________________________________________ e) Formação:__________________________________________________________ AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 1 TÓPICO 3 61 G E S T Ã O E S C O L A R AVAL IAÇÃ O Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade. UNIDADE 1TÓPICO 362 G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R UNIDADE 2 GESTÃO ESCOLAR: PLANEJAR E CONSTRUIR PROJETOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM A partir desta unidade você terá a capacidade de: identificar a importância do Plano de Desenvolvimento da Escola; reconhecer o papel da participação dos colegiados na construção do Plano de Desenvolvimento da Escola; planejar/elaborar projetos que envolvam o trabalho pedagógico para a busca do conhecimento e da aprendizagem; verificar a distinção entre Projeto Pedagógico e Projeto Político; compreender a importância e os fundamentos que norteiam o Projeto Político-Pedagógico de uma escola; perceber que todo planejamento e ação funcionam sob o olhar da avaliação constante do ato pedagógico e institucional; elaborar com competência um Projeto Pedagógico e o Projeto Político-Pedagógico; elencar e subsidiar,com clareza, os pressupostos que norteiam um projeto e o que é ser gestor(a). TÓPICO 1 – PDE - PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA TÓPICO 2 – PLANEJAR PROJETOS: ADQUIRIR CONHECIMENTO TÓPICO 3 – PLANEJAR: PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO PLANO DE ESTUDOS Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a refletir e a fixar os conhecimentos abordados. G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R PDE - PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 1 UNIDADE 2 Caros acadêmicos, vocês já devem ter se questionado acerca do que é elaborar projetos. Pois é! Esta é uma questão que nos desafia a saber mais acerca das razões que justificam a necessidade de planejar. Por isso, abordaremos, neste tópico, questões teóricas e práticas sobre o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), PP (Projeto Pedagógico), PPP (Projeto Político-Pedagógico), enfim, exemplos e modelos que constam como sugestão de trabalho. Veremos, também, que se torna um tanto incoerente realizar projetos sem a participação de todos os envolvidos no processo educacional, que toda construção parte da participação de uma gestão democrática, compartilhada... 2 PDE - QUE PLANO É ESTE? O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) visa uma educação básica de qualidade e para todos. Este plano foi criado para explicitar os ideais de uma comunidade com relação à sua escola. Pode-se dizer que ele delineia as concepções, a visão, a possibilidade de que as ações definidas sejam capazes de transformar o sonho em realidade. O PDE auxilia as escolas a efetuarem um diagnóstico da situação atual e a definirem seu futuro, visando sempre a qualidade do processo de construção do ensino-aprendizagem. O PDE foi criado para atender às necessidades, aos objetivos do FUNDESCOLA, que é o Fundo de Fortalecimento da Escola. Este é um programa oriundo de um acordo de financiamento entre o Banco Mundial e o MEC. O programa tem como missão auxiliar no desenvolvimento da gestão escolar, visando a melhoria da escola como um todo. UNIDADE 2TÓPICO 166 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! Caro(a) acadêmico(a), para aprofundar o estudo referente ao Plano de Desenvolvimento da Escola, que provém do FUNDESCOLA, indico para pesquisas futuras o artigo “O Programa Fundescola: concepções, objetivos, componentes e abrangência – a perspectiva de melhoria da gestão do sistema e das escolas públicas”. Este artigo você pode encontrá-lo no endereço virtual: <http://www.scielo.br/pdf/es/v26n90/a06v2690.pdf>. Tratando-se do processo de construção do ensino e da aprendizagem no âmbito escolar, o Projeto Político-Pedagógico faz parte do Plano de Desenvolvimento da Escola. Nele são estabelecidas as orientações relativas ao processo ensino-aprendizagem e tem como componentes o currículo básico, o currículo pleno, a organização das condições de ensino-aprendizagem, a metodologia, o material didático, o calendário, o plano de capacitação dos recursos humanos da escola, as formas de composição das turmas, o planejamento da recuperação dos alunos e a avaliação da aprendizagem. Neste sentido, as orientações contidas no Plano de Desenvolvimento da Escola têm um sentido mais amplo, enquanto que o Projeto Político-Pedagógico engloba ações mais específicas do processo ensino-aprendizagem de cada unidade de ensino. A escola que possui um PDE bem elaborado e em execução consegue analisar o seu próprio desempenho, suas relações internas e externas, sua missão e suas concepções. Perfazendo esta análise, a escola tem como criar estratégias para pôr em prática seus objetivos e assim projetar o seu futuro. O PDE define as concepções de uma escola, o que ela é, o que almeja, o que pretende ser, fazer e, principalmente, aonde quer chegar. Ele pode ser considerado como um planejamento estratégico que a escola desenvolve para qualificar seu ensino, ou seja, melhorar a qualidade do ensino. Este plano deve ser elaborado de forma participativa, envolvendo pais, alunos, docentes, especialistas, orientadores, supervisores, enfim, todos os segmentos que existem em uma unidade escolar. Neste movimento todo, você pode notar que o PDE, para ser elaborado e seguido com sucesso, necessita de uma boa coordenação pela liderança da escola, afinal, toda orquestra necessita de um maestro. Só que este maestro não rege sozinho. Todo plano, para ser bem sucedido, necessita ser elaborado e executado com a participação de todos. UNIDADE 2 TÓPICO 1 67 G E S T Ã O E S C O L A R 2.1 PARTICIPAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DO PDE A participação, em relação ao documento (PDE), sugere reuniões por segmentos, envolvendo toda a comunidade escolar sob a liderança do gestor, considerada como a “pessoa-chave” neste processo. Cabe a ele motivar e organizar para a participação, delegando competências, definindo cronogramas e garantindo o seu cumprimento. Todo processo de planejamento e execução não pode ser aleatório. Por isso, o gestor deve garantir uma organização séria e democrática. Neste sentido, a sensibilização das comunidades internas e externas deve ser realizada de forma a “provocar o desejo” de participar da elaboração do PDE. A sugestão é de que se demonstre a importância do planejamento na vida das pessoas, bem como a sua finalidade. Na organização da participação são destacados os seguintes aspectos: formação por segmentos de pequenos grupos, tais como: professores, especialistas, alunos maiores de dezesseis anos, pais de alunos etc.; eleger um coordenador para conduzir cada segmento; organização das reuniões do segmento, fazendo registro em ata sobre as discussões, sugestões e decisões tomadas pelo coletivo; acompanhar o trabalho dos pequenos grupos (segmentos), auxiliando as discussões, incentivando a troca de informações e definindo prazos; fazer reuniões com os coordenadores dos pequenos grupos, auxiliando as discussões, incentivando a troca de informações, definindo prazos (para que o processo de elaboração e execução não se perca) e também com a finalidade de unificar o trabalho de todos; definição de um responsável pela redação do PDE (membro do pequeno grupo). Estes aspectos podem ser representados no seguinte esquema: UNIDADE 2TÓPICO 168 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: Adaptado de: FUNDESCOLA/DIPRO/FNDE/MEC. Como elaborar o plano de desenvolvimento da escola. 3. ed. Brasília: MEC, 2006. p. 29-30. Para a elaboração de todo e qualquer documento, reuniões, assembleias, assim como para a elaboração do PDE, elabora-se antes um roteiro específico, que descreve as etapas do processo em questão, sendo eles: definição da missão; diagnóstico; prioridades ou problemas prioritários; objetivos gerais e específicos; metas e ações a serem atingidas; FIGURA 13 – SISTEMATIZAÇÃO DA ELABORAÇÃO DE PLANOS/PROJETOS UNIDADE 2 TÓPICO 1 69 G E S T Ã O E S C O L A R registro em formulário próprio, de acordo com cada etapa realizada. A partir destas etapas, você pode perceber que o PDE é um documento que traduz a tendência de planejamento educacional das instituições de ensino de forma geral. Por outro lado, é preciso observar que as diretrizes referentes ao planejamento do trabalho escolar evidenciam alguns aspectos contraditórios. É possível verificar, por exemplo, a ausência de coerência entre os documentos divulgados pelas secretarias de estado da educação e o que é praticado nas unidades escolares. Pode-se observar que a distinção entre Projeto Político-Pedagógico, PDE e Regimento Escolar não é muito clara, principalmente se considerarmos a literatura na área, que define o primeiro como um nível de planejamento mais amplo e complexo que os dois últimos. (GANDIN, 1994; VEIGA, 1999). ATEN ÇÃO! Na sequência, abordaremos o PDE com mais detalhes. 2.2 PDE - SUA ESTRUTURA O PDE se estrutura em duas partes principais, que são: a) VISÃO ESTRATÉGICA - Nesta etapa, o colegiado da escola irá deliberar sobre os valoresque almejam para a escola. Irão colocar no papel tudo que pensam e querem para a escola da sua comunidade: missão; visão de futuro; objetivos, gerais e específicos. b) PLANO DE SUPORTE ESTRATÉGICO - Aqui, após os objetivos já definidos na visão estratégica, o plano de suporte estratégico já é considerado suporte, por colocar em prática as metas preestabelecidas, ou seja, deliberar, colocando os planos almejados pelo colegiado em prática, em ação. UNIDADE 2TÓPICO 170 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: Adaptado de: FUNDESCOLA/DIPRO/FNDE/MEC. Como elaborar o plano de desenvolvimento da escola: aumentando o desempenho da escola por meio do planejamento eficaz. 3. ed. Brasília: FUNDESCOLA, 2006. 2.3 PDE - ETAPAS O PDE possui cinco etapas, partindo da preparação para a implantação. Observe: FONTE: Adaptado de: FUNDESCOLA/DIPRO/FNDE/MEC. Como elaborar o plano de desenvolvimento da escola: aumentando o desempenho da escola por meio do planejamento eficaz. 3. ed. Brasília: FUNDESCOLA, 2006. A primeira etapa, que consiste na PREPARAÇÃO, é o momento em que a escola se prepara para elaborar o PDE. Nesta etapa, dá-se início aos passos a serem seguidos no processo de elaboração com a comunidade escolar. FIGURA 14 – PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA FIGURA 15 – ETAPAS DO PDE UNIDADE 2 TÓPICO 1 71 G E S T Ã O E S C O L A R A segunda etapa, ANÁLISE SITUACIONAL, consiste em levantar informações sobre a unidade escolar. Nesta etapa, o colegiado terá de compreender qual é a real situação da escola para posteriormente organizar estratégias para melhorar o desempenho da escola. Ainda nesta etapa, a autoavaliação se faz presente. Ela é condição obrigatória para colocar e avaliar as estratégias do seu plano de ação. A terceira etapa, na qual consta a DEFINIÇÃO DA VISÃO ESTRATÉGICA E DO PLANO DE SUPORTE ESTRATÉGICO, consiste na implementação dos objetivos, definição de como colocar em ação as metas pré-planejadas. A EXECUÇÃO, quarta etapa, é a ação propriamente dita. Aqui elas são implementadas. Na quinta etapa, que é o MONITORAMANTO E AVALIAÇÃO, é verificada a execução dos planos de ação. Podemos dizer que é a fiscalização da ação. DIC AS! Caro(a) acadêmico(a)! O Manual “Como elaborar o Plano de Desenvolvimento da Escola: aumentando o desempenho da escola por meio do planejamento eficaz”, é um material organizado com o objetivo de incentivar e auxiliar as escolas a elaborarem o seu PDE. Procure-o em sua escola, ou na Secretaria de Educação de sua cidade. Eles devem ter este material. Boa pesquisa! DIC AS! Este tema é muito amplo. Por isso, indico como leitura complementar o texto da Professora Heloisa Lück: A APLICAÇÃO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA ESCOLA, que está publicado na revista Gestão em Rede, no 19, abril de 2000, p. 8-13. UNIDADE 2TÓPICO 172 G E S T Ã O E S C O L A R Neste tópico tivemos a oportunidade de aprofundar nossos conhecimentos sobre: PDE (Plano de Desenvolvimento da Escola), que é uma ferramenta utilizada com o propósito de auxiliar as unidades escolares no processo de construção do conhecimento/aprendizagem. Participação - ponto essencial para a elaboração do PDE, constituído por todos que fazem parte da escola, visando ao planejamento com olhares internos e externos. A estrutura de um PDE se baseia na visão estratégica e no plano de suporte estratégico. RESUMO DO TÓPICO 1 UNIDADE 2 TÓPICO 1 73 G E S T Ã O E S C O L A R A partir das informações dispostas neste tópico, elabore o seu PDE (pode ser individual ou em grupo, como preferir). Procure observar e contextualizar os passos da visão estratégica e o plano de suporte estratégico. Bom trabalho! AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 2TÓPICO 174 G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R PLANEJAR PROJETOS: ADQUIRIR CONHECIMENTO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 2 UNIDADE 2 Caro(a) acadêmico(a), neste tópico abordaremos com mais ênfase o trabalho pedagógico como instrumento de uso para o desenvolvimento do conhecimento, voltado ao trabalho de docência. Do mesmo modo, o ato de trabalhar e desenvolver projetos de modo a substituir e ou complementar o Plano de Curso dos docentes, podendo ser desenvolvido com finalidade funcional a todas as esferas da escola; pelo gestor, administrador, orientador e supervisor pedagógico. Desejo a você bons estudos! 2 TRABALHO PEDAGÓGICO E O CONHECIMENTO Você já deve ter notado que, nas abordagens educativas convencionais, interpreta-se como trabalho pedagógico as atividades de sala de aula. Por outro lado, você poderia questionar: a prática docente se reduz à sala de aula? O trabalho pedagógico é exclusividade do professor? Que outros fazeres do cotidiano escolar fazem parte do trabalho pedagógico? Qual a relação do Planejamento com a ação pedagógica? Estas indagações nos auxiliarão a refletir sobre nossa prática, sobre o trabalho pedagógico. Como ponto de partida, podemos considerar que a escola qualifica seu trabalho quando elabora de forma coerente seu Projeto Pedagógico. Sua coerência está no compromisso com a aprendizagem, que se potencializa no ato pedagógico e administrativo da escola. Observe no diagrama a seguir uma síntese do processo de formação humana: UNIDADE 2TÓPICO 276 G E S T Ã O E S C O L A R UNI FONTE: A autora Caro(a) acadêmico(a), o texto que segue irá nos auxiliar a compreender melhor o conhecimento relacionado ao trabalho pedagógico. 2.1 CONHECIMENTO a) O conhecimento como informação O conhecimento como informação, como produto, é o chamado “saber historicamente acumulado pela humanidade”. Se o objeto do trabalho pedagógico é o conhecimento como informação, a função e o objetivo do ato pedagógico é a socialização deste saber, para que ele seja repassado aos educandos. O ‘conteúdo’, as informações ou ‘o saber historicamente acumulado pela humanidade’ devem ser ‘transmitidos’ pelos profissionais da educação e devem ser ‘assimilados’ pelos educandos. O importante é que o aluno ‘repita’ o saber existente, memorize, torne-se uma enciclopédia ambulante. Neste sentido, um computador e uma enciclopédia ‘saberiam’ muito mais do que as pessoas. Uma educação com esta visão de conhecimento, no máximo, contribui para a produção de pessoas eruditas. Com esta compreensão de ‘conhecimento’, pode ser justificada uma prática pedagógica e uma gestão escolar autoritárias. Nada impede que o ‘conteúdo’ seja imposto e a prática educativa seja FIGURA 16 – NOSSO CONHECIMENTO/APRENDIZAGEM UNIDADE 2 TÓPICO 2 77 G E S T Ã O E S C O L A R autoritariamente gerida. A heterogestão é inerente à relação entre os que sabem e devem transmitir e os que não sabem e devem assimilar/reter. b) O conhecimento como construção O conhecimento como processo, como produção, é a construção do saber . Se o objeto do trabalho pedagógico é o conhecimento como construção, a função e o objetivo do ato pedagógico é a ampliação do saber dos educandos sobre determinada realidade. O ‘conteúdo’, as informações ou o ‘saber historicamente acumulado pela humanidade’ devem ser trabalhados (e não, apenas, ‘transmitidos’ e ‘memorizados’) no ato pedagógico. No confronto entre o saber do educando e o saber da humanidade, o educando amplia o seu saber e constrói condições subjetivas para trabalhar, produzir o conhecimento. O importante é que o aluno compreenda, construa o seu dizer, a sua própria palavra e desenvolva a sua competência para exercer o direito de se pronunciar. O ato pedagógico centrado no conhecimento como construção é interativo, interpessoal, participativo e democrático. Ele exige uma gestão compartilhada, por exigência intrínseca ao próprio ato pedagógico. A autogestão é inerente à relação entre as pessoas envolvidas na aventura humana de ampliar o saber e construir condições subjetivas para ser autor de sua história e de seu entorno. AUT OAT IVID ADE � Conforme a diferenciação que o autor faz neste texto sobre o conhecimento, avalie qual deles está presente na sua realidadeprofissional. Reflita sobre isso! A prática democrática da gestão da escola na elaboração, execução e avaliação do projeto político-pedagógico decorre da ‘natureza’ e do caráter fundamental do processo educativo, que é a formação humana. Esta formação inclui como objeto da relação pedagógica o fortalecimento como processo, como construção, como ampliação do saber e produção de estruturas mentais avançadas, exigidos para a inscrição competente no novo mundo que emerge e para a efetiva emancipação humana. Nesta perspectiva, evita-se a ‘objetivação’ ou a fetichização do conhecimento, que o transformam em mercadoria, em produto a ser guardado em ‘patentes’, privatizado e usado como mecanismo de dominação e de exclusão. As escolas se transformam em supermercados de ‘venda’ desta mercadoria. A construção e a reconstrução do conhecimento são constitutivas da transcendência humana, da construção da história. A compreensão do conhecimento como processo, como construção, implica a intersubjetividade, a parceria, a partilha, e se opõe a toda forma de redução à mercadoria. UNIDADE 2TÓPICO 278 G E S T Ã O E S C O L A R O conhecimento no trabalho pedagógico é sempre mais compreendido como construção e processo. Entendendo o conhecimento como construção, crescem descobertas e reflexões sobre o legítimo e fantástico prazer de aprender nas lides do trabalho pedagógico e de sua gestão. Uma das descobertas mais promissoras deste século se deve a um biólogo que, investigando como se aprende, rompeu com a tradicional visão de que se aprende pela percepção ou maturação. Desde os antigos gregos, compreendia- se a aprendizagem através de um destes processos. Na aprendizagem por percepção, acreditava-se que tudo o que se aprendia vinha ao intelecto pelos sentidos. Aristóteles afirmou que “nada está no intelecto que primeiro não tenha estado nos sentidos”. Na aprendizagem por maturação, acreditava-se que o saber era inato, que a pessoa o trazia consigo de berço. A aprendizagem consistiria na explicação do que já existia no interior do indivíduo. Sócrates assim definia este processo: “conhece-te a ti mesmo”. As duas visões pareciam complementar-se e expressavam dois aspectos aparentes da aprendizagem. A visão inatista e heteronômica da aprendizagem foi superada definitivamente pela compreensão da aprendizagem como memorização de informações. A memorização de informações tinha a vantagem de negar a preexistência da verdade nas pessoas. Entretanto, o elemento fundante do aprender está além, tanto do inatismo, do já posto no indivíduo, quando do passivamente adquirido, do transposto para o indivíduo. A inteligência não consiste numa reserva apriorística da verdade a ser explicitada. Nem consiste num depósito vazio, no qual a verdade ou as informações serão depositadas. A inteligência constitui-se um processo construtivo. Como processo construtivo, ela é universal, presente em cada pessoa. Ela constitui uma base comum, uma vez que não é predeterminada, inatamente, nem depende do privilégio do acesso ao saber. Constitui-se, assim, o elemento fundante da democracia. Ela é a garantia universal do acesso ao saber. Todos aprendem e podem aprender. A redução simplista do fracasso escolar às ‘dificuldades de aprendizagem’ e à falta de recursos da tecnologia moderna podem constituir armadilhas para o agigantamento da negação da educação à maioria da população. A concepção de aprendizagem, com ou sem recursos tecnológicos, é mais decisiva para a universalização e democratização do ensino do que os recursos tecnológicos. Estes, numa concepção inatista ou heteronômica de aprendizagem, potencializam a negação da educação para a maioria e o crescimento do abismo entre os que têm acesso e os excluídos. O respeito e encontro de saberes diferentes e os recursos tecnológicos, numa concepção construtivista, constituem importantes apoios para a universalização da aprendência e da prática educativa emancipadora. O objeto específico do trabalho escolar não é o conhecimento como produto, UNIDADE 2 TÓPICO 2 79 G E S T Ã O E S C O L A R como informação ou como saber historicamente acumulado pela humanidade. Caso assim fosse, o objetivo seria passar este conhecimento e o ato pedagógico consistiria em transmissão e assimilação de conhecimento. Trabalhar-se-ia, prioritariamente, a memória e os alunos seriam eternos repetidores, porque aprenderiam a copiar e repetir, uma vez que o ato pedagógico estaria centrado na palavra do outro. Neste parâmetro, a gestão é heterogestionária, a educação domesticadora adequada à sociedade de exclusão. Nas escolas e no avanço teórico-prático da educação e de sua administração, vem se engendrando uma outra visão de conhecimento, não o reduzindo à mera informação a ser transmitida. UNI Lauro Carlos Wittmann nos pede para refletirmos sobre o conhecimento em permanente construção e reconstrução, que é constitutivo da transcendência humana e da construção da história. A compreensão do conhecimento como processo e construção implica a intersubjetividade, a parceria, a partilha, e se opõe a toda forma de redução à mercadoria. Compreendendo conhecimento como produção, processo e construção, o objetivo da prática educativa é trabalhar o conhecimento historicamente acumulado pela humanidade, em confronto e interlocução com o conhecimento dos participantes do processo educativo. O ato pedagógico consiste no processo de ampliação do saber e de construção das condições subjetivas para ser sujeito. Trabalha-se, prioritariamente, a inteligência, porque os participantes vão construir as condições de sujeito e autor de seu próprio dizer. Neste parâmetro, a administração é autogestionária, a educação emancipadora e relevante para a construção de uma sociedade de inclusão universal. Confira a síntese destas visões de conhecimento, suas implicações para a gestão, na figura — Conhecimento — objeto do trabalho pedagógico. UNIDADE 2TÓPICO 280 G E S T Ã O E S C O L A R CONHECIMENTO Objeto do trabalho pedagógico Informação / produto Passar o conteúdo Transmissão do conhecimento A memória Ensinagem Homem erudito Heterogestão Domesticadora EXCLUSÃO Marginalidade HETERONOMIA CONCEPÇÃO OBJETIVO ATO PEDAGÓGICO TRABALHA MAIS PROCESSO FORMAÇÃO GESTÃO EDUCAÇÃO SOCIEDADE Construção/ processo Trabalhar o conteúdo Ampliação do saber A inteligência Aprendência Homem culto Ampliação do saber Emancipadora INCLUSÃO universal AUTONOMIA FONTE: WITTMANN, Lauro Carlos. Gestão democrática. Curitiba: IBPEX, 2004. p. 41-47. 3 ESCOLA: CULTURA DE PROJETOS Vivemos a época da “cultura de projeto” em nossas escolas. Trata-se de uma conduta de antecipação presente para prever e melhor aproveitar o futuro. Essa influência do futuro sobre nossas adaptações cotidianas só faz sentido se o domínio que tentamos desenvolver sobre os diferentes espaços cumpre a função de melhorar as condições de vida do ser humano. Esta é a principal referência para este texto, que objetiva melhor compreender o significado e o processo do projeto pedagógico. Como sugere Gadotti (2001), a palavra projeto vem do verbo projetar, lançar-se para frente, dando sempre a ideia de movimento, de mudança. Sua origem etimológica, como explica Veiga (2001, p. 12), confirma a forma de compreender o termo projeto, que “[...] vem do latim projectu, que significa lançar para diante”. Na definição de Alvaréz (1995), o projeto representa o laço entre presente e futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. Para Fagundes (1999), o projeto é uma atividade natural e intencional que o ser humano utiliza para procurar solucionar problemas e construir conhecimentos. No mundo contemporâneo, o projeto é a mola do dinamismo, tornando-se um instrumento indispensável de ação e transformação. Boutinet (2002), em seu estudo sobre a antropologia do projeto, explica que o termo projeto teve seu reconhecimento no final do séculoXVII. Sua primeira tentativa de formalização de um projeto foi a partir da criação arquitetônica com o sentido semelhante ao que nele se QUADRO 4 – CONHECIMENTO OBJETO DO TRABALHO PEDAGÓGICO UNIDADE 2 TÓPICO 2 81 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! reconhece atualmente. Concepção marcada pelo pensamento medieval “no qual o presente pretende ser a reatualização de um passado considerado como jamais decorrido”. (BOUTINET 2002, p. 34). Caro(a) acadêmico(a), na tentativa de uma síntese, pode-se dizer que “a palavra projeto faz referência à ideia de frente: um projetar, lançar para, a ação intencional e sistemática, onde estão presentes: a utopia - concreta/confiança; a ruptura/continuidade e o instituinte/instituído.” (GADOTTI apud VEIGA, 2001, p. 18). Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função do propósito que cada projeto contém. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os caminhos de ação, comprometendo seus atores e autores. Você deve estar se perguntando: e o projeto com a qualificação de pedagógico, qual é o seu significado? Em meados da década de 90, a ideia de projeto pedagógico vem tomando corpo no discurso oficial e em quase todas as instituições de ensino, espalhadas nesse imenso Brasil. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96 (BRASIL, 1996)), em seu artigo 12, inciso 1, prevê que “os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, têm a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica”. Deixa explícita a ideia de que a escola não pode prescindir da reflexão sobre sua intencionalidade educativa. Assim sendo, o projeto pedagógico passou a ser objeto prioritário de estudo e de muita discussão. Para André (2001, p. 188), o Projeto Político-Pedagógico não é somente uma carta de intenções, nem apenas uma exigência de ordem administrativa, pois deve “[...] expressar a reflexão e o trabalho realizado em conjunto por todos os profissionais da escola, no sentido de atender às diretrizes do Sistema Nacional de Educação, bem como às necessidades locais e específicas da clientela da escola”. Ele é “a concretização da identidade da escola e oferecimento de garantias para um ensino de qualidade”. Segundo Libâneo (2001, p. 125), o projeto político-pedagógico “[...] deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola”, tendo em conta as características do instituído e do instituinte. Segundo Vasconcellos (1995), o projeto pedagógico é um instrumento teórico-metodológIco que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da UNIDADE 2TÓPICO 282 G E S T Ã O E S C O L A R escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita resignificar a ação de todos os agentes da instituição. O projeto político-pedagógico não é um conjunto de planos e projetos de professores, nem apenas um mero documento que trata dos caminhos pedagógicos da instituição educativa, mas um produto específico que reflete a realidade da escola, situada em um contexto mais amplo. O Projeto Pedagógico, na realidade, poderia ser considerado como um instrumento que permite ordenar, clarear, intensificar, nortear a ação educativa da instituição educacional em sua totalidade. O propósito do Projeto Pedagógico é a explicitação dos fundamentos teórico-metodológicos da ação, dos objetivos, da organização e das formas de avaliação institucional. O Projeto Político-Pedagógico não é documento para ficar engavetado em uma mesa na sala do gestor escolar, pois transcende o simples agrupamento de planos de ensino e atividades diversificadas. É um instrumento de trabalho que indica rumo, direção e deve ser construído com a participação de todos os profissionais da instituição, bem como alunos, pais e comunidade escolar. O Projeto Pedagógico tem duas dimensões, como explicam André (2001) e Veiga (1999): a política e a pedagógica. FONTE: Adaptado de: André (2001) e Veiga (1999) FIGURA 17 – PROJETO: POLÍTICO E PEDAGÓGICO UNIDADE 2 TÓPICO 2 83 G E S T Ã O E S C O L A R Desta forma, o Projeto Pedagógico se caracteriza e é denominado em muitas unidades escolares como Projeto Pedagógico, em outras como proposta pedagógica e em tantas outras como Projeto Político-Pedagógico. Contudo, observa-se que todos abrangem as duas principais dimensões: o pedagógico e o político. UNI Caro(a) acadêmico(a), em sua região, qual é a nomenclatura usada? O importante é observar a pertinência e coerência de suas concepções, objetivos, metas que regem cada projeto e se as ações são colocadas em prática. Não é mesmo? Em minha cidade, melhor dizendo, na escola em que leciono, existe o Projeto Pedagógico que é o projeto que cada docente realiza no início do ano letivo; é o nosso plano de ação. E a escola possui o Projeto Político-Pedagógico, que abrange todas as esferas da unidade escolar, realizado de forma democrática e participativa. Nos itens seguintes indicaremos exemplos reais de projetos pedagógicos (plano de ação do docente) e Projeto Político-Pedagógico, para efeito de ilustração de uma realidade concreta, que funciona e tem dado bons frutos. 3.1 CONSTRUÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO O projeto pedagógico, também conhecido como P.P., é a síntese dos princípios, das diretrizes e prioridades estabelecidas pelo professor a partir dos objetivos educacionais e da definição dos resultados a serem atingidos durante o ano letivo com sua turma, seus alunos. Este deve estar voltado para a melhoria da aprendizagem dos alunos e do desempenho da escola. Os objetivos e metas do projeto pedagógico devem ser elaborados após um prévio conhecimento da turma na qual o professor leciona. É imprescindível a parceria entre o professor e a orientação educacional da escola, se existir. É de total responsabilidade do professor a elaboração do seu projeto pedagógico. O mesmo deve ser elaborado a partir das necessidades, limitações, expectativas e potencialidades da turma em questão, levando em consideração os recursos pedagógicos e mateirais de apoio existentes na escola e estar de acordo com a Proposta Curricular do município, ou da esfera governamental na qual você trabalha. Na elaboração de um P.P. deve-se levar em consideração, no mínimo, as seguintes UNIDADE 2TÓPICO 284 G E S T Ã O E S C O L A R informações: competências e habilidades que os alunos e/ou os envolvidos precisam desenvolver, dentro de contextos significativos; lembrar de elencar, levantar as informações quanto aos conhecimentos prévios da equipe/ turma, bem como levantamento dos materiais a serem utilizados; organização do espaço e as relações em sala de aula e fora dela, visando às relações interpessoais e organizar o tempo em que o projeto será desenvolvido. UNI Caro(a) acadêmico(a), no município em que trabalho, o projeto pedagógico tem por finalidade substituir o tradicional Plano de Curso Anual e constitui-se em um documento do professor. Numa visão mais prática, a seguir, há um roteiro que poderá auxiliar na elaboração de um projeto pedagógico, ou seja, seu plano de ação. Lembre que o(a) gestor(a) também tem a incumbência de realizar o seu plano de ação, cada um na sua especificidade. Observe: I. MARCO REFERENCIAL 1. Marco Situacional Neste i tem você d e v e r á e s c r e v e r sobre: 2. Marco Doutrinal (Referencial teórico do professor) 3. Marco Operativo (Aqui você deixa de sonhar e parte para as ações práticas). a) Como você vê o mundo atual? (aspecto social, político, econômico, cultural, religioso). b) Como você vê a comunidade na qual sua escola está inserida? (cidade, localidade onde sua escola está inserida, localizada).a) Que concepção de educação, educador, você almeja? b) Que tipo de aluno quer formar? c) Como deseja, sonha a relação educadorXalunos X gestorX funcionários X comunidade? d) Que tipo de sociedade você almeja construir? a) Que metas? (desafios/objetivos) e ações concretas são necessárias para tornar viável o seu Projeto Pedagógico. b) O que? (aqui podes inserir os conteúdos curriculares mínimos de sua escola). c) Para quem? (Destaque os objetivos que almejas desenvolver com seus alunos, pode ser por disciplina, conteúdos, como preferir). d) Como? (Aqui você irá relacionar, estabelecer as estratégias de ensino que irá realizar durante o ano, como auxílio no desenvolvimento dos conteúdos curriculares). e) Quando? (Neste item podes separar os Conteúdos Curriculares Mínimos por bimestre, semestre (...) conforme sua realidade. Organização das ações). QUADRO 5 – MODELO DE PLANO DE AÇÃO UNIDADE 2 TÓPICO 2 85 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! II. DIAGNÓSTICO No diagnóstico você fará a descrição das características socioculturais da comunidade (pais dos seus alunos), dos alunos e da sala de aula (grau de aprendizagem dos alunos). Obs: Este item só pode ser elaborado após contato do educador com os seus alunos durante algumas semanas, sendo, primeiramente, necessário conhecê-los para elaborar este item. Para conhecê-los melhor, poderá aplicar um questionário para melhor conhecer a realidade da turma e de suas famílias. É pertinente elaborar um único instrumento para coleta destes dados para todas as turmas da escola. III. AVALIAÇÃO a) Qual sua concepção de avaliação? (Como você avalia o aluno? Através de quais instrumentos de avaliação - provas, exercícios, trabalhos em grupo, pesquisas, participação em aula, observação...? Que uso você faz da avaliação? Apenas para lançar nota? A avaliação para você é um meio ou um fim? b) Como o Projeto Pedagógico será avaliado? ( De que forma durante o ano você pretende avaliar o seu Projeto Pedagógico para que, na sua reelaboração no início do próximo ano, você possa saber o que foi válido e o que não foi)? FONTE: Curso de Propedêutica: Projeto Professor Competente. FERJ/Prefeitura Municipal de Pomerode, 1998. A elaboração do Projeto Pedagógico faz pensar sobre a nossa prática como docentes, gestores, administradores, orientadores e supervisores educacionais. Ele viabiliza o trabalho de todos, cada um focando a função que lhe compete realizar. O P.P. é a sua cara, tem o seu olhar, o seu parecer, o seu comprometimento com a educação e a construção do conhecimento do seu aluno, visando sempre à qualidade da educação. Este foi apenas um modelo de projeto pedagógico, você poderá adaptá-lo caso haja interesse. Caro(a) acadêmico(a), indico o livro de BOUTINET, Jean-Pierre. Antropologia do projeto. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002. Esta leitura servirá para o seu aprimoramento no que se refere a projeto. Este livro descreve várias formas de pensar projetos na educação. Vale a pena conferir! UNIDADE 2TÓPICO 286 G E S T Ã O E S C O L A R 3.2 ROTEIRO PARA PROJETOS Imagine você em seu ambiente de trabalho, ou futuro ambiente de trabalho, na qualidade de gestor(a), e reflita sobre as situações que você vai verificar na ilustração que segue. Projeto como método de ensino e pesquisa: Verificação de uma situação-problema. O planejamento para o sucesso do trabalho. FIGURA 18 – TEORIA E EXPERIÊNCIA UNIDADE 2 TÓPICO 2 87 G E S T Ã O E S C O L A R Trabalho em grupo para a resolução de um problema. Partir da teoria para a prática. Verificação do sucesso da prática. FONTE: Walt Disney Records. Tigrão o filme. Rio de Janeiro: Abril, 1999. A seguir, uma ilustração humorada que nos ajuda a refletir sobre a importância de que todo projeto deve ir ao encontro das necessidades. UNIDADE 2TÓPICO 288 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: GREIVE, Bradley Trevor. Um dia daqueles. Rio de Janeiro: Sextante, 2001. Analisou? Pois bem, é visível que para realizar um projeto necessitamos seguir algumas normas básicas, como: a) ter um problema para resolver (questão problema); b) planejar em equipe como podem resolver o problema; c) em grupo, é momento de agir, colocar a teoria em confronto com a prática; d) agir, ação, é momento de fazer, realizar o combinado, fazer funcionar o equipamento construído, ou seja, as estratégias elaboradas; e) voltar e refletir sobre a prática, fazer um feedbeck sobre a ação coletiva, verificar se a teoria teve sintonia com a prática. Será que sempre conseguimos alcançar o nosso objetivo pressuposto? Será que conseguiram mover a pedra do lugar? Ouve falha total no projeto? Qual era mesmo o objetivo, a preocupação, o problema? É imprescindível avaliar toda ação, realizando reflexão-ação-reflexão. ATEN ÇÃO! Podemos realizar projetos aleatoriamente? Ou ele deve ser realizado conforme a necessidade da equipe escolar, comunidade, alunos? Neste enfoque, um projeto a ser desenvolvido com uma turma específica, numa disciplina, ou de forma interdisciplinar, ou projeto elaborado pelo gestor(a) solicitando algo para a escola e/ou a ser realizado na escola..., poderá constar dos seguintes itens: FIGURA 19 – UM DIA DAQUELES UNIDADE 2 TÓPICO 2 89 G E S T Ã O E S C O L A R Capa (conforme normas da ABNT. Sim, já podem ensinar aos alunos a metodologia correta). Tema (suposto título da pesquisa, tema proposto pela equipe a ser desenvolvido). Justificativa - Consiste na exposição completa das razões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática, que tornam importante a realização do Projeto. Na justificativa, exige-se criatividade e capacidade de convencer o leitor, fazendo com que o mesmo compreenda os objetivos e finalidades de seu projeto. Problema de pesquisa (afinal, que pesquisa iremos realizar se não temos um problema a ser desvendado?) Para contextualizar melhor o problema, nas diversas áreas do conhecimento, questione e elabore junto com seus alunos e/ou equipe de trabalho quais são: as certezas (provisórias que eles têm sobre o problema de pesquisa); dúvidas (temporárias, pois estão justamente realizando o projeto para sanar as dúvidas e verificar se as certezas estão corretas); Objetivos do projeto: nos objetivos define-se a que o projeto visa, delimitando os resultados que se pretendem alcançar e sua finalidade. É sempre oportuno elaborar: Objetivo geral – elaborado de forma ampla. Objetivos específicos – focando cada tema abordado, são mais direcionados. Metodologia: a metodologia deve responder à pergunta de como fazer, como realizar o projeto. Nela apresenta-se as etapas concretas de elaboração, execução e, principalmente, a avaliação do projeto. Deve ser um registro fiel das ações a serem colocadas em prática para atingir as metas previstas. Prevê a aplicação prática das atividades e organização do relatório final. Conhecimentos a serem desenvolvidos no projeto: aqui é oportuno descrever quais conteúdos mínimos das disciplinas que você almeja desenvolver no decorrer do projeto junto a seus alunos. No caso dos gestores(as), ações específicas para cada segmento da unidade escolar. UNI Estes exemplos, caro(a) acadêmico(a) são ilustrativos, com o objetivo de apresentar de forma prática como se torna simples elaborar projetos nas mais diversas áreas do conhecimento. UNIDADE 2TÓPICO 290 G E S T Ã O E S C O L A R Neste tópico você estudou sobre: Projeto pedagógico e sua construção. O conhecimento adquirido através da elaboração e execução de projetos, sendo ele objeto do trabalho pedagógico. O trabalho com projetos nas escolas. Diferença entre projeto pedagógico e projeto “político-pedagógico’’. Modelos práticos de elaborar projetos (plano de ação do professor, gestor, orientador... ). Modelo prático para desenvolver projetos, nas mais diversas áreas do conhecimento. RESUMO DO TÓPICO 2 UNIDADE 2 TÓPICO 2 91 G E S T Ã O E S C O L A R Querido(a) acadêmico(a)! Se você está gestor(a) oupretende estar, elabore o seu Plano de Ação, ou seja, o seu Projeto Pedagógico de acordo com o modelo citado no item 3.1 deste tópico. Boa produção! AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 2TÓPICO 292 G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R IMP OR TAN TE! � PLANEJAR: PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 3 UNIDADE 2 Neste tópico convido você a estudar sobre o que é e como podemos elaborar um Projeto Político-Pedagógico. Apresentamos os seus fundamentos, um roteiro para a sua elaboração, avaliação e o porquê avaliar, sem esquecer da avaliação institucional. Lembrando sempre que o planejamento deve ocorrer de forma democrática e compartilhada. Como leitura complementar, você terá a oportunidade de ler o texto sobre os pressupostos norteadores do Projeto Político-Pedagógico. PPP: documento produzido por meio do diálogo entre os diversos segmentos da comunidade escolar, com o objetivo de planejar todo o trabalho administrativo-pedagógico da escola. FIGURA 20 – PPP FONTE: Disponível em: <www.pedagogiaaopedaletra.com/posts/a-construcao-do-projeto-politico- pedagogico-da-escola/>. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 2TÓPICO 394 G E S T Ã O E S C O L A R No Brasil, a escola propicia mais um símbolo de status do que um mecanismo de redução das desigualdades sociais. Ela vem também de uma tradição autoritária e de centralização administrativa. Estes modelos sobrevivem em alguns espaços escolares e é oportuno que a escola se pergunte sobre si mesma, sobre seu papel como instituição numa sociedade que se democratizou recentemente e que passa por profunda reforma do Estado. Fazendo esta autoavaliação, a escola poderá interferir nos modelos de dominação. Não é por acaso, ou sem motivo, que as questões da autonomia, cidadania e participação no ambiente escolar vêm sendo assunto de pauta no debate educacional brasileiro. Essa mobilização pela qualidade da educação se alinha à necessidade de um Projeto Político-Pedagógico próprio. UNI Vamos saber um pouco mais sobre o PPP? 2 FUNDAMENTOS DO PPP Até recentemente, a grande questão da escola limitava-se a uma escolha entre ser tradicional ou moderna. Essas categorias não sumiram, apenas não respondem mais a todas as questões atuais da escola e, muito menos, à questão do Projeto Político-Pedagógico. Com este olhar, o PPP, além de ser uma obrigação legal, traduz a visão, os objetivos, as metas e principalmente as ações que determinam o percurso a ser trilhado pela escola. Contudo, a existência de uma educação baseada nestas categorias renasce e é impulsionada pelos últimos avanços tecnológicos e mercadológicos. Neste contexto, aspectos como o pluralismo político, a emergência do poder local e a multiculturalidade passam a ser um novo desafio, que exige maior autonomia e novas formas de participação social para as unidades escolares. UNI Como tudo isso se traduz na escola? UNIDADE 2 TÓPICO 3 95 G E S T Ã O E S C O L A R O título PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO tem esta denominação devido a todo projeto pedagógico ser POLÍTICO. Num projeto político-pedagógico, as políticas incorporadas são as linhas de ação que orientam as atitudes básicas como necessárias para desenvolver um projeto, um plano. Veja só: Política, segundo Abbagnano (2007), em seu Dicionário de Filosofia, indica que é a doutrina do direito e da moral; teoria do Estado; arte ou ciência do governo; o estudo dos comportamentos intersubjetivos [...]. O autor Saviani (1997, p. 101) afirma que, “[...] com efeito, eu só posso afirmar que a educação é um ato político (contém uma dimensão política) na medida em que eu capto determinada prática como sendo primordialmente educativa e secundariamente política”. Frequentemente, confunde-se projeto com plano. Certamente, o plano diretor da escola, que se apresenta como conjunto de objetivos, metas e procedimentos, faz parte do seu projeto, mas não é todo o seu projeto. De maneira geral, o plano fica no campo do instituído, no campo do cumprimento mais eficaz da instituição escolar, como alguns discursos em torno da “qualidade” e, em particular, da “qualidade total” da educação. Um projeto necessita sempre rever o instituído para, a partir dele, instituir outras questões. Um Projeto Político-Pedagógico tem a necessidade de se tornar instituinte. Isto não significa que o Projeto Político-Pedagógico nega o instituído da escola, que é a sua história e sua concepção. O instituído decorre do conjunto de seus: currículos; métodos; conjunto de seus atores internos e externos; modo de vida da comunidade escolar. Um projeto sempre parte do instituído e se completa com o instituinte. Fica prejudicado o projeto que não é construído com olhares voltados a uma direção política. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é também político. Vale observar também que o projeto pedagógico da escola é um processo inconcluso, uma etapa em direção a uma finalidade que permanece como horizonte da escola. UNIDADE 2TÓPICO 396 G E S T Ã O E S C O L A R OITO QUESTÕES ESSENCIAIS SOBRE PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO 1 Em que contexto histórico surgiu o projeto pedagógico? Na década de 1980, o mundo mergulhou numa crise de organização institucional, quando se passou a questionar o modelo de Estado intervencionista – que determinava o funcionamento de todos os órgãos públicos, inclusive a escola. Nesse contexto internacional, o Brasil vivia o movimento de democratização, após um longo período de ditadura. A centralização e a planificação típicas do governo militar passaram a ser criticadas e, na elaboração da Constituição de 1988, o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública (que congregava entidades sindicais, acadêmicas e da sociedade civil) foi um dos grandes batalhadores pela "gestão democrática do ensino público", um conceito que pretendia oferecer uma alternativa ao planejamento centralizador estatal. Outro aspecto importante é que nessa mesma época a escola brasileira passou a incluir em seus bancos populações antes excluídas do sistema público de ensino. Ela ficou, assim, mais diversa e teve de adequar suas práticas à nova realidade. A instituição de um projeto pedagógico surgiu como um importante instrumento para fazer isso. 2 Qual é a relação do global e do local com o plano? No modelo vigente durante a ditadura, o que era permitido aos professores ensinar (e aos alunos aprender) ao longo do processo de escolarização era decidido quase exclusivamente pelo governo militar. A Educação era toda organizada com base em determinações do poder central. Assim, os conteúdos eram tratados de maneira hegemônica e as instâncias locais (ou seja, as próprias escolas) ficavam numa posição de "passividade" diante dessas imposições. Com a instituição do projeto pedagógico, na Constituição de 1988, a realidade local passou a funcionar como "chave de entrada" para a abordagem de temas e conteúdos propostos no currículo – justamente por serem relevantes na atualidade. O plano, por outro lado, deve prever que a escola conecte seus alunos com as discussões globais, reencontrando sua importância cultural na comunidade. 3 O que o bom projeto pedagógico deve conter? Alguns aspectos básicos devem estar presentes na elaboração do projeto pedagógico de qualquer escola. Antes de mais nada, é preciso que todos conheçam bem a realidade da comunidade em que se inserem para, em seguida, estabelecer o plano de intenções – um pano de fundo para o desenvolvimento da proposta. Na prática, a comunidade escolar deve começar respondendo à seguinte questão: por que e para que existe esse espaço educativo? Uma vez que isso esteja claro para todos, é preciso olhar para os outros três braços do projeto. São eles: - A proposta curricular - Estabelecer o que e como se ensina, as formas de avaliação da aprendizagem, a organização do tempo e o uso do espaço na escola, entre outros pontos. - A formação dos professores - A maneira como a equipe vai se organizar para cumprir asnecessidades originadas pelas intenções educativas. UNIDADE 2 TÓPICO 3 97 G E S T Ã O E S C O L A R - A gestão administrativa - Que tem como função principal viabilizar o que for necessário para que os demais pontos funcionem dentro da construção da "escola que se quer". Assim, é importante que o projeto preveja aspectos relativos aos valores que se deseja instituir na escola, ao currículo e à organização, relacionando o que se propõe na teoria com a forma de fazê-lo na prática – sem esquecer, é claro, de prever os prazos para tal. Além disso, um mecanismo de avaliação de processos tem de ser criado, revendo as estratégias estabelecidas para uma eventual reelaboração de metas e ideais. Indo além, o projeto tem como desafio transformar o papel da escola na comunidade. Em vez de só atender às demandas da população – sejam elas atitudinais ou conteudistas – e aos preceitos e às metas de aprendizagem colocados pelo governo, ela passa a sugerir aos alunos uma maneira de "ler" o mundo. 4 Quem deve elaborá-lo e como deve ser conduzido o processo? A elaboração do projeto pedagógico deve ser pautada em estratégias que deem voz a todos os atores da comunidade escolar: funcionários, pais, professores e alunos. Essa mobilização é tarefa, por excelência, do diretor. Mas não existe uma única forma de orientar esse processo. Ele pode se dar no âmbito do Conselho Escolar, em que os diferentes segmentos da comunidade estão representados, e também pode ser conduzido de outras maneiras – como a participação individual, grupal ou plenária. A finalização do documento também pode ocorrer de forma democrática – mas é fundamental que um grupo especialista nas questões pedagógicas se responsabilize pela redação final para oferecer um padrão de qualidade às propostas. É importante garantir que o projeto tenha objetivos pontuais e estabeleça metas permanentes para médio e longo prazos (esses itens devem ser decididos com muito cuidado, já que precisam ser válidos por mais tempo). 5 O projeto pedagógico deve ser revisado? Em que momento? Sim, ele deve ser revisto anualmente ou mesmo antes desse período, se a comunidade escolar sentir tal necessidade. É importante fazer uma avaliação periódica das metas e dos prazos para ajustá-los conforme o resultado obtido pelos estudantes, que pode ficar além ou aquém do previsto. As estratégias utilizadas para promover a aprendizagem fracassaram? Os tempos foram curtos ou inadequados à realidade local? É possível ser mais ambicioso no que diz respeito às metas de aprendizagem? A revisão é importante também para fazer um diagnóstico de como a instituição está avançando no processo de transformação da realidade. Além disso, o plano deve passar a incluir os conhecimentos adquiridos nas formações permanentes, revendo as concepções anteriores e, quando for o caso, modificando-as. 6 Como atuar ao longo de sua elaboração e prática? O diretor deve garantir que o processo de criação do projeto pedagógico seja UNIDADE 2TÓPICO 398 G E S T Ã O E S C O L A R democrático, da elaboração à implementação, prevendo espaço para seu questionamento por parte da comunidade escolar. O gestor é a figura que articula os diferentes braços operacionais e conceituais em relação ao plano de intenções, a base conceitual do documento. É quem deve antecipar os recursos a serem mobilizados para alcançar o objetivo comum. Para sua implantação, ele também cuida para que projetos institucionais que se estendam a toda a comunidade escolar – como incentivo à leitura ou à proteção ambiental – não se percam com a chegada de novos planos, mantendo o foco nos objetivos mais amplos previstos anteriormente. Além disso, é ele quem garante que haja a homologia nos processos, ou seja, que os preceitos abordados no "plano de intenções" não se deem só na relação professor/aluno, mas se estendam a todas as áreas. Por exemplo: se ficou combinado que a troca de informações entre pares colabora para o processo de aprendizagem e é positiva como um todo, a organização dos espaços da escola deve propiciar as interações, a relação com os pais tem de valorizar o encontro entre eles, as propostas pedagógicas precisam prever discussões em grupo etc. 7 O projeto pedagógico precisa conter questões atitudinais? Sim, há uma função socializadora inerente à escola e ela é difusora de valores e atitudes, quer tenhamos consciência disso, quer não. As instituições de ensino não são entidades alheias às dinâmicas sociais e é importante que tenham propostas em relação aos temas relevantes também do lado de fora de seus muros – já que eles se reproduzem, em maior ou menor escala, em seu interior. O que não se pode determinar no projeto pedagógico são respostas a essas perguntas, que a própria sociedade se coloca. Como resolver a questão da violência, da gravidez precoce, do consumismo, das drogas, do preconceito? Diferentemente do que propunha o modelo do Estado centralizador, não há uma só resposta para cada uma dessas perguntas. O maior valor a trabalhar nas escolas talvez seja o de desenvolver uma postura atenta e crítica. 8 Quais são as maiores dificuldades na montagem do projeto? É muito comum que o plano de intenções – que deve ser o objetivo maior e o guia de todo o resto – não fique claro para os participantes e que isso só se perceba no decorrer de seu processo de implantação. Outro aspecto frequente é que os meios e as estratégias para chegar aos objetivos do projeto pedagógico se confundam com ele mesmo – por exemplo, que a pontualidade nas reuniões ganhe mais importância e gere mais discussões do que o próprio andamento desses encontros. Um processo democrático traz situações de divergência para dentro da escola: os atores têm diferentes compreensões sobre o que é de interesse coletivo. Por isso, é preciso estabelecer um ambiente de respeito para dialogar e chegar a pontos de acordo na comunidade. Outro ponto que gera problemas é a confusão com o Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) – documento que guia municípios e instituições a desenvolver objetivos e estratégias para melhorar o acesso, a permanência e os índices de aprendizagem das crianças. FONTE: Adaptado de: <http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/questoes-essenciais- projeto-pedagogico-427805.shtml>. Acesso em: 14 ago. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 3 99 G E S T Ã O E S C O L A R 2.1 A CONSTRUÇÃO DO PPP É RESPONSABILIDADE DE QUEM? O projeto da escola não é responsabilidade apenas de sua direção/gestão. Ao contrário, numa gestão colegiada, a direção é escolhida a partir do reconhecimento da competência e da liderança de alguém capaz de executar um projeto coletivo. IMP OR TAN TE! � Você, caro(a) acadêmico(a), já deve ter percebido que quando falamos em elaboração coletiva, execução coletiva, nos referimos de fato a alunos, pais, professores, gestores, funcionários e representantes da comunidade escolar. Adiante, conversaremos mais sobre os conselhos escolares, o trabalho democrático, participativo e compartilhado. Aguarde! Não faz sentido buscar definições genéricas de Projeto Político-Pedagógico, pois não existem duas escolas iguais. Foi-se o tempo da pretensão de saber de antemão qual é o projeto adequado para as escolas. Foi-se também o tempo em que se deixava ao encargo do diretor/gestor a responsabilidade de definir, realizar, elaborar o projeto, sem ter incorporado as experiências, opiniões e aspirações daqueles que vão realizá-lo (a equipe escolar) e daqueles para os quais o projeto é feito (alunos e suas famílias). Em alguns espaços, infelizmente, o planejamento técnico-racional toma o lugar da responsabilidade compartilhada, do diálogo e da criatividade necessários à elaboração do projeto em questão. Toma o lugar de uma Gestão Democrática. FIGURA 21 – LIBERDADE DE EXPRESSÃO FONTE: Disponível em: <http://blogcelianeri.wordpress.com/2012/03/02/ mafalda/205-mafalda/>. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 2TÓPICO 3100 G E S T Ã O E S C O L A RDIC AS! 2.2 GESTÃO DEMOCRÁTICA E COMPARTILHADA A Gestão Democrática exige, em primeiro lugar, uma mudança de mentalidade: deixar de lado o velho preconceito de que a escola pública é apenas um aparelho burocrático do Estado e não uma conquista da comunidade e um bem coletivo. A gestão democrática convoca a comunidade e os usuários da escola a agirem como cogestores e não apenas como fiscalizadores e, menos ainda, como meros receptores dos serviços educacionais. Na Gestão Democrática, pais e alunos, professores e funcionários assumem sua parte de responsabilidade pelo projeto da escola. Na verdade, a proposta pedagógica é a forma pela qual a autonomia se exerce. E a proposta pedagógica não é uma “norma”, nem um documento ou formulário a ser preenchido. Não obedece a prazos formais nem deve seguir especifi- cações padronizadas. Sua eficácia depende de conseguir pôr em prática um processo permanente de mobilização de “corações e mentes” para alcançar objetivos compartilhados. (PCN, 2008, p. 83). Caro(a) acadêmico(a)! Este livro, de autoria de Vitor Henrique Paro, GESTÃO ESOLAR, DEMOCRACIA E QUALIDADE DE ENSINO, Editora Ática, São Paulo: 2007, com 120 páginas, vem consolidar a gestão democrática com o conceito da qualidade da educação. O autor aborda conceitos teóricos com a prática cotidiana. O livro propõe reflexões sobre o papel sociopolítico da educação e apresenta propostas para a implementação de mudanças com vistas ao ensino para a democracia. Há, no mínimo, duas razões que justificam a implantação de um processo de gestão democrática na escola, seja ela pública ou não: a) Formar o aluno para a cidadania: para isso, ela deve dar o exemplo. A gestão democrática da escola é um passo importante no aprendizado da democracia. Ela está a serviço da comunidade. Nisso, a gestão democrática da escola presta serviço à comunidade que a mantém. Afinal, a escola não é um fim em si mesma. b) Ensino: a gestão democrática colabora diretamente para o ensino, que é o objetivo geral e específico da escola. A participação na gestão da escola proporciona melhor conhecimento do funcionamento da escola e de seus atores/colaboradores/parceiros ativos e participativos; estreitando, desta forma, o contato entre professores e alunos, aumentando, assim, a aprendizagem e o conhecimento mútuo e, como consequência, auxilia na percepção UNIDADE 2 TÓPICO 3 101 G E S T Ã O E S C O L A R das necessidades dos alunos e os conteúdos ensinados pelos professores. Numa perspectiva democrática, a LDB amplia o papel da escola diante da sociedade, colocando-a como o centro de atenção das políticas educacionais no fortalecimento de uma gestão mais democrática e compartilhada. Nela destacam-se três eixos, diretamente relacionados à construção do projeto. Veja: O eixo da flexibilidade O eixo da avaliação O eixo da liberdade Vincula-se à autonomia, possibilitando à escola organizar o seu próprio trabalho pedagógico. Reforça um aspecto importante a ser observado nos vários níveis do ensino público. (artigo 9º , inciso VI). Expressa-se no âmbito do pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas (artigo 3º, inciso III) e da proposta de gestão democrática do ensino público (artigo 3º, inciso VIII), a ser definida em cada sistema de ensino. FONTE: Brasil (1996) QUADRO 6 – EIXOS PARA A CONSTRUÇÃO DO PROJETO GESTÃO DEMOCRÁTICA = GESTÃO COMPARTILHADA Uma gestão democrática tem início na sala da direção, perpassa pela coordenação, secretaria, cozinha e chega à sala de aula, espaço onde professor-aluno, educador, educando fazem com que tudo aconteça. Entretanto o fato de a sala de aula ser o "espaço institucional" da aprendizagem, esta ocorre em todos os lugares e por meio de todos. Hoje mais do que nunca nossos alunos têm acesso a todo e qualquer tipo de informação, através de várias mídias. Evidencia-se dessa forma a necessidade de uma escola cada vez mais participativa, principalmente dentro dela mesma, com professores atuantes e comprometidos com o processo e com o sucesso dos alunos e da escola, e com uma equipe gestora (não mais só direção, mas também secretaria, coordenação pedagógica e orientação educacional) que transmita aos professores segurança, cooperação, promovendo a autonomia aos seus subordinados na mesma medida em que saiba cobrar deles os resultados. Esta é uma gestão mais do que democrática: é uma gestão compartilhada. Neste tipo de gestão a responsabilidade pelas ações é dividida, há a descentralização do poder e todos os envolvidos no processo são chamados à participação e a ser corresponsáveis pelos resultados. Neste contexto, fortalecendo a democracia, a autonomia e os valores da escola, está a construção significativa do Projeto Político-Pedagógico. Um projeto político-pedagógico, construído com a participação de todos, considerando a existência dos Conselhos Escolares, tem importância fundamental UNIDADE 2TÓPICO 3102 G E S T Ã O E S C O L A R 2.2.1 Características da gestão democrática na implementação dessa escola inovadora na nova sociedade do conhecimento, balizada por valores éticos de inclusão social e de saberes. Portanto, O projeto pedagógico, ao se constituir em processo participativo de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, rompendo com a rotina do mundo pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo relações horizontais no interior da escola. (VEIGA, 1998, p. 13). FONTE: Disponível em: http://www.webartigos.com/artigos/gestao-democratica-na-escola/42646/. Acesso em: 24 out. 2012. A gestão democrática possui características que são: o compartilhamento de decisões e informações; preocupação com a qualidade da educação; DIC AS! Leia mais em: <http://www.webartigos.com/artigos/gestao- democratica-na-escola/42646/#ixzz24EeqH2GS>. FIGURA 22 – DEMOCRACIA X POVO FONTE: Disponível em: <http://blogcelianeri.wordpress.com/2012/03/02/mafalda/205-mafalda/>. Acesso em: 13 ago. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 3 103 G E S T Ã O E S C O L A R relação com custo-benefício, transparência (colocar a comunidade escolar sempre a par de como os recursos financeiros da escola são usados). Neste sentido, compartilhar decisões significa envolver toda a comunidade escolar. Dentro deste prisma, quando as decisões da escola são tomadas em conjunto, a probabilidade de que obtenham sucesso é bem maior. A gestão democrática envolve atitude e método. A atitude democrática busca a participação e a transparência. São essenciais, mas não suficientes. É preciso métodos democráticos, de efetivo exercício de participação consequente, que alcance resultados. Nesse aspecto ela é um aprendizado que demanda tempo, atenção e trabalho. A gestão democrática deve estar impregnada de uma atmosfera de ampla circulação das informações que facilitem os processos de divisão do trabalho, estabelecimento do calendário escolar, a distribuição das aulas, a elaboração ou criação de novos cursos ou de novas disciplinas, a formação de grupos de trabalho, a capacitação dos recursos humanos, enfim... Existem, certamente, limitações e obstáculos à instauração de um processo democrático de elaboração e execução do projeto político-pedagógico da escola. Entre eles, podemos citar: a nossa pouca experiência democrática; a mentalidade de que só os técnicos têm capacidade de planejar e governar e de que o povo é incapaz de exercer o governo ou de participar de um planejamento coletivo em todas as suas fases; a própria estrutura do nosso sistema educacional, que é vertical; o autoritarismo que impregnou nossa política educacional; o tipo de liderança que tradicionalmente domina nossa atividade política no campo educacional. Um projeto político-pedagógico da escola apoia-se primordialmente: no desenvolvimento de uma consciência crítica; no envolvimento das pessoas: comunidade interna e externa à escola; na participaçãoe na cooperação das várias esferas de governo; na autonomia, responsabilidade e criatividade como processo e produto do projeto. O projeto da escola depende, sobretudo, da ousadia de seus gestores e cogestores, da ousadia de cada comunidade escolar em assumir a sua participação, seu compartilhamento UNIDADE 2TÓPICO 3104 G E S T Ã O E S C O L A R nas menores manifestações de seu cotidiano, no contexto histórico em que a escola se insere. É fundamental compreender que o projeto político-pedagógico tem natureza interdisciplinar e intersetorial. Não se trata de trocar de teoria, como se ela pudesse salvar a escola. Mas contextualizá-la de forma possível a ser executada. Pelo que foi dito até agora, a introdução do projeto pedagógico em qualquer escola pode ser considerado como um momento importante de renovação da escola. Isso porque ele projeta um futuro coletivamente desejado, e projetar significa “lançar-se para frente”, antever um futuro diferente do presente. Projeto pressupõe uma ação intencionada, com um sentido definido, explícito, sobre o que se quer mudar. Além disso, constitui um processo de realização em dois momentos distintos: 1º) da concepção do projeto; 2º) da institucionalização e implementação do projeto. Como vimos anteriormente, todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Significa intenção ou coragem para arriscar quebrar um estado confortável, atravessar um período de instabilidade em nome de um resultado, de um estado melhor do que o presente. Um projeto educativo é uma promessa frente a determinadas rupturas e, para ter sucesso suas promessas devem ser factíveis e tornar visíveis os campos de ação possível, motivando seus atores e autores. Sem confiança na viabilidade do resultado e clareza em como fazê-lo acontecer, não se consegue reunir disposição para deslanchar uma mudança. O êxito do projeto implica sobretudo uma noção de tempo: Tempo político - o da oportunidade política de um determinado projeto. Tempo institucional - cada escola encontra-se num determinado tempo de sua história. Um projeto que é inovador e contagiante para uma escola pode não ser para outra. Tempo escolar - o período do calendário da escola no qual o projeto é elaborado pode ser também decisivo para o seu sucesso. Tempo para amadurecer as ideias - só os projetos burocráticos chegam prontos e, por isso, se revelam ineficientes a médio prazo. Ideias novas precisam de tempo para serem sedimentadas e amadurecidas, para serem discutidas e para persuadirem. Sendo o projeto construído de forma democrática e compartilhado, ele deve conter elementos que permitam facilitar o êxito na aplicação de um projeto. Neste contexto, pode-se destacar: Comunicação eficiente - O projeto deve ser factível e seu enunciado facilmente compreensível. Adesão voluntária e consciente ao projeto - A corresponsabilidade é um fator decisivo UNIDADE 2 TÓPICO 3 105 G E S T Ã O E S C O L A R no êxito de um projeto. Todos ou, pelo menos, uma grande maioria, precisa estar envolvida; Suporte institucional e financeiro - Que significa vontade política de todos, principalmente dos dirigentes. Deve-se ter pleno conhecimento e os recursos financeiros devem estar claramente definidos. Controle, acompanhamento e avaliação - Um projeto que não envolva constante avaliação não permite que se saiba se seus objetivos estão sendo atingidos. Atmosfera ou ambiente favorável - Não se deve desprezar o componente mágico-simbólico que contagia e cimenta a confiança de todos os que se envolvem no design e concretização de um projeto. Credibilidade - As ideias podem ser boas, mas, se os que as defendem não têm prestígio, comprovada competência e legitimidade, o projeto pode não deslanchar. Referencial teórico - Que respalde os principais conceitos e a estrutura do projeto. A falta desses elementos dificulta a elaboração e implantação de um Projeto Político- Pedagógico novo para a escola. O que é novo enfrenta sempre a descrença dos que pensam que de nada adianta projetar uma boa escola se não houver vontade política dos governantes. Contudo, seu pensamento e sua prática se modificam quando existe pressão de todos. Um projeto político-pedagógico da escola deve constituir-se um verdadeiro processo de conscientização e de formação cívica; deve ser um processo de recuperação da importância e da necessidade do planejamento na educação. (GADOTTI; ROMÃO, 1997). NO TA! � Também sejamos honestos: sabemos que promover este clima favorável, despertar o interesse pela comunidade pelos assuntos da escola não é tarefa fácil por parte do gestor. Por isso cabe-lhe desenvolver habilidades, situações em que atinja a comunidade escolar pelo diálogo. A escola está basicamente organizada com o auxílio de colegiados, tais como: Conselho Escolar, Conselho de Classe, Associação de Pais e Mestres (APM) ou Associação de Pais e Professores (APP) e o Grêmio Estudantil. A elaboração dos Conselhos de Escola é regida por todos os segmentos da comunidade escolar: pais, alunos, professores, direção e UNIDADE 2TÓPICO 3106 G E S T Ã O E S C O L A R NO TA! � Estimado(a) acadêmico(a), o trabalho coletivo é que dá força e orienta as formas de pensar e desempenhar a prática pedagógica da escola; desta forma, se adota a metodologia da participação para despertar para um novo fazer. DIC AS! A democratização da gestão nasce por meio do fortalecimento dos mecanismos de participação na escola, em especial o Conselho Escolar. Pode-se apresentar como uma alternativa criativa para envolver os diferentes segmentos das comunidades local e escolar nas questões e problemas vivenciados pela escola. Esse processo possibilita aprendizado coletivo, tendo como resultado o fortalecimento da gestão democrática no âmbito escolar. O estudo sobre como lidar com os mais variados conselhos e assuntos sobre os conselhos escolares você poderá visualizar acessando: <http:// portal.mec.gov.br>. Boa pesquisa! Um material interessante e prático para ser analisado quando se trata de Conselhos Escolares é a Coleção realizada pelo Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, referente ao Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Brasília: MEC, SEB, 2004. demais funcionários. Percebe-se que é o primeiro passo ao encontro da autonomia da gestão democrática, participativa e compartilhada da escola pública; o segundo passo é a construção do Projeto Político-Pedagógico com base e fundamento nos princípios da gestão democrática. DIC AS! UNIDADE 2 TÓPICO 3 107 G E S T Ã O E S C O L A R 2.3 PPP: NECESSIDADE, DIREITO OU DEVER? A escola, em seu caminhar, busca, para a elaboração do PPP, obter comprometimento e, principalmente, a participação de todos os segmentos da escola. O Projeto Político-Pedagógico da escola nasce da necessidade de construir a escola constantemente; obtendo discussão ampla e constante na busca de soluções para a qualidade do ensino, bem como para solucionar problemas. Vemos o PPP como uma orquestra em sintonia, harmonia, composta por várias vozes, vários ritmos. Para muitas escolas, o PPP é algo novo, que está ainda em construção, e os professores são peças fundamentais no processo de construção deste projeto. Ele permite observar o que a escola tem de positivo e negativo para ir em busca de novas estratégias, viabilizando melhora significativa no âmbito escolar. A gestão escolar deve ser compartilhada e isto depende muito do gestor, do dirigente. Para isto, o gestor deve ir à busca desta realidade, criar mecanismos para que a sua comunidade sinta interesse em participar da vida escolar de seus filhos. Os vários segmentos da escola devem olhar o PPP como um aliado a dar continuidade às ações da unidade escolar. Ele precisa estar em constante avaliação, pois a reflexão sobre a ação possibilita, em parte, qualidade do ensino e em todos os demais setores da escola. O PPP é o documento norteador da escola,pois julgamos indispensáveis dois momentos distintos nesta elaboração constante do PPP: a sintonia das ações e dos agentes que o regem. É confortante saber, também, que ele é inacabado, está em constante reelaboração, reorganização e avaliação. Vemos que o grande desafio na elaboração do PPP é realmente a participação de todos e, neste quesito, entra a habilidade do Gestor Político. O gestor é o grande mediador da elaboração do projeto, bem como, articulador fiel das decisões tomadas em grupo. UNIDADE 2TÓPICO 3108 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! Caro(a) acadêmico(a), para ampliar seus estudos, sugerimos o DVD da TV Escola – TV Escola Secretaria de Educação a Distância – Ensino Médio – Fazendo Escola. Juntamente com o Ministério da Educação, o MEC, traz em seu conjunto de DVDs assuntos relacionados aos princípios e bases da gestão democrática, o PPP: conceitos e significados, a história e os caminhos da gestão escolar, o papel dos colegiados, entre outros. Traz assuntos pertinentes a quem é ou quer ser gestor(a) escolar. Então, pergunte em sua escola, provavelmente ela tem este material. O PPP, nos dias atuais, é visto como um direito, pois, ele permite consolidar a autonomia da escola. Isto ocorre devido à sua execução e avaliação serem constantes e suas ações serem consolidadas, pois, à medida que colocamos nossos objetivos no papel, sentimos a obrigação de colocar em prática. Não é mesmo? Vocês concordam comigo? O PPP apresenta-se como um dever, pois ele vincula-se aos aspectos legais que emanam da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei do Sistema Estadual de Educação e diretrizes consolidadas pelos Conselhos Estaduais de Educação. Sendo assim, com olhares de águia, que todo(a) gestor(a) deve ter, concordamos que o PPP se faz necessário, é um direito que ampara as diretrizes da escola e um dever estabelecido por lei. Sem contar que é um belo documento que visa buscar parcerias para o bom funcionamento da unidade escolar e um instrumento que vem auxiliar diretamente a organização e a gestão da escola. Nesta perspectiva, o PPP é um instrumento que visa à busca de ações e, consequentemente, resultados, ele representa a identidade democrática e participativa da escola. Sua construção coletiva se efetiva através do ato de planejar. O planejamento é um facilitador para se alcançar os objetivos e, consequentemente, assegurar o sucesso da escola. Pode-se definir o PPP como um instrumento teórico-metodológico, pois tem a finalidade de orientar a prática para o fortalecimento da autonomia e qualidade da educação, do ensino, atendendo às necessidades da comunidade escolar à qual pertence. Segundo Vasconcelos (2004, p. 169), o Projeto Político-Pedagógico: [...] é o plano global da instituição. Pode ser entendido como a sistemati- zação, nunca definitiva, de um processo de planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. É um instrumento teórico-metodológico para a intervenção e mudança da realidade. É um elemento de organização e integração da atividade prática da instituição neste processo de transformação. UNIDADE 2 TÓPICO 3 109 G E S T Ã O E S C O L A R 2.4 COMO ELABORAR UM PPP Mediante esforço coletivo na elaboração do projeto, indicamos o roteiro para elaboração do PPP de acordo com o Conselho Estadual de Educação do Estado de Santa Catarina, visto que o PPP deverá refletir os anseios da comunidade local, definidos pelo coletivo da escola. 2.4.1 Roteiro Apresentação - Descrever as características da instituição de modo sucinto, seu histórico, origem e valores da clientela atendida, objetivo geral, as expectativas educacionais para determinado período. É fundamental destacar números que demonstrem os resultados concretos obtidos pela escola nos últimos 04 (quatro) anos (dados de repetência, evasão e relação idade/série) e as estratégias para recuperação dos alunos de baixo rendimento. Papel da escola - Posicionamento dos docentes e profissionais da educação que, permeada pela fundamentação teórica, definirá a intencionalidade da prática educativa, os objetivos e prioridades da escola, as ações a serem desenvolvidas e as pessoas ou segmentos que irão realizar as ações. Proposta curricular - Objetivos, matriz curricular, conteúdos curriculares e sua adequação às diretrizes curriculares e padrões de qualidade; metodologia de ensino e sistema de avaliação ensino-aprendizagem; relação alunos/docente; relação disciplina/docente. Dimensão administrativa - Descrever aspectos gerais da organização escolar: formação acadêmica e profissional do corpo docente e diretivo; condições de trabalho, inclusive o plano de valorização dos profissionais da educação; forma de atendimento aos alunos; proposta de avaliação Institucional. Dimensão financeira - Descrever as alternativas de captação e aplicação dos recursos financeiros para melhorar a permanência do aluno na escola. UNIDADE 2TÓPICO 3110 G E S T Ã O E S C O L A R Dimensão física - Descrever: instalações gerais, biblioteca (espaço físico, acervo, serviços oferecidos); instalações, condições materiais e laboratórios específicos para, no mínimo, atender ao primeiro ano de funcionamento do(s) curso(s) proposto(s); condições de acessibilidade para portadores de necessidades especiais; áreas de convivência e infraestrutura para o desenvolvimento de atividades esportivas, de recreação e culturais; local de alimentação e de oferta de serviços. Metas, ações e responsáveis - Descrever: metas por dimensão; ações para atingir as metas; responsáveis pelas ações; período de desenvolvimento; resultado esperado; avaliação final. Consolidação do PPP - Aprovação em Assembleia Geral da Comunidade com aporte de assinaturas. FONTE: Disponível em: <www.cee.sc.gov.br>. Acesso em: 18 dez. 2007. UNIDADE 2 TÓPICO 3 111 G E S T Ã O E S C O L A R IMP OR TAN TE! � Caro(a) acadêmico(a), a Lei n° 9.394/96, no inciso l do Artigo 12, estabelece que: “Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do sistema de ensino, terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica”. Para demonstrar sua importância e prioridade, esse dispositivo encabeça uma lista de sete incisos, precisando no inciso VII, que as escolas devem informar aos pais ... sobre a execução de sua proposta pedagógica’. Razão pela qual a escola deverá aprovar o PPP através da comunidade escolar, de forma ampla ou representativa. 2.5 AVALIAR É PRECISO FONTE: Autor desconhecido Ops! Será este o tipo de avaliação que queremos? Avaliação deve ser considerada como ameaça ou oportunidade? A avaliação é uma importante ferramenta de gestão. Nossa proposta, neste item, é convidar você a discutir sobre uma questão importante ao processo de construção do conhecimento ensino-aprendizagem, bem como no processo de desenvolvimento das ações, normas e dimensões da escola, contidas no PPP – A AVALIAÇÃO. A avaliação da instituição deverá ser contínua. É um instrumento através do qual se pode ouvir todos os segmentos internos e externos da escola e para detectar se o PPP contempla o esperado pela maioria. Esta avaliação objetiva orientar a gestão em suas dimensões política, acadêmica, pedagógica e administrativa, para promover as melhorias necessárias à elevação de seus padrões de desempenho e qualidade. FIGURA 23 – SURPRESA UNIDADE 2TÓPICO 3112 G E S T Ã O E S C O L A R O ato de avaliar caracteriza-se pelas estratégias e diagnósticos utilizados de modo globalizado. Isto se dá através do fazer, prática das ações. Neste contexto, devemos lembrar do posicionamento político das pessoas, do gestor, ou seja, de todos os envolvidos. A avaliação deve ser observada na fala dos membros da comunidade, através de pesquisas em forma de registro e a política do boca a boca. Nesse viés, a avaliação passará a serconsiderada como uma autoavaliação da instituição, ela servirá de parâmetro para a etapa de adequação e mudanças que deverão ocorrer constantemente no PPP. NO TA! � O PPP, na sua elaboração e principalmente na sua execução, exige ações planejadas que serão colocadas em prática e a avaliação permanente deste processo garantirá sua execução, principalmente no que se refere aos direitos e deveres básicos da cidadania; no processo ensino- aprendizagem de qualidade, promovendo o sucesso do aluno na escola, o sucesso da escola, da gestão e da sociedade. Os educadores e colaboradores conscientes da importância do PPP na articulação da função social da escola o identificam como um instrumento primordial para a organização dos propósitos a serem alcançados. A avaliação é uma ferramenta indispensável que está a serviço da gestão e do planejamento escolar. Ela permite ver e rever os resultados para aprimorar o desempenho dos alunos, da gestão da sala de aula e a organização interna e externa da escola. Uma escola de qualidade anda lado a lado com a avaliação; isto nos faz concluir que avaliar é necessário, é parte essencial da escola. 2.5.1 Avaliação institucional? Por quê? A avaliação da instituição se faz necessária para se ter uma visão sistêmica da instituição. É uma exigência ética por parte do gestor(a) escolar, pois é utilizada como instrumento de melhoria e de construção de qualidade de ensino, bem como visa a prestação de contas à comunidade sobre a qualidade dos serviços elaborados. A avaliação institucional, confome podem analisar no diagrama a seguir, visa à avaliação interna que corresponde à autoavaliação, professores/direção/alunos... e a avaliação externa, que engloba o SAEB, ENEM, PROVA BRASIL – Avaliações do governo, entre outras. UNIDADE 2 TÓPICO 3 113 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: A autora A avaliação não é um momento isolado no planejamento. É um processo que está em constante confronto com os resultados que vão conquistando. A avaliação não é a última coisa a ser realizada na elaboração de um plano, projeto,... Ela assegura o dinamismo, é o motor latente de todo o sistema e deve estar em constante atualização. A avaliação deve estar presente no todo e nas partes distintas de qualquer plano, ação, estratégia. Ela analisa os resultados alcançados com os que se pretende alcançar. Avaliar é fazer um feedback de todo o contexto. 2.5.2 Objetivos: avaliação institucional A avaliação de uma instituição deve ter, em primeira instância, objetivos claros e eficazes, tais como: Descobrir as reais necessidades da escola, nos mais diversos setores, para se procederem os devidos encaminhamentos buscando a melhoria de qualidade. Identificar os anseios e expectativas da comunidade escolar em todos os aspectos a serem verificados. FIGURA 24 – AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL UNIDADE 2TÓPICO 3114 G E S T Ã O E S C O L A R Colher subsídios para a elaboração ou reelaboração do PPP e para poder fazer novos direcionamentos de trabalhos na escola. 2.5.3 Campos a serem avaliados a) Dados da instituição: nome, fundação, endereço, números de funcionários/professores/alunos/turmas...; quantidade de funcionários que possui em seu quadro, bem como dependências físicas; clientela a que atende: educação infantil, séries/anos iniciais e finais...; órgãos de apoio da escola: APM/APP, Conselho deliberativo, Grêmio Estudantil...; estatísticas gerais: Os últimos cinco anos – número de alunos por turma/turno; aprovados/ reprovados e evasões – se houver. b) Perfil da comunidade: zona em que a escola está inserida; perfil socioeconômico das famílias dos alunos; grau de instrução dos pais ou responsáveis; perfil de colaboração (do que a escola dispõe). c) Modelo de gestão escolar: Duração da atual gestão: anos/ meses ________________________. Na sua opinião, o atual gestor é: ( ) Frequentemente Autoritário ( ) Equilibrado (Autoritário/Democrático) ( ) Frequentemente Democrático ( ) Não consegue exercer liderança Quanto à gestão de pessoas, o gestor é: ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Satisfatório ( ) Regular ( ) Ruim Quanto à gestão dos recursos financeiros, é: ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Satisfatório ( ) Regular ( ) Ruim Articula parcerias com outros segmentos locais: ( ) Sim, constantemente ( ) Sim, por vezes ( ) Muito pouco ou nada Busca implementar as ações e concepções discutidas na comunidade escolar: ( ) Sim ( ) Não UNIDADE 2 TÓPICO 3 115 G E S T Ã O E S C O L A R Indique as qualidades/características que você visualiza no gestor: Liderança Tem iniciativa, é empreendedor Flexibilidade / bom Senso Integração /espírito de equipe Motivador Organizado Responsável Ético Socializa informações Transmite segurança/ confiança Sim Não Seu relacionamento com gestor é: ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Satisfatório ( ) Regular ( ) Ruim d) Prestação de Serviços Quanto à funcionalidade Excelente Bom Satisfatório Regular Ruim Merenda Limpeza Conservação do patrimônio Secretaria Biblioteca Orientação Educacional Administração Comentários : __________________________________________________________ Quanto ao atendimento/ postura Excelente Bom Satisfatório Regular Ruim Merenda Limpeza Conservação do patrimônio Secretaria Biblioteca Orientação educacional Administração Comentários:_________________________________________________________________ UNIDADE 2TÓPICO 3116 G E S T Ã O E S C O L A R Os ambientes de trabalho são adequados ( ) Sim ( ) Não Os materiais de trabalho são adequados ( ) Sim ( ) Não Existem materiais suficientes ( ) Sim ( ) Não São observados itens de segurança ( ) Sim ( ) Não e) Setor Pedagógico ( ) Número de Professores efetivos ( ) Número de professores ACT’s Plano Pedagógico Excelente Bom Satisfatório Regular Ruim Relacionamento Domínio de turma Domínio de conteúdo Metodologia de trabalho Pontualidade Assiduidade Relaciona teoria/prática Contextualiza os conhecimentos Motivação profissional Atualização profissional Comentários: _______________________________________________________________ Você tem conhecimento da Filosofia, Função Social, Objetivos e Regimento Interno da escola? ( ) Sim ( ) Não Comentários: ____________________________________________ Conforme seu entendimento, aponte: Pontos positivos da escola Pontos negativos da escola f) Imagem institucional Percepção da qualidade e confiabilidade dos serviços prestados: ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Satisfatório ( ) Regular ( ) Ruim UNIDADE 2 TÓPICO 3 117 G E S T Ã O E S C O L A R Percebe-se o compromisso dos profissionais envolvidos: ( ) Sim, constantemente. ( ) Sim, por vezes. ( ) Quase nunca ou inexistente. ( ) Exigiu setores deficitários. Visão do Corpo Discente: ( ) Interessados e bem preparados. ( ) Desinteressados, mas bem preparados. ( ) Desinteressados e mal preparados. ( ) Rebeldes / problemáticos. A escola utiliza estratégias de divulgação de trabalhos e eventos: ( ) Sim, constantemente. ( ) Sim, por vezes. ( ) Quase nunca ou inexistente. Em caso de resposta afirmativa, quais as estratégias envolvidas: ( ) Informativos locais. ( ) Informativos próprios. ( ) Reuniões e encontros. ( ) Exposições e murais. ( ) Outros — Quais ? ___ Se for ex-aluno ou aluno concluinte, indique o grau de satisfação em relação à escola: 1 2 3 4 5 NO TA! � Caro(a) acadêmico(a)! Estes são apenas alguns exemplos dos campos da escola que podem ser avaliados. Todas as estratégias podem e devem ser adaptadas conforme a realidade de cada unidade escolar. Bom proveito, e lembre-se: avaliar é preciso! UNIDADE 2TÓPICO 3118 G E S T Ã O E S C O L A R NO TA! � A avaliaçãoestá presente em todos os momentos da nossa vida. Desta forma, o exercício do saber olhar, avaliar, analisar tudo o que nos rodeia deve ser realizado com olhos sob diversos ângulos. PRESSUPOSTOS NORTEADORES DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Ilma Passos Alencastro Veiga É preciso considerar a teoria pedagógica progressista, que parta da prática social e esteja compromissada em solucionar os problemas da educação, do currículo e do processo ensino-aprendizagem da escola. Os pressupostos norteadores são: filosófico-sociológico, epistemológico e didático-metodológico. Os pressupostos filosófico-sociológicos consideram a educação como compromisso político do Poder Público para com a população, com vistas à formação do cidadão participativo para um determinado tipo de sociedade. A escola guarda relação com o contexto social mais amplo. [...] A educação é direito de todos e não deve se constituir em um serviço, uma mercadoria, sendo transformada num processo centrado na ideologia da competição e da qualidade para poucos. A educação básica deve estar alicerçada nas múltiplas necessidades humanas. Trata-se de um processo articulador das relações sociais, culturais e educacionais, como sugerido pelas indagações seguintes: Qual é o contexto filosófico, sociopolítico, econômico e cultural em que a escola está inserida? Que concepção de homem se tem? Que valores devem ser defendidos na sua formação? O que entendemos por cidadania e cidadão? Em que medida a escola contribui para a cidadania? Em que dimensão a escola propicia a vivência da cidadania? A formação da cidadania tem sido o fio condutor do trabalho pedagógico da escola? Até que ponto a escola se preocupa em colocar o sujeito (aluno) como centro do processo educativo? Como a escola deve responder às aspirações dos alunos, dos pais e dos professores? Qual é o papel da escola diante de outros espaços formadores? LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE 2 TÓPICO 3 119 G E S T Ã O E S C O L A R Os pressupostos epistemológicos levam em conta que o conhecimento é construído e transformado coletivamente. Nesse sentido, o processo de produção do conhecimento deve pautar-se, sobretudo, na socialização e democratização do saber. O conhecimento escolar é dinâmico e não mera simplificação do conhecimento científico, que se adequaria faixa à etária e aos interesses dos alunos. Isso posto, as questões a responder são: Qual é, então, nosso papel neste momento, uma vez que há uma compreensão, entre nós, professores e especialistas, de que a construção do conhecimento é condição sine qua non para a formação do educando? que significa construir o conhecimento no campo da educação básica? Como construir um conhecimento interdisciplinar e globalizador, conseguindo, de fato, trabalhar o específico e avançar a compreensão das relações sociais? Como avançar a prática pedagógica de forma que o conhecimento seja trabalhado como processo e, dessa forma, contribuir para a autonomia do aluno, do ponto de vista intelectual, social e político, favorecendo a cidadania? Como a relação entre ensino e pesquisa pode favorecer essa construção? Como definir o essencial e o complementar na organização do conhecimento curricular? Em que nível o aluno deve participar da organização dos programas escolares? De que forma partir do conhecimento trazido pelo estudante, para relacioná-lo com o novo conhecimento? Como propiciar a aquisição de conhecimentos e habilidades intelectuais aliada às atitudes de cooperação, corresponsabilidade, iniciativa, organização e decisão? Como viabilizar a compreensão das relações sociais que o trabalho gera com relações sociais mais amplas por meio de conteúdos curriculares históricos, críticos, criativos, não tomados em si, mas à luz do trabalho em questão? Qual é a concepção de conhecimento, currículo, ensino, aprendizagem e avaliação? O projeto político-pedagógico construído pela própria comunidade escolar é o definidor de critérios para a organização curricular e a seleção de conteúdos, embora o Estado legitimamente constituído assumia o papel de formulador de políticas integrativas, principalmente com o intuito de preservar a unidade nacional, respaldado na legislação que estabelece as prescrições mais amplas, em termos dos fundamentos/princípios e orientações. [...] Como tudo isso se relaciona com a construção do projeto político-pedagógico e a atividade docente? A nova LDB, em seu art. 13, incumbindo os docentes da tarefa de participar da elaboração, da execução e da avaliação do projeto pedagógico, explicita a importância da presença dos professores como sujeitos vinculados a processos de socialização, sujeitos que se reúnem numa prática intencionada, na qual têm oportunidade de combinar o fazer pedagógico com a reflexão. Nesse sentido, a ação prático-reflexiva resulta em propostas, planos de ensino e atividades e novas formas de organização do trabalho pedagógico. UNIDADE 2TÓPICO 3120 G E S T Ã O E S C O L A R Isso significa uma enorme mudança na concepção do projeto político-pedagógico e na própria estrutura da administração central. Se a escola se nutre da vivência cotidiana de cada um de seus membros, coparticipantes da organização do seu trabalho pedagógico, aos órgãos da administração central, seja o Ministério da Educação, a Secretaria de Educação Estadual ou Municipal, não compete propor um modelo pronto e acabado, mas definir normas de gestão democrática, como previsto no art. 14, com a participação dos profissionais da educação e da comunidade escolar e local em instâncias colegiadas. Os órgãos centrais devem estimular inovações e coordenar as ações pedagógicas planejadas e organizadas pela própria escola. Em outras palavras, as escolas necessitam receber assistência técnica e financeira (art. 92, inciso III), decidida em conjunto com as instâncias superiores do sistema de ensino. Isso pode exigir, também, mudanças na própria lógica da organização de instâncias superiores, implicando uma alteração substancial na sua prática e ampliando, dessa forma, a concepção de gestão democrática. A CONSTRUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Existem vários caminhos para a construção do projeto pedagógico. Enfatizam-se, aqui, os movimentos do processo de construção desse projeto, marcados por três atos bem distintos, porém, interdependentes. a) O ato situacional — descreve a realidade na qual desenvolvemos nossa ação; é o desvelamento da realidade sociopolítica, econômica, educacional e ocupacional. Implica levantar questões, tais como: Como compreendemos a sociedade atual? Qual é a realidade de nossa escola em termos: legais, históricos, pedagógicos, financeiros, administrativos, físicos e materiais e de recursos humanos? Quais são os dados demográficos da região em que se situa a escola? Qual é a população-alvo da escola? Quais suas características em termos de nível socioeconômico, cultural e educacional? Qual o papel da educação/escola nessa realidade? Qual a relação entre a escola e o mundo do trabalho? Quais as principais questões apresentadas pela prática pedagógica? O que é prioritário para a escola? Quais as alternativas de superação das dificuldades detectadas? O ato situacional significa, portanto, ir além da percepção imediata. É o momento de desvelar os conflitos e as contradições político-pedagógicas postas pela prática pedagógica: é apreender seu movimento interno, de tal forma que se possa reconfigurá-la, fortalecida pela reflexão teórico-prática. UNIDADE 2 TÓPICO 3 121 G E S T Ã O E S C O L A R b) O ato conceitual diz respeito à concepção ou visão de sociedade, homem, educação, escola, currículo, ensino e aprendizagem. Diante da realidade situada, retratada, constatada e documentada, cabem as seguintes indagações: Que referencial teórico, ou seja, que concepções se fazem necessárias para a transformaçãoda realidade? Que tipo de alunos queremos formar? Para qual sociedade? O que significa ser uma escola voltada para a educação básica? Que experiências queremos que nosso aluno vivencie no dia a dia de nossa escola? Quais as decisões básicas referentes ao que, para que e a como ensinar, articulados ao para quem? O que significa construir o projeto político-pedagógico como prática social coletiva? As questões levantadas geram respostas e novas indagações por parte da direção, de professores, funcionários, alunos e pais e da sociedade em geral. O esforço analítico da realidade constatada possibilitará a identificação de quais finalidades estão relegadas e precisam ser reforçadas e priorizadas, e como elas poderão ser detalhadas e retrabalhadas. [...] A escola tem que pensar o que pretende, do ponto de vista político e pedagógico. Há um alvo para ser atingido pela escola: a produção e a socialização do conhecimento, das ciências, das letras, das artes, da política e da tecnologia, para que o aluno possa compreender a realidade socioeconômica, política e cultural, tornando-se capaz de participar do processo de construção da sociedade. c) O ato operacional orienta-nos quanto a como realizar nossa ação. É o momento de nos posicionarmos com relação às atividades a serem assumidas, para transformar a realidade da escola. Implica, também, a tomada de decisão de como vamos atingir nossas finalidades, nossos objetivos e nossas metas. Na operacionalização do projeto pedagógico, o que se faz é verificar se as decisões foram acertadas ou erradas e o que é preciso revisar ou reformular. Tendo em vista as diferentes circunstâncias, pode-se tornar necessário tanto alterar determinadas decisões quanto introduzir ações completamente novas. As decisões básicas para a execução dizem respeito à proposição de medidas de ação coletiva, no sentido do aperfeiçoamento do ato operacional. É preciso ter presentes algumas indagações: Quais as decisões necessárias para a operacionalização? Como redimensionar a organização do trabalho pedagógico? UNIDADE 2TÓPICO 3122 G E S T Ã O E S C O L A R Qual o tipo de gestão? Quais as ações prioritárias? São exequíveis? Qual o papel específico de cada membro da comunidade escolar? De que recursos a escola dispõe para realizar seu projeto? Quais os critérios gerais para elaboração do calendário escolar, horários letivos e não letivos (incluindo os de capacitação)? Quais as necessidades de formação inicial e continuada dos diferentes profissionais que trabalham na escola? Quais os critérios para a organização e a utilização dos espaços educativos (internos e externos à própria escola)? Como será feita a organização de turmas por professor, em virtude da especificidade das situações diversificadas inerentes à própria estrutura curricular dos cursos desenvolvidos pela escola? Quais as diretrizes para a avaliação de desempenho do pessoal docente e não docente, do currículo, dos projetos não curriculares e do próprio projeto político-pedagógico da escola? Qual a relação entre o pedagógico e o administrativo no processo de gestão? Qual o papel das instâncias colegiadas da escola, tais como Conselho da Escola, Conselho de Classe, Grêmio Estudantil, Associação de Pais e Mestres, clubes diversos e outros? Corno se efetiva o acompanhamento de egressos? A avaliação é vista como ação fundamental para a garantia do êxito do projeto, na medida em que é condição sine qua non para as decisões significativas a serem tomadas. É parte integrante do processo de construção do projeto e compreendida como responsabilidade coletiva. FONTE: Adaptado de: VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Perspectivas para reflexão em torno do projeto político-pedagógico. Florianópolis: UDESC, 1999. (Coletânea Básica). UNIDADE 2 TÓPICO 3 123 G E S T Ã O E S C O L A R Revendo um pouco do Tópico 3 desta unidade, podemos observar que: O PPP é um documento indispensável para o bom trabalho da escola, sendo ele o norteador da instituição. Projeto pedagógico, no foco deste estudo, é considerado o plano de ação do docente e do gestor; e o PPP é um projeto político-pedagógico, visto como o documento norteador da instituição de ensino, visando à busca de ações e, consequentemente, de resultados eficazes. O PPP, elaborado de forma democrática, torna-se uma necessidade, um direito e, principalmente, um dever. O PPP visa realizar ações, nele devem ser relacionadas todas as dimensões que compõem a escola. Avaliação - vimos o porquê de avaliar os projetos, a instituição, o ensino etc. RESUMO DO TÓPICO 3 UNIDADE 2TÓPICO 3124 G E S T Ã O E S C O L A R Estimado(a) acadêmico(a), se você está gestor(a), ou pretende estar, responda em forma de texto às questões que aparecem no ato situacional e conceitual. Elabore este texto de acordo com a realidade de sua escola ou da escola mais próxima de sua casa (caso você não trabalhe ainda em escola). AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 2 TÓPICO 3 125 G E S T Ã O E S C O L A R AVAL IAÇÃ O Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da Unidade 2, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade. UNIDADE 2TÓPICO 3126 G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R UNIDADE 3 ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM A partir desta unidade você terá a capacidade de: • identificar a importância da gestão escolar na coordenação dos trabalhos pedagógicos realizados no coletivo, visando a formação plena do cidadão; • reconhecer a importância do financiamento da educação e os programas alternativos implementados pelo governo em suas esferas; • analisar as Leis que regem o salário-educação e suas deliberações; • compreender a aplicabilidade do salário-educação, o FUNDEB; • planejar/elaborar, com o auxílio do colegiado escolar, a previsão orçamentária de uma escola para um determinado período; • verificar e compreender a importância do Conselho Escolar; • desenvolver estratégias que possibilitem a conquista de parceiros internos e externos na captação de recursos para a escola. PLANO DE ESTUDOS Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a refletir e a fixar os conhecimentos abordados. TÓPICO 1 – A GESTÃO ESCOLAR E O TRABALHO DO PEDAGOGO TÓPICO 2 – ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E O TRABALHO PEDAGÓGICO TÓPICO 3 – GESTÃO ESCOLAR E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R Caro(a) acadêmico(a), na terceira unidade deste caderno realizamos um breve toque sobre o trabalho pedagógico, mais voltado à elaboração e à construção de projetos. Nesta unidade iremos aprofundar um pouco mais sobre a parte do trabalho pedagógico, juntamente com a administração escolar. Abordaremos as especificidades dos pedagogos (especialistas), suas funções e atribuições. A GESTÃO ESCOLAR E O TRABALHO DO PEDAGOGO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 1 UNIDADE 3 2 ADMINISTRAÇÃO/ GESTÃO ESCOLAR A palavra administração vem do latim ad (direção, tendências para) e minister (subordinação ou obediência) e se refere àquele que realiza uma função a seguir do comando de outrem, isto é, aquele que presta um serviço a outro. No entanto, a palavra administração sofreu uma radical transformação em seu significado original. A tarefa da administração é a de interpretar os objetivos propostos pela organização e os transformar em ação organizacional por meio do planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da organização, a fim de alcançar tais objetivos da maneira mais adequada à situação. Assim, a administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos, a fim de alcançar objetivos. (CHIAVENATO, 1979, p. 6-7). Analisando o que o autor Chiavenato aborda sobre a administração, podemos notar que administraré obter controle, produtividade e eficiência. Características que você deve estar verificando que são próprias do modo de produção capitalista. Porém, a administração como atividade essencialmente humana precede a organização da sociedade, sob a ótica capitalista. Desta forma, os princípios quanto à função da administração estão relacionados à UNIDADE 3TÓPICO 1130 G E S T Ã O E S C O L A R natureza da organização, de uma determinada realidade social/cultural. O objetivo da administração na empresa capitalista é a acumulação de capital. Este aspecto tem como função organizar os trabalhadores para que produzam significativamente, visando a maximização da produção final e, principalmente, o lucro, retorno através do capital. Já a administração escolar é diferenciada, pois está voltada ao fazer social, obtendo especificidades. Desta forma, a natureza do trabalho pedagógico está voltada para o processo de construção do conhecimento, que não combina com a produção autenticamente capitalista. O administrador escolar foca o fazer político-administrativo voltado ao planejamento, no processo de organização da gestão com a comunidade escolar. Administração, caro(a) acadêmico(a), é entendida como uma prática política do ato de administrar. Ela engloba o planejar, coordenar, melhorar a prática concreta com o intuito de contribuir para a qualidade e avanços pertinentes ao ato de administrar. Segundo Paro (2000), a administração é a utilização de recursos para que se realizem ações de fins determinados. Neste entendimento, a administração é abstraída dos determinantes sociais, pelas relações econômicas e políticas. A administração não depende do trabalho individual, mas, sim, do esforço coletivo. Chiavenato (1979, p. 179, v. 2) defende que: A atividade administrativa é uma atividade grupal. As situações simples, nas quais um homem executa e planeja o seu próprio trabalho, lhes são familiares; porém, à medida que essa tarefa se expande até o ponto em que se faz ne- cessário o esforço de numerosas pessoas para levá-la a cabo, a simplicidade desaparece, tornando necessário desenvolver processos especiais para a aplicação do esforço organizado em proveito da tarefa do grupo. No processo administrativo, a coordenação dos trabalhos nasce do esforço coletivo, nas relações homem/natureza, ou seja, nas relações entre pares. 3 FUNÇÃO DO PEDAGOGO Como você pôde perceber através das leituras, os especialistas em educação são, em primeira instância, pedagogos. E, como tal, têm um papel articulador no processo pedagógico no âmbito escolar. Sua responsabilidade está vinculada aos objetivos educacionais estabelecidos no PPP. Se ele exerce suas competências profissionais com responsabilidade e comprometimento político-pedagógico, estará dando sua contribuição para que a escola cumpra com sua função social. UNIDADE 3 TÓPICO 1 131 G E S T Ã O E S C O L A R Faz parte da função do pedagogo o trabalho pedagógico no contexto escolar. Os princípios que conduzem o trabalho do pedagogo escolar são: ética profissional; trabalho coletivo; gestão democrática e compartilhada; comprometimento político-pedagógico; assessorar o professor no planejamento, para o atendimento aos alunos com necessidades especiais e com dificuldades de aprendizagem; planejar em conjunto problemas levantados em Conselho de Classe; informar sempre o coletivo de profissionais da escola, assim como a comunidade, sobre os dados do aproveitamento dos alunos na escola. [...] É importante lembrar que o trabalho pedagógico do especialista não substitui o trabalho coletivo, princípio da gestão democrática. O texto que segue faz uma boa reflexão sobre a participação: QUEM É QUEM Era uma vez uma empresa que tinha quatro funcionários, chamados: Havia um importante trabalho a ser feito e Todo Mundo estava certo de que Alguém o faria. FIGURA 25 – NOMES DOS FUNCIONÁRIOS FONTE: A autora UNIDADE 3TÓPICO 1132 G E S T Ã O E S C O L A R ATEN ÇÃO! Qualquer Um poderia tê-lo feito, mas Ninguém o fez... Alguém ficou zangado com isso, pois era um trabalho de Todo Mundo. Todo Mundo pensou que Qualquer Um poderia fazê-lo, mas Ninguém imaginou que Todo Mundo não o faria. A história termina com Todo Mundo culpando Alguém quando realmente Ninguém poderia responsabilizar Qualquer Um. (Autor desconhecido) Podemos pensar que alguém, qualquer um, todo mundo ou ninguém pode fazer o que é de minha/sua competência? 4 PEDAGOGOS/ESPECIALISTAS 4.1 SUPORTE PARA O TRABALHO PEDAGÓGICO A atividade como suporte direto ao trabalho pedagógico da escola é realizada pelos “especialistas educacionais” (um tanto esquecidos pelos nossos governantes), que são considerados o suporte direto ao trabalho dos docentes da escola. Os especialistas fazem parte da equipe gestora da unidade escolar. Neste contexto, veremos a especificidade de cada especialista, vistos como agentes necessários e indispensáveis à garantia da qualidade da educação, uma vez que esta depende do trabalho pedagógico no coletivo. Caro(a) acadêmico(a), considero importante falar de questões práticas para melhor contextualizar o foco que estamos estudando. Sendo assim, trago a você como é e quais as incumbências/atribuições de cada especialista, frente ao seu trabalho. Para tanto, cito nos itens administrador, orientador e supervisor escolar, algumas de suas atribuições. Atribuições estas que considero pertinentes ao bom trabalho dos especialistas em educação, aqui em questão: UNIDADE 3 TÓPICO 1 133 G E S T Ã O E S C O L A R 4.2 ADMINISTRADOR ESCOLAR O administrador escolar é uma especialidade de um pedagogo, que pode ser obtida no Brasil através de cursos de habilitação, incorporada ou não a cursos e/ou licenciaturas em pedagogia, ou através de pós-graduação/especialização. O administrador escolar tem a função de atuar junto aos docentes e também discentes da instituição de ensino na qual trabalha. Tem a função de coordenar o desenvolvimento do currículo, é o responsável imediato e legal da ação administrativa da unidade escolar. Pode-se dizer que tem a função do gestor escolar, mas a ele cabe realizar a parte burocrática e legal da escola. Na atividade do administrador escolar, vejo como uma tarefa que depende muito da pessoa que a exerce; do tato, discernimento e competência no ato de administrar. O estudo e principalmente a experiência é que faz o administrador. NO TA! � Vimos, na primeira unidade deste caderno, que administrador também pode ser denominado diretor, gestor escolar, mas aqui neste item daremos enfoques distintos às funções específicas que cada escola deveria ter. Sabemos que muitos governos têm agregado essas funções a uma só pessoa, ao gestor escolar, para simplesmente economizar, sem preocupar-se com a qualidade do ensino, e, sim, somente a quantidade; como se esta fosse o foco da educação. A seguir vamos apresentar algumas atribuições do administrador escolar: a) elaborar, em conjunto com o(a) gestor(a), coordenação pedagógica, corpo docente, demais funcionários e APP, acompanhar e garantir a aplicação do planejamento anual da escola, compreendendo elaboração e análise do currículo escolar; calendário escolar; horário de funcionamento da escola; horário por disciplina e série/ano; recreio; atividades da APP; entre outros; b) controlar o estoque, garantir e supervisionar a utilização de todo material didático pedagógico, esportivo, merenda, material de limpeza, de expediente, equipamentos e mobiliários da referida unidade escolar; c) receber, ler e assinar a correspondência, tanto recebida e emitida, encaminhando-a para os devidos fins; UNIDADE 3TÓPICO 1134 G E S T Ã O E S C O L A R d) observar e vistar diariamente o livro ponto de todos os funcionários da escola; e) controlar e registrar, em conjunto com os membros da APP, a entrada e saída de recursos financeiros, bem como realizar a prestação de contas periódicas à comunidade escolar; f) manter atualizadatoda a legislação de ensino e admissão de pessoal; g) organizar e acompanhar o plano de trabalho dos auxiliares de serviços gerais; atendente de biblioteca; secretário e tecnólogo, se houver; h) participar das assembleias da APP; i) coordenar e fiscalizar os serviços de secretaria, distribuindo os trabalhos da secretaria que lhes forem postos à disposição; j) preenchimento e encaminhamento das estatísticas anuais; k) fazer a ficha funcional e o acompanhamento de todos os funcionários da unidade escolar; l) contribuir construtivamente em todas as atividades da unidade escolar; m) orientar os professores e funcionários nos procedimentos legais. 4.3 ORIENTADOR ESCOLAR O orientador educacional é o profissional que deve preocupar-se com a formação pessoal/individual de cada estudante de sua instituição. O seu trabalho está direcionado aos alunos, auxiliando no seu processo de construção do conhecimento, em consonância com os professores. O orientador escolar tem a função de compreender o comportamento dos estudantes, sua relação com os estudos e a escola, bem como auxiliar na organização e realização da proposta pedagógica da escola; sendo articulador direto escola/comunidade, orientar, saber ouvir e dialogar com os pais e/ou responsáveis sobre a vida escolar dos filhos em relação à aprendizagem, comportamento e responsabilidade do discente em questão. O orientador escolar tem também o compromisso com a formação permanente do aluno quanto aos temas transversais, quanto ao respeito mútuo, a valores, atitudes, emoções e sentimentos, sendo capaz de analisar e auxiliar quando necessário. UNIDADE 3 TÓPICO 1 135 G E S T Ã O E S C O L A R O papel do orientador é fundamental em uma instituição de ensino, mas em muitas escolas esse profissional não existe, seu valor foi arquivado por muitos governos do nosso país; haja vista, não ser qualquer um que pode estar lidando com assuntos que dizem respeito ao suporte pedagógico direto com os professores e seus alunos, muitos oriundos de famílias desestruturadas e com baixo rendimento escolar. Portanto, para esta função é necessário ter curso superior de Pedagogia, o qual forma o pedagogo e o especialista na área de orientação educacional. Suas atribuições são: dar assistência a estudantes da educação infantil, do ensino fundamental no desenvolvimento da personalidade e no ajustamento pessoal, social e profissional; ajudar a escola na organização, realização e avaliação da proposta pedagógica de cada docente; saber ouvir, dialogar, ter senso crítico e analítico e principalmente saber orientar; ser colaborador, juntamente com o professor, no processo ensino-aprendizagem. 4.4 SUPERVISOR ESCOLAR A arte de ser supervisor escolar também é uma especialidade de um pedagogo, função que pode ser obtida através de cursos de habilitação em Pedagogia. O supervisor de ensino atua diretamente com o corpo docente da escola, com a função de coordenar as práticas pedagógicas, assim como de acompanhar o desenvolvimento e aplicação do currículo. O supervisor escolar favorece o conhecimento técnico-pedagógico, avaliando e refletindo sobre a eficácia da ação pedagógica em conformidade com os docentes. Ou seja, mediar para garantir a qualidade do ensino. O professor é o principal mediador do processo pedagógico; ele não é mais um agente a ser controlado no interior das escolas. Nesse sentido, fica afastado qualquer indício de que o trabalho do supervisor deva estar centrado no controle puro e simples do trabalho do professor. Medina (2004, p. 32) ressalta essa questão ao afirmar que: “[...] é o trabalho do professor [...] que dá sentido ao trabalho do supervisor no interior da escola. O trabalho do professor abre o espaço e indica o objeto da ação/reflexão, ou de reflexão/ação para o desenvolvimento da ação supervisora”. UNIDADE 3TÓPICO 1136 G E S T Ã O E S C O L A R Dessa forma, podemos constatar que a ação do supervisor escolar está longe de uma função baseada em uma rotina burocrática; na atualidade, torna-se necessário que o mesmo desenvolva ações baseadas na reflexão. Assim, podemos elencar pontos desafiadores e relevantes relacionados ao perfil esperado do trabalho do supervisor escolar. Suas atribuições primordiais são: a) conviver com a diversidade de profissionais, amenizando conflitos; b) conquistar o professor para que reflita globalmente sobre a escola que queremos, ou seja, uma escola de e para todos; c) colocar-se na função de problematizador frente ao trabalho do professor, oferecendo condições para agir e refletir sobre sua ação; d) ter clareza de que o conhecimento é um dado relativo, levando os professores a pensarem nos procedimentos, estratégias diversificadas para que ocorra o processo de ensinar e aprender; e) tomar atitudes claras diante do processo ensino-aprendizagem, referente à função social da escola, envolvendo todos no fazer educação; f) auxiliar na reconstrução constante da proposta pedagógica da unidade escolar, propondo momentos de reflexão sobre a ação dos e com os docentes, preocupando-se com a realidade social da escola; g) contribuir para o acesso e permanência do aluno na unidade educativa, intervindo com sua especificidade de mediador da ação docente frente ao currículo; h) participar, junto com a comunidade, do processo de elaboração e atualização do regimento da escola, principalmente no foco pedagógico; i) participar do processo de escolha de representantes de turmas (aluno, professor), visando sempre ao processo ensino-aprendizagem; j) participar da elaboração, execução, acompanhamento e avaliação de projetos, planos, programas e outros; k) participar de cursos, seminários, encontros e outros, estar em constante atualização e redimensionamento da ação específica de ser supervisor escolar; UNIDADE 3 TÓPICO 1 137 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! DIC AS! l) participar, junto com os professores, da sistematização e divulgação de informações sobre o aluno para conhecimento dos pais e, em conjunto, discutir os possíveis encaminhamentos; m) coordenar a análise qualitativa e quantitativa do rendimento do aluno, junto com o professor e demais especialistas, procurando reduzir a evasão, repetência, proporcionando qualidade ao processo ensino-aprendizagem; n) subsidiar o professor no planejamento da ação pedagógica para o alcance da articulação vertical e horizontal dos conteúdos, metodologia e avaliação; o) realizar e/ou promover pesquisas e estudos, emitindo pareceres e informações técnicas na sua área; p) desenvolver o trabalho sempre pautado na ética profissional; q) realizar outras atividades correlatas à função, estando sempre disposto a trabalhar de maneira coletiva. No contexto atual, deve-se trabalhar “visando não mais a um tipo ideal de homem, mas trabalhar tendo em vista o sentido da vida humana”. (MEDINA, 2004, p. 27). O trabalho do supervisor escolar está em consonância diariamente com o trabalho dos professores/educadores e alunos. Realizar este trabalho não é tarefa simples, exige uma visão criteriosa do supervisor voltada à avaliação constante e sistematizada da atuação docente. Caro(a) acadêmico(a)! Sugiro como leitura complementar o seguinte livro: Ação Integrada - Administração, Supervisão e Orientação Educacional, de Heloísa Lück, 66 págs., Ed. Vozes, 3. ed, Petrópolis, 1982. Para estar sempre atualizado no quesito educacional, sugiro a você estar ligado no programa sobre educação que é transmitido pela TV Escola (canal educativo da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação) e produzido pela TVE Brasil. É possível também acessar o portal <http://www.tvebrasil.com.br>. Bom proveito! UNIDADE 3TÓPICO 1138 G E S T Ã O E S C O L A R 5 O SENTIDO DA PEDAGOGIA Estimado(a) acadêmico(a), Dermeval Saviani (1997), em um recado aos formandos de pedagogia da Universidade Santa Úrsula, do Rio de Janeiro, disse que: A pedagogia significa condução à cultura, ao processo deformação cultural. E pedagogo é aquele que possibilita o acesso à cultura, organizando o processo de formação cultural. É, pois, aquele que domina as formas, os procedimentos, os métodos através dos quais se chega ao domínio do patrimônio cultural acumulado pela humanidade. Eis como a formação cultural vem coincidir com a formação humana, convertendo- se o pedagogo, por sua vez, em formador de homens. Empenhem-se no domínio das formas que possam garantir às camadas populares o ingresso na cultura letrada, vale dizer, a apropriação dos conhecimentos sistematizados. É no interior das escolas, lembrem-se sempre, que o papel próprio de vocês será desempenhado, provendo-as de uma organização tal que cada criança, cada educando, em especial aquele das camadas trabalhadoras, não veja frustrada a sua aspiração de assimilar os conhecimentos metódicos, incorporando-os como instrumento irreversível a partir do qual será possível conferir uma nova qualidade às lutas no seio da sociedade. EM BUSCA DA FORMAÇÃO PLENA João Luís Almeida Machado Não há entre os autênticos educadores um único que não tenha o interesse genuíno de fazer com que sua aula extrapole os limites dos conteúdos que estão sendo trabalhados e permita a seus estudantes uma formação plena, integral. E quando falamos nisso, destacamos que essa ideia envolve a busca não apenas do conhecimento do ponto de vista acadêmico, mas também ético e filosófico. Queremos transformar nossas crianças e jovens em pessoas que saibam o quanto é importante valorizar a vida, estimular o progresso, perceber o mundo em que vivem, amar o conhecimento, gostar de conviver com outras pessoas (e com as diferenças), enfim, crescer em busca da harmonia, do amor e da paz. Há, sem dúvida, como nos diz o mestre Rubem Alves, aqueles que entram em aula LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE 3 TÓPICO 1 139 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! apenas para “dar aulas”. São competentes (ou não tão competentes) “dadores” de aulas de história, matemática, ciências ou português, entretanto não conseguem perceber que o papel dos educadores extrapola conceitos e teorias, regras gramaticais e descrições de paisagens, fatos históricos ou fórmulas matemáticas. A educação carrega em si, de forma implícita, a realização da plenitude de nossos alunos através de seu contato conosco, os professores. Isso não significa que somos exemplares e virtuosos. Estamos sujeitos a falhas e imperfeições, como todas as outras pessoas. O que se espera é que consigamos, através de nossa prática pedagógica, de nossa proximidade com os estudantes, de nossa capacidade de dialogar e tantas outras habilidades e competências que devemos ter, que sejamos capazes de falar ao coração, atingir a alma, perpetuando palavras, pensamentos e ações que estão além de meros conteúdos. Muitos educadores sabem disso. São eles que estão sempre se dispondo a escutar seus alunos, tanto em aula e em relação aos tópicos e temas trabalhados em suas disciplinas quanto fora de aula, para ajudar a dissipar as dúvidas que surgem na estrada da vida; são esses professores que estudam sempre e constantemente buscam novas fórmulas e metodologias que tornem suas aulas ainda mais motivadoras; são esses profissionais que nunca parecem satisfeitos e que, às vezes, são chamados de inconformados por sua atitude de perene procura de respostas aos problemas do cotidiano da escola. Se você está se percebendo nessas linhas e notando que suas atitudes são condizentes com aquilo que está escrito, parabéns! Você deveria receber prêmios (o maior de todos é o carinho e a consideração de nossos alunos) e reconhecimento por sua postura e conduta profissional. Sei que não é isso que você está querendo através de suas realizações, afinal de contas, o nosso espírito de educadores não é tão afeito aos holofotes, à fama e à celebridade. O que realmente vale é saber que passamos a fazer parte da história de vida de nossos estudantes e que os auxiliamos a obter sucesso e alcançar a felicidade profissional e pessoal. FONTE: Disponível em: <http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=226>. Acesso em: 22 nov. 2007. Estimado(a) acadêmico(a), para enriquecer esta leitura complementar, indico como reflexão sobre a ação do Ser professor, gestor... o filme: O CLUBE DO IMPERADOR, autoria de Kevin Kline e direção de Michael Hoffman, produzido em 2002 nos Estados Unidos. Sua duração é de aproximadamente 104 min. Recomenda-se a partir dos doze anos. O filme nos coloca diante de um professor que persegue o sonho de educar de forma abnegada. Vale conferir! UNIDADE 3TÓPICO 1140 G E S T Ã O E S C O L A R Neste tópico abordamos os seguintes assuntos: Administração e coordenação dos trabalhos pedagógicos no âmbito escolar. A qualidade do ensino depende do trabalho pedagógico, dos pedagogos, docentes, bem como de todos os envolvidos na educação. Função e atribuição dos especialistas: administrador, orientador e supervisor escolar. Que o sentido da pedagogia está na construção, na formação do homem em consonância com a cultura e com conhecimentos preconcebidos. A leitura complementar nos faz refletir sobre nossas ações no cotidiano da prática pedagógica, nos alimenta e nos motiva a exercer com afinco a profissão de educador. RESUMO DO TÓPICO 1 UNIDADE 3 TÓPICO 1 141 G E S T Ã O E S C O L A R Prezado(a) acadêmico(a), você irá realizar uma entrevista/conversa com um pedagogo/especialista; escolha alguém de sua escola ou da escola mais próxima da sua casa, enfim, o critério de escolha fica a seu comando. A questão chave de sua entrevista deve ser norteada da seguinte forma: Qual é a função primordial em sua profissão como pedagogo/especialista no chão da escola e suas atribuições? Obs: Observe qual a especialização do(a) entrevistado(a) e compare-a com a função e as atribuições que constam neste tópico. AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 3TÓPICO 1142 G E S T Ã O E S C O L A R G E S T Ã O E S C O L A R ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E O TRABALHO PEDAGÓGICO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 2 UNIDADE 3 Neste tópico abordaremos a coordenação do gestor escolar frente ao trabalho pedagógico, tomando decisões acerca de conflitos existentes em sua escola. Deste modo, o tópico apresenta maneiras de como o gestor deve agir em conformidade com situações-problema em sua escola. Veremos como é possível realizar a avaliação do trabalho pedagógico, proporcionando momentos para que nós e os funcionários da escola possamos avaliar e nos autoavaliar. Este é um momento que deve ser garantido pelo gestor da escola. 2 A GRANDEZA DO TRABALHO PEDAGÓGICO Uma grande escola exigirá docentes competentes, abertos para o mundo e para o saber, sempre de novo redefinidos. Docentes e estudantes conscientemente comprometidos. Uma grande escola exigirá espaços físicos, culturais, sociais e artísticos, equipados, que abriguem toda a sabedoria acumulada da humanidade e toda a esperança de futuro - que não seja continuidade do presente, porque este está em ritmo de barbárie - mas seja sua ultrapassagem. Uma grande escola exigirá tempo. Tempo de encontro, de encanto, de canto, de poesia, de arte, de cultura, de lazer, de discussão, de gratuidade, de ética e de estética, de bem-estar e de bem-querer e de beleza. Porque escola grande se faz com grandes cabeças (é certo!), mas também com grandes corações, com muitos braços, que se estendem em abraços que animam caminhadas para grandes horizontes. (REDIN, 1999, p. 7). Nesse sentido, a escola deve ser capaz de promover o bem-estar social, bem como o desenvolvimento do processo educativo dos alunos. Para que atinja esses objetivos, a escola UNIDADE 3TÓPICO 2144 G E S T Ã O E S C O L A R NO TA! � precisa se organizar. Esta organização parte do coletivo, de modo que cada um assuma de fato sua corresponsabilidade para com a educação. O trabalho pedagógico deve ser, sem sombra de dúvida, a menina dos olhos do gestor escolar, do administrador, orientador,supervisor... enfim, de todos. A gestão pedagógica, a prática pedagógica escolar, foca dois aspectos essenciais, que estão nas dimensões pedagógicas e exigências e perpectivas. Dimensão pedagógica - O aspecto da prática educativa representa sua dimensão administrativa, que é o papel social da escola, a integração e a totalidade na proposta pedagógica da instituição. Pois, caro(a) acadêmico(a), a construção de um trabalho pedagógico eficaz e de qualidade passa a ser relevante a partir do momento em que é realizado por várias mãos, ou seja, pelo processo participativo de gestão. Assim, constitui-se o compromisso verdadeiro com o trabalho pedagógico e social a nível de educação escolar. Você pode estar se perguntando acerca do que o segundo aspecto tem a ver com o trabalho pedagógico. Pois bem, todo trabalho que é realizado com competência não se torna realmente competente sem que seja perpassado pelas exigências e perspectivas da instituição. FIGURA 26 – TRABALHO: VÁRIAS MÃOS FONTE: Disponível em: <pergaminhodigital.blogspot.com>. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 3 TÓPICO 2 145 G E S T Ã O E S C O L A R Exigências e perspectivas - A aprendizagem ocorre em razão de que a escola proporciona sentido aos alunos. Neste foco, a gestão tem por finalidade apresentar aos funcionários da escola, pais, comunidade, o Projeto Político-Pedagógico, o currículo institucional. A gestão escolar deve colocar-se em constante formação-pesquisa e saber liderar, focando sua equipe para atingir as expectativas teórico-metodológicas que permitam repensar a organização do trabalho da instituição. Dentre os aspectos pedagógicos, as exigências e as perspectivas, mediante o trabalho pedagógico, faz-se necessário pautar conquistas e desafios a serem enfrentados no processo de construção do conhecimento. Convido você a ler comigo algumas das conquistas e desafios que todo trabalho pedagógico precisa para espalhar o sucesso e o bom desempenho da escola. Vejamos! CONQUISTAS: capacitação continuada dos profissionais da educação; rever, atualizar, adequar a proposta curricular com a realidade de cada escola; condições propícias de trabalho a todos da unidade escolar; gestão democrática, participativa, compartilhada...; competência profissional; apoio da comunidade escolar; trabalhar buscando alcançar objetivos significativos. DESAFIOS: compromisso com a aprendizagem de todos; educação inclusiva, para todos; elaborar anualmente o PP - Projeto Pedagógico, cada docente o seu, conforme a realidade das suas turmas; reflexão continuada sobre a ação pedagógica; realizar o PPP com a participação de todos, de forma democrática; acompanhamento contínuo do processo de construção do conhecimento; trabalhar os temas transversais; tornar as aulas prazerosas, de modo que o aluno possa dizer "quero mais..."; visitar e revisitar o PPP constantemente, aperfeiçoando-o conforme as necessidades da escola; escola integral para todos. UNIDADE 3TÓPICO 2146 G E S T Ã O E S C O L A R IMP OR TAN TE! � Caríssimo(a) acadêmico(a), agora é a sua vez. Retome os quadros referentes às conquistas e desafios e procure apontar outros elementos que você julga importantes. 3 COORDENAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO A atividade de coordenação do Trabalho Pedagógico não se reduz somente a coordenadores pedagógicos ou supervisores. A coordenação tem a ver com todos os sujeitos de todas as instâncias formativas da escola e, desta forma, consequentemente, amplia-se desde a prática em sala de aula, como em todas as dimensões da escola. A intenção em torno desta metodologia compartilhada é a de propiciar aproximações, novos enfoques e articulações na complexidade que é uma instituição de ensino. Como já mencionamos anteriomente, para que esta articulação aconteça, toda equipe necessita de um coordenador para liderar, para que haja avanços e novas perspectivas no âmbito escolar. 3.1 O GESTOR DEVE LIDERAR COM A RAZÃO OU COM A EMOÇÃO? Todo líder traz consigo o que entende por liderar, conscientemente ou não. Os que estão próximos do líder observam “o que” e “como” ele conduz sua equipe. O gestor deve ter clareza do que é liderar, de como agir perante situações diversas, pois na escola não temos dias iguais. Cada dia é uma caixinha de surpresas (pois lidamos com o Ser Humano) e temos que estar prontos para a tomada constante de decisões. Vou ilustrar um pouco do que escrevi utilizando recortes do livro que indiquei acima: Um Guia para Gestores Escolares Mestres da Mudança. Veja: A professora Marli vem desabafar com a coordenadora Ana: UNIDADE 3 TÓPICO 2 147 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: EDNIR, Madza. Mestres da mudança: liderar escolas com a cabeça e o coração. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 18. FONTE: EDNIR, Madza. Mestres da mudança: liderar escolas com a cabeça e o coração. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 18. Observamos um diálogo entre surdos, não é mesmo? O desabafo da professora é estridente, desordenado. Neste caso, as duas estão se autoatropelando na conversa. Seria momento de parar e ouvir, ou não? Veja e reflita... FIGURA 27a – A PROFESSORA MARLI FIGURA 27b – A PROFESSORA MARLI Neste caso, elas agiram com o sentimento ou com a razão? FONTE: EDNIR, Madza. Mestres da mudança: liderar escolas com a cabeça e o coração. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 18. FIGURA 27c – A PROFESSORA MARLI UNIDADE 3TÓPICO 2148 G E S T Ã O E S C O L A R Essas são situações que normalmente acontecem e tornamos consciente o que pensamos deste ou daquele colega na escola (pois, sempre estabelecemos preconceitos referentes aos outros). O certo seria deixar os envolvidos na questão falar por si mesmos e não tentar falar por eles. A maneira mais sensata de tomar decisões é saber dialogar, distinguir entre o que se sabe e o que se pensa que se sabe. É dialogando, realizando muitas perguntas e refletindo seriamente sobre a situação que iremos descobrir o que achamos que sabemos e o que realmente sabemos. É conversando que iremos entender as coisas que nos rodeiam. Tomando essas atitudes (diálogo, ponderação, reflexão, deixar o outro falar por si), irá aumentar em você, gestor/líder, sua eficácia perante as suas ações e credibilidade junto à equipe de trabalho. Para consquistar sua equipe, caro(a) gestor(a), ou futuros gestores, é importante construir-se líder não somente para auxiliar no trabalho pedagógico, mas em todas as situações da escola, desenvolvendo suas habilidades, conhecimentos e qualidades pessoais. Vejamos: a) Habilidade Habilidades podem ser adquiridas. Alguns as aprendem mais rápido do que outros, mas todos, absolutamente todos, conseguem fazer progressos. Caro(a) acadêmico(a), para você trabalhar com sua equipe, terá que pôr em prática algumas habilidades— e não há atalhos para isso. É preciso arregaçar as mangas e: centrar-se no foco do assunto; liderar com competência uma reunião; chamar para uma conversa o funcionário que está com dificuldades, sem espectadores; se existe um problema, conversar com todos os envolvidos; ouvir as ideias do grupo, valorizá-las e, em seguida, aprofundar-se no essencial; não perca tempo com rituais burocráticos; há momentos em que precisamos ser informais; promova sempre consultoria do coletivo de sua escola sobre uma situação problema; exercitar também a consultoria individual na resolução de um problema. É muito importante começar a colocar em prática algumas das propostas, adaptando, UNIDADE 3 TÓPICO 2 149 G E S T Ã O E S C O L A R sempre que necessário, tentando novamente, solicitando a opinião de quem sabe mais ou é mais experiente, mantendo-se crítico em relação a si mesmo e assim prosseguindo, aprendendo sempre. Tornar-se um especialista neste campo requer, em primeiro lugar, disciplina. A combinação de um pouco de talento e muito esforço tende a ser mais bem sucedida do que a de muito talento e pouco esforço. Em outras palavras, é precisotrabalhar pra valer. b) Conhecimento Pensa-se que praticamente todos os líderes na área da educação vieram da sala de aula. Portanto, seus conhecimentos do ambiente de aprendizagem, do processo operacional e dos conteúdos são, de modo geral, bons. Trata-se, na maior parte, de conhecimentos práticos e necessários para sobreviver no ambiente agitado e, por vezes, um tanto confuso no dia a dia das escolas. As coisas são um pouco diferentes quando se trata de conhecimento conceitual específico no campo da liderança educacional. O que se entende por aprendizagem e cultura profissionais ou boa comunicação, por exemplo? O que significa, de fato, fazer com que todos aprendam? Nessa parte, geralmente, faltam conceitos claros e explícitos. Em consequência dessa falta de conhecimento conceitual específico, os diretores lideram num nível prático, operacional. O que faz com que eles queiram — e precisem — envolver-se em absolutamente tudo o que acontece na escola. Sem princípios gerais, conceituais, que possam dar sustentação às ações do gestor, liderar torna-se uma corrida para distribuir instruções e tarefas. Os dias terão mais atividades do que tempo para executá-las bem. c) Qualidades pessoais Exercer liderança em escolas exige mais do que habilidades e conhecimentos. Uma série de qualidades pessoais precisam ser mobilizadas: perspicácia; senso de humor; perseverança; autoconhecimento; empatia; competências sociais... UNIDADE 3TÓPICO 2150 G E S T Ã O E S C O L A R Vale a pena repetir: assim como acontece com a construção de habilidades, não é possível desenvolver as qualidades pessoais de um líder simplesmente frequentando um curso ou lendo um livro. Elas são construídas gradativamente, ao longo da vida, em todos os ambientes, e não apenas de forma acadêmica. É mais fácil aprender perseverança no diálogo constante com o filho adolescente, para que ele consiga respeitar certos limites, do que lendo mil livros. A capacidade de observar é mais facilmente exercitada ao se conversar em uma roda de amigos do que ao se assistir a uma conferência sobre o tema. O liderar, o gerir com êxito, exige algumas qualidades pessoais, mas, sobretudo, um interesse verdadeiro pelas pessoas e por suas motivações. E também qualidade na área de interação social, por exemplo: saber enfatizar os pontos de concordância, ao invés de se ater às diferenças; reconhecer objetivos comuns; conseguir gerar otimismo; criar sinergias. Liderar é uma arte, pois é fazendo que se aprende. Ao trabalhar na e com a educação, temos que ter consciência de que não é um emprego, nem um cargo, no qual processamos as horas e vamos embora. É preciso trabalhar sem cessar, a fim de desenvolver conhecimentos, habilidades e qualidades pessoais para se tornar competente. FONTE: Adaptado de: EDNIR, Madza. Mestres da mudança: liderar escolas com a cabeça e o coração. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 30-31. Partindo deste contexto, não podemos esquecer de mencionar a importância do gestor escolar atuando como mediador. Analise o diálogo: Situação problema: ** A professora Mirna e o professor Pedro estão em conflito. A diretora quer ajudar: Diálogo entre uma professora (descontente com um colega) e a gestora da escola. Profa.: - Sinto muito, mas está sendo difícil, quase impossível, trabalhar na mesma escola que o professor X. Você precisa me ajudar... UNIDADE 3 TÓPICO 2 151 G E S T Ã O E S C O L A R NO TA! � E você, caro(a) acadêmico(a), ao final da leitura deste diálogo, qual sua opinião sobre os comentários da gestora e sua atitude? Pois é, desentendimentos entre colegas estragam o andamento do dia a dia dos trabalhos na escola, eles contaminam o ambiente de trabalho, dificultando a colaboração e o desenvolvimento profissional. A situação é geralmente tolerada pela liderança da escola, que usa a famosa estratégia: conversar separadamente com os conflitantes. Outros deixam o problema para resolver depois e tampam o “sol com a peneira”. A experiência mostra que isso só piora as relações na escola. Às vezes, quando a situação, o conflito, não dá muito na vista, o barco continua sendo remado. Isso faz com que as pessoas evitem umas às outras, sendo obrigadas a tomar cuidado com o que falam, como falam, para quem falam... Nestas condições, nunca dizem o que pensam e ficam insatisfeitos, sem vontade para trabalhar ou até mesmo ir ao local de trabalho. Após algum tempo, o resultado é uma organização na qual mágoas antigas impedem uma boa convivência, e até mesmo falha na comunicação sobre questões de trabalho. Bom, para reverter esse quadro desanimador perante os conflitos na escola, o gestor, Gestora: - Calma, explique melhor! Como assim? O que você quer dizer com isso? Profa.: - Ele não cumpre o que foi combinado e, quando cobro dele, simplesmente ignora, ou solta o verbo. Gostaria de não olhar mais pra ele, nem mesmo no intervalo, no lanche. Gestora: - Bem, andei reparando que ele não tem ido muito na sala dos professores. Geralmente, ele fica na sala de aula ou no pátio com os alunos durante o intervalo. Profa.: - Isso é verdade, diretora. Ainda bem... Já faz tempo que ele não aparece em nossa sala. Gestora: - Não tenho bem certeza ainda, mas, parece que ele vai trocar de turno. Caso isso aconteça, considero o problema resolvido, não é mesmo? Mas se quiser, se você me autorizar, eu posso conversar com ele sobre o seu descontentamento, assim que o encontrar. Você concorda? UNIDADE 3TÓPICO 2152 G E S T Ã O E S C O L A R como mediador, pode, ou melhor, deve, utilizar-se de estratégias que geralmente funcionam e produzem bons resultados, como, por exemplo: Chamar, permitir que os conflitantes conversem abertamente sobre o problema. Tentar resolver imediatamente, não deixar para resolver depois. Você, gestor(a), chame-os para tomarem um cafezinho com você, mantenha a calma, para que sua ira não atrapalhe o andamento da conversa, seja mais ouvinte do que falante, analise a conversa e intervenha somente se for necessário. Olhar o problema na raiz, pois não é suficiente resolver o problema pela metade. É, caro(a) acadêmico(a), para ser ou estar na condição de gestor(a) é necessário ter um bom jogo de cintura e, principalmente, ética profissional. Assim, você conquistará os membros de sua equipe e saberá mediar conflitos. 4 TRABALHO PEDAGÓGICO – COMO AVALIAR? Assim como tudo na educação deve ser avaliado constantemente, o trabalho pedagógico também deve ser. Assim sendo, os pedagogos, especialistas na organização e coordenação dos conselhos de classe, devem garantir um tempo exclusivo para que o coletivo da escola possa refletir sobre a ação do trabalho pedagógico, inclusive o trabalho do pedagogo/especialista. O trabalho pedagógico deve ser avaliado também pelos profissionais da escola e pela comunidade. Neste contexto, podemos relembrar a avaliação institucional, que foi mencionada na segunda unidade, não é mesmo? A avaliação do trabalho pedagógico também pode e deve ser efetuada mediante acompanhamento e assessoramento ao docente na seleção de procedimentos avaliativos do rendimento da aprendizagem dos seus alunos, verificando se estão de acordo com as concepções e metas e objetivos contidos no PPP da instituição. A avaliação tem muito a ver com a escola que emana sucesso, pois nos indica eficazmente em que aspecto precisa melhorar e permitir uma reafirmação de melhora no comprometimento de ensinar mais e melhor. Devemos considerar a avaliação como uma aliada, pois, através dela, podemos qualificar a construção do processo de ensino-aprendizagem, identificar problemas e encontrar soluções para acertar o passo. UNIDADE 3 TÓPICO 2 153 G E S T Ã O E S C O L A R A reunião de planejamento acabou. E agora? FONTE: EDNIR, Madza. Mestres da mudança: liderar escolas com a cabeça e o coração. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 59. Ao final de cada encontro faz-senecessário realizar um feedback, pois a avaliação costuma ser realizada de forma retrospectiva, com o intuito de melhorar as ações seguintes. Desta forma, o líder/gestor/coordenador também poderá identificar o grau de satisfação de sua equipe perante seu desempenho. Nós, caro(a) gestor(a) e/ou futuros, estamos, como todos, em constante avaliação. Pense! A avaliação do trabalho pedagógico, realizada somente de forma burocrática, não identifica ou revela, de fato, o problema. Caso a avaliação seja negativa, acabamos culpando uns aos outros, sem resolver a situação-problema. Caso a avaliação de sua instituição seja realizada apenas como um momento pontual, ela pode ser inútil. FIGURA 27d – A PROFESSORA MARLI UNIDADE 3TÓPICO 2154 G E S T Ã O E S C O L A R ATEN ÇÃO! Para enriquecer a avaliação e transformá-la não somente numa avaliação retrospectiva, mas, sim, também em prospectiva, apresentamos os quatro “o quês”, que constam no livro “Um guia para gestores escolares - Mestres da Mudança” (EDNIR, 2006, p. 61): OS QUATRO “O QUÊS” Os quatro “o quês” são um meio simples para promover a reflexão depois de um encontro ou da finalização de um projeto, reunião, curso, formação continuada, ao final de uma aula, com alunos, pais, comunidade... Com quatro perguntas, você pode fazer as pessoas pensarem sobre o futuro próximo: O que você fez bem? O que deu certo? O que você faria diferente numa próxima ocasião? O que outra pessoa poderia fazer para ajudar você? Existem diversas situações no ambiente de trabalho em que é importante, quando formos olhar para frente, darmos uma rápida olhada no retrovisor – e essas quatro perguntas podem ser muito úteis nessas ocasiões. Caro(a) acadêmico(a)! Temos sentimentos, intelecto, emoções, mas temos que atentar a tudo que nos rodeia, não somente no quesito profissional, mas também em nossa vida pessoal. É sempre bom usar os quatro “O quês”, você concorda? UNIDADE 3 TÓPICO 2 155 G E S T Ã O E S C O L A R Relembrando! Neste tópico estudamos sobre: A importância e a valorização do trabalho pedagógico, suas exigências, perspectivas e práxis. Para o bom andamento do trabalho pedagógico, devemos nos pautar de conquistas e desafios para que de fato ocorra o processo de construção do conhecimento. Clareza do gestor em liderar conflitos no ambiente da escola, pois não podemos fugir deles, afinal, através dos conflitos também se aprende. O gestor escolar necessita desenvolver habilidades, ter conhecimento da sua função e possuir qualidades pessoais que o tornam capaz de agir com competência e seriedade. As reflexões realizadas sobre avaliação, ou seja, a necessidade de avaliar não somente o trabalho pedagógico, mas, sim, utilizar a avaliação para aprimorar o trabalho em todas as esferas da escola. RESUMO DO TÓPICO 2 UNIDADE 3TÓPICO 2156 G E S T Ã O E S C O L A R Caro(a) acadêmico(a), reflita sobre uma situação/ação vivenciada ou realizada por você em seu local de trabalho e complete o quadro a seguir focando os quatro “O QUÊS”. AUT OAT IVID ADE � Situação/ação: _______________________________________________________ O que você fez bem? O que deu certo? O que você faria diferente numa próxima ocasião? O que outra pessoa poderia fazer para ajudar você? G E S T Ã O E S C O L A R GESTÃO ESCOLAR E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 3 UNIDADE 3 O objetivo deste tópico é analisar a importância da gestão escolar frente à gestão financeira da educação. A partir destas informações você terá subsídios para pensar e praticar uma gestão democrática e transparente, dos recursos que chegam à unidade escolar. Deste modo, serão tratadas questões referentes ao financiamento da educação, planejamento participativo, prestação de contas, programas do governo voltados ao financiamento da educação e outras fontes alternativas de financiamento da e para a escola. 2 FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO – LEI DARCY RIBEIRO A LDB de 1996, nossa segunda Lei de Diretrizes e Bases (BRASIL, 1996), determina alguns elementos para o tema dos recursos financeiros para a educação (art. 68 a art. 77). No art. 68 são apresentados os recursos públicos a serem aplicados na educação: I – receita de impostos próprios da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; II – receita de transferências constitucionais e outras transferências; III – receita do salário-educação e de outras contribuições sociais; IV – receita de incentivos fiscais; V – outros recursos previstos em lei. Uma inovação na Lei foi a redação dos artigos 70 e 71, que estabelecem o que pode ser considerado como despesas com a manutenção e desenvolvimento do ensino (art.70) e o que não pode ser considerado despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino (art. 71). Por exemplo, programas suplementares de alimentação, assistência médico-odontológica, farmacêutica e psicológica e outras formas de assistência social não mais poderão ser incluídos nos recursos destinados à educação. UNIDADE 3TÓPICO 3158 G E S T Ã O E S C O L A R Também os recursos financeiros destinados à educação não poderão arcar com a folha de pagamento do pessoal docente, quando em desvio de função, ou seja, em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. Desta forma, os artigos 70 e 71 não mencionam a questão da folha de pagamento dos aposentados. Mas, os estados e municípios estão somando nos percentuais o montante mensalmente destinado com as aposentadorias. Neste contexto, supomos que boa parte dos recursos destinados constitucionalmente à educação está voltada ao pagamento dos aposentados. Portanto, esses recursos deixam de ser aplicados na educação de crianças e jovens. Não são somente as aposentadorias que estão diminuindo os recursos para a educação básica. O Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que no ano de 2000 foi substituído pela DRU (Desvinculação de Receitas da União), também retirou recursos do setor educacional. De acordo com Pinto (2000, p. 37) e com base em dados da Secretaria do Tesouro Nacional, só no ano de 1997 o FEF retirou da educação R$ 2,5 Bi e destinou apenas R$ 1,8 Bi, a maior parte para o ensino superior. O artigo 74 menciona a necessidade de se estabelecer um valor mínimo por aluno que assegure uma educação de qualidade. Este deverá ser calculado ao final de cada ano, para viger no ano seguinte. Nesta análise podemos constatar que a Lei nº 9.394/96 (LDB) introduziu alguns mecanismos que melhoraram a questão do financiamento da educação pública. Como assinala Melchior (1997, p. 77), mudanças importantes foram introduzidas pela lei maior da educação, entre outras: 1) estabelecimento do conceito de receita líquida para aferir o cumprimento da vinculação constitucional por parte dos entes federativos (União, estados, Distrito Federal e municípios), (art. 69, § 1º, II). Operações de crédito por antecipação da receita orçamentária não poderão ser consideradas receita de impostos (art. 69, § 2º, III). A recepção de créditos adicionais por parte da receita estimada dos impostos implicará o reajuste da vinculação orçamentária (art. 69, § 3º, IV). Deverá haver acerto trimestral entre receita e despesa prevista e a que for realizada com a respectiva incidência da vinculação constitucional para a educação (art. 69, § 4º, V). A fixação de prazos para o repasse dos recursos varia de dez a dezenove dias depois de arrecadados os recursos. Antes era comum a retenção dos recursos por parte dos órgãos arrecadadores. No descumprimento dos prazos, haverá correção monetária (art. 69, § 5º e § 6º). Outro fato importante são as despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino. Antes da Lei nº 9.394/96, eram praticados os mais variados abusos. Melchior (1997, p, 79) cita o caso de municípios que asfaltavam as ruas em torno das escolas e lançavam as despesas nos recursos destinados à educação, entre outros. As irregularidades constatadas por falta de uma legislação mais exata, ética sobre amatéria, também eram cometidas pela União e por UNIDADE 3 TÓPICO 3 159 G E S T Ã O E S C O L A R muitos estados da Federação. Mesmo após a edição da atual LDB (agora já não há mais tantas irregularidades), deslizes continuam sendo cometidos. DIC AS! As leis indicadas no texto acima, pesquisado e organizado pela professora autora, poderão ser encontrados no endereço eletrônico: <http:// www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1996/9394.htm>. 3 GESTÃO DOS RECURSOS FINANCEIROS – PROGRAMAS ALTERNATIVOS FIGURA 28 – PLANEJAMENTO FINANCEIRO FONTE: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?q=planejamento+financeiro&u m=1&hl=pt->. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 3TÓPICO 3160 G E S T Ã O E S C O L A R 3.1 FNDE O governo criou um fundo monetário para cuidar da manutenção do ensino, chamado Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), com responsabilidade sobre as despesas de manutenção da escola, como fonte de arrecadação de recursos e repasse diretamente para os sistemas de ensino, para sua aplicação na educação, funcionamento de programas e projetos e universalização do ensino fundamental. Para a administração destes recursos, a escola teve que criar um conselho representativo para deliberar sobre a aplicação deste fundo nas escolas e para sua prestação de contas. O FNDE foi criado como fonte adicional ao financiamento do ensino: trata-se de uma contribuição patronal (2,5% da folha de pagamento das empresas) destinada ao ensino fundamental, suplantando os recursos públicos destinados à manutenção e ao desenvolvimento deste grau de ensino. Tal contribuição é chamada salário-educação e constitui um fundo com recursos consideráveis: cerca de 1,5 bilhões de dólares por ano. Somente são isentos de contribuir para ele os órgãos do próprio Poder Público e suas autarquias e instituições de ensino públicas e privadas. Com os recursos, tanto da Quota Estadual quanto da Quota Federal, constroem-se e reformam-se escolas, compram-se equipamentos escolares e treinam-se os professores. O Ministério da Educação não tem qualquer atuação na distribuição da Quota Estadual e os estados que mais contribuem são os que mais recebem. Já relativamente à Quota Federal, da qual o MEC pode dispor de acordo com seus próprios critérios, o bom senso indica que ela deveria ser distribuída para corrigir desequilíbrios regionais, concentrando recursos nos estados e municípios mais pobres. Tal procedimento seria um poderoso instrumento de política educacional. O problema fundamental referente à distribuição dos recursos do FNDE é a demanda por recursos muito superior (cerca de duas a três vezes) à sua disponibilidade. Por outro lado, a própria flexibilidade na aplicação do recurso deste Fundo, assim como o seu volume, tornam-no alvo de pressões clientelistas as mais diversas. Deputados e políticos em geral tentam direcionar a aplicação dos recursos de acordo com os seus interesses, o que é feito de duas maneiras: ou obtendo do Ministro da Educação boa acolhida para suas propostas ou incluindo no orçamento da União emendas específicas para beneficiar determinados municípios. UNIDADE 3 TÓPICO 3 161 G E S T Ã O E S C O L A R Com a correta utilização do FNDE, eliminadas as pressões políticas sobre o seu uso, há possibilidade de com ele serem feitos investimentos criativos, tanto na construção de escolas como na melhoria da formação dos professores, os quais, na atual situação, estão se tornando o ponto de estrangulamento que impede a melhoria do ensino fundamental no país. FONTE: GOLDENBERG, José. O repensar da educação no Brasil. Estudos Avançados, São Paulo, 1993. p. 110-113. É através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que as escolas recebem anualmente, em suas contas bancárias, recursos financeiros. Cada uma recebe um valor X, de acordo com o número de alunos matriculados do ano anterior, ficando sob sua responsabilidade utilizar os recursos, de acordo com as decisões dos órgãos colegiados da escola e com as seguintes finalidades: aquisição de material permanente; manutenção, conservação e pequenos reparos da unidade escolar; aquisição de material de consumo necessário ao funcionamento da escola; capacitação e aperfeiçoamento de profissionais da educação; avaliação de aprendizagem; implementação de projeto pedagógico e desenvolvimento de atividades educacionais. IMP OR TAN TE! � Caro(a) acadêmico(a) vale informar que: A Resolução FNDE/CD/n.º 043, de 11 de novembro de 2005, define no Art. 4º que as escolas públicas receberão os recursos financeiros do PDDE, em parcela única, anual, da seguinte forma: I - com até 50 (cinquenta) alunos, que não possuírem Unidade Executora Própria (UEx), por intermédio da Entidade Executora (EEx); II - acima de cinquenta alunos por intermédio da Unidade Executora Própria (UEx ). As escolas públicas com um número de alunos igual ou superior a cinquenta estudantes matriculados devem criar Conselhos Escolares, Associação de Pais e Mestres ou entidades equivalentes para que possam receber os benefícios advindos dos recursos do PDDE. Assim, apenas as escolas com até cinquenta alunos sem unidades executoras próprias podem receber indiretamente os recursos financeiros. UNIDADE 3TÓPICO 3162 G E S T Ã O E S C O L A R 3.2 PDDE O Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) consiste no repasse anual de recursos às escolas públicas do ensino fundamental estaduais, municipais e do Distrito Federal e às do ensino especial mantidas por organizações não governamentais (ONGs), desde que registradas no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Este recurso é transferido às Unidades Escolares através de conta bancária da escola, ou seja, do órgão colegiado da escola, como por exemplo, conta em nome da APP – Associação de Pais e Professores. Este órgão é responsável pela aplicação dos recursos, em conformidade com as normas determinadas pelo FNDE. As escolas, junto com a gestão escolar, o órgão colegiado e o conselho fiscal do órgão colegiado devem encaminhar a prestação de contas, como balanço financeiro, previsão orçamentária, declaração da ciência do conselho fiscal para a Prefeitura ou Secretaria da Educação, de acordo com o vínculo que estabelece. A prefeitura ou órgão competente, de posse de toda documentação, tem a incumbência de analisar a prestação de contas recebidas e, em seguida, encaminhar esta prestação de contas ao FNDE. Da mesma forma, deve encaminhar parecer conclusivo até o prazo de 28 de fevereiro do ano seguinte ao do repasse da verba. As escolas mantidas por organizações não governamentais, como por exemplo as escolas especiais, devem encaminhar a prestação de contas de acordo com o convênio estabelecido especificamente através de cada estabelecimento. 3.3 FUNDESCOLA O FUNDESCOLA significa Fundo de Fortalecimento da Escola. Este programa visa a universalização do ensino fundamental, vindo para fortalecer a autonomia das escolas. É um programa desenvolvido pelo Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Educação estaduais e municipais. O FUNDESCOLA está sendo desenvolvido em zonas de atendimento prioritário, nos estados do Norte e do Centro-Oeste do Brasil, sendo este atendimento financiado através de recursos federais e de empréstimos junto ao Banco Mundial. UNIDADE 3 TÓPICO 3 163 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! Estimado(a) acadêmico(a)! Para enriquecer este estudo frente ao financiamento da educação, é fundamental sua pesquisa no seguinte endereço eletrônico: <http://portal.mec.gov.br/seb/index.php?option= content&task=view&id=868&Itemid=916>. Boa pesquisa! O programa atualmente atende oitenta municípios na região Norte e Centro-Oeste. Suas ações estão relacionadas a quatro componentes financiáveis, levando em consideração: a) padrões mínimos de funcionamento das escolas; b) processo de desenvolvimento das escolas; c) planejamento e provisão de vagas; d) gestão e desenvolvimentodos sistemas educacionais. A execução deste programa orienta-se por estratégias básicas, como o fortalecimento da escola através da elaboração do PDE por toda a comunidade escolar, visa ao bom funcionamento da escola e melhor aprendizagem dos alunos, ou seja, a qualidade do ensino. Para a escola receber este fundo, ou seja, o recurso, um dos requisitos é apresentar seu Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), que consiste, como já estudamos, num documento em que se apresenta o conjunto de ações que a escola pretende e propõe-se a desenvolver para melhorar, garantir a qualidade do ensino, bem como as ações para o desenvolvimento do processo administrativo e pedagógico da unidade escolar. 4 E O SALÁRIO-EDUCAÇÃO? O NOSSO SALÁRIO! 4.1 UM POUCO DA HISTÓRIA Um outro recurso do financiamento do ensino fundamental é destinado ao Salário- Educação, criado através da Lei nº 4.024/64, no governo do Marechal Castelo Branco. Foi concebido como uma alternativa às empresas que não estavam cumprindo o que estabelecia a Constituição Federal de 1946, ou seja, que não ofereciam educação primária aos seus empregados e aos filhos desses. A contribuição social das empresas foi fixada em 1,4% da folha de Contribuição à Previdência Social. UNIDADE 3TÓPICO 3164 G E S T Ã O E S C O L A R Atualmente, por força do que dispõe a EC 14/96, que deu nova redação ao § 5º do art. 212 da CF, e regulamentado pela Lei nº 9.424/96, art. 15, a contribuição está fixada em 2,5% sobre o total da folha de contribuição das empresas e destina-se, exclusivamente, ao ensino público. O INSS retém 1,0% do total arrecadado para cobrir custos administrativos com a arrecadação. O montante arrecadado está dividido em duas cotas: a federal, que corresponde a 1/3, e a estadual, que equivale a dois terços de sua receita líquida, distribuída mensal e automaticamente pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A Lei nº 9.424/96 (BRASIL, 2003), no § 2º do art. 15, previa ainda a existência de uma cota municipal. Entretanto, esse dispositivo foi vetado pelo Presidente da República, que em substituição ao veto editou a MP nº 1.607/97. Pinto (2000, p. 62) afirma que a “MP 1.607/97 foi votada pelo Congresso Nacional e transformada na Lei Federal nº 9.766, de 18/12/1998, definindo, portanto, legalmente, a existência da cota municipal”. Finalmente, a Lei Federal nº 10.832 (BRASIL, 2003), de 29/12/2003, alterou o § 1º do art. 15 da Lei nº 9.424, de 24/12/96 e o art. 2º da Lei nº 9.766 (BRASIL, 2003), de 18/12/98, alterando, desse modo, a sistemática do salário-educação. Nos termos da nova norma legal, a Quota Estadual e Municipal do Salário-Educação será integralmente redistribuída entre o Estado e seus municípios de forma proporcional ao número de alunos matriculados no ensino fundamental nas respectivas redes de ensino, conforme apurado pelo censo educacional realizado pelo Ministério da Educação (nova redação dada ao art. 2º da Lei nº 9.766/98). Os recursos obtidos com o Salário-Educação têm-se constituído numa importante fonte de financiamento da educação, principalmente a partir das inovações introduzidas pela Lei Federal nº 10.832/03 (BRASIL, 2003). Atesta esta afirmação o crescimento da receita do Salário-Educação no período de 2000 a 2006. (FNDE). UNIDADE 3 TÓPICO 3 165 G E S T Ã O E S C O L A R FIGURA 29 – SALÁRIO-EDUCAÇÃO FONTE: Adaptado de: <http://www.fnde.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=827&I temid=75>. Acesso em: 15 ago. 2012. UNIDADE 3TÓPICO 3166 G E S T Ã O E S C O L A R IMP OR TAN TE! � 4.2 FUNDEB O FUNDEB foi instituído após o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF), regulamentado pela Lei Federal nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996 a dezembro de 2006. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) atende toda a educação básica, da creche ao ensino médio. Substituto do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que vigorou de 1997 a 2006, o FUNDEB está em vigor desde janeiro de 2007 e se estenderá até 2020. É um importante compromisso da União com a educação básica, na medida em que aumenta em dez vezes o volume anual dos recursos federais. Além disso, materializa a visão sistêmica da educação, pois financia todas as etapas da educação básica e reserva recursos para os programas direcionados a jovens e adultos. A destinação dos investimentos é feita de acordo com o número de alunos da educação básica, com base em dados do censo escolar do ano anterior. O acompanhamento e o controle social sobre a distribuição, a transferência e a aplicação dos recursos do programa são feitos em escalas federal, estadual e municipal por conselhos criados especificamente para esse fim. O Ministério da Educação promove a capacitação dos integrantes dos conselhos. FONTE: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12 407&Itemid=725&msg=1>. Acesso em: 30 out. 2012. A educação básica compreende a Educação Infantil, Fundamental do 1º ao 9º ano e o Ensino Médio (incluindo a EJA – Educação de Jovens e Adultos). Sendo assim, a distribuição dos recursos financeiros é feita de acordo com os dados do censo escolar do ano anterior. Os recursos do FUNDEB serão utilizados pelos governantes dos estados, Distrito Federal e municípios em ações consideradas de manutenção e desenvolvimento do ensino público, de acordo com a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, em seu art. 70. Vale a pena conferir a lei! UNIDADE 3 TÓPICO 3 167 G E S T Ã O E S C O L A R A partir do mês de janeiro de 2007 sai de cena o FUNDEF e entra o FUNDEB, que, assim como seu antecessor, se caracteriza como um fundo de natureza contábil, formado por recursos dos próprios estados e municípios, além de uma parcela de recursos federais, cuja finalidade é promover o financiamento da educação básica pública brasileira. Para cobrir as despesas com as demais faixas da educação, agora incorporadas ao FUNDEB (o FUNDEF atendia somente o ensino fundamental), os estados e municípios irão colaborar com o fundo não mais com 15%, mas sim com 20% da sua receita proveniente de impostos e transferências, aumentando dos 15% que eram até dez/2006, para 16,66% em 2007, 18,33% em 2008 e, de 2009 em diante, 20%. Já a União aplicará no FUNDEB dois bilhões de reais em 2007, 3 bilhões em 2008, 4,5 bilhões em 2009 e a partir de 2010 sua colobaração será de, no mínimo, 10% do total de recursos do Fundo (algo em torno de 5,5 bilhões de reais). O FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) destina recursos para a educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio, inlcusive na modalidade de educação de jovens e adultos. A Emenda Constitucional nº 53, de 19/12/2006, que deu nova redação ao § 5º do art. 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, criou o Fundo. Inicialmente, o FUNDEB foi regulamentado pela Medida Próvisória 339, de 28/12/2006, que foi convertida na Lei nº 11.494, de 20/06/2007. O FUNDEB terá a duração de 14 anos (2007-2020), com o intuito de atender os alunos da educação infantil, do ensino fundamental e médio e da educação de jovens e adultos. Sua implantação foi programada de maneira gradativa nos três primeiros anos. Está previsto no quarto ano de vigência atender 47,2 milhões de alunos com investimentos públicos anuais de R$ 50,4 bilhões, dos quais R$ 4,3 bilhões serão provenientes da União. O FUNDEB deve aumentar os recursos aplicados pela União, estados e municípios na educação básica pública e melhorar a formação e o salário dos profissionais da educação. A distribuição dos recursos é feita de acordo com o número de alunos da Educação Básica (Educação Infantil, Fundamental e Médio), de acordo com dadosdo Censo Escolar do ano anterior, observando o seguinte: alunos do ensino fundamental regular e especial - 100% a partir do 1º ano; alunos da Educação Infantil, Ensino Médio e EJA - 1/3 no 1º ano; 2/3 no 2º ano; 3/3 do 3º ano em diante. Entretanto, a aplicação pode se dar de maneira indistinta entre as etapas, modalidades e tipos de estabelecimento de ensino. Os recursos do FUNDEB, inclusive aqueles oriundos de complementação da União, serão utilizados pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios no exercício financeiro em que lhes forem creditados, em ações consideradas como de manutenção e UNIDADE 3TÓPICO 3168 G E S T Ã O E S C O L A R desenvolvimento do ensino para a educação básica pública, conforme disposto no art. 70 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. O acompanhamento e o controle social sobre a distribuição, a transferência e a aplicação dos recursos do FUNDEB serão exercidos, junto aos respectivos governos, no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, por conselhos instituídos especificamente para esse fim. O Ministério da Educação atuará na capacitação dos membros dos Conselhos. FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_de_Manuten%C3%A7%C3%A3o_e_ Desenvolvimento_da_Educa%C3%A7%C3%A3o_B%C3%A1sica>. Acesso em: 7 jan. 2008. DIC AS! Caro(a) acadêmico(a), para maiores informações sobre o FUNDEB no que tange ao financiamento da Educação, você pode acessar <portal. mec.gov.br> e clicar no item saiba mais. Boa pesquisa! DIC AS! O livro FUNdeb: dilemas e perspectivas de Maria José Rocha Lima (org./coord.), Maria do Rosário Almeida (org) e Vital Didonet (org.) traz uma abordagem significativa sobre a visão política e legislativa sobre a implantação do FUNDEB. Vale conferir! FIGURA 30 – MESADINHA DO CALVIN FONTE: Disponível em: <calvin+haroldo+dinheiro.gif na-beirada.blogspot.com>. Acesso em: 24 out. 2012. UNIDADE 3 TÓPICO 3 169 G E S T Ã O E S C O L A R 4.3 VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO – FUNDEB FUNDEB - Instrumento de Valorização dos Trabalhadores em Educação A educação é um setor intensivo em mão de obra, fazendo com que os custos com pagamento de pessoal representem cerca de 70% dos custos do ensino oferecido pelo poder público. Essa situação há de perdurar por muito tempo, em que pese a evolução tecnológica que, de forma célere, tem contribuído para a introdução de novos recursos didáticos e o aperfeiçoamento dos métodos e técnicas utilizadas no processo ensino- aprendizagem. A presença do professor na sala de aula não apenas continuará necessária, como exigirá dele uma atuação interativa, participativa e atualizada em relação aos avanços e conhecimentos tecnológicos. Além disso, um adequado nível de formação acadêmica, consoante dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ao estabelecer como meta qualitativa para o docente a formação superior para todos aqueles que vierem a ingressar na carreira do magistério. Por outro lado, a crescente complexidade das escolas exige outros profissionais habilitados para a educação alimentar, a administração escolar, a manutenção de infraestruturas operacionais e o manuseio pedagógico de novos recursos tecnológicos. O Governo Federal não assume a responsabilidade de disciplinar a carreira, nem a remuneração dos profissionais da educação nos estados e municípios. Entretanto, estabelecer diretrizes é dever da União, em parte já contemplado pelo art. 67 da LDB. Mais ainda: criar condições e referenciais mínimos a serem observados contribuirá para a concretização das medidas que assegurarão a necessária valorização do magistério, particularmente tomando condigna sua remuneração. A legislação do atual FUNDEF prevê que, pelo menos, 60% dos recursos do fundo sejam aplicados na remuneração do magistério em efetivo exercício no ensino fundamental. Essa parcela de recursos permitiu que houvesse, sobretudo no âmbito dos municípios, uma real evolução dos aviltantes e inadmissíveis níveis salariais praticados no passado. Contudo, com a experiência desse Fundo, pode-se constatar que a questão salarial do magistério não logrou êxito com a simples garantia de um limite mínimo de recursos financeiros que assegure a cobertura e a melhoria da remuneração praticada pelos estados, Distrito Federal e municípios. É necessário que, além do limite mínimo de recursos, seja garantido um piso salarial para a categoria, assegurando importante componente da valorização do magistério. UNIDADE 3TÓPICO 3170 G E S T Ã O E S C O L A R O FUNDEB deverá prever que pelo menos 80% dos seus recursos sejam destinados à valorização dos professores e demais profissionais da educação, criando condições de propiciar para todos uma formação sólida de nível médio ou superior e uma efetiva elevação da remuneração, pela garantia de piso salarial nacional, a ser regulamentado em Lei específica. FONTE: FUNDEB. LIMA, Maria José Rocha (Org./Coord.) et al. Dilemas e perspectivas. Brasília: Edição Independente, 2005. p. 112. 5 FINANCIAMENTO E A DESCENTRALIZAÇÃO Estudos e análises referentes ao financiamento da educação têm auxiliado na compreensão da organização e da gestão da educação frente ao financiamento. O Brasil vem ganhando destaque no quesito economia da educação. Estes estudos, discussões e análises sobre o financiamento que vêm se efetivando em nosso país são complexos, envolvem todos os entes federados (União, estados, Distrito Federal e municípios), sem esquecer da esfera privada. Sendo este um tema complexo e indispensável para o êxito e a qualidade na educação, a compreensão da estrutura e das bases do financiamento do ensino é uma necessidade de e para toda a comunidade escolar, pois envolve o trabalho dos gestores educacionais, de todos os profissionais da educação, pais de alunos, bem como a comunidade local. O sistema educacional brasileiro, sua organização conforme a Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 2004) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/1996) (BRASIL, 1996), concretizam-se através da divisão das incumbências, competências e responsabilidades entre as esferas: União, Estados e Municípios, englobando também o que se refere ao financiamento e à manutenção dos diferentes níveis e modalidades da educação e do ensino no Brasil. A forma de organização do gerenciamento do financiamento da educação faz com que seja necessário um trabalho direcionado à descentralização, sendo outro desafio na educação a democratização do processo decisório nas diferentes esferas governamentais. UNIDADE 3 TÓPICO 3 171 G E S T Ã O E S C O L A R IMP OR TAN TE! � Caro(a) acadêmico(a), a palavra descentralização na educação vem quebrar alguns paradigmas emergentes e necessários, como, por exemplo: faz com que as ações da educação passem da centralização para a descentralização, que é o processo de participação da comunidade escolar nas decisões das ações, ou seja, o estado transfere competências do seu campo de ação para regiões ou municípios, de modo que estes auxiliem na administração da educação. (ALVARÉZ, 1995). Como todo processo educacional está direcionado ao fazer democrático, descentralizado, neste contexto, caro(a) acadêmico(a), mudando o foco de um governo com tendência a concretizar o trabalho voltado à descentralização, diminuindo a centralidade do âmbito educacional, o financiamento da educação não poderia ficar nas mãos de alguns. Neste foco, observe-se o quadro a seguir, extraído do livro “Gestão Educacional - uma questão paradigmática” (LÜCK, 2006, p. 82): Passagem da centralização da autoridade para a sua descentralização: CENTRALIZAÇÃO * Construção de mecanismos externos de controle da gestão. * Tomada de decisão distante do âmbito de ação. * Competências técnicas localizadas de forma especializada em âmbito central. DESCENTRALIZAÇÃO * Construção de mecanismos de autoridade de gestão, pela unidade de atuação. * Tomada de decisão próximado ambiente de ação. * Competências técnico-políticas construídas e disseminadas por todo o sistema. A garantia de uma educação eficaz está diretamente ligada ao financiamento da educação, pois o financiamento público da educação garante o acesso e permanência do aluno na escola, sendo este um direito de uma educação gratuita e para todos. O regime de colaboração, ou seja, a descentralização, tem influência direta sobre o processo orçamentário da educação e sua execução, o que implicaria conhecer como funciona o financiamento da educação no Brasil. UNIDADE 3TÓPICO 3172 G E S T Ã O E S C O L A R 5.1 PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA EXECUÇÃO 5.1.1 Orçamento educacional O orçamento é uma fase do planejamento de uma instituição escolar, empresa, ele orienta a execução dos planos de um governo. Na Lei Orçamentária devem estar previstas as receitas e despesas correspondentes a um ano, ou período de execução do plano. Falando em orçamento educacional, sendo ele realizado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, nele devem constar as fontes de receitas destinadas, por exemplo, à educação (impostos, transferências, salário-educação e outras), bem como as despesas, os gastos com pessoal, material de expediente/serviços/obras, equipamentos, entre outros. UNI Caro(a) acadêmico(a), de acordo com o Minidicionário Aurélio, veremos o conceito de: Orçamento - é o ato ou efeito de orçar; cálculo. Cálculo da receita e da despesa. Cálculo dos gastos para a realização de uma obra. Receita – quantia recebida, ou apurada, ou arrecadada; produto, rendimento, renda. O conjunto de rendimentos de um Estado, entidade ou pessoa. Despesa – gasto. Partindo destes pressupostos, as despesas da educação, ou seja, do setor público, conforme (UNICEF, [s.d.], p. 30), necessitam sempre seguir a legislação financeira, que é o respeito em realizar licitações orçamentárias, cuidando para não ultrapassar os limites de créditos previstos nos orçamentos preestabelecidos, podendo, desta forma, realizar ações de competência constitucional, pois a Lei de Responsabilidade Fiscal na Educação existe para que o dinheiro público seja administrado com segurança e para determinado fim. UNIDADE 3 TÓPICO 3 173 G E S T Ã O E S C O L A R DIC AS! A Lei nº 4.320/64 divide e classifica a receita pública e a despesa pública em dois grupos: receitas/despesas correntes e receitas/despesas de capital. Esta Lei você encontra no portal <http://www.planalto.gov.br/ CCIVIL/Leis/L4320.htm>. A Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE) provêm de recursos vinculados à Constituição Federal. Eles se originam dos impostos que o governo arrecada de seus contribuintes, o POVO. O planejamento das ações da educação, bem como das escolas, deve ser cuidadosamente pensado e gerenciado, tendo em vista que colocar em prática ações que dependem do financiamento público, do que pertence ao público, merece destaque perante os objetivos que se pretende alcançar (condições financeiras, materiais e humanas) advindo do poder central e local. Para o êxito neste processo é fundamental a participação, compromisso, seriedade e responsabilidade, no ato do planejar coletivamente, na execução das ações e, principalmente, na seriedade com o que é público, a verba. Como podemos perceber, para tudo temos que planejar, ter metas e objetivos claros. Neste contexto, o planejamento de uma ação é como um método que se estabelece para resolver situações-problemas. É fundamental que haja uma linguagem comum entre as diferentes instâncias da administração (governo, secretarias e escolas) para a definição das diretrizes, estratégias e objetivos globais da administração, de forma que todos os segmentos envolvidos, poder central, secretarias e escolas, possam responder com propostas que tornem possível a viabilização das metas pretendidas. 6 PRINCÍPIOS DA GESTÃO ESCOLAR FRENTE AO FINANCIAMENTO Caro(a) acadêmico(a), apresentarei resumidamente os princípios que devem nortear a administração pública, não somente referente ao financiamento da educação, mas em todas as ações de um gestor escolar. Estes princípios encontram-se no artigo 37 da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 2004). Vejamos: UNIDADE 3TÓPICO 3174 G E S T Ã O E S C O L A R PRINCÍPIOS: Legalidade Moralidade Impessoalidade Publicidade Eficiência (falar e fazer) Obedecer ao que a Lei prescreve. Aplicar os recursos de forma correta, primando pela ética, de acordo com a Lei, resguardando o interesse público. Atender aos interesses da comunidade, de forma impessoal. Divulgar os débitos e créditos de forma ampla. Mostrar todas as aquisições realizadas, procurando sempre focar um objetivo perante as ações. Realizar o que foi combinado e/ou prometido com os recursos oriundos da educação, mostrar trabalho à comunidade, resultados... A boa administração dos recursos financeiros, caro(a) acadêmico(a), gestor(a) e/ou futuro (a) gestor(a), deve ser gerenciada com base nos princípios indicados acima, pois ao administrar os recursos públicos você está gerenciando algo que não é seu, mas, sim, de todos. 6.1 GESTÃO FINANCEIRA: PASSOS FUNDAMENTAIS Todas as ações voltadas ao bom funcionamento da escola e de suas atividades necessitam seguir alguns passos primordiais para a qualidade da educação, ou seja, da aprendizagem, que é o principal objetivo da educação. Com este olhar, o financiamento da educação é a chave mestra, o alicerce para algumas ações se concretizarem. Para tanto é necessário o gestor e sua equipe gestora estarem atentos ao: a) Planejar: o planejamento de ações voltadas ao financiamento deve, em primeira instância,ser oriundo de discussões coletivas, ou seja, entre a equipe do colegiado, em assembleias... Desta forma, é indispensável pensar, planejar sobre quem serão os beneficiados com esta ou aquela ação, equipamentos e materiais que serão necessários para pôr em prática o planejado, realizar uma previsão orçamentária, período de execução do plano. Neste prisma, o olhar quantitativo é importante para o êxito da ação. b) Executar: no ato de pôr em prática o planejamento, é fundamental registrar todos os recursos gastos, acompanhar diretamente o trabalho que está sendo executado; afinal de contas, você, gestor (a), deve olhar e analisar, através dos olhos da sua comunidade escolar, pois na qualidade de líder/gestor da comunidade, você os representa. c) Prestar contas: durante a execução dos trabalhos e, principalmente, após o término do trabalho, é imprescindível a prestação de contas em mínimos detalhes à comunidade e à unidade que a financiou. A prestação de contas deve ser apresentada, analisada pelo FONTE: Brasil (2000) QUADRO 7 – PRINCÍPIOS UNIDADE 3 TÓPICO 3 175 G E S T Ã O E S C O L A R Conselho Fiscal da Associação de Pais e Professores/APP de cada unidade escolar, em reuniões de pais, assembleias gerais, ou seja, ser constante e/ou mensalmente. Aos órgãos financiadores devem ser prestadas contas conforme os prazos estabelecidos legalmente. Isto deve ser realizado de acordo com a realidade de cada município, Estado e/ou outras instâncias. De acordo com Perrenoud (2000, p. 103): [...] administrar os recursos de uma escola é fazer escolhas, ou seja, é tomar decisões coletivamente. Na ausência de projeto comum, uma coletividade uti- liza os recursos que tem, esforçando-se, sobretudo, para preservar uma certa equidade na repartição dos recursos. Por essa razão, se não for posta a serviço de um projeto que proponha prioridades, a administração descentralizada dos recursos pode, sem benefício visível, criar tensões difíceis de vivenciar, com sentimento de arbitrariedade ou de injustiça pouco propício à cooperação. Através desta afirmação constata-se que o planejamento financeiro elaborado e executado em consonância com o coletivo, com o conselho escolar e seu Projeto Político-Pedagógico, irá favorecer o sucesso no alcance de resultados mais eficazes e positivos, satisfazendoa comunidade escolar. FIGURA 31 – AÇÕES FINANCEIRAS (ORGANOGRAMA) FONTE: A autora UNIDADE 3TÓPICO 3176 G E S T Ã O E S C O L A R 7 CONSELHO ESCOLAR E O FINANCIAMENTO Nas novas formas de organizar a escola e a natureza do trabalho pedagógico, bem como o auxílio na aplicação dos recursos financeiros da escola, o gestor deve procurar coordenar os trabalhos apontando-os para a democratização. Esta medida de democratização, ou seja, gestão democrático-participativa, busca inovações para a escola. Para tanto, é importante e fundamental a implantação de Conselhos Escolares. Esta forma de organizar os trabalhos no chão da escola junto com o gestor escolar proporciona um trabalho voltado à transparência das ações realizadas na e pela escola. O Conselho Escolar é um suporte fundamental para enriquecer e fundamentar o trabalho do gestor (a) escolar. 7.1 CONSELHO ESCOLAR Caro(a) acadêmico(a), os conselhos escolares são órgãos de deliberação coletiva, auxiliam a estrutura de gestão da escola. Nestes termos trago a definição da palavra por Cury (2000, p. 47): Conselho vem do latim consilium. Por sua vez, consilium provém do verbo consulo/ consulere, significando tanto ouvir alguém quanto submeter algo a uma deliberação de alguém, após uma ponderação refletida, prudente e de bom senso. Trata-se, pois, de um verbo cujos significados postulam a via de mão dupla: ouvir e ser ouvido. Obviamente a recíproca audição se compõe com o ver e ser visto e, as- sim sendo, quando um Conselho participa dos destinos de uma sociedade ou de partes destes, o próprio verbo consulere já contém um princípio de publicidade. A representação da comunidade escolar acontece através do Conselho Escolar. Trata-se de uma estrutura em forma de colegiado, composta por representantes dos segmentos da comunidade escolar, constituindo-se de discussões de caráter consultivo e/ou deliberativo. A implementação do Conselho Escolar permite que diferentes setores da sociedade possam contribuir e participar da gestão da escola de forma democrática e institucionalizada. Consta da LDB a instituição dos conselhos escolares (APP – Associação de Pais e Professores, Conselho Deliberativo, Grêmio Estudantil etc.), nas escolas públicas de educação básica. As associações de pais e professores ( APPs) têm por finalidade colaborar com a qualidade do ensino almejada pela comunidade escolar, com o encaminhamento de ações que fazem parte dos anseios familiares, da função, objetivos e metas da Unidade Escolar à qual pertencem. Às APPs compete dinamizar e estabelecer vias de participação da comunidade, no processo de tomada de decisão e no desenvolvimento das ações da escola. UNIDADE 3 TÓPICO 3 177 G E S T Ã O E S C O L A R IMP OR TAN TE! � A equipe gestora da escola deve estar atenta às formas de colaboração para que sejam incentivadas, já que os membros que compõem as APPs são pais de alunos, professores e desenvolvem seu trabalho voluntariamente. Nos tempos atuais o voluntariado está quase em extinção. As APPs são importantes para o compartilhamento das relações de poder no interior do ambiente escolar, pois contribuem na ampliação e diversificação das atividades desenvolvidas pelos profissionais da educação e sua gestão. Assim como a Associação de Pais e Professores, outro conselho escolar importante nas instituições de ensino é o grêmio estudantil. O grêmio estudantil tem por finalidade defender os direitos dos alunos promovendo assim a participação efetiva dos alunos na política, na vida cultural, na arte e em todos os âmbitos que envolvem o processo de construção do conhecimento. A atribuição primordial do grêmio é representar os alunos das unidades escolares nos colegiados, promovendo assim o pleno exercício da cidadania dos jovens estudantes. As principais características do grêmio escolar são as seguintes: • promove atividades políticas, culturais e recreativas, de acordo com o regimento interno da escola a que pertence; • constitui-se um espaço de expressar vontades e reivindicações dos estudantes. A escola, os dirigentes/gestores têm a função de incentivar os estudantes a se organizarem de forma coletiva. O ato de ouvir e dialogar é um dos principais passos para a formação cidadã dos estudantes. Entre os Conselhos Escolares, inclui-se também o Conselho Deliberativo, órgão este responsável por fiscalizar as ações da diretoria, propor modificações, se necessárias, investigar A Lei Federal nº 7.398/85 confere autonomia aos estudantes da educação básica para organizarem seus grêmios estudantis como entidades representativas de seus interesses com finalidades educacionais, culturais, cívicas e sociais. UNIDADE 3TÓPICO 3178 G E S T Ã O E S C O L A R Com base nessa concepção organizativa, a escola pode concretamente adotar um novo conteúdo e uma nova prática de gestão que fundamentalmente priorize a dimensão participativa. Alguns exemplos de concepções que priorizem a participação são a cogestão, a administração colegiada, a democracia participante e a autogestão. A cogestão está ligada ao princípio de codecisão. Uma decisão só pode ser tomada por concordância das partes. A cogestão busca o equilíbrio de poder e de participação dos vários segmentos no interior da instituição, escola ou empresa. A administração colegiada pressupõe a participação da comunidade nas decisões do processo educativo. Representa uma instância coletiva de tomada de decisão e de análise dos problemas da escola. A administração colegiada busca uma nova prática de exercício do poder. A administração colegiada pressupõe a participação da comunidade nas decisões do processo educativo. Representa uma instância coletiva de tomada de decisão e de análise dos problemas da escola. A administração colegiada busca uma nova prática de exercício do poder. A democracia participante baseia-se no princípio de que seus membros elegem delegados para representar seus interesses. Seu objetivo é que os problemas das bases sejam considerados nas políticas do governo e do Estado. Nesse tipo de organização, só os delegados legitimamente escolhidos têm autoridade para votar sobre os assuntos a serem decididos. A autogestão pressupõe que todos os cidadãos se tornem administradores diretos de suas organizações, empresas ou instituições. Seus membros formam um grupo que se autogoverna. Numa organização de autogestão, a coletividade exerce os poderes do governo por meio da ação direta. O processo de gestão da escola deve estar fundamentado no seu projeto político-pedagógico. O processo democrático vive da ação coletiva e, como tal, implica a participação da comunidade escolar no processo de discussão e definição de suas políticas e projetos educacionais. irregularidades e aplicar as sanções. Para que o Conselho Escolar se estabeleça como processo de construção e constituição, ele deve manifestar formas de vivências coletivas, nas quais se discuta não somente o sentido e o significado de um órgão colegiado para a organização político-pedagógica da escola, mas que essa discussão defina o tipo de homem, de educação e de sociedade que se deseja construir. Logo, é necessário pensar em meios e estratégias que garantam estudos e debates, seminários, encontros, assembleias, com os diversos segmentos componentes da comunidade escolar, para que o processo de construção do Conselho seja antecipado de condições possibilitadoras da compreensão teórico-prática e política que explicitem a sua necessidade. (PEREIRA FILHO, 1996). UNIDADE 3 TÓPICO 3 179 G E S T Ã O E S C O L A R FONTE: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Gestão da educação escolar. Brasília: UnB/ CEAD, 2006. p. 22. 7.1.1 Função do Conselho Escolar O Conselho Escolar deve ser o espaço em que se discutem as questões educativas e seus desdobramentos na prática político-pedagógica da escola. Nesse sentido, o Conselho Escolar tem as seguintes funções: a) Deliberativas: quando decidem sobreo projeto político-pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam encaminhamentos de problemas, garantem a elaboração de normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino e decidem sobre a organização e o funcionamento geral das escolas, propondo à direção as ações a serem A construção de uma cultura democrática só é possível a partir de práticas democráticas. Os princípios e regras que norteiam essa prática, embora ligados à natureza universal dos valores democráticos, têm uma especificidade intrínseca à natureza e ao projeto social de cada escola ou sistema escolar. A escola não é democrática só por sua prática administrativa. Torna-se democrática por suas ações pedagógicas e essencialmente educativas. (FONSECA, 1997, p. 49). FIGURA 32 – ORGANOGRAMA FONTE: A autora UNIDADE 3TÓPICO 3180 G E S T Ã O E S C O L A R desenvolvidas. Elaboram normas internas da escola sobre questões referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou financeiro. b) Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, analisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares. c) Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompanham a execução das ações pedagógicas, administrativas e financeiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar. d) Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma integrada, dos segmentos representativos da escola e da comunidade local em diversas atividades, contribuindo, assim, para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da qualidade social da educação. FONTE: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Programa Nacional de Fortalecimento dos conselhos escolares, 2004. p. 38-39. v. 1. 7.1.2 Atribuições do Conselho Escolar As atribuições do Conselho Escolar dependem do Regimento Interno de cada unidade de ensino. Dada a autonomia para a elaboração do Regimento Interno das instituições, a gestão da escola deve levar em consideração as determinações básicas do regimento da Rede à qual a escola pertence. Neste contexto, indicamos, a seguir, algumas entre tantas outras atribuições do Conselho Escolar: elaborar o Regimento Interno da escola; coordenar , elaborar, discutir, alterar, se necessário, o Regimento Escolar; convocar assembleias-gerais da comunidade escolar ou de seus segmentos; propor e coordenar alterações curriculares na unidade escolar, respeitada a legislação vigente; participar da elaboração do calendário escolar; UNIDADE 3 TÓPICO 3 181 G E S T Ã O E S C O L A R acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono escolar, aprovação, aprendizagem, entre outros); aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela gestão da escola, sobre a programação e a aplicação de recursos financeiros; fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da unidade escolar, entre outros. A efetivação destas atribuições e outras aqui não mencionadas é aprendizado que faz parte do ato democrático no processo de gestão escolar. Cada Conselho Escolar deve chamar a si a discussão de suas atribuições prioritárias, em conformidade com as normas da legislação em vigor. Neste processo deve ser considerada a autonomia da escola (prevista na LDB) e o seu empenho no processo de construção de um projeto político-pedagógico coerente com objetivos e prioridades bem definidos em função das reais necessidades da comunidade na qual a escola se insere. Para o exercício dessas e de outras atribuições é indispensável considerar que a qualidade que se pretende atingir é a qualidade social, ou seja, a realização de um trabalho escolar que represente, no cotidiano vivido, crescimento intelectual, afetivo, político e social dos envolvidos. FONTE: Adaptado de: BRASIL. Ministério da Educação. Programa nacional de fortalecimento dos conselhos escolares. Brasília: SEB, 2004. p. 45-48. v.1. 7.1.3 Eleição e composição do Conselho Escolar Quando a escola exerce a democracia de fato, os membros do Conselho Escolar podem ser eleitos por um representante de cada segmento da escola, sendo eles: professores, pais, alunos... (conforme a realidade de cada instituição) Os conselhos escolares são compostos por representantes dos mais diversos segmentos da unidade escolar, sendo eles: pais, alunos, professores, gestão escolar/gestor e por demais funcionários do estabelecimento. Estes são exemplos, pois a composição dar-se-á conforme o que consta no Regimento Interno da escola, mas com observação na legislação vigente. Podem participar do Conselho, com direito a voz e voto, todos que fazem parte da comunidade escolar e foram eleitos representantes pelos seus pares. Os conselhos escolares UNIDADE 3TÓPICO 3182 G E S T Ã O E S C O L A R UNI DIC AS! Caro(a) acadêmico(a), para elaboração/construção do Estatuto do Conselho Escolar indico o endereço eletrônico a seguir. Nele você encontrará um modelo de Estatuto: <http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/cadep/ cadep_estatuto_cons_escolar.pdf>. Boa pesquisa! 8 PARCEIROS DA GESTÃO ESCOLAR FRENTE AO FINANCIAMENTO 8.1 PARCERIAS: SOLUÇÕES POR INTERESSES COMUNS No momento atual da gestão escolar, uma das estratégias mais importantes de sobrevivência econômica é a parceria (troca de serviços entre empresas ou instituições), em prol de benefícios mútuos. Em sistema de parceria, todas as partes envolvidas no processo saem ganhando. As políticas sociais voltadas para a descentralização do modo, a administrar com parceria e competência na busca da autonomia da gestão pelas unidades executoras, têm se destacado, desde a década de noventa, tanto no cenário nacional como no internacional. Segundo o Minidicionário Aurélio, o termo parceria significa “reunião de pessoas que visam interesse comum; sociedade”. Mas, na prática social e educacional, o que isso significa e quem são esses parceiros? variam de uma comunidade a outra, município para município, estados e até mesmo entre escolas. Desta forma, a quantidade de representantes dos Conselhos também varia conforme o número de alunos, do tamanho da escola, do número de séries/anos que ela possui. UNIDADE 3 TÓPICO 3 183 G E S T Ã O E S C O L A R No contexto de uma sociedade globalizada, fica difícil viver, conviver sem parcerias, ou seja, sem a colaboração/participação de parceiros; principalmente no âmbito educacional, em que a democratização e o compartilhamento do conhecimento são o objetivo primordial. Sendo assim, a parceria torna-se mais significativa e indispensável. No contexto escolar, deve haver parceria entre professor/aluno, aluno/professor, professor/professor, gestão escolar/comunidade, enfim, podemos estender uma parceria entre todos os participantes dos processos educativos em seu amplo sentido. Para que se estabeleça o processo de parceria, algumas estratégias por parte da gestão escolar e demais funcionários são indispensáveis, como, por exemplo, saber ouvir, ser flexível, estar presente, ter humildade, gerar confiança, ser carismático/empático, ser paciente, encarar os fatos, evitar subterfúgios e abusar da honestidade. Estas atitudes, portanto, são fundamentais para a conquista de parceiros. Para compreender a formação das parcerias é importante marcar a diferença entre partes e partícipes, termos que, embora semelhantes, não têm o mesmo sentido. Nas parcerias, as pessoas envolvidas, com objetivos comuns, são os partícipes ou parceiros. Partícipes - são os que lutam por interesses semelhantes e convergentes, cuja concepção é de um serviço que venha beneficiar a terceiros (doar sua mão de obra, por exemplo). São representados pela sociedade civil. Parceiros – quando formam pontos de interesses e objetivos comuns e direcionados. São representados pelo Estado. NO TA! � Caro(a) acadêmico(a),em relação aos partícipes e parceiros, ambos desenvolvem uma relação horizontal entre o público estatal, representado pelo Estado, e a participação da cidadania, representada pela sociedade civil. Um completa o outro e juntos todos saem beneficiados. UNIDADE 3TÓPICO 3184 G E S T Ã O E S C O L A R 8.2 ÂMBITO DAS PARCERIAS: PÚBLICO, CIVIL E ESTATAL Quando se fala em parcerias, não se exclui a relevância do papel do Estado e seu dever em garantir a toda a população educação pública e gratuita de excelente qualidade. E isso, necessariamente, envolve investimentos públicos no setor da educação. A parceria não implica privatizar a escola; é apenas um caminho a mais para a viabilização de melhores condições, por meio da composição dos espaços públicos por agentes estatais e representantes da comunidade. Essa troca de serviços e interesses estabelecida nas parcerias significa uma forma de rompimento com a relação de favorecimento e clientelismo que sempre reinou no repasse de recursos para a educação. Anteriomente, o gestor dependia apenas da boa vontade e de favores políticos, mas agora dispõe de mecanismos que colocam a escola em condições de negociar suas próprias soluções, em muitos casos mais ágeis até para problemas imediatos. Como já sabemos, a escola faz parte de um sistema de administração pública da educação. Portanto, a parceria da escola representa o Estado, enquanto os interesses da sociedade civil têm diferentes representações: pessoas jurídicas e físicas, organizações não governamentais, entre outros. No quesito partícipes/parceria não se pode pensar só em lucros, mas também em qualidade de vida dos envolvidos no âmbito da escola, como o setor produtivo privado envolvido, também considerando-se seus investimentos com fins sociais, culturais e educacionais. Para que o gestor escolar estabeleça parcerias para a captação de outros recursos que otimizem a manutenção e o funcionamento de sua escola, é necessário que ele reúna duas habilidades fundamentais: a capacidade de percepção do contexto econômico e ser criativo. 8.3 POSSIBILIDADES DE PARCERIA O gestor escolar, em sua atualidade, precisa ser criativo e procurar, além das fontes públicas e da Associação de Pais e Professores ( A.P.P.), outros investidores alternativos como fontes adicionais de recursos, com o objetivo de descentralizar a função/atribuições da A.P.P., buscando parcerias em diversos níveis, como, por exemplo, a participação/colaboração da comunidade civil, como também a participação em programas específicos, entre estes, parcerias com agências financiadoras internacionais, como o Banco Mundial, até as negociações com UNIDADE 3 TÓPICO 3 185 G E S T Ã O E S C O L A R o comércio local. Citamos outras parcerias como opções possíveis: (ONGs) (organizações não governamentais que vêm atuando expressivamente em projetos educativos localizados e voltados para o benefício da sociedade). (ABONG) Associação das Organizações Não Governamentais, que fornece informações sobre as iniciativas das ONGs. Indústrias/ Comércio/Empresas locais. As parcerias, sejam quais forem, são normalmente reguladas por convênios entre os parceiros, nos quais são determinados os objetivos, as condições, o tempo de duração e os valores financeiros envolvidos. 8.4 CUIDADOS AO CAPTAR RECURSOS Ao buscar novas alternativas de recursos financeiros para a unidade escolar, é importante que o gestor verifique, primeiramente, as condições legais para a realização do convênio, ou seja, verificar se é possível e viável. O ideal é verificar a possibilidade de parceria, consultando setor jurídico/administrativo da Secretaria de Educação Estadual ou Municipal, para que fique assegurada a sua legalidade. O gestor escolar, em conformidade com o conselho da escola, deve observar alguns critérios e atitudes em relação a novas parcerias, como: UNIDADE 3TÓPICO 3186 G E S T Ã O E S C O L A R Existem, ainda, outras formas de captar recursos para a escola, ou seja, até mesmo dentro dela própria, com ações que mobilizem todos os segmentos da comunidade escolar. Veja: a) Economizar nos gastos da escola é uma delas - Além das parcerias externas, o gestor escolar deve obter parcerias internas, realizando um trabalho de conscientização sobre a responsabilidade de todos em relação ao gasto de material e à utilização das instalações físicas da escola; como, por exemplo: no consumo de energia elétrica, telefone, água, material de limpeza e expediente, material de apoio pedagógico... Estas são estratégias de cooperação que funcionam e dão bons resultados na contabilização dos gastos mensais. Para tanto, caro(a) gestor(a) e/ou futuro(a) gestor(a), você precisa colocar em prática seu espírito empreendedor, usar sua criatividade e sensibilidade para identificar, na sua comunidade escolar, pessoas físicas que estão aptas a prestar serviços voluntários à sua escola, pois em toda comunidade há pedreiros, eletricistas, costureiras, jardineiros, faxineiros, apoio pedagógico, contadores de histórias, monitores, entre outros, não é mesmo? Sem contar que você pode agilizar e ofertar a escola em períodos opostos às aulas e/ou finais de semana para a realização de clube de mães. Elas têm, com certeza, o espírito de partícipes da escola dos seus filhos e/ou de sua comunidade. Gestor, seja um gestor empreendedor... a negociação é o melhor negógio entre as partes. FONTE: A autora . . . FIGURA 33 – CRITÉRIOS E ATITUDES UNIDADE 3 TÓPICO 3 187 G E S T Ã O E S C O L A R NO TA! � Perceba, saber economizar também é uma estratégia de parceria com a escola, comunidade civil e estatal. Agindo desta forma, a escola encontrará muitos partícipes/parceiros. Não duvide disso! b) Sua escola ser parceira de outra ou mais escolas - Estabelecer parcerias com outras escolas do município ou do estado pode oferecer excelentes resultados, quando são administradas por rede ou sistema. Podem se reunir e realizar compra de materiais e equipamentos em atacadistas, que fornecem materiais em grandes quantidades, conseguindo, desta forma, negociar descontos, baixando os custos. Outra ação interessante nesta parceria entre escolas seria a criação e a manutenção de um cadastro comum de fornecedores para escolas da mesma região, que poderia ser acionado ou consultado em qualquer momento ou quando houver necessidade de adquirir materiais. Caro(a) acadêmico(a), estas são apenas algumas entre tantas outras estratégias para redução e captação de recursos através de parcerias que indico. Assim, vemos que uma educação que resulta de verdadeiras parcerias, ou seja, aquela que não oculta outros objetivos que se rendam a interesses obscuros, naquela em que se desenvolve o senso da cidadania, da fraternidade, privilegiando todos os envolvidos com atividades voltadas para o desenvolvimento de posturas éticas, está sempre à frente de novos horizontes, expectativas e, com certeza, alcançando todos os objetivos e colocando em prática o que está e/ou estava na previsão orçamentária da escola. Como você sabe, o nosso sistema social apresenta inúmeros problemas referentes às questões de gênero, etnia, preconceitos, em que padrões de comportamento são predeterminados pela mídia, excluindo-se a maioria da população, não é mesmo? Normalmente, definida como “povo”, como se estes não fizessem parte da sociedade pela negação dos mais favorecidos. Se isto acontece, então, a educação não está cumprindo o seu papel, pois a sociedade reflete o que perpassa na educação e revela-se ao individualismo e à competitividade. Por essas e muitas outras razões, devemos valorizar a importância das parcerias, para que o “povo” possa sentir-se incluído no contexto social e para que todos consigam praticar seu exercício pleno como cidadãos. UNIDADE 3TÓPICO 3188 G E S T Ã O E S C O L A R Neste tópico vimos: Que a LDB de 1996 (BRASIL, 1996) é a nossa segunda Leide Diretrizes e Bases. Ela dedicou todo um Título (VII) para normatizar o tema dos recursos financeiros para a educação, que constam desde o art. 68 até o art. 77. Que o governo apresenta e executa alguns programas alternativos no quesito financiamento da educação, sendo eles o FNDE, PDDE, FUNDESCOLA, FUNDEB. A valorização do magistério frente à legislação do FUNDEB. A forma de organização do gerenciamento do financiamento da educação, focando a descentralização. Que o orçamento educacional é realizado pela União, estado, Distrito Federal ou município e, no âmbito da escola, deve ser realizado com auxílio do Conselho Escolar. O Conselho Escolar, sua função, atribuições, eleição e composição. A gestão escolar na busca de parceiros para viabilizar melhorias na escola e na qualidade do ensino. RESUMO DO TÓPICO 3 UNIDADE 3 TÓPICO 3 189 G E S T Ã O E S C O L A R A partir dos estudos deste tópico, elabore um texto dissertativo incluindo no seu desenvolvimento o que você entendeu sobre: os princípios da gestão escolar frente ao financiamento; o Conselho Escolar; tomada de decisão e profissionalismo do gestor escolar; parcerias. AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 3TÓPICO 3190 G E S T Ã O E S C O L A R AVAL IAÇÃ O Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da Unidade 3, você deverá fazer a Avaliação. 191 G E S T Ã O E S C O L A R REFERÊNCIAS ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. ALVARÉZ, Manuel. 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