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Cultura e Consumo

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contábeis
Curso de Administração
DISCIPLINA: CULTURA E CONSUMO
ATIVIDADE: Unidade 1 e 2					DATA: 16/06/2020
PROFESSOR: Áurio Leocádio
ALUNO: Giovanna Carolyne Dantas Ribeiro- 402538
ATIVIDADE
CAPÍTULO II – “A casa, a rua e o trabalho”
	A princípio, Roberto da Matta inicializa o capítulo chamando atenção acerca da dinamicidade da rotina do povo brasileiro, de forma bem complexa e detalhista, descrevendo como funciona os ambientes (casa, trabalho e rua), o que, já de início, nos prende a atenção, uma vez que, dado a correria do dia a dia, não costumamos parar para refletir sobre como nos posicionamos nesses locais e como eles nos influenciam, principalmente no que diz respeito ao nosso hábito de consumo. Assim, em suas dez páginas, o autor se preocupa em discursar como funciona esse ciclo diário exercido por todos nós. 
	De imediato, da Matta nos leva a prestar atenção em algo muito importante: todos nós, mulheres, homens, idosos e crianças, consumimos a todo instante. Independente do papel assumido, seja de comprador, de influenciador, de utilizador ou de decisor, todos são motivados a “consumir”, para alcançar um objetivo, pela função (isto é, desempenho do produto/serviço adquirido) ou por auto expressão (identificação com o produto/serviço por seus aspectos simbólicos). Entretanto, o escritor destaca um ponto importante, o qual consiste na distinção de dispêndio de dinheiro baseada nos diferentes tipos de recursos econômicos que os indivíduos dispõem. Segundo Roberto, “Pelos que ganham razoavelmente e até mesmo pelos que ganham muito bem”, ou seja, a renda, incluindo despesas, como dependentes (filhos), veículos e moradia (própria ou não), o crédito disponível e o patrimônio são fatores que influenciam e, até mesmo, determinam o poder de compra de cada um (indivíduo) ou família (coletivo), categorizando-os, assim, em classes socioeconômicas/sociais, consonante ao CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil).
	Por conseguinte, o autor começa a discorrer sobre a casa, a qual descreve como um núcleo com indivíduos que partilham muitas características semelhantes, por exemplo tendências e valores, possuindo caráter coletivo bem definido. Assim, o grupo em si, busca defender suas crenças e membros mais vulneráveis, os quais, de acordo com Roberto, são crianças, mulheres e servidores, apesar de que, particularmente, discordo da colocação das mulheres nesse grupo, uma vez que em muitas famílias as mulheres são as provedoras principais da casa, as matriarcas, além de que precisamos levar em consideração o eminente crescimento do movimento de empoderamento feminino, que as tira da posição de ‘membro frágil do seio familiar’ e eleva às grandes figuras que são, tirando-as do papel primitivo de simples ‘apoiadoras de seus maridos’. Essa proteção que a família exerce serve também para defende-la de outras família, pois apesar de serem constituídas pelos mesmos objetos e espaços possuem particularidades que as fazem únicas, e, também, de agentes agregados a ela. Assim, fica evidente que a família representa um grupo de referência primário e bem influente, dado que desde pequenos os indivíduos são influenciados/orientados pelos pais e, até mesmo, irmãos a respeito de religião, política, economia, amor e noção de ambição pessoal e mesmo que não convivendo diretamente sob a influência dos parentes, permanece no comportamento de compra da pessoa. A exemplo disso, existem algumas famílias em que os pais não aprovam, pelo preconceito que os circunda, tatuagens e piercings e passam essa orientação a seus filhos, podendo, até mesmo, proibi-los de se relacionarem com outras pessoas que possuem tais características e, também, de fazer uso desses produtos e serviços, o que em sua visão é o correto, porque, afinal de contas, temos, na maioria das vezes, a ideia distorcida de que tudo está ou vem de nossa casa é bom, certo e decente.
	 Já, em relação à rua, da Matta coloca que o brasileiro a entende como um lugar ‘duro’, no qual enfrentamos a ‘realidade da vida, sendo oposto a ideia de ‘família’, isto é, fazemos na rua o que se é negado em casa, citando caso análogo o número de vezes que ingerimos refrigerantes, mesmo dizendo o quão prejudicial e evitando o consumo quando estamos em casa. Também, nesse contexto de alimentação, os brasileiros costumam propagar que a comida da rua é ruim se comparada a comida feita em casa e, por isso, é comum não considerarmos um lanche ou refeição realizada na rua como almoço, comida válida substancialmente, mas como um ‘snack’ ou, popularmente, um “tapa buraco de dente”, que nos fortificará tempo somente suficiente para aguentarmos até fazer uma refeição caseira. 
	Por fim, Roberto da Matta encerra o capítulo falando sobre o tópico ‘trabalho’. Para o autor, os brasileiros entendem trabalho como castigo, porém sagrado, uma vez que indivíduos que não exercem algum tipo de trabalho (formal ou não) são considerados moribundos ou malandros. Isso é oriundo da nossa herança de um sistema de trabalho primário totalmente escravocrata, no qual os negros eram obrigados a trabalhar a todo custo, caso contrário eram castigados, vendidos ou, até mesmo, mortos, o que nos remete a ideia de sacrifício ao trabalhar, além de que o explorador do trabalho tinha domínio até mesmo pela moral do escravo. À vista disso, no tocante a consumo, nos dias atuais, ainda há funcionários que evitam frequentar e consumir dos mesmos lugares, como mercados, bares e restaurantes, que os seus chefes e colegas de trabalho, uma vez que essas pessoas, algumas vezes, compõem um grupo de referência comparativos e mesmo fora do ambiente de trabalho costumam continuar dando ordens ou tendem a influenciá-los a consumir produtos que, por vezes, não cabem no orçamento, o que acaba por constrange-los. Em contrapartida, também existem pessoas que são influenciadas pelo hábito de consumo dos chefes, considerando o que estes consomem como de boa qualidade e passível de investimento. Tudo isso posto, é possível inferir como a nossa casa, a rua e o nosso trabalho são ambientes extremamente complexos e influenciam diretamente no que decidimos consumir ou não, os quais vão bem além de apenas ambiente físicos, mas lugares onde somos levados a julgar, classificar, avaliar e deliberar sobre nossas relações, valores e ações, de forma que precisamos procurar, sim, entender o âmbito em que estamos inseridos e a nossa cultura para compreendermos como somos como consumidores.

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