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34_SMITH_Riqueza_cap1

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s. v. Art. As três vantagens mencionadas no texto acima 
estão incluídas aqui]. 
13 [Nas Lições, p. 166, «um ferreiro de aldeia que não esteja 
habituado a fazer pregos terá de trabalhar duramente para produzir' 
trezentos ou quatrocentos por dia e, com certeza, de muito má 
qualidade»] . 
U [Nas Lições, p. 166, «um rapaz habituado a isso fará 
facilmente dois mil, e incomparavelmente melhores»]. 
[84 ] 
a cabeça é ainda obrigado a mudar de ferramentas. As 
diferentes tarefas em que se subdivide o fabrico de um 
alfinete ou de um botão metálico 15 são muito mais 
simples, e a destreza das pessoas que tenham tido por 
actividade única, durante toda a sua vida, a execução 
de tais tarefas é, normalmente, muito maior. A rapidez 
com que algumas das operações dessas manufacturas 
são executadas excede o que alguém que nunca as tivesse 
visto levar a cabo poderia imaginar a mão humana capaz 
de realizar. 
Em segundo lugar, a vantagem que decorre de se 
poupar o tempo habitualmente perdido ao passar de uma 
tarefa a outra, é muito maior do que, à primeira vista, 
se poderia imaginar. É imposs1vel passar muito rapi-
damente de uma espécie de trabalho a outra; esta é levada 
a cabo num local diferente e com ferramentas muito 
diferentes. Um tecelão rural 16, que também cultiva 
uma pequena quinta, tem de perder muito tempo ao 
passar do tear para o campo, ou do campo para o tear. 
Quando as duas actividades podem ser realizadas na 
mesma oficina, a perda de tempo é, sem dúvida, muito 
menor. Contudo, mesmo neste caso é muito conside-
rável. Qualquer homem normalmente aproveita a 
mudança de ocupação para um pouco de descanso. 
Ao iniciar o novo trabalho raramente se mostra muito 
desembaraçado e enérgico; a ideia, como eles dizem, 
não está posta no trabalho, e ele passa algum tempo 
mais propriamente a entreter-se que a fazer algo de útil. 
O hábito de folgar indevidamente e de não se aplicar ao 
trabalho com o necessário cuidado e diligência, que é 
naturalmente, ou antes obrigatoriamente, adquirido por 
15 [Nas Lições, p. 255, dá-se a entender que o trabalho de 
produzir um botão estava dividido entre oitenta pessoas]. 
16 10 mesmo exemplo aparece nas LiçõeS, p. 166]. 
[85 ] 
(2) economia 
de tempo 
e (3) 
a utilização de 
maquinaria 
inventada por 
operários, 
todos os trabalhadores do campo que têm de mudar de 
actividade e de ferramentas de meia em meia hora e que 
em cada dia da sua vida têm de desempenhar vinte tare-
fas diferentes, torna-os quase sempre desleixados e 
preguiçosos, incapazes de se aplicar com energia, por 
mais premente que a ocasião se mostre. Assim, indepen-
dentemente das suas deficiências no que respeita a destreza, 
esta causa por si só reduzirá consideravelmente a quanti-
dade de trabalho que lhes é possível realizar. 
Em terceiro, e último lugar, todas as pessoas devem 
compreender quanto o trabalho é facilitado e reduzido 
graças à utilização de máquinas apropriadas. É desne-
cessário dar exemplos 17. Limitar-me-ei, pois, a observar 
que a invenção de todas essas máquinas que tanto facilitam 
e reduzem o trabalho parece ter sido originariamente 
devida à divisão do trabalho. Os homens têm muito 
maior probabilidade de descobrir métodos mais fáceis 
e rápidos de atingir um certo objectivo quando toda a 
atenção do seu espírito está concentrada nesse único 
objectivo, do que quando ela se dispersa por uma grande 
variedade de coisas. Ora,' em consequência da divisão 
do trabalho, toda a atenção de cada homem se vem a 
concentrar directamente num objectivo muito simples. 
É pois naturalmente de esperar que um ou outro dos que 
se dedicam a cada tarefa específica depressa descubra 
métodos mais fáceis e rápidos de realizar o trabalho que 
lhe incumbe, sempre que a natureza deste permita uma 
1 Ih ~ ta me oria. Grande parte das máquinas usadas~; 
naquelas indústrias em que o trabalho está mais subdi-
17 [Nas Lições, p. 167, aparecem exemplos: «Dois homens 
e três cavalos produzirão mais num dia com a charrua que vinte 
homens sem ela. O moleiro e o seu ajudante produzirão mais 
com a azenha que uma dúzia de homens com o moinho manual 
embora este também seja uma máquina»)]. ' 
18 [Lê-se, na primeira edição: «máquinas empregadas»]. 
[86 ] 
vidido foram originariamente invenção de vulgares ope-
rários que, ocupando-se cada um deles de uma tarefa 
muito simples, naturalmente deram em congeminar 
formas mais fáceis e expeditas de as realizar. Quem quer 
que esteja acostumado a visitar fábricas desse tipo deve 
ter tido com frequência oportunidade de observar máqui-
nas excelentes, que foram produto da invenção de tais 19 
operários, com a finalidade de tornar mais simples e 
rápida a parte do trabalho que lhes incumbe. Nas pri-
meiras máquinas a vapor era necessário que um rapaz 
-~~éstivesse sempre a abrir e a fechar alternadamente a 
comunicação entre o cilindro e a caldeira, conforme o 
êmbolo subia ou descia. Um desses rapazes, que gostava 
mais de se divertir com os companheiros, observou que, 
atando um fio à válvula que abria essa comunicação e 
prendendo-o a outra parte da máquina, a válvula abria 
e fechava sem ser necessário ele mexer-lhe, deixando-o 
livre para se divertir com os camaradas. Assim, um dos 
grandes aperfeiçoamentos introduzidos nessa máquina, 
desde a sua invenção, foi resultado da descoberta de 
um rapaz que queria esquivar-se ao trabalho 20. 
19 [Na primeira edição lê-se: «de vulgares»]. 
20 [Esta bonita história é, pelo menos em grande parte, 
um mito. Parece ter tido origem na má interpretação (não necessa-
riamente de Smith) do seguinte trecho: «Costumavam anterior-
mente trabalhar com uma bóia no cilindro dentro de um tubo, 
a qual subia quando o vapor era forte, abria a injecção e produzia 
um movimento; desse modo não conseguiam mais que seis, oito 
ou dez movimentos por minuto até que um rapaz, Humphry Potter, 
que vigiava a máquina, lhe acrescentou uma ligação (a que chamou 
scoggan) que fazia a válvula Q abrir sempre; e assim conseguiam-se 
quinze ou dezasseis movimentos por minuto. Mas porque isto 
originava uma confusão de ligações e fios, o Sr. Henry Beighton, 
numa máquina que tinha construído em 1718, em Newcastle-
-on-Tyne, eliminou-os a todos, fazendo a alavanca por si só todo 
o trabalho muito melhor». - J. T. Desaguliers, Course oi Experi-
[87 ] 
ou por 
construtores de 
máquinas 
e filósofos. 
Todavia, nem todos os aperfeiçoamentos introduzidos 
nas máquinas foram produto da invenção daqueles que 
tinham ocasião de as utilizar. Muitos deles foram pro-
duto do engenho dos construtores de máquinas, desde 
que este trabalho se tornou numa actividade independente; 
e alguns foram criação daqueles a quem é costume deno-
minar de filósofos ou homens de pensamento, cujo oficio 
não consiste em fazer alguma coisa, mas em tudo obser-
var; e que, por isso mesmo, são muitas vezes capazes 
de combinar as aptidões de objectos muito distantes e 
dissemelhantes 21. Com o progresso da sociedade, a 
filosofia ou especulação torna-se, como qualquer outra 
actividade, na única ou principal tarefa e ocupação de 
uma determinada classe de cidadãos. Também como 
qualquer outra actividade, subdivide-se num grande 
número da ramos distintos, cada um dos quais propor-
ciona ocupação a uma certa tribo ou classe de filósofos' , 
e esta subdivisão do emprego na filosofia, como nas outras 
actividades, aumenta a destreza e economiza tempo. 
mental Philosophy, voI. lI, 1744, p. 533. Com base nas páginas 469, 
471 parece que anteriormente à descoberta da «bóia» se utilizava 
o trabalho manual]. 
21 [Nas Lições, p. 167, a invenção da charrua é, por conjectura 
atribuída a um agricultor e a do moinho manual a um escravo' 
enquanto a descoberta da azenha e da máquinha a vapor é atri~ 
buída a filósofos. Mandeville dá muito menos crédito aos filósofos: 
«É muito raro ser o mesmo tipo de pessoas que inventa as artes 
e as formas de as melhorar e que investiga as razões das coisas: 
esta última actividade é muito mais vulgarmente praticada