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Contração muscular lisa

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(contracaoçmuscular) 
RESUMO DA CONTRACAO MUSCULAR LISA 
O músculo liso realiza muitas funções em todas as áreas do corpo, sendo encontrado na parede 
de muitos órgãos ocos, como vasos sanguíneos, vias respiratórias, intestinos e trato urogenital. 
Os músculos esquelético e cardíaco são formados para contrair rapidamente. No entanto, o corpo 
humano realiza muitas outras funções que exigem um envolvimento muscular em uma escala 
de tempo menos urgente. O músculo liso, então, contrai-se lentamente, quando comparado com 
o músculo estriado, mas é capaz de manter um estado de tônus com gasto mínimo de energia. 
Em geral o músculo liso é inervado pelo sistema nervoso autônomo e, nas artérias, pelas fibras 
simpáticas. 
Não ocorre fadiga do músculo liso, a menos que a célula esteja privada de oxigênio. Entretanto, 
a glicólise aeróbica, com produção de ácido lático, sustenta as bombas de íons da membrana, 
mesmo quando há grande quantidade de oxigênio. 
Os músculos lisos são classificados em dois grupos: unitário e multiunitário. 
• Unitário – células acopladas eletricamente, de modo que a estimulação elétrica de uma 
célula é seguida pelo estímulo das células musculares lisas adjacentes (ex: onda de contração 
na peristalse); 
• Multiunitário – não são acopladas eletricamente, de modo que a estimulação de uma célula 
não resulta necessariamente na ativação da célula muscular lisa adjacente. 
 
O músculo liso fásico contrai-se transitoriamente, quando estimulado. Ou seja, apresentam 
atividade rítmica ou intermitente. Os exemplos incluem os músculos que formam as paredes do 
trato GI (estômago, intestino delgado, intestino grosso), e do trato urogenital (ureteres, bexiga 
urinária, canal deferente, tuba uterina, útero). 
O músculo liso fásico frequentemente funciona de modo semelhante ao músculo cardíaco. 
Células marca-passo especializadas geram potenciais de ação e se as ondas atingem uma 
amplitude suficiente para ultrapassar o limiar, os potenciais de ação podem ser iniciados e se 
propagam pelas junções comunicantes em todo o músculo. Como consequência, segue-se uma 
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onda de contração. Por este motivo são unitários, por se contrair em resposta a um potencial de 
ação que se propaga de célula a célula. 
O músculo liso tônico (também conhecido como músculo liso multiunitário) lembra o músculo 
esquelético, pelo fato de que os miócitos individuais ou grupos de miócitos funcionam 
independentemente dos miócitos vizinhos. Essa característica permite o controle fino dos 
movimentos, o que é vantajoso para o controle preciso do diâmetro pupilar e da forma da lente 
do olho, por exemplo. O controle multiunitário também permite um aumento de força por meio 
de recrutamento, assim como no músculo esquelético a força é controlada mediante combinações 
de unidades motoras separadas. Sua ativação não está associada a um potencial de ação. 
 
As células do músculo liso são formada por filamentos de actina e miosina, que estão 
organizados em unidades contráteis chamadas de “minissarcômeros”. Entretanto, uma vez que 
essas unidades não estão alinhadas pelos discos Z, como nos músculos esquelético e cardíaco, 
não existem estriações visíveis – caracterizando o “músculo liso” o seu nome. 
O equivalente à linha Z são os corpúsculos densos no citoplasma e áreas densas ao longo do 
sarcolema. 
Filamentos grossos – a miosina do músculo liso tem duas cadeias pesadas, que abrangem as 
regiões da cabeça e pescoço, e dois pares de cadeias leves. As cabeças da miosina possuem 
atividade de ATPase e um sítio de ligação para a actina; 
Filamentos finos – no músculo estriado, os filamentos finos estão associados à troponina, o 
que determina a dependência de cálcio para a contração. Já o músculo liso não contém troponina 
e nem nebulina, mas está associado com duas proteínas reguladoras específicas, chamadas 
caldesmona e calponina: 
• A caldesmona é um inibidor da atividade de ATPase da miosina associada à actina. A 
inibição é minimizada por altas concentrações de cálcio-calmodulina (CaM) ou por 
fosforilação pela proteína cinase dependente de CaM (ou muitas outras cinases endógenas) 
• A calponina é um abundante inibidor da atividade de ATPase da miosina associada à 
actina, regulado por fosforilação dependente da proteína cinase dependente de cálcio-CaM 
Podemos concluir que a contração do músculo liso envolve interação entre actina e miosina, mas 
os filamentos grossos e finos estão pobremente organizados, em comparação com o músculo 
estriado. 
 
• A ligação funcional das células é proporcionada pelos canais juncionais que formam vias 
de baixa resistência entre as células. Contudo, também temos as junções aderentes que 
fazem a ligação mecânica entre as células do músculo liso. 
• As células do músculo liso não possuem túbulos T – invaginações do sarcolema do músculo 
estriado que fazem as conexões elétricas para o retículo sarcoplasmático; 
• As fileiras longitudinais chamadas de cavéolas são invaginações do sarcolema do músculo 
liso que aumentam a relação superfície-volume das células; 
• Além disso, o sarcolema possui canais para cálcio dependente de voltagem e, por 
isso, pode haver sítios onde o cálcio penetra; 
• O músculo liso tem uma rede de membranas intracelulares do retículo 
sarcoplasmático que atua como um reservatório para o cálcio. Esse cálcio é liberado do 
retículo sarcoplasmático para o citoplasma quando neurotransmissores, hormônios ou 
drogas se ligam aos receptores do sarcolema; 
• Os canais intracelulares para o cálcio no retículo sarcoplasmático do músculo liso incluem 
os receptores de rianodina e o rianodina é ativado pela elevação do cálcio intracelular. 
 
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A contração é normalmente iniciada quando as concentrações 
intracelulares de cálcio aumentam. O cálcio pode se originar 
extracelularmente e entrar na célula por canais cálcio, ou de 
estoques de cálcio no retículo sarcoplasmático. O retículo 
sarcoplasmático libera seus estoques de cálcio tanto em resposta ao 
influxo de cálcio do meio externo (liberação de cálcio induzida pelo 
cálcio), como a um aumento da concentração intracelular de inositol 
trifosfato (IP3). Esse aumento resulta da ligação a um receptor de 
superfície e atua por meio de canal cálcio dependente de IP3 no 
retículo sarcoplasmático. 
No músculo liso, a ATPase permanece inativa até que a cadeia leve 
reguladora seja fosforilada. 
O aumento da concentração de cálcio intracelular ativa a cinase 
proteica dependente de cálcio, a calmodulina. A calmodulina 
fosforila a cadeia leve regulatória da miosina, permitindo que ela 
interaja com a actina. O complexo cálcio-calmodulina ativa a cinase 
de caldeia leve da miosina. 
Essa etapa de fosforilação é necessária para a interação da miosina 
com a actina. Além dessa etapa de fosforilação, também é necessária 
para a ponte de miosina e desenvolvimento da força, uma molécula 
de ATP. 
Agora, na presença de ATP, a cabeça hidrofílica da miosina é capaz 
de alcançar e ancorar em um sítio de ligação no filamento fino de 
actina, tracionando o filamento fino em direção do centro do 
filamento grosso, gerando força. 
Pelo fato de que a fosforilação da miosina é necessária 
para a contração do músculo liso, diz-se que esta é 
regulada pelo filamento grosso, em oposição ao músculo 
estriado, onde é regulada pelo filamento fino na qual a 
ligação do cálcio à troponina expõe os sítios de ligação da 
miosina, no filamento fino de actina. 
 
O relaxamento do músculo ocorre quando as concentrações 
sarcoplasmáticas de cálcio renormalizam. Como a contração do 
músculo liso envolve uma cinase e uma etapa de fosforilação, o 
relaxamento requer uma fosfatase. 
RENORMALIZAÇÃO DO CÁLCIO 
Quando a sinalização excitatória
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