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ASPECTOS DE DIREITO CONSTITUCIONAL - AULA02

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CONSTITUINTE – CONCEITO E FINALIDADE
Os poderes constituídos são o resultado da criação, ou seja, são os 
poderes estabelecidos pela Constituição.
Também se torna claro que o poder constituinte só pode ser exercido 
em Estados que tenham uma Constituição bem escrita e muito rígida. O 
Poder Constituinte é o poder de concepção da Constituição e esses 
poderes devem ser exercidos por pessoas autorizadas.
TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE
A teoria do poder constituinte está relacionada à legitimidade do poder, 
soberania nacional e a soberania popular em um dado Estado. Nasceu 
do fortalecimento do racionalismo e em oposição ao poder absoluto 
das monarquias de direito divino, com a substituição de Deus pela 
nação, como titular da soberania (PAULO; ALEXANDRINO, 2017).
Relembrando, a nação seria, então, uma reunião de pessoas, 
geralmente do mesmo grupo étnico, que falam o mesmo idioma e têm 
os mesmos costumes, formando, assim, um povo. Uma nação continua 
unida pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional. 
Os elementos território, língua, religião, costumes e tradição, por si sós, 
não constituem o caráter de uma nação.
TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE
O titular do poder constituinte é toda a nação. Todos os 
aparecimentos dos poderes constituídos na constituição só podem 
ser acatados como válidos se respeitarem as disposições existentes 
no conhecido texto constitucional. “Estado, uma vez que mediante o 
exercício do poder constituinte originário estabelecerá sua 
organização fundamental pela Constituição, é sempre superior aos 
poderes constituídos, de maneira que toda manifestação dos 
poderes somente alcança plena validade se se sujeitar à Carta 
Magna” (MORAES, 2017, p. 41).
TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE
Observa-se que o poder constituinte deve estabelecer a organização 
fundamental de uma nação e o povo é o verdadeiro titular do poder. 
O povo, através da votação, elege seus representantes, que passam 
a atuar em nome do povo. Segundo Moraes (2017, p. 41), "o povo 
pode ser reconhecido como o titular do poder constituinte, mas não 
é jamais quem exerce. É ele um titular passivo, e se imputa uma 
vontade constituinte sempre manifestada por uma elite". Assim, 
distinguimos a titularidade e o exercício do poder constituinte, 
“sendo o titular o povo e o exercente aquele que, em nome do povo, 
cria o Estado, editando a nova Constituição” (MORAES, 2017, p. 41).
TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE
“O titular do poder constituinte é o povo (e não mais a nação), pois 
só este tem legitimidade para determinar quando e como deve ser 
elaborada uma nova Constituição, ou modificada a já existente” 
(PAULO; ALEXANDRINO, 2017, p. 76).
Na soberania popular tem-se que o Estado caminha pela vontade de 
seu povo e, assim, seus representantes são eleitos. Isso é o que se 
espera de uma democracia. Apesar que, mesmo nas tiranias, o poder 
ainda é do povo.
TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE
“A soberania popular, que é, na essência, o poder constituinte do 
povo, é a fonte única de que procedem todos os poderes públicos do 
Estado. Mesmo nos regimes ditatoriais é o povo o único e legítimo 
titular do poder constituinte” (PAULO; ALEXANDRINO, 2017, p. 76). 
Se o titular é o povo, significa dizer que o exercício do voto e o 
próprio exercício da democracia validam todo o sistema contido na 
Constituição vigente. 
 FORMAS DE EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE
Para Paulo e Alexandrino (2017, p. 76), o poder constituinte 
originário pode manifestar-se na criação de um novo Estado, “como 
as desintegrações do Império Otomano, da União Soviética, e da 
Iugoslávia, que deram origem a vários novos Estados”. Além disso, 
“na refundação de um Estado, com a substituição de uma 
Constituição por outra, como ocorre no caso de golpe, revolução, 
desagregação social, ou mesmo, se assim desejar o povo, em 
períodos de normalidade social” (ALEXANDRINO; PAULO, 2017, p. 
76).
 FORMAS DE EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE
O Poder Constituinte institui a Constituição, da mesma forma que os 
poderes constituídos são estabelecidos por tal Constituição. 
Intrinsicamente, podemos afirmar que o poder constituinte é do povo, este 
que é constituído por pessoas (mulheres e homens), que têm o poder de 
definir sobre as regras que querem ver implantadas no Estado onde vivem. 
Observa-se que, no primeiro caso, ou seja, na criação do Estado, temse o 
que pode ser chamado de poder constituinte histórico e, em outros casos, 
pode-se dizer que se tem o denominado poder constituinte revolucionário. 
“A outorga constitui, portanto, a criação autocrática da Constituição, um 
exercício do poder constituinte pela única vontade do detentor do poder, 
sem representação ou participação dos governados, do povo, destinatários 
do poder” (PAULO; ALEXANDRINO, 2017, p. 76).
 FORMAS DE EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE
“O exercício democrático do poder constituinte ocorre pela 
assembleia nacional constituinte ou convenção: o povo escolhe seus 
representantes (democracia representativa), que formam o órgão 
constituinte, incumbido de elaborar a Constituição do tipo 
promulgada“ (PAULO; ALEXANDRINO, 2017, p. 76). “Sempre que 
houver ruptura da ordem constitucional estabelecida, e sua 
substituição, ocorre manifestação do poder constituinte, ou seja, a 
nova Constituição será sempre obra do poder constituinte, mesmo 
que haja imposição mediante exercício ilegítimo do poder” (PAULO; 
ALEXANDRINO, 2017, p. 78). 
 FORMAS DE EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE
O fato de residir no povo a titularidade do poder constituinte não 
tem relevância para determinar quando há manifestação do poder 
constituinte. Vale dizer: mesmo nos casos em que há usurpação do 
poder e uma nova Constituição é outorgada por um ato autoritário, 
não democrático. Só o fato de se substituir o ordenamento 
constitucional vigente por um outro consubstancia manifestação do 
poder constituinte. Essa criação e a imposição de uma nova ordem 
constitucional são obras do poder constituinte originário. Tem-se 
que o Poder Constituinte pode ser exercido de forma outorgada ou 
de forma usurpada. O que se torna transparente é que sempre que 
acontecer a ruptura, o Poder Constituinte será exercido através da 
criação de uma nova Constituição. 
ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE
São dois tipos de espécies de poder constituinte identificados pela 
doutrina: o originário e o derivado. “Embora pouco estudados pela 
doutrina pátria, alguns autores têm destacado, também, a existência 
do poder constituinte difuso e do poder constituinte supranacional” 
(PAULO; ALEXANDRINO, 2017, p. 78).
O poder constituinte originário (inaugural, fundacional, primogênito, 
genuíno, primário, de primeiro grau ou inicial) é o poder de elaborar 
uma Constituição. 
ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE
O poder constituinte originário estabelece a Constituição de um 
novo Estado, organizando e criando os poderes destinados a reger os 
interesses de uma comunidade. Tanto haverá poder constituinte no 
surgimento de uma primeira Constituição, quanto na elaboração de 
qualquer Constituição posterior (MORAES, 2017, p. 41).
O poder constituinte originário designa os novos poderes que irão 
reger um determinado povo. Tal poder pode ser considerado puro, 
elementar e principal.
ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE
No procedimento de elaboração de uma nova Constituição, 
podemos identificar dois momentos de atuação do poder 
constituinte originário: um momento material e um momento 
formal. Decorrem as noções de poder constituinte material e poder 
constituinte formal. No primeiro momento, tem-se o poder 
constituinte material, que é o poder de autoconformação do Estado, 
segundo certa ideia de Direito. É a decisão política de criação de um 
novo Estado. Esse poder constituinte originário, além de poder ser 
dividido em histórico e revolucionário, ainda pode ser dividido em 
poder constituinte formal e material.
ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE
Poder constituinte histórico pode ser entendido pela primeira

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