Trabalho Academico II - Direito do Trabalho I - FDA
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Trabalho Academico II - Direito do Trabalho I - FDA

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CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DOM ALBERTO 
 
CURSO DE DIREITO 
 
 
 
 
DIREITO DO TRABALHO 2 
 
 
 
Caroline da Rosa Fontoura 
Cindy da Cunha Klein 
 
 
SANTA CRUZ DO SUL, 2020 
 
CAROLINE DA ROSA FONTOURA. 
CINDY DA CUNHA KLEIN 
 
 
 
 
 
 
 
DIREITO DO TRABALHO 2 
 
 
 
Trabalho apresentado à disciplina de Direito 
do Trabalho 2, sob a orientação do 
Professora Ana Paula de Almeida de 
Borba, como requisito parcial para 
aprovação, no curso de Direito. 
 
 
 
 
Orientador: Prof.a.: Ana Paula de Almeida de Borba 
 
 
 
 
 
 
 
SANTA CRUZ DO SUL, 2020 
A MP 927 E SUAS ALTERAÇÕES NO MUNDO JURÍDICO 
TRABALHISTA 
 
Com a decretação de calamidade pública desencadeada pela pandemia 
do novo corona vírus (COVID-19), pelo Brasil, muitas empresas adotaram as 
leis da medida provisória 927, que tem o intuito de preservar a saúde e renda 
de empregados e empregadores. Dentre as alterações está a antecipação de 
férias individuas, de acordo com o artigo 3º da MP 927, no que tange a sua 
antecipação e observados os requisitos do artigo 6 a 10 da mesma lei. Outra 
alteração que correu foi sobre a jornada de trabalho, em especifico o banco de 
horas. 
Podemos assim fazer a comparação do que mudou da Consolidação de 
Leis do Trabalho para com a Medida Provisória 927/20. Uma das principais 
mudanças da MP é a antecipação das férias individuais, dentre as disposições 
da MP está a antecedência de aviso no prazo de 48 horas que antecedem o 
período de férias, podendo ser feita por escrito ou por meio eletrônico, a 
antecipação é principalmente usada no caso dos empregadores que estão no 
grupo de risco, tal mudança está descrita no artigo 6º, fazemos assim a 
comparação com o artigo da CLT 135, que nos trás o aviso de férias no prazo 
mínimo de 30 dias, sendo este aviso por escrito. 
 No que tange o § 1º do artigo 6º da MP, inciso I, as férias não poderão 
ser gozadas no período inferior a cinco dias, nesse sentido continua em 
concordância com a CLT, na parte final do § 1º do artigo 134, onde descreve a 
mesma regra. Porém a significativa mudança em razão deste artigo é a 
concessão de férias sem ter transcorrido o seu período aquisitivo, de acordo 
com inciso II, já a CLT dispõe que as férias serão concedidas quando o 
empregado tiver 12 meses adquirido o direito, artigo 134, caput, CLT. Vejamos 
que não há a necessidade do período aquisitivo por parte do empregado, ou 
seja ele poderá tirar as férias sem ter o seu direito adquirido concretamente. 
 O § 2º do artigo 6º nos trás a possibilidade de negociação do empregado 
e empregador a antecipação de futuros períodos de férias, mediante acordo 
individual escrito, podemos relacionar tal disposição com o artigo 136 da CLT, 
que não dispõe de possibilidade de negociação de férias, somente concessão 
que consulte melhor o interesse do empregador. 
 Destaque-se a prioridade da antecipação de férias aos empregados do 
grupo de risco em razão dos demais, pelo risco a saúde pública e 
contaminação no ambiente de trabalho, ou até mesmo a adaptação ao 
teletrabalho para não ter necessidade de exposição a demais colegas, clientes 
e funcionários. O artigo 6º, § 3º, trouxe essa prioridade. 
 O artigo 7º da Medida Provisória 927 dispõe sobre a suspensão das 
férias ou licenças não remuneradas dos profissionais da área da saúde, ou 
também daqueles que desempenham funções essenciais, podendo essa 
comunicação ser formal por escrito ou também como a condição da concessão 
de férias que poderá ser feita por meio eletrônico, acreditamos que tal artigo de 
lei se baseia na complexidade da pandemia e necessidade do máximo dos 
empregados trabalhando na linha de frente dos hospitais, mercados, farmácias, 
dentre outros estabelecimentos de saúde e serviços essenciais. Medida 
adotada enquanto durar o decreto de calamidade pública, artigo 1º. 
 O empregado poderá optar pelo pagamento do adicional de férias até a 
data do pagamento do 13º salário, de acordo com o artigo 8º da MP, a CLT 
dispõe que o pagamento de férias será feito até dois dias antes do início dos 
respectivos períodos, no seu artigo 143 caput. 
 Já no que se trata do pagamento de férias, que era paga a remuneração 
de tal direito, dois dias antes do início do respectivo período de férias, de 
acordo com o caput do artigo 143 da Consolidação de Leis do Trabalho, no que 
se refere a MP, o pagamento poderá ser feito até o 5º dia útil do mês 
subseqüente a data do início do gozo de férias, então o trabalhador entrará em 
férias e receberá a devida remuneração depois, podendo ainda não receber o 
abono, este podendo ser pago até a gratificação natalina. 
No que se refere ao banco de horas, a Medida Provisória 927/2020 
trouxe o entendimento de que os empregados, por meio de negociais 
individuais, poderão acumular horas durante o período em que durar o estado 
de calamidade pública e da saúde pública, como é o caso da pandemia do 
COVID - 19, sendo estas compensadas no futuro. 
Este tipo de banco de horas estabelecido pela MP poderá ser usando 
quando ocorrer casos em que a empresa precisará interromper ou reduzir as 
horas de trabalho, como explica, Guilherme Feliciano, ex-presidente da 
Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e 
professor da Universidade de São Paulo (USP)1: 
\u201cQualquer setor da economia pode utilizar o banco de horas. 
Indústria, comércio, serviços. Não há restrição. A compensação 
funciona quando, por exemplo, uma empresa fica fechada por três 
semanas devido ao coronavírus. São 132 horas que os trabalhadores 
em casa estão devendo. Essas horas serão devolvidas para a 
empresa com o limite de dez horas de trabalho por dia, até que as 
132 horas sejam alcançadas\u201d 
 Uma das alterações feitas pela Medida Provisória 927/2020, foi a 
alteração do prazo de compensação, que diz que a compensação poderá ser 
feita em até 18 meses da data do encerramento do estado de calamidade 
pública tanto para horas devidas como para horas acumuladas, o que 
beneficiara as pequenas empresas, porém o artigo 59, §5º da Consolidação 
das Leis do Trabalho explica que a compensação poderá se em até 6 meses. 
 Para estabelecer esse novo acordo de banco de horas, é necessário que 
haja um acordo coletivo ou um acordo individual formal, conforme artigo 14, 
caput da MP, já na CLT, é necessário que seja realizado acordo individual, 
convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. Caso haja, compensação 
dessas horas pela diminuição de horas em um dia posterior, sendo que o 
anterior teve hora extra, segundo a CLT, artigo 59, § 5º, o acordo deverá ser 
individual por escrito. 
 Tanto na MP 927 em seu artigo 14, § 1º, quanto no artigo 59, caput, § 2º, 
Consolidação das Leis do Trabalho são iguais nesse assunto, pois explicam 
que a compensação do banco de horas deve ocorrer através do acrescimo de 
no máximo de duas horas, não podendo ultrapassar dez horas diárias. 
 
1https://www.jota.info/tributos-e-empresas/trabalho/banco-de-horas-mp-30032020 
 A CLT traz a possibilidade de três tipos de banco de horas, o banco de 
horas anual \u2013 com previsão em acordo ou convenção coletiva-; o banco de 
horas semestral: com acordo individual e o banco, sem intervenção do 
sindicato e, por fim, o banco de horas mensal, onde as horas serão 
computados no mês e compensadas no mesmo mês. A MP 927, traz a apenas 
o que a empresa poderá firmar um acordo individual. 
Em virtude da pandemia, é possível ocorrer um certo risco desse banco 
de horas, por que as empresas podem proibir o uso do ponto, por ordem 
expressa do município, por exemplo, por causa da contaminação que poderá 
ocorrer. Assim, alguns empregados podem estar fazendo horas a mais e outros 
podem fazer horas a menos. 
Um ponto importante frisarmos e destacarmos como critica a questão da 
medida não ter requisitos para quais empresas pudessem