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APOSTILA GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (G

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GINECOLOGIA E 
OBSTETRÍCIA 
Victoria Chagas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TUTORIAS 
 
1. Alterações do organismo na gravidez 
2. Gestação de alto risco e encaminhamento 
3. Aspecto social e trabalhista da gestante 
4. Gestação em afrodescendentes 
5. Anatomia feminina 
6. Anatomia da pelve óssea 
a. Tipos de pelve 
7. Alterações da pelve na gestação 
8. Sinais presuntivos da gravidez 
9. Tipos de partos 
10. Exercício físico na gestação 
11. Conceitos 
12. Pré-natal 
a. Consultas 
b. Exames 
c. Primeira consulta 
d. Consultas subsequentes 
13. Vacinação na gestação 
14. Aborto 
15. Gravidez ectópica 
16. Gravidez na adolescência 
17. Fisiologia do parto 
a. Características das células 
b. Mecanismos de contração 
c. Determinismo do parto 
18. Fases do parto normal 
19. Estática fetal 
20. Mecanismos do parto 
21. Indutores do parto 
22. Puerpério 
a. Modificações anatômicas e fisiológicas 
b. Cuidados hospitalares 
c. Cuidados domiciliares 
d. Baby blues x depressão 
23. Mapas mentais 
a. Mecanismo de parto 
b. Estática fetal 
c. Sinais de probabilidade e encaminhamento 
d. Alterações na gestação e sinais de presunção 
VICTORIA CHAGAS 
GINECOLOGIA E OBSTRETÍCIA - TUTORIAIS 
VICTORIA CHAGAS 
 
ALTERAÇÕES NO ORGANISMO CAUSADAS PELA GESTAÇÃO 
 As alterações fisiológicas são individuais e relativas 
 
❖ ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS 
 
 Aumento do volume sanguíneo: em 30 a 50% (necessidade de suprimento maior no útero) 
- a partir da 12ª semana com pico na 32-34ª 
- ocorre pelo ↑ volume plasmático (15% no 1º 
trimestre, 25% no segundo e menos no 3º) 
- é maior em gestações múltiplas 
- é menor em gestações com predisposição a 
insuficiência placentária e em pacientes com 
restrição de crescimento fetal (RCF) e 
Hipertensão arterial sistêmica (HAS). 
- Com o aumento da volemia, viscosidade 
diminui e reduz trabalho cardíaco. 
 
 Aumento de eritrócitos devido ao aumento 
do volume plasmático e da eritropoietina 
- O plasma aumenta muito e os eritrócitos aumentam pouco → hemodiluição 
- Principalmente no 3º trimestre 
- A vida média dos eritrócitos é menor na gestação 
 
 Diminuição das hemoglobinas 
- O hematócrito, cujos valores em não gestantes 
variam entre 38% a 42%, nas gestantes pode chegar 
a 32%. (hemodiluição) 
- Menor no 3º trimestre (quando quantidade de 
eritrócitos aumenta) 
- Anemia na gestação: hemoglobina <11g/dL 
 
 Aumento na quantidade de leucócitos 
- Ocorre muito no parto e puerpério imediato, pela atividade dos adrenais no momento 
de estresse 
 
 Aumento no número de neutrófilos 
- Porém sua atividade fica reduzidas, com redução de fenômenos quimiotáxicos e da 
expressão de moléculas de aderência 
 
 Aumento de proteínas inflamatórias de fase aguda (Ex.: proteína C reativa) 
 
 Redução na quantidade de plaquetas 
- Consumo de plaquetas envolvidos no processo e certo grau de coagulação 
intravascular no leito uteroplacentário. 
- ↑ produção de tromboxano A2 → agregação plaquetária → ↓ de plaquetas 
- Também pode ser explicado pelo sutil aumento do baço na gestação (destrói plaqueta) 
- Plaqueta normal na gravidez: >100.000 mm3 (se menor é plaquetopenia) 
 
VICTORIA CHAGAS 
 Aumento de quase todos os fatores de coagulação 
 
 Hipercoagulabilidade do organismo materno 
- causada por vários fatores: ativação de proteína C e diminuição nos níveis de proteína S. 
- Aumenta chance de trombose 
 
 Estado de deficiência de ferro (necessário a suplementação) 
- Causado pelo consumo de ferro pela unidade fetoplacentária, utilização de ferro para 
produção de hemoglobina e mioglobina para um aumento da massa eritrocitária e da 
musculatura uterina, e depleção do ferro por perdas sanguíneas e pelo aleitamento. 
- A demando por ferro é maior na segunda metade da gravidez 
- Mesmo em gestantes com grave deficiência de ferro, a produção da hemoglobina fetal 
continua intacta; no entanto a mãe terá anemia grave 
AUMENTA ↑ DIMINUI ↓ 
- Volume sanguíneo 
- eritrócitos 
- leucócitos 
- neutrófilos 
- proteínas inflamatórias 
- Fatores de coagulação 
 
- Hemoglobinas 
- Plaquetas 
- Ferro (estado de deficiência) 
 
❖ ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES 
 
 Aumento da frequência cardíaca basal → 15 a 20 bpm 
 Elevação do volume sistólico 
 Elevação do débito cardíaco (em até 50%) 
- O aumento do débito cardíaco tem início da 5ª 
semana, estabiliza-se por volta da 24ª semana e 
atinge o ápice no pós parto imediato (↑80%) 
- Esse aumento no pós parto imediato ocorre por 
descompressão dos vasos pélvicos pelo útero 
com o nascimento do concepto (↑ pré-carga). 
 Vasodilatação sistêmica (↑prastaciclinas e 
produção de NO – óxido nítrico) 
 
 Redução da resistência vascular periférica 
- Pelo surgimento da circulação uteroplacentária 
e pela vasodilatação. 
- Essa redução é bem acentuada, reduzindo a PA 
apesar do ↑ do débito cardíaco. 
 
 Aumento da pressão venosa nos membros inferiores 
- Causada pela compressão das veias pélvicas pelo 
útero. Isso reduz a pós carga, e a gestante pode ter 
hipotensão. 
- Por isso gestante pode ter edema, varizes e 
hemorroida. 
- É recomendado que gestante se deito de 
decúbito lateral esquerdo pois deitar do lado direito 
comprime veia cava e reduz retorno venoso. 
VICTORIA CHAGAS 
 Queda da pressão arterial sistêmica 
- Mais da diastólica (5 a 15 mmhg) que dá 
sistólica (3 a 5 mmhg) 
- Mais acentuada no segundo trimestre 
- Durante contrações uterinas no parto, pressão 
se eleva pelo ↑DC 
- A postura da gestante pode exercer grande 
influência no DC, especialmente nas últimas 
semanas da gravidez em função do grande 
volume uterino. A posição supina pode reduzir o 
débito cardíaco em 25 a 30% (compressão da 
aorta) em comparação com o decúbito lateral 
esquerdo. Posição lateral direita comprimi a veia 
cava e reduz retorno venoso. 
 
 
 
 
 
❖ CORAÇÃO 
 
 Diafragma se eleva (aumento do volume abdominal) e altera a posição cardíaca 
- (desviado para cima e para esquerda, ligeiramente rodada para face anterior do tórax) 
 ↑ Volume devido ↑ de volume sistólico e hipertrofia dos miócitos 
 Pequenas alterações no ritmo cardíaco 
 Sopro cardíaco sistólico comum (pela redução da viscosidade sanguínea e ↑DC) 
 Alteração na ausculta (desdobramento de B1 e 3ª bulha audível) 
 
❖ SISTEMA NERVOSO 
 
 Progesterona tem ação depressora do sistema nervoso central → sonolência, perda de 
memória e concentração, mudanças de humor 
 Enxaquecas → alterações vasculares e hormonais (vasodilatação e edema cerebral pela 
ação da progesterona) → indicado paracetamol (anti-enxaqueca não é recomendado) 
 
 
❖ SISTEMA IMUNE 
 
 Leucocitose → ↑glóbulos brancos 
 Supressão de linfócitos TH1 para que ocorra a nidação 
 Imunidade fica mais baixa (principalmente de TH1) 
FASES 
Pró-inflamatória Anti-inflamatória Momento do parto 
- Ocorre no início da 
gestação, já que implantação 
da placenta requer um 
ambiente inflamatório para a 
retirada de restos celulares e 
reparo do epitélio uterino 
 
 
- Meio da gestação 
- Crescimento e 
desenvolvimento estão 
acelerados 
- Influxo de células imunes 
para o miométrio. 
 
AUMENTA ↑ DIMINUI ↓ 
- FC 
- Volume sistólico 
- DC 
- Pressão venosa dos 
membros inferiores 
 
- Resistência 
vascular periférica 
- PA 
VICTORIA CHAGAS 
❖ SISTEMA ENDÓCRINO 
 
 A produção placentária gera novo equilíbrio nos eixos hormonais 
 Placenta produz: lactogênico placentário, GnRH, hormônio liberador de corticotrofina, 
TRH, somatostatina e hormônio liberador do hormônio de crescimento - CHRH (hormônios 
semelhantes aos produzidos pelo hipotálamo) 
 
 
 Função das paratireoides está intimamente ligada ao metabolismo de cálcio: 
- A demanda de cálcio na gestação é maior em função da unidade fetoplacentária que 
absorve cálcio e outros elementos para formação do esqueleto