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APOSTILA GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (G

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 O desprendimento do ombro posterior ocorre por elevação e completa-se a expulsão da 
cintura escapular. 
 Após ombros o resto é prontamente expelido, não apresentando maior resistência. 
 
INDUTORES DO PARTO 
 Indicações → ruptura precoce da membrana; pós-termo; feto grande 
 Contraindicações → gestação múltipla; placenta prévia; sofrimento fetal; malformações 
uterinas e anormalidade da pelve materna 
 
o OCITOCINA 
 Estimula contrações → em infusão endovenosa tem ação em 3 a 5 minutos 
 Complicações → hiperestimulação uterina (>5 em 10min); hiponatremia e hipotensão. 
 Não usar concomitante com prostaglandinas → esperar 4 horas 
 
o MISOPROSTOL 
 Amolece colo uterino e facilita dilatação → maturação cervical 
 Análogo da prostaglandina E1 
 Contraindicações → cesárea anterior; cirurgia uterina prévia; asma; uso concomitante 
com ocitocina e placenta prévia. 
 
VICTORIA CHAGAS 
PUERPÉRIO 
 Puerpério/pós-parto é o período que tem início após a dequitação e se estende até 6 
semanas completas após o parto. 
 Ao final desse período, condições maternas retornam ao estado pré-gravídico. 
 No entanto, como nem todos os sistemas maternos retornam ao estado pré-gravídico em 
6 semanas, alguns autores consideram o puerpério até 12 meses após o parto. 
 As mamas não retornam ao estado pré-gravídico. 
 
• Classificação Zugaib: 
o Puerpério imediato: até o térmico da 2ª hora pós-parto; 
o Puerpério mediato: do início da 3ª hora até o final do 10º dia; 
o Puerpério tardio: do início do 11º dia até o retorno da menstruação, ou 6 a 8 semanas 
nas lactantes. 
• Classificação Mãe Curitibana: 
o Puerpério imediato: 1º ao 10 dia pós-parto; 
o Puerpério tardio: 11º ao 45 dia pós-parto; 
o Puerpério remoto: após o 45º dia. 
 
❖ MODIFICAÇÕES ANATÔMICAS E FISIOLÓGICAS 
 
o INVOLUÇÃO UTERINA 
 
 Inicia após dequitação 
 Mais rápido em mulheres que amamentam (ocitocina → contrações) 
 O útero contraído comprime os vasos sanguíneos dando aspecto isquêmico comparado 
ao da gestante. 
 Trombotamponamento → evitar hemorragias 
 Relacionada com: paridade, tipo de parto e amamentação. 
 Redução do volume das células do músculo liso 
 Subinvolução → as vezes não retorna por infecção 
ou remodelação das artérias do útero. 
 
 MEDIDAS: 
- Fundo uterino atinge cicatriz umbilical em 24 horas 
- Atinge borda posterior da sínfise púbica no 12º dia 
- Em duas semanas não é mais palpável no abdome e 
em 6 a 8 semanas atinge suas dimensões pré-gravídicas 
- Peso vai de 1 kg pós-parto para 60g em 6/8 semanas 
 
 CÓLICAS → nos primeiros 3 dias 
- Mais intensas em multíparas e se intensificam com 
amamentação (ocitocina) 
- Primeiras 12 horas são coordenadas, regulares e fortes 
 
 LÓQUIOS E REGENERAÇÃO ENDOMETRIAL → Após a dequitação da placenta, sobra a 
porção basal da decídua. Essa decídua se divide em: 
→ Camada superficial: que sofre descamação (LÓQUIOS) 
→ Camada profunda: que faz a regeneração do novo endométrio 
- Até o 16º dia, o endométrio recobre completamente a cavidade endometrial 
- Esse processo de regeneração da ferida placentária, associado à involução, leva a produção 
e eliminação de exsudatos e transudatos (lóquios), que consistem, microscopicamente, em 
eritrócitos, leucócitos, porções da decídua, células epiteliais e bactérias. 
VICTORIA CHAGAS 
- Durante os primeiros dias depois do parto, há sangue 
suficiente para conferir uma coloração avermelhada 
(lóquios rubros). Depois de 3 a 4 dias, os lóquios 
tornam-se progressivamente pálidos (lóquios serosas). 
Depois de cerca de 10 dias, em razão de uma mistura 
de leucócitos e da redução do teor de líquidos, os 
lóquios adquirem uma coloração esbranquiçada ou 
amarelo-esbranquiçada (lóquios brancos). 
- A duração média dos lóquios varia de 24 a 36 dias, 
mas pode durar até 8 semanas 
 
o COLO UTERINO 
 
 Colo uterino encontra-se amolecido, 
com pequenas lacerações nas 
margens do orifício externo, que 
continua dilatado. 
 À medida que a dilatação regride, o 
colo uterino toma-se mais espesso, e 
há reconstrução do canal cervical. 
 O orifício externo apresenta zona 
transversa de cicatrização (forma de 
fenda) → permitindo distinguir, na 
maioria dos casos parto vaginal 
anterior daquela nulípara ou submetida a cesárea. 
 O reparo total do colo dura entre 6 e 12 semanas. 
 
o TUBAS UTERINAS 
 
 Durante a gestação, o epitélio apresenta-se não ciliado, por conta do desequilíbrio entre 
estrógeno e progesterona 
 Após o parto, com redução dos níveis de estrógeno e progesterona, há extrusão dos 
núcleos de células ciliadas e redução do tamanho das ciliadas e não ciliadas 
 Essa redução de células ciliadas auxilia na prevenção de outra gravidez 
 
o VULVA E VAGINA 
 
 No pós-parto encontra-se alargada e lisa 
 Redução é gradual e raramente se iguala ao pré-gravídico 
 Rugosidade reaparece na 3ª semana 
 Hímen cicatriza → carúnculas himenais 
 Musculatura da pelve fica frouxa 
 
o PAREDE ABDOMINAL E PERITÔNIO 
 
 Logo após o parto, a musculatura fica frouxa, mas volta ao normal em algumas semanas 
 No entanto, pode haver persistência da diástase do músculo reto do abdome 
 Pele pode se manter frouxa 
 Ligamentos largo e redondo requerem tempo para 
recuperar-se do estiramento e afrouxamento 
 Parede abdominal permanece mole e flácida, por 
conta da ruptura das fibras elásticas da pele e 
distensão prolongada, causada pelo útero gravídico 
 Recuperação facilitada por exercícios 
 
VICTORIA CHAGAS 
o ALTERAÇÕES SANGUÍNEAS E PLASMÁTICAS 
 
 Durante a gestação, há aumento de 30% na quantidade de eritrócitos. 
 Após o parto, ocorre a perda de aproximadamente 14% da série vermelha. 
 Plaquetocitose (no começo, depois vai elevando) 
 Linfocitopenia relativa 
 Eosinopenia absoluta 
 Durante o trabalho de parto, há redução na quantidade de fibrinogênio, fator VIII e 
plasminogênio, atingindo o menor número no primeiro dia de puerpério. Entre o 3º e 5º dia 
pós-parto, o fibrinogênio normaliza 
 Débito cardíaco elevado nos primeiros 2 dias (10%), depois normaliza ao nível pré-
gestacional → devido eliminação da circulação uteroplacentária 
 Redução da hipervolemia gestacional 
 Sopro sistólico nas primeiras horas após o parto → fazer vigilância em pacientes cardiopatas 
 Resistencia vascular sistêmica fica baixa no começo, depois aumenta 
 Pressão venosa dos membros inferiores volta ao normal → diminui varizes 
 
o SISTEMA ENDÓCRINO 
 
 Após a dequitação, observa-se que o desaparecimento da fração beta da gonadotrofina 
coriônica humana (beta-hCG), que retoma seus valores normais entre 2 a 4 semanas após 
o parto, podendo levar um tempo maior. 
 Para as mulheres não lactantes, o retorno da menstruação após parto de termo varia de 7 
a 9 semanas, com média de 45 dias para nova ovulação → 70% das mulheres apresentam 
menstruação até 12ª semana depois do parto e dessas, 25% são precedidas por ovulação. 
 Mulheres lactantes têm atraso no retomo da ovulação, já que a prolactina inibe a 
liberação pulsátil do hormônio liberador da gonadotrofina (GnRH) pelo hipotálamo 
 
o PERDA DE PESO 
 
 Quase metade do peso adquirido durante a gestação é perdido nas 6 primeiras semanas 
 Perda imediata de 4,5 a 6 kg → feto, placenta, líquido amniótico e perda sanguínea. 
 Resto é perdido entre 5 semanas a 6 meses (28% voltam ao peso inicial) 
 Algumas mulheres não conseguem eliminar todo o peso ganho devido a alguns fatores: 
ganho excessivo de peso, negras, obesidade, interrupção do consumo de cigarros, idade 
materna, paridade, etnia, estado civil, intervalo entre gestações e tempo de retomo à 
atividade profissional. 
 A amamentação proporciona um maior gasto calórico também, mas essa contribuição não 
é tão expressiva na perda ponderal no puerpério. 
 
o ALTERAÇÕES DERMATOLÓGICAS 
 
 Aparecimento