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II Curso de ECG pela LiCardio

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II CURSO DE ECG 
 
 
 
 
AUTOR: MARIANA SERAPIÃO REBELIN 
CO-AUTOR: TÁSSIA FALLER TETEMANN 
REVISÃO: DR. PAULO BERNARDES 
DEFININDO UM ELETROCARDIOGRAMA... 
Mariana Serapião Rebelin 
 
O eletrocardiograma (ECG) é o registro da atividade elétrica durante o ciclo cardíaco. É feita a partir de um aparelho 
(eletrocardiógrafo) que registra a diferença de potencial entre dois pontos do corpo com eletrodos de superfície 
posicionados em locais padronizados. 
 
1. Histórico: 
O advento da eletrocardiografia possibilitou o avanço nos diagnósticos dentro da cardiologia, principalmente relacionada 
às arritmias e cardiopatias isquêmicas. Três grandes cientistas que contribuíram com esse feito, sendo eles Willem 
Einthoven, Thomas Lewis e Frank Wilson. Einthoven criou, em 1901, o primeiro galvanômetro de corda, instrumento que 
fundamentou o primeiro registro eletrocardiográfico. Também desenvolveu o esquema do triângulo equilátero sobre as 
derivações bipolares, baseando-se na direção dos potenciais de ação do coração e sua relação com ECG. Lewis se 
dedicou até 1920 aos estudos sobre arritmias e, posteriormente, concentrou-se nas alterações das ondas no ECG. 
Wilson iniciou os estudos das derivações unipolares em 1934, o que permitiu, posteriormente, a padronização das 12 
derivações. Assim, houve importantes descobertas em relação à tecnologia e à eletrofisiologia e, apesar de suas 
limitações, a eletrocardiografia se estabeleceu como um exame de baixo custo, disponível, rápido, de fácil execução e 
muito útil na avaliação cardiológica de modo geral. 
 
2. Dipolo e vetores: 
Dipolo pode ser definido como um conjunto formado por duas cargas de 
mesmo valor numérico, porém com sinais ou polaridades diferentes, 
separadas por uma determinada distância. As células do miocárdio, em 
repouso, possuem em sua porção externa mais íons positivos e, na 
interna, íons negativos. Quando há um estímulo no coração pelo nó 
sinusal, há abertura de canais que geram influxo de sódio e efluxo de 
potássio, fazendo com que as cargas se invertam e ocorra a 
formação do dipolo. O dipolo pode ser representado como um vetor que 
se origina a partir de cargas negativas (polo negativo) em direção a uma 
extremidade positiva (polo positivo), logo, possui o mesmo sentido da 
despolarização e sentido contrário à repolarização. Como resultado, os 
eletrodos registram ondas baseadas nesses vetores, em que uma onda 
positiva corresponde à extremidade de um vetor e uma onda 
negativa, a origem de um vetor. 
 
 
3. Despolarização do coração: 
A atividade elétrica se inicia no nó sinusal ou sinoatrial com uma 
frequência de 50 a 100 bpm. A partir da propagação do estímulo para os 
feixes internodais, ocorre a despolarização do átrio direito, e, posteriormente, 
para os fascículos de Bachmann, onde ocorre a despolarização do átrio 
esquerdo. A união das duas despolarizações é representada no ECG como 
onda P. Após a ativação atrial, o estímulo chega ao nó atrioventricular com 
um retardo fisiológico de aproximadamente 20 a 40ms, refletida como 
intervalo PR. Após, o impulso segue pelo Feixe de Hiss e Fibras de 
Purkinje, gerando a despolarização dos ventrículos direito e esquerdo, 
representado como complexo QRS. 
 
SIMPLIFICANDO, PODE-SE DIZER QUE A DESPOLARIZAÇÃO 
DOS ÁTRIOS E VENTRÍCULOS OCORRE “DE CIMA PARA 
BAIXO, DA DIREITA PARA A ESQUERDA”. 
 
É importante ressaltar que, concomitante a despolarização dos ventrículos, 
ocorre a repolarização atrial, sendo sobreposta pela onda do QRS pela 
massa do átrio ser inferior à do ventrículo. Em seguida, temos a repolarização ventricular, representada pela onda T. 
 
 
 
4. Derivações: 
Na superfície do corpo podem ser notadas diferenças de 
potencial devido aos eventos elétricos do coração a partir da 
colocação de eletrodos em pontos específicos. Cada 
derivação representará o registro de dois eletrodos, na 
qual os polos elétricos são diferentes, gerando uma resultante 
que será representada no ECG. As derivações foram 
classificadas em três: bipolares, unipolares e precordiais. 
 
4.1 Derivações do plano frontal 
As bipolares são derivações com dois polos: positivo e 
negativo – foram retratadas pelo Triângulo de Einthoven – e 
são representadas por: DI, DII e DIII. 
As unipolares – cujo vetor gerado no coração aponta para o 
local de maior positividade – são: aVR, aVL e aVF. 
 
4.2 Derivações no plano horizontal 
São representadas pelas derivações precordiais nomeadas de 
V1 a V6 e se correlacionam com a atividade da parede do 
coração. 
 
4.3 Posição dos eletrodos 
As derivações aVR, aVL e aVF se localizam, respectivamente, no braço direito, braço esquerdo e perna esquerda. 
 
 D1, D2 e D3 representam os eixos localizados entre as derivações unipolares, sendo que: 
D1 corresponde ao eixo entre aVL e aVR; 
D2 corresponde ao eixo entre aVF e aVR; 
D3 corresponde ao eixo entre aVF e aVL. 
 
 Cada derivação corresponde a uma posição na superfície 
torácica, sendo que: 
V1: está no 4º espaço intercostal paraesternal direito; 
V2: está no 4º espaço intercostal paraesternal esquerdo; 
V3: está ponto médio entre V2 e V4; 
V4: está no 5º espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular; 
V5: está no 5º espaço intercostal esquerdo, na linha axilar anterior; 
V6: está no 5º espaço intercostal esquerdo, na linha axilar média. 
 
 
COMO É O VETOR EM RELAÇÃO AS DERIVAÇÕES PRECORDIAIS? 
 
 
V1 e V2 estão olhando para o VENTRÍCULO DIRETO 
V3 e V4 olham para MEIO DA SETA 
V5 E V6 olham para VENTRÍCULO ESQUERDO 
 
Em resumo, como está o QRS de V1-V6? 
V1 NEGATIVO 
V2 NEGATIVO 
V3 NEGATIVO E UM POUCO POSITIVO 
V4 POSITIVO E UM POUCO NEGATIVO 
V5 POSITIVO 
V6 POSITIVO 
 
5. Eixo 
O eixo corresponde a somas dos fluxos elétricos do 
coração representado em apenas um único vetor a 
partir das derivações frontais. Tomando o eixo x 
como referência, ele será o eixo inicial equivalente a 
0o que se chamará isoelétrico ou isodifásico, ou 
seja, nele há inscrições tanto positivas quanto 
negativas com amplitudes iguais. A partir do eixo 0o, 
há um eixo formado a cada 30º. Acima do eixo x 
os valores serão negativos (0 a -180º), e, abaixo 
dele, positivos (0 a +180º). 
Existem 2 maneiras práticas de determinar o eixo: 
01) deve-se observar se QRS em D1 (eixo 0º) 
e aVF (eixo +90º) é positivo ou negativo. 
Sua polaridade fará menção a cada 
quadrante das derivações frontais. Por 
exemplo: QRS positivo em D1 e positivo em 
aVF: observando tais referências nas 
derivações frontais, o eixo estará localizado 
entre 0 e 90º. 
02) Outra forma é encontrando a derivação isoelétrica. A partir dela, observa-se que o eixo sempre estará a 
90º. Por exemplo: a derivação isoelétrica está localizada em aVL. Como o eixo é perpendicular, irá se situar em 
+60º. 
 
6. Interpretando o ECG 
ECG é um registro gráfico em papel milimetrado (1mm equivale a 40ms e 0,1mV de 
amplitude) da atividade elétrica do coração, no qual reage aos batimentos. O eixo 
vertical corresponde à amplitude da onda e, horizontal, ao tempo. 
É composto por 12 derivações (DI, DII, DIII, aVR, aVL, aVF, V1, V2, V3, V4, V5 e 
V6) que, por sua vez, demonstra o traçado pertinente a área que a mesma cobre. Por 
exemplo, DIII está atrelada a parede inferior do coração, logo, se houver alguma 
alteração nessa derivação, o problema estará nessa parede. 
Entretanto, para que o 
diagnóstico seja feito é 
preciso de pelo menos 
2 derivações contíguas 
fora do padrão. Em 
cada traçado são 
exibidos ondas, 
intervalos e segmentos 
que formam o ECG 
padrão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenho concedido por Tássia F. Tetemann. 
Unidade de Ashman 
 
ONDA P 
É a primeira onda registrada no ECG padrão, na qual representa a despolarização atrial. A 
ativação começa superiormente no átrio direito (nó sinusal) e progride simultaneamente para 
o átrio esquerdo e inferiormente em direção ao nó atrioventricular (AV). Assim, dentro da 
onda P existe dois tipos de despolarização (primeiramente, a despolarização