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Bombas para a Indústria Petrolífera

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capazes de elevar uma descarga dupla da que se obteria com o rotor simples. 
As tubulações de entrada e de saída são solidárias com a parte inferior da 
carcaça da bomba de modo que, na operação e reparos, não haja necessidade 
de desaparafusar os flanges. 
O acionamento pode ser por motores elétricos, turbinas a gás, ou por 
engrenagens redutoras, como é o caso do oleoduto de Idris a Zueitina, na 
Líbia, para descarga de 7.600 m³/h e a altura manométrica de 132 metros, com 
três bombas de 4.330 c.v. em série e rotação específica de 1.500 rpm, sendo o 
equipamento da fabricante Sulzer. 
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No oleoduto de Serir a Tobruk, na África, a Sulzer forneceu duas 
bombas de descarga unitária de 3.096 m³/h e altura manométrica de 428 
metros. A potência de cada bomba é de 4.450 c.v. e rotação específica de 
3.700 rpm. As bombas são de um estágio, aspiração bilateral. Não foram 
encontradas informações acerca das outras bombas que compõem as demais 
estações intermediárias deste oleoduto. 
As bombas de estações intermediárias num oleoduto são geralmente de 
eixo vertical, um estágio, sucção única. Podem ser utilizadas bombas rotativas 
para o transporte de óleo em pequenas e médias capacidades. 
Nos terminais de armazenamento de petróleo e derivados há 
necessidade de bombas para enchimento de petroleiros ou caminhões-tanque. 
Aí se utilizam bombas centrífugas quer de eixo horizontal quer vertical. Para 
manobras de enchimento e esvaziamento dos reservatórios, têm sido usadas 
bombas de eixo vertical, múltiplos estágios, colocadas num reservatório 
hermético (can type, ilustrado na Figura 6). Consegue-se com isso atender às 
características de aspiração extremamente desfavoráveis para líquidos 
bombeados em temperaturas superiores às correspondentes à pressão de 
vaporização e às pressões de recalque exigidas. 
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Figura 6 - Bomba Centrífuga de Eixo Vertical de Reservatório Hermético (can type). Retirado de 
SULZER PUMPS. SJD Vertical Multistage Can Pumps ISO 13709 (API 610) for Process Applications. 
Disponível em: 
<http://www.sulzerpumps.com/Portaldata/9/Resources/brochures/power/vertical/SJD_API610_E100
03.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2011. 
 
Refinarias 
 
As bombas para as refinarias (bombas de processo), como, aliás, todas 
as que se destinam a bombeamento de petróleo e derivados, obedecem a 
rigorosas exigências do API, dadas as características próprias dos produtos 
bombeados, que requerem precauções capazes de oferecer a indispensável 
segurança. 
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A variedade de bombas é muito grande, pois as condições de operação 
são muito diversificadas. 
Assim, há produtos de destilação do petróleo com densidade igual a 600 
kg/m³ e outros produtos de densidade maior que a da água. A viscosidade 
varia de valores inferiores aos da água até valores que caracterizam líquidos 
que não convém ser bombeados com bombas centrífugas, exigindo bombas 
rotativas. As temperaturas atingem até 450°C e as pressões podem ultrapassar 
100 kgf/cm². Os produtos bombeados podem ser inertes como água pura ou 
extremamente corrosivos, exigindo aços inoxidáveis especiais. Os motores 
elétricos que acionam as bombas de líquidos inflamáveis devem ser à prova de 
explosões. 
O American Petroleum Institute, no seu API Standard 610: Centrifugal 
Pumps for Petroleum, Petrochemical and Natural Gas Industries, apresenta 
especificações detalhadas de construção e fabricação abrangendo as bombas 
centrífugas para as mais variadas utilizações em refinarias, indústrias 
petroquímicas e de gás natural. Este é apenas um exemplo das normas do API 
relacionadas a bombas. Podem ser citadas várias outras, como a API Standard 
676: Positive Displacement Pumps – Rotary (para bombas rotativas de 
deslocamento positivo) ou como as normas de numeração API681 (bombas de 
vácuo e compressores) e API685 (bombas sem selo - magnéticas). 
Citando exemplo de uma exigência básica aplicável à grande parte das 
bombas de refinaria e indústria petroquímica, a carcaça de uma bomba deve 
conter as bocas de aspiração e recalque dispostas segundo o plano axial e 
fixadas à base para não ser necessária a desmontagem e desconexão das 
tubulações quando for preciso efetuar reparos na parte interna da bomba, de 
forma que o conjunto eixo-rotor-mancais-caixa de gaxetas e suporte deve ser 
desmontado e separado da carcaça fixa e do motor elétrico bastando 
desconectar a junta ou os flanges de ligação do eixo do motor (sistema back 
pull-out, exemplificado na Figura 7). 
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Figura 7 - Sistema back pull-out. Retirado de NESBITT, Brian. Handbook of Pumps and Pumping. 
Oxford: Elsevier Science & Technology Books, 2006. 470 p. 
Quando no processamento ocorrem exigências de NPSH que obrigam a 
instalação com bombas afogadas, uma opção consiste no emprego de bomba 
de eixo vertical, com um ou mais estágios, ficando a bomba no interior de uma 
caixa metálica cilíndrica de sucção (can type), à qual se acham ligados os 
encanamentos que aduzem e os que recalcam o líquido. Nas instalações de 
transferência e carga de líquidos, quando os reservatórios são enterrados, a 
solução se apresenta muito vantajosa, como foi citado anteriormente. 
 
Exploração de Petróleo na Camada Pré-Sal 
 
 A Petrobrás informa, através de seu sítio próprio na internet, que o 
bombeamento de petróleo presente na camada pré-sal deverá ser feito com 
algumas características diferentes da tradicional produção de petróleo. A 
Figura 8 ilustra qualitativamente a profundidade dos poços a serem explorados 
na camada pré-sal. 
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Figura 8 - Ilustração qualitativa da profundidade mínima dos poços a serem explorados na camada 
pré-sal. Retirado de PETROBRAS. Atuação no Pré-Sal. Disponível em: 
<http://www.petrobras.com.br/pt/energia-e-tecnologia/fontes-de-energia/petroleo/presal/>. Acesso 
em: 17 jun. 2011. 
 As particularidades começam já no tipo de tubulação que será utilizada: 
dadas as altas pressões a serem enfrentadas nas rochas e na camada de sal, 
de poços localizados sob cerca de 3.000 metros de coluna de água e 4.000 
metros de rochas entre as camadas pós-sal, sal e pré-sal, estuda-se o uso de 
aços e cimento especiais para o revestimento dos poços. 
 O gradiente de temperatura existente entre o interior dos poços e as 
águas oceânicas poderá causar precipitações no óleo em escoamento. Para 
tanto, pesquisadores da petrolífera estatal brasileira estudam possíveis 
compostos a serem injetados em pontos intermediários do escoamento a fim 
de dissolver ou evitar a ocorrência de precipitações enquanto o óleo é 
bombeado até as plataformas de exploração. Estuda-se também a 
possibilidade de manter os tubos termicamente isolados e até mesmo 
aquecidos para evitar choques térmicos muito bruscos. 
 
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Recuperação de Óleo Espalhado no Mar 
 
O óleo espalhado no mar devido a vazamentos, acidentes em navios-
tanque, operações de bombeamento para enchimento ou esvaziamento de 
navios petroleiros ou ruptura de oleodutos submarinos pode ser recolhido da 
superfície por meio de embarcações dotadas de dispositivos especiais de 
captação, separação e armazenagem. 
As embarcações tradicionais para a recuperação de petróleo no mar 
normalmente são barcos de dois cascos (tipo catamaran) e contam com uma 
correia transportadora para recolher o óleo mais viscoso e uma barragem feita 
de material leve que recupera o óleo emulsionado e menos denso. Uma bomba 
de engrenagens faz então o transporte da mistura de óleo e água recuperados 
até um reservatório, de onde o a mistura deverá seguir a uma unidade de 
separação destes líquidos. 
Em 2007, um grupo de pesquisadores europeus começou a desenvolver 
um navio de recuperação de óleo com uma estrutura de três cascos (trimaran) 
com cerca de 138 metros de comprimento e 38 metros de largura. Os dois 
cascos laterais tem a função de ajudar a estabilizar o navio em condições 
climáticas adversas, tornando a embarcação apta a operar