APOSTILA_PESQUISA_DE_PRECOS
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APOSTILA_PESQUISA_DE_PRECOS


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PREÇO DE REFERÊNCIA 
EM COMPRAS PÚBLICAS 
(ÊNFASE EM MEDICAMENTOS) 
Franklin Brasil 
PROJETO DE MELHORIA DOS CONTROLES INTERNOS MUNICIPAIS 
FOCO EM LOGÍSTICA DE MEDICAMENTOS 
SUMÁRIO 
Apresentação _____________________________________________________________ 3 
1. Não é \u201capenas estimativa\u201d ________________________________________________ 4 
2. Desmistificando os \u201cTrês Orçamentos\u201d _______________________________________ 6 
2.1 \u2013 Os \u201ctrês orçamentos\u201d e o TCE/MT _____________________________________________ 9 
3.Conceitos e Entendimentos ________________________________________________ 10 
3.1 \u2013 Definições básicas _________________________________________________________ 10 
3.2 \u2013 Estimado x Máximo ________________________________________________________ 11 
3.3 \u2013 Cesta de Preços Aceitáveis __________________________________________________ 12 
3.4 \u2013 Evitar Referências Distorcidas ________________________________________________ 14 
3.5 \u2013 Responsabilidade __________________________________________________________ 15 
3.6 \u2013 Formalização _____________________________________________________________ 17 
3.7 \u2013 Preço referencial em contratação direta _______________________________________ 18 
3.8 \u2013 Cálculo de sobrepreço ______________________________________________________ 18 
3.9 \u2013 Planejamento da compra ___________________________________________________ 19 
3.10 \u2013 Banco de Preços __________________________________________________________ 20 
4.Como priorizar o que é mais importante _____________________________________ 21 
4.1 \u2013 Montagem da curva ABC ____________________________________________________ 25 
5.Como obter preços de referência ___________________________________________ 29 
5.1 \u2013 Especificação do objeto _____________________________________________________ 30 
5.2 \u2013 Fontes de referência _______________________________________________________ 32 
5.2.1. Preços praticados e registrados na Administração Pública ________________________________ 32 
5.2.2. Mídia especializada, páginas especializadas ou de domínio amplo na Internet _______________ 34 
5.2.3. Cotação de fornecedores __________________________________________________________ 35 
5.3 \u2013 Preços de referência de medicamentos ________________________________________ 37 
5.3.1. Preço máximo ___________________________________________________________________ 37 
5.3.2. Banco de Preços em Saúde (BPS) ____________________________________________________ 38 
5.3.3. Levantamento de preços da CGU ____________________________________________________ 39 
6.Como tratar os dados coletados ____________________________________________ 40 
6.1 \u2013 Média e Mediana __________________________________________________________ 41 
6.2 \u2013 Média Saneada ____________________________________________________________ 41 
6.2.1. Cálculo da Média Saneada _________________________________________________________ 41 
6.2.2. Coeficiente de Variação (CV) _______________________________________________________ 42 
6.3 \u2013 Média Ponderada __________________________________________________________ 43 
Referências ______________________________________________________________ 44 
 
 3 
 
APRESENTAÇÃO 
 Toda compra pública exige a prévia definição de um preço de referência. 
O desafio está em como obter esse parâmetro. A legislação cita diversas vezes \u201cpreço\u201d (de mercado, 
estimado, aceitável, máximo, mínimo, simbólico, irrisório, excessivo, menor, melhor, global, unitário), 
mas a metodologia ainda é pouco explorada, tanto em termos normativos quanto em materiais de 
apoio e capacitação. 
Na Assistência Farmacêutica não é diferente. Existe o Banco de Preços em Saúde (BPS), que 
armazena os preços praticados em compras institucionais de medicamentos e produtos médico-
hospitalares. E também existe a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), 
responsável por estabelecer limites de preços. 
Mesmo com o BPS e as listas da CMED, o mercado de medicamentos 
é caracterizado por expressivas variações de preços nas aquisições do 
setor público. E um dos fatores que mais contribui para esse cenário 
é a estimativa precária dos preços de referência. 
Esse é um problema crítico, diagnosticado na avaliação de controles 
internos dos processos de logística de insumos da saúde nos 
municípios de Mato Grosso, projeto conduzido em parceria pelo TCE, 
CGU e Controladorias municipais. 
Diante desse cenário e considerando que essa é uma deficiência de 
controles internos que afeta não apenas as compras de insumos da 
saúde, mas todas as compras públicas, este material se propõe a 
orientar os procedimentos para definição de preços referenciais. 
Em síntese, abordaremos o tema sob três aspectos: priorizar os 
elementos mais relevantes, obter dados de referência e tratar os 
dados obtidos. 
Assim, esperamos contribuir para aumentar a eficiência da gestão 
pública e a melhorar a qualidade dos serviços prestados aos 
cidadãos, reduzindo o desvio e o desperdicio do dinheiro público. 
Este material não trata da contratação de serviços ou obras, objetos 
com características próprias, que exigem metodologias, fontes e 
tratamento específicos para definição de preços de referência. 
Sobre o autor 
Franklin Brasil é Auditor da CGU 
desde 1998; Bacharel em 
Computação pela UFMT; Mestre 
em Controladoria e 
Contabilidade pela FEA/USP; 
palestrante e facilitador em 
eventos de capacitação de 
servidores públicos, com ênfase 
na contratação de serviços 
terceirizados e detecção de 
fraudes em licitações; fundador 
e principal colaborador do 
NELCA, grupo que congrega mais 
de 1.500 compradores públicos 
do país; vencedor do \u201cPrêmio 
Professor Lino Martins\u201d, 
promovido pela Assoc. dos 
Servidores do Controle Interno 
do Estado do Rio de Janeiro - 
ASCIERJ em 2014. Vencedor do 
\u201cPrêmio Chico Ribeiro\u201d de 
Artigos Científicos sobre 
Informação de Custos e 
Qualidade do Gasto no Setor 
Público, promovido pela ESAF 
em 2015.. 
 4 
 
1. NÃO É \u201cAPENAS ESTIMATIVA\u201d 
Em 2013, o Governo do Distrito Federal (GDF) queria comprar R$ 85 milhões em medicamentos para 
o tratamento de câncer. Mas auditores do Tribunal de Contas suspeitaram dos preços estimados e 
pesquisaram os registros do Comprasnet. 
Os resultados assustaram: produto estimado em R$ 3.390,00 tinha registro de R$ 34,80: diferença 
de 10.000%. De modo generalizado, os preços estimados pelo GDF estavam muito acima dos preços 
praticados por outros órgãos da Administração Pública. 
Redefinidos os referenciais, a estimativa de R$ 85 milhões caiu para R$ 12 milhões. 
O mais impressionante, porém, nem foi essa variação estratosférica. Foi a opinião do GDF. Em nota, 
a Secretaria de Saúde informou que \u201ca estimativa de preço é apenas estimativa. O que realmente 
vale é o valor final da licitação (menor preço)\u201d (http://g1.globo.com). 
Se você, leitor, também pensa assim, por favor, pare agora! (de pensar assim, não de ler!). Vamos 
combinar desde agora: preço referencial não é \u201capenas estimativa\u201d. 
Toda compra pública está submetida a regras de licitação, destinada a selecionar a proposta mais 
vantajosa. Em geral, isso significa a proposta com o menor preço. 
É a pesquisa de preços que fundamenta o julgamento da licitação, definindo o preço de referência. 
O preço de referência tem diversas finalidades: suporte ao processo orçamentário da despesa; 
definir a modalidade de licitação conforme a Lei 8.666/93; fundamentar critérios de aceitabilidade 
de propostas; fundamentar a economicidade da compra ou contratação ou prorrogação contratual; 
justificar a compra no sistema de registro de preços. 
A pesquisa de preços pode representar até 45% de todo o tempo dedicado ao processo licitatório 
(Casagrande, Cestari e Motta, 2012). E