AULA 3 INT_LOG_EMP_01_PDF_2017_ACE
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 curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com
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 Editora Senac São Paulo.
Capítulo 3
A logística e a 
infraestrutura 
brasileira
Ao abordarmos o assunto de infraestrutura no Brasil, seja qual for 
a ótica, nos deparamos com uma série de limitações que, na maioria 
das vezes, culminam na falta de investimentos por desinteresse, seja 
governamental, seja de empresas privadas ou mesmo da comunidade.
Analisando o contexto histórico, podemos identificar que o tema in-
fraestrutura começou a ser tratado com mais afinco durante a década 
de 1950, como Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitschek, 
que visava atrair empresas multinacionais do segmento automotivo, 
investindo na infraestrutura da região do litoral de Santos e do Grande 
ABC (municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e São 
Caetano do Sul), no estado de São Paulo. Nessa fase política, houve 
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.o investimento nas rodovias para que possibilitassem a expansão da 
produção de veículos, ocasionando um aumento de volume e oportu-
nidades para todos os envolvidos na cadeia automotiva.
Após esse período, podemos observar um novo investimento com 
essa finalidade em 2007, quando, por meio da análise da infraestrutura, 
foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que bus-
cava a redução da precariedade em quatro áreas principais: logística, 
saneamento, energia e habitação.
Como evolução e com a reavaliação de alguns pontos, em 2012 foi 
lançado o PAC 2, que, segundo afirma o Ministério do Planejamento 
(BRASIL, 2014a), entrou na sua segunda fase \u201c[...] com o mesmo pensa-
mento estratégico, aprimorado pelos anos de experiência da fase ante-
rior, mais recursos e mais parcerias com estados e municípios, para a 
execução de obras estruturantes que possam melhorar a qualidade de 
vida nas cidades brasileiras\u201d.
Segundo o Banco Mundial, na quarta edição do Connecting to 
compete: trade logistics in the global economy (THE WORLD BANK, 
2014), os problemas com a infraestrutura ficam evidentes no Índice 
de Eficiência Logística, criado em 2007, no qual o Brasil ocupa o 65o 
lugar em uma lista de 160 países.
O crescimento sustentável e a perda de receitas de algumas regiões 
do Brasil por falta de recursos adequados e suficientes têm sido a preo­
cupação do governo e das empresas privadas, pois impactam direta-
mente os resultados, a renda e o aumento de eficiência no processo.
Neste capítulo, faremos a apresentação e a análise da infraestrutu-
ra logística no Brasil e dos impactos sofridos pelos negócios diante da 
precariedade dos recursos.
A logística e a infraestrutura brasileira 33
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1 Panorama da estrutura logística no Brasil
O conceito de infraestrutura logística abrange todos os elos da ca-
deia logística de um produto ou serviço: terminais, centros de distribui-
ção (CDs), vias de escoamento, entre outros. As decisões como quantos 
CDs operar, em quais localizações, quais modais de transporte utilizar, 
qual quantidade de veículos manter, como dimensionar os terminais in-
termodais e que capacidades de equipamentos são adequadas preci-
sam considerar a disponibilidade da infraestrutura no país.
A falta de infraestrutura adequada causa problemas para um país, re-
gião ou comunidade. Ela faz com que custos adicionais sejam agrega-
dos aos processos em virtude da ineficiência, o que consequentemente 
trará para as empresas uma perda de sua competitividade.
De acordo com o contexto histórico brasileiro, observa-se que o in-
vestimento principal no modal rodoviário inviabilizou a expansão e até 
mesmo a evolução de outros modais quanto ao volume e ao tipo de car-
ga transportada. Como exemplo, destacamos a malha ferroviária, que, 
desde a década de 1950, pouco evoluiu.
1.1 Comparativo entre o Brasil e o mundo
Para entendermos melhor os números apresentados no Brasil, é im-
portante posicioná­lo e compará­lo com outros países para observar-
mos o quanto ainda há de se evoluir.
Enquanto os custos de frete representam 6% do Produto Interno 
Bruto (PIB) nos países europeus, 8% nos Estados Unidos e 10% nas 
outras nações do grupo conhecido como Brics (Rússia, Índia, China 
e África do Sul), no Brasil eles alcançam 12%, diz Paulo Resende, 
coordenador de infraestrutura e logística da Fundação Dom Cabral, 
que consolidou dados das consultorias Datamonitor e Instituto de 
Logística e Supply Chain (IBRALOG, 2012).
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.A velocidade com que a infraestrutura brasileira evoluiu ainda é pe-
quena e faz com que as empresas, principalmente as atuantes na área 
de logística, não tenham a mesma competitividade se comparadas a 
mercados internacionais.
O Brasil possui um volume muito grande em termos de custos e im-
postos dentro das operações, encarecendo todas as etapas do processo. 
Esses custos muitas vezes são causados pela precariedade da infraes-
trutura existente, que não privilegia outros modais comparativamente ao 
rodoviário e a multimodalidade das operações, que poderia levar a melho-
res resultados de desempenho da cadeia logística como um todo.
Figura 1 \u2013 Evolução do Brasil no ranking mundial de logística
71
61
51
41
31
21
2007
61
2010
41
45
65
2012 2014
11
1
Fonte: adaptado de Julianelli (2015). 
Esse gráfico apresenta as posições nas quais o Brasil foi classifica-
do, segundo o Connecting to compete: trade logistics in the global eco-
nomy, quanto à sua infraestrutura. Observamos o país, em 2007, na 61a 
posição, passando para a 41a posição em 2010, para a 45a posição em 
2012 e para a 65a posição em 2014. Isso demonstra que a posição do 
Brasil caiu. De 2012 para 2014, a queda foi de vinte posições, demons-
trando que o investimento tem sido cada vez menor nessa área, aumen-
tando sua precariedade.
Em estudos mais recentes do Fórum Econômico Mundial (WORLD 
ECONOMIC FORUM, 2015), o Brasil aparece na 77a posição dentre as 
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140 nações que tiveram sua infraestrutura logística avaliada. Esse cená-
rio, combinado ao desarranjo político do país no ano de 2016, promove 
uma estagnação no investimento interno e principalmente externo, oca-
sionando um desaceleramento em todos os negócios.
1.2 Infraestrutura por modal
Vamos conhecer de forma mais profunda a situação da infraestru-
tura de cada modal no Brasil. Vale ressaltar que os dados mencionados 
são atualizados anualmente pelos órgãos responsáveis em cada moda-
lidade de transporte.
1.2.1 Modal ferroviário
A Confederação Nacional do Transporte (CNT, 2016) publicou