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62 - APOSTILA - MERCADO DE CAPITAIS

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financeiro, o que implica que também não há país nessa situação sem um 
bom sistema legal e judicial, pois a intermediação financeira não pode se desenvolver sem 
uma base jurídica adequada. 
De acordo com Assaf Neto (2014) o Sistema Financeiro Nacional foi estruturado 
e regulado pela Lei 4.595 da Reforma Bancária em 1964, seguida da Lei 4.728 de 14 
de julho de 1965, que disciplina o Mercado de Capitais e determina medidas para o seu 
desenvolvimento, já em 21 de setembro de 1988 ocorreu o estabelecimento dos bancos 
múltiplos, consolidando diversas atividades financeiras sob uma única entidade jurídica, 
por meio da Resolução 1.524/88, e finalmente em 22 de abril de 2002 se dá o início do 
novo sistema de pagamento brasileiro, trazendo benefícios como a redução no risco de 
liquidação financeira das transações bancárias e transferindo para o setor privado o risco 
de crédito do Banco Central, com instituições financeiras que apresentavam saldo negativo 
na conta de reserva bancária. A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 192, 
que o Sistema Financeiro Nacional deve promover o desenvolvimento equilibrado do país 
e servir aos interesses da coletividade. Expõe, ainda, que o mesmo será regulado por 
leis complementares, as quais irão dispor, inclusive, acerca da participação do capital 
estrangeiro nas instituições (BRASIL, 1988). 
A Lei n. 4.595 de 31 de dezembro de 1964 criou o Conselho Monetário 
Nacional, órgão superior do Sistema Financeiro Nacional, e dispôs acerca da política e 
das instituições monetárias, bancárias e creditícias. Referida legislação apresenta em 
seu artigo 1º a composição do Sistema Financeiro, o qual é constituído pelo Conselho 
13UNIDADE I Mercado Financeiro e o Sistema Financeiro Nacional
Monetário Nacional, Banco Central do Brasil, Banco do Brasil S.A., Banco Nacional de 
Desenvolvimento Econômico e demais instituições financeiras públicas e privadas (BRASIL, 
1964). Dentro desta composição, o Sistema Financeiro Nacional pode ser estruturado em: 
órgãos normativos, que são aqueles que determinam as normas gerais, propondo políticas 
públicas estratégicas; entidades supervisoras, as quais são responsáveis pela fiscalização 
do cumprimento das regras estabelecidas pelos órgãos normativos; e os operadores, que 
são os intermediários financeiros e atuam com o público (BACEN, 2018). A estrutura e os 
segmentos do Sistema Financeiro Nacional podem ser visualizados na figura 1, extraída do 
site do Banco Central do Brasil:
Figura 1: Estrutura do Sistema Financeiro Nacional
Fonte: Banco Central do Brasil (2020)
14UNIDADE I Mercado Financeiro e o Sistema Financeiro Nacional
De acordo com Assaf Neto (2014) o Conselho Monetário Nacional (CMN) é 
responsável por expedir diretrizes gerais para o bom funcionamento do Sistema Financeiro 
Nacional. Este conselho visa se adaptar o volume dos meios de pagamento às necessidades 
da economia, regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de 
pagamentos, orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras, propiciar 
o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, zelar pela liquidez e 
solvência das instituições financeiras, e coordenar as políticas monetária, creditícia, 
orçamentária e da dívida pública interna e externa. O principal executor das orientações 
do Conselho Monetário Nacional é o Banco Central do Brasil, uma autarquia vinculada 
ao Ministério da Fazenda, sendo também responsável por garantir o poder de compra da 
moeda nacional. 
Os principais objetivos do Banco Central, são os de zelar pela adequada liquidez 
da economia, manter as reservas internacionais em nível adequado, estimular a formação 
de poupança e zelar pela estabilidade e promover o contínuo aperfeiçoamento do sistema 
financeiro suas principais atribuições, sendo elas a de emitir papel moeda e moeda metálica, 
executar os serviços do meio circulante, receber recolhimentos compulsórios e voluntários 
das instituições financeiras e bancárias, realizar as operações de redesconto e empréstimo 
às instituições financeiras, regular a execução dos serviços de compensação de cheques e 
outros papéis, exercer a fiscalização de instituições financeiras, autorizar o funcionamento 
das instituições financeiras, estabelecer as condições para o exercício de quaisquer cargos 
de direção nas instituições financeiras, vigiar a interferência de outras empresas nos 
mercados financeiros e de capitais e controlar o fluxo de capitais estrangeiros no país. 
(WERNKE, 2008)
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é responsável por regulamentar, 
desenvolver, controlar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários no Brasil. De acordo com 
Wernke (2008) as funções da CVM são as de assegurar o funcionamento eficiente e regular 
dos mercados de bolsa de valores e de balcão, proteger os titulares de valores mobiliários, 
evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no mercado, assegurar o acesso 
ao público a informações sobre valores mobiliários negociados e sobre as companhias que 
os tenham emitido, assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado 
de valores mobiliários, estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores 
mobiliários, promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de 
ações, estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias 
abertas.
15UNIDADE I Mercado Financeiro e o Sistema Financeiro Nacional
A Superintendência de Seguros Privados uma autarquia vinculada ao Ministério 
da Fazenda responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguro, previdência 
privada aberta e capitalização. Dentre suas atribuições estão: 
• Fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e operação das 
Sociedades Seguradoras, de Capitalização, Entidades de Previdência Privada 
Aberta e Resseguradores, na qualidade de executora da política traçada pelo 
Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP;
• Atuar no sentido de proteger a captação de poupança popular que se efetua 
através das operações de seguro, previdência privada aberta, de capitalização 
e resseguro;
• Defender os interesses dos consumidores dos mercados supervisionados; 
• Promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos operacionais 
a eles vinculados, promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição; 
• Cuidar pela liquidez e solvência das sociedades que integram o mercado, 
disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas entidades, em especial os 
efetuados em bens garantidores de provisões técnicas, cumprir e fazer cumprir 
as deliberações do CNSP; 
• Exercer as atividades que por este forem delegadas e prover os serviços de 
Secretaria Executiva do CNSP. 
A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) é uma 
autarquia vinculada ao Ministério da Previdência Social, responsável por fiscalizar as 
atividades das entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão). A 
Previc atua como entidade de fiscalização e de supervisão das atividades das entidades 
fechadas de previdência complementar e de execução das políticas para o regime de 
previdência complementar operado pelas entidades fechadas de previdência complementar, 
observando, inclusive, as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo 
Conselho Nacional de Previdência Complementar. (BACEN, 2020)
16UNIDADE I Mercado Financeiro e o Sistema Financeiro Nacional
SAIBA MAIS
O Banco Central do Brasil tem mais de 50 anos. A realização de entrevistas orais com 
personalidades que contribuíram para a sua construção faz parte da memória dessa Ins-
tituição, que tão intimamente se vincula à trajetória econômica do país. Acesse o site do 
Banco Central do Brasil e entenda mais a história do tão importante Banco para o país. 
Fonte: BANCO CENTRAL DO BRASIL disponível em: https://www.bcb.gov.br/historiacontada/index.html
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