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62 - APOSTILA - MERCADO DE CAPITAIS

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Federal, Associações de Poupança e Empréstimo e demais espécies 
de instituições financeiras que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil a 
realizar operações de crédito imobiliário.
Rassier (2004) explicita detalhadamente os principais tipos de títulos emitidos pelas 
instituições não-financeiras sendo eles: 
Duplicatas: são originadas nas vendas a prazo ou na prestação de serviço, ocorrendo 
um acordo entre o comprador de bens ou o adquirente dos serviços que se compromete ao 
pagamento da obrigação após a entrega da coisa pelo vendedor ou a realização do serviço 
contratado. Assim, originando um crédito, no entanto, muitos compradores, não cumprem 
com a sua parte na obrigação comercial. Para originar a duplicata, é necessário elaborar 
uma fatura na qual conste na nota do vendedor, a descrição da mercadoria, discriminando 
a sua qualidade e quantidade, e o preço. A fatura é um documento que é confeccionado 
35UNIDADE II Ativos Financeiros
no ato da compra e venda mercantil ou da prestação de serviço, que apresentará todas as 
informações necessárias para a elaboração da duplicata, portanto, constitui-se uma prova 
do contrato de compra e venda mercantil (ALMEIDA, 2018; MARTINS, 2019).
Nota Promissória: Esses títulos são emitidos em busca de recursos para capital 
de giro, tendo o prazo máximo da emissão de 180 dias para as empresas de capital fechado 
e de 360 dias para empresas de capital aberto. Normalmente a nota promissória tem um 
rentabilidade acima do CDI, e remunera mais que os investimentos tradicionais do mercado. 
As companhias que emitem notas promissórias se beneficiam uma vez que conseguem 
um grande volume de dinheiro, a juros abaixo dos valores de mercado. Normalmente, as 
empresas lançam tais títulos através de corretoras de valores ou de instituições financeiras, 
que são responsáveis por intermediar as negociações entre os investidores, podendo ser 
com taxas prefixadas ou pós fixadas. (NEUBAUER; LIMA; GALARDI, 2006; CERBASI, 
2008)
Debêntures: é um título de crédito de longo prazo na qual é emitido por sociedades 
anônimas para captar recursos, visando a investimento ou a financiamento de capital de 
giro. Os debenturistas não possuem pedaços da empresa, como os acionistas, assim só 
recebem juros durante um determinado horizonte temporal. O seu rendimento depende 
das condições particulares de cada emissão. Como vimos na Unidade 1, esse título é muito 
utilizado pelas companhias de capital aberto que estão no mercado de capitais.
36UNIDADE II Ativos Financeiros
2. AÇÕES ORDINÁRIAS, PREFERENCIAIS, BRD, ETF, UNIT
O mercado de ações é uma das fontes de rendas da maioria dos investidores, 
as ações são títulos negociáveis nominativos, elas representam uma fração do capital 
social de uma empresa. Podemos entender a ação como a menor parcela do capital social 
das companhias ou sociedades por ações. É, portanto, um título patrimonial e, como tal, 
concede aos seus titulares, os acionistas, todos os direitos e deveres de um sócio, no limite 
das ações possuídas. (Bruni, 2005; Macedo Junior, 2010). 
Uma ação é um valor mobiliário, expressamente previsto em lei, no entanto, apesar 
de todas as companhias ou sociedades por ações terem o seu capital dividido em ações, 
somente as ações emitidas por companhias registradas na CVM, chamadas companhias 
abertas, podem ser negociadas publicamente no mercado de valores mobiliários. As ações 
são predominantemente escriturais, não necessitam emissão de certificado físico, mantidas 
em contas de depósito, em nome dos titulares e em instituição contratada pela companhia 
para a prestação desse serviço, em que a propriedade é comprovada através de extrato de 
posição acionária. As ações devem ser exclusivamente nominativas. (CVM, 2019).
A principal forma de participação dos acionistas nos resultados da companhia é 
a partir dos dividendos, juros sobre o capital próprio e as bonificações distribuídas pelas 
companhias. Esses pagamentos são realizados conforme o desempenho financeiro da 
empresa, uma vez que a companhia apresentou lucro, geralmente ocorre a distribuição 
de parte desses ganhos para os sócios. Assim parte desse lucro e o valor final que será 
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direcionado aos acionistas varia conforme uma série de fatores, incluindo, entre outros, 
a necessidade de investimentos para cumprir o plano de crescimento da empresa, o 
caixa disponível para a realização desse desembolso financeiro e os valores mínimos 
determinados pelo Estatuto Social da companhia (CVM, 2019).
 Outra maneira de remuneração dos acionistas é o direito de subscrição de capital, 
assim no momento de emissão de novas ações por parte da companhia, os atuais acionistas 
recebem o direito de subscrever prioritariamente essas ações, pelo preço de emissão e na 
proporção das ações já possuídas. Caso não tenha interesse em realizar a subscrição, é 
possível vender esse direito no mercado. 
Os investidores utilizam as ações principalmente pela possível valorização do preço 
das ações, porém não existe garantia de valorização. Ao contrário, o preço está sujeito a uma 
série de fatores internos e externos, não dependendo somente dos resultados da própria 
companhia, mas também das perspectivas para o setor em que ela atua e para a economia 
de uma forma geral. Em casos extremos, as ações podem, inclusive, perder totalmente seu 
valor, como é o caso, por exemplo, da liquidação de uma companhia (falência), em que todo 
o patrimônio seja usado para quitar as dívidas existentes. (CVM, 2019)
Como pode ser observado, o resultado de um investimento em ações depende 
fundamentalmente da gestão da companhia e das condições gerais da economia. Portanto, 
o investimento em ações é considerado como de renda variável estando sujeito a um alto 
risco, seja de mercado, inerente aos negócios empresariais e a economia. 
A legislação brasileira Lei 6.404/1976 admite a existência de diferentes espécies e 
classes de ações e, por isso, alguns direitos, especialmente os relacionados aos dividendos 
e direitos de voto, podem não ser iguais para todos os acionistas. O Estatuto Social das 
companhias define as características de cada espécie de ações, podendo ser:
Ação Ordinária (ON): Sua principal característica é conferir ao seu titular direito 
a voto nas assembleias de acionistas. Vale lembrar que a diferença que essa participação 
faz na administração da empresa depende da quantidade de ações ordinárias que um 
investidor possui. Ou seja, quanto mais ações ordinárias, mais poder de voto um investidor 
tem. Assim sendo, os grandes acionistas conseguem influenciar mais os rumos do negócio 
do que os pequenos investidores.
Ação Preferencial (PN): Normalmente, o Estatuto retira dessa espécie de ação 
o direito de voto. Em contrapartida, concede outras vantagens, tais como prioridade na 
distribuição de dividendos ou no reembolso de capital. As ações preferenciais podem ser 
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divididas em classes, tais como, classe “A”, “B” etc. Os direitos de cada classe constam do 
Estatuto Social.
Brazilian Depositary Receipt (BDR): são ações de empresas estrangeiras que os a 
investidores brasileiros podem, através de certificados emitidos por instituições depositárias 
brasileiras, negociar no Brasil, Bolsa, Balcão (B3), a partir de recibos de ações que estão 
atrelados às ações originais sob custódia no país de origem e podem ser comercializados 
nos mercados de ações do Brasil. 
ETF (Exchange Traded Funds): são considerados fundos de índice que buscam 
obter retorno baseado em índice de ações, podendo ser negociadas em bolsa. Esses 
índices representam uma fração da carteira onde representa um grupo de ações que fazem 
parte da carteira teórica do índice usado como referência. Assim possibilita que o investidor 
tenha acesso a uma carteira diversificada sem a necessidade de aplicar individualmente 
em todos os papéis que compõem esta