A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
282 pág.
Lúdico e Musicalização na Educação Infantil

Pré-visualização | Página 7 de 50

ao Brasil com os portugueses, 
sua origem remota está entre os gregos e romanos, sendo citado antes do 
ano de 579 a.C. por Pittacus. Calímaco, cinco séculos antes de Cristo, refere-
se ao pião como brinquedo infantil popular na época. (KISHIMOTO, 1993). 
Philippe Ariès (1978) comenta que o arco aparece no fim da Idade Média. Este 
brinquedo não era monopólio das crianças ou apenas das crianças pequenas, os 
adolescentes também brincavam com ele. O arco permitia acrobacias, mantendo 
o movimento com uma varinha, saltando através deles. A partir do século XVII, 
nas cidades o arco parece ter sido deixado somente para as crianças.
A perna de pau foi utilizada pelos romanos para atravessar terrenos 
alagados, e tornou-se, a partir da Idade Média, um divertimento popular, incluído 
nas artes circenses. A pipa, introduzida no Maranhão pelos portugueses no 
século XVI, parece ter procedência oriental. Originárias de longínquos tempos, 
foram usadas primitivamente pelos adultos, com fins práticos, em estratégias 
militares e, com o passar dos séculos, transformou-se em brinquedo infantil. 
UNIDADE 1 | LÚDICO E EDUCAÇÃO INFANTIL 
20
(KISHIMOTO, 1993). No entanto vemos referências antigas à pipa em vários 
países do Extremo Oriente, como Japão, Índias Orientais, Nova Zelândia. Este 
fato revela a universalidade de determinados brinquedos. No Brasil a pipa possui 
diferentes nomes, como papagaio, pipa, pandorga, arraia, mas é feita da mesma 
forma e tem as mesmas condutas durante a brincadeira.
Em 1283, a obra do Rei de Castille Allphonse X foi o primeiro livro sobre 
jogos na literatura europeia de que se tem conhecimento. Ele faz referência a 
diversos jogos presentes até os tempos atuais, como o pião, a amarelinha, o jogo de 
saquinhos, o xadrez, tiro ao alvo, jogos de trilha, gamão etc. (KISHIMOTO, 1993).
 
Grunfeld (apud KISHIMOTO, 1993) refere-se à peteca como um jogo que 
se pratica na China, Japão e Coreia há mais de 2000 anos. Era usado antigamente 
para treinamento militar, pois se pensava que tal tipo de jogo melhorava as 
habilidades físicas dos soldados. Na Coreia os mercadores ambulantes jogavam 
as petecas para se aquecerem do frio. No entanto, alguns especialistas apontam a 
peteca como de origem estritamente brasileira, proveniente de tribos tupis.
Para sabermos qual a origem de certas brincadeiras brasileiras, precisamos 
observar a cultura dos povos que colonizaram estas terras. Estudos determinam a 
influência de três raças nos primeiros séculos de colonização, a vermelha, a branca 
e a negra, representadas pelos índios, europeus (principalmente portugueses) e 
africanos. (KISHIMOTO, 1993). Como houve grande heterogeneidade na formação 
do povo brasileiro, e a cultura das brincadeiras foi transmitida basicamente de 
forma oral, é difícil saber claramente qual foi a cultura lúdica que cada povo 
trouxe, transmitida às demais gerações. 
 
No entanto, podemos considerar como legado cultural indígena o gosto 
por brinquedos representando figuras de animais, a domesticação destes, o 
uso do bodoque e do alçapão para pegar passarinhos, as brincadeiras de imitar 
animais como pássaros e cobras, nadar em rios, subir em árvores etc. Sabe-se 
que nos séculos XVI e XVII os meninos indígenas brincavam com arco, flechas, 
tacapes, propulsores, sendo que o seu divertimento era imitar gente grande, 
caçando pequenos animais, tentando pescar. Um dos primeiros brinquedos que 
a criança indígena recebia era um chocalho de casca de frutas ou unhas de veado 
que se amarava a uma boneca. Utilizam, também, a matraca, o pião, a peteca, os 
jogos do enigma, do casamento e do fio ou cama de gato, o rodar argolas com um 
pedaço de pau. 
Entre os indígenas eram comuns brinquedos de barro cozido, 
representando a figura de animais e de pessoas, que as índias faziam para 
seus filhos. Essas estatuetas não eram simples brinquedos, mas elementos 
de religiosidade. A tradição indígena das bonecas de barro não se transfere à 
cultura brasileira, prevalecendo a boneca de pano, de origem talvez africana. 
Os africanos introduziram aqui as lendas do papão, as cabras-cabriolas, 
o boitatá, os negros velhos, o saci-pererê, entre outros. Muitas das 
canções, das histórias e lendas contadas pelas amas de leite e pelos 
TÓPICO 1 | APRENDER BRINCANDO: A HISTÓRIA DO LÚDICO
21
negros, velhos contadores de histórias, ainda são encontradas atualmente. 
O menino africano sofreu influência de Paris e Londres, pelo seu contato com o 
europeu. Lá, havia brinquedos universais, como a bola, armas de simular caçadas 
e pescarias, ossos imitando animais, danças de roda, domesticação de animais, 
corridas, lutas, saltos de altura e de distância, que trouxe para o Brasil, além das 
brincadeiras tradicionalmente africanas como o jogo de caça ao tesouro, pegador, 
cavalo de pau etc. 
 
As relações de dominação, presentes na estrutura social escravocrata, 
também eram representadas pelas crianças, onde era comum nas casas-grandes 
colocar um ou mais moleques (filhos de escravos) à disposição dos meninos brancos 
como companheiros para as brincadeiras, no entanto estes desempenhavam 
a função de leva-pancada do sinhozinho. Temos a influência portuguesa 
principalmente através dos versos, adivinhas, parlendas, de personagens como a 
mula sem cabeça, o papão, mas também no jogo de bolinha de gude, de saquinhos e 
de botão, em brincadeiras de pique ou de pegar, na amarelinha, também no pião etc. 
Brincando, a criança aprimora seu desenvolvimento, exercita o faz de conta, 
recria situações do cotidiano, projeta suas emoções, expressa suas dificuldades, 
adquirindo elementos que contribuirão para a formação de sua personalidade. 
 
É através das crianças que se perpetuam as brincadeiras tradicionais, 
sendo estas preservadas e recriadas a cada nova geração. Portanto, resgatar a 
tradição das brincadeiras é uma forma de ampliar o universo lúdico e cultural 
das crianças, além de promover uma interação com outras gerações. Assim como 
nossos pais e avós, com certeza temos uma história para contar sobre nossos 
brinquedos prediletos e uma brincadeira a ensinar. 
FONTE: Disponível em: <http://www.ufrgs.br/tramse/tridi/2006/08/o-brncar-atravs-dos-tempos.
html>. Acesso em: 15 dez. 2010.
22
Neste tópico você aprendeu que:
● Independentemente da época e do local vivido, a ludicidade aparece no ser 
humano de forma natural e espontânea.
● Através das atividades lúdicas, como as brincadeiras e os jogos, as crianças 
sempre experimentam novos desafios que, transformados em conhecimento, 
fazem parte do seu cotidiano.
● A história da infância nos revela que sempre existiram jogos, brinquedos e 
brincadeiras, mesmo que involuntariamente.
● A origem dos jogos, brinquedos e brincadeiras no Brasil sofreu várias 
influências.
● Nas comunidades indígenas, a maioria dos momentos lúdicos faz parte do 
cotidiano das aldeias e segue viva até hoje.
● Os primeiros sentimentos de infância e valorização da atividade lúdica tiveram 
início a partir do século XVI, sendo resgatados pelos humanistas.
RESUMO DO TÓPICO 1
23
1 Procure lembrar-se das conversas que você teve com pessoas mais velhas, 
como seus avós, pais, conhecidos etc. Com certeza, em algumas dessas 
conversas, eles relataram como eram os momentos de lazer na sua infância, 
onde brincavam, o que faziam para divertir-se, as traquinagens que 
aprontavam e como os adultos da época percebiam estas aventuras infantis. 
Com base nisso responda:
a) O que mudou daquela época para hoje? 
b) Quais os pontos positivos e negativos destas mudanças? 
c) Analise a questão e as possíveis implicações socioculturais e históricas que 
marcaram as antigas gerações.
2 Depois de analisar o conteúdo da história do lúdico, escreva o que você 
entende por ludicidade e como você a percebe no dia a dia da criança.
AUTOATIVIDADE
24
25
TÓPICO 2
AS ATIVIDADES LÚDICAS NO DESENVOLVIMENTO DA 
CRIANÇA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.