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oncologia IMPORTANTE

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s1321
Acta Scientiae Veterinariae. 35(Supl 4): s1321-s1322, 2007.
ISSN 1678-0345 (Print)
ISSN 1679-9216 (Online)
Associação de cirurgia e quimioterapia para tratamento
de adenocarcinoma orofacial com linfonodo positivo em um cão
Association of surgery and chemotherapy for treatment
of orofacial adenocarcinoma with positive lymph node in a dog
Luciana Oliveira de Oliveira 1, Rosemari Teresinha de Oliveira 2,
Kelly Christini Rocha da Silva Ferreira 3, Cristiano Gomes 4 & Juliana Aguiar 5
1Médica-Veterinária. Hospital de Clínicas Veterinárias UFRGS. Serviço de Oncologia Veterinária. 2Médica-Veterinária.
Professora de Patologia Veterinária. Faculdade de Medicina Veterinária UFRGS. 3Médica-Veterinária. Hospital de Clínicas
Veterinárias UFRGS. 4Médico-Veterinário. Mestrando Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária UFRGS.
5Médica-Veterinária. Residente. Hospital de Clínicas Veterinárias UFRGS.
luoliv@gmail.com
ABSTRACT
A case of a canine presented with adenocarcinoma of apocrine glands at the mucocutaneous junction of inferior and superior
lips, with metastases at the regional lymph node, is reported. The patient was treat by excison of the nodule and regional lymph node,
associated with intravenous chemotherapy with 5-fluorouracyl. The dog developed complete response to the therapy.
Key words: adenocarcinoma, facial, neoplasm, surgery, chemotherapy.
INTRODUÇÃO
Existem poucos dados a respeito de adenocarcinomas de glândulas apócrinas de cães. São tumores incomuns
em cães e gatos, sem predisposição de raça ou sexo. Os locais mais afetados são cabeça, pescoço, região lombar e flanco
[2]. Tumores oro-faciais variam bastante no seu potencial metastático, mas são todos muito invasivos localmente [1,2]. O
prognóstico é ruim, mas tem melhorado pois já se demonstrou que os cães toleram muito bem as cirurgias orofaciais
extensas. Como resultado, as ressecções cirúrgicas têm se tornado mais agressivas. A cirurgia, com margens de segurança,
é o melhor tratamento para cães com câncer oral. A associação da cirurgia com radio ou quimioterapia é indicada no caso
dos tumores orofaciais com potencial metastático [1,3].
RELATO DO CASO
Foi atendido no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul um canino, sem
raça definida, fêmea, com 9 anos de idade, pesando 8 kg, apresentando dois nódulos, na região cervical e no lábio, há 2
meses, com crescimento rápido. Segundo o proprietário, o cão havia sido tratado anteriormente com antibiótico e antinflamatório
não esteróide por 14 dias, sendo que o tumor reduziu de volume, depois voltou a crescer. Foi suspensa toda a medicação
anterior. Ao exame clínico, o cão apresentava normotermia, mucosas rosadas, ausculta torácica e palpação abdominal sem
alterações. O cão apresentava uma massa neoplásica envolvendo a junção mucocutânea e o lábio superior e inferior direito
medindo 4 cm, além de aumento do linfonodo submandibular direito medindo 6 cm de diâmetro. A massa era dolorida à
palpação. Foi feita biopsia aspirativa por agulha fina (BAAF) das duas massas, sendo sugestivo de carcinoma. O hemograma
se mostrou normal. Foi indicada excisão cirúrgica da massa e do linfonodo. O cão apresentou hemorragia pos-operatória,
que foi resolvida por compressão local. Após a cirurgia, foi indicado cefalexina1 30 mg/kg por 10 dias, a cada 12 horas, e
meloxicam2 0,1 mg/kg por 5 dias, a cada 24 horas, retorno e retirada dos pontos após 7 dias. Foi instituída quimioterapia com
5-fluorouracil3 na dose de 150 mg/m2, via intravenosa, a cada 7 dias, fazendo um total de 5 doses. A primeira dose foi aplicada
no dia da cirurgia, após a recuperação da anestesia. O nódulo coletado e o linfonodo foram fixados em formol a 10% e
enviados para o Setor de Patologia Veterinária da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
para confirmação do diagnóstico. O resultado do exame histopatológico foi adenocarcinoma de glândulas apócrinas. Foi feita
retirada dos pontos 7 dias depois da cirurgia, com deiscência parcial. A ferida resultante foi tratada com limpeza diária com
solução salina. O cão retornou semanalmente para aplicação do quimioterápico. Na aplicação da terceira dose, o paciente
apresentou fezes amolecidas. Foi indicado tratamento com omeprazol e metoclopramida enquanto estivesse recebendo o
quimioterápico. Na quinta aplicação do 5-fluorouracil, o proprietário relatou que o cão apresentou apetite fraco durante toda
a semana e teve dois episódios de vômito. A dose do 5-fluorouracil foi reduzida para 100 mg/m2. Em retorno para revisão
após a quinta aplicação, o cão apresentava-se novamente com apetite normal e bem disposto.
Oliveira L.O., Oliveira R.T., Ferreira K.C.R.S., Gomes C. & Aguiar J. 2007. Associação de cirurgia e quimioterapia para tratamento
de adenocarcinoma orofacial com linfonodo positivo em um cão. Acta Scientiae Veterinariae. 35: s1321-s1322.
s1322
www.ufrgs.br/favet/revista
Supl 4
DISCUSSÃO
A associação da cirurgia com a quimioterapia, neste caso, proporcionou a cura do tumor, sem prejuízo para o
paciente. A cirurgia com excisão do nódulo, acrescido de margens de segurança e do linfonodo, não resultou em prejuízo
funcional para o paciente e, segundo o proprietário, a aparência estética foi aceitável. A cirurgia para excisão do nódulo e
dos linfonodos envolvidos é o principal tratamento para estes tumores [2,3]. A quimioterapia pós-operatória deve ser consi-
derada para pacientes com tumores potencialmente metastáticos [1].
A avaliação pré-cirúrgica incluiu citologia e hemograma. Optou-se por iniciar a quimioterapia logo após a cirurgia
devido ao grande tamanho do nódulo, à metástase no linfonodo, à invasividade e ao potencial metastático apresentado por
estes tumores. O resultado do exame citológico, sendo sugestivo de carcinoma, foi importante para o planejamento cirúrgico,
influenciando a decisão por uma excisão cirúrgica com margens amplas juntamente com a retirada no linfonodo correspon-
dente. Após a cirurgia, o resultado foi confirmado pela biopsia. Neste caso não foi feito estudo radiográfico já que o proprie-
tário optou por tratar mesmo sem saber da existência de metástases distantes. O estadiamento pré-operatório do tumor inclui
a mensuração do tumor, palpação do linfonodo submandibular, BAAF ou biopsia do linfonodo, radiografias torácicas e da
face. A radiografia do local ajuda a determinar a extensão do tumor. As radiografias torácicas são importantes para o
diagnóstico de metástases, já que a presença de metástases indica prognóstico muito ruim e, assim, cirurgias agressivas
devem ser evitadas [1].
Foi indicado para o proprietário retornar a cada três meses para reavaliação do paciente. Na primeira revisão
após o tratamento, o cão retornou em bom estado geral, sem sinais de recidiva tumoral nem de metástases distantes. Fatores
de prognóstico para o câncer orofacial incluem o tipo histológico (relacionado ao potencial metastático) e o local do tumor
(influenciando a possibilidade de ressecção cirúrgica adequada). A taxa de desenvolvimento de metástases distantes pode
ser reduzida com o uso de quimioterapia sistêmica, mas o efeito na sobrevida dos pacientes ainda precisa ser melhor
estabelecido [3]. Para o controle pós-operatório, são indicados exames clínicos e radiográficos periódicos a cada três ou
quatro meses, embora as metástases torácicas aparentemente não respondam bem à quimioterapia [1].
CONCLUSÃO
A associação de cirurgia para retirada do nódulo, com margens amplas, excisão do linfonodo regional correspon-
dente, e quimioterapia à base de 5-fluorouracil para um cão com adenocarcinoma orofacial proporcionou a cura do tumor e
permitiu a recuperação do paciente após o tratamento. A cirurgia não resultou em danos estéticos nem funcionais para o
paciente. O cão apresentou poucos efeitos colaterais decorrentes da quimioterapia aplicada, que foram revertidos após a
retirada da droga.
NOTAS INFORMATIVAS
1Ouro Fino. Ribeirão Preto. Brasil.
2Cefalexina. Teuto Brasileiro. Anápolis. Brasil.