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TEMA: AFRICANOS NO BRASIL
CULTURA 
AFRICANA
CULTURA 
AFRICANA
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Cultura Africana
Centro Universitário Leonardo da Vinci
Conteudista
Tânia Cordova
Conteudista
Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch
Pró-Reitora de Graduação a Distância
Prof.ª Francieli Stano Torres
Pró-Reitor Operacional de Ensino Graduação a Distância
Prof. Hermínio Kloch
Diagramação e Capa
Eloisa Amanda Rodrigues
Revisão:
Anuciata Moretto
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1Africanos no Brasil
1 AFRICANOS NO BRASIL
A escravidão negra foi uma das maiores questões presentes na história 
brasileira. Iniciada paulatinamente em 1532, com a colonização e estendida até 
1888, com a assinatura da Lei Áurea, que aboliu e libertou a escravidão no país. 
Nestes três séculos e meio, o africano trazido como escravo desempenhou, 
no período colonial e no pós-independência, um importante papel para o 
desenvolvimento econômico.
O tráfi co de africanos intensifi cou-se em toda a América, e especialmente 
na América Portuguesa, a partir de 1580. Antes desse período, os africanos 
escravizados eram destinados à Europa, sendo comercializados a partir 
da costa da África ou destinados às minas de prata na América Espanhola. 
A partir das difi culdades de se escravizarem índios, e com a ampliação da 
presença portuguesa na costa africana, aumentou o fl uxo de africanos cativos 
para o Brasil, fazendo com que se consolidasse o crescimento da produção 
açucareira nos engenhos do Nordeste e, posteriormente, no Sudeste.
De acordo com Souza (2007), o comércio de escravos para o Brasil 
está organizado em três momentos. O primeiro compreende os anos de 1540 
a 1580 e diz respeito aos africanos vindos da Alta Guiné, na região do rio 
Gâmbia. Estes africanos eram enviados para o trabalho nas plantações de cana 
e nos engenhos. 
Entre os anos de 1580 e 1690, os confl itos na região de Angola irão 
benefi ciar o comércio português, pois as guerras fi zeram muitos prisioneiros 
que eram negociados como escravos com os portugueses. Neste período, 
houve um crescimento signifi cativo da produção açucareira no nordeste 
brasileiro. Os holandeses que ocuparam algumas regiões no Nordeste, entre 
elas, o Recife. Também negociavam escravos com os chefes africanos. Entre os 
anos de 1640 a 1647 ocuparam a região de Luanda na África. 
Entre os anos de 1690 até a instituição formal do fi m do tráfi co atlântico 
em 1850, os portos em Angola e os portos da Costa da Mina foram os maiores 
fornecedores de escravos para o Brasil, com uma maior relação entre Salvador 
e a Costa da Mina, o Rio de Janeiro e Angola.
De acordo com Souza (2007), os escravos que chegavam ao Brasil eram 
embarcados em alguns portos africanos, como: Luanda, Benguela e Cabinda, na 
costa de Angola, Ajudá e Lagos, na Costa da Mina, e mais tarde, no porto de 
Moçambique.
- de Benguela vinham os ovimbundos;
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2 Cultura Africana
- de Luanda: dembos, ambundos, imbangalas, quiocos, lubas e lunas;
- de Cabimda vinham congos e tios. Todos pertencentes ao grupo linguístico 
banto.
Em São Luís do Maranhão e no Pará chegaram escravos vindos da 
Alta Guiné, principalmente de Bissau e de Cabo Verde. A região africana da 
Zambézia, também foi fornecedora de cativos para a colônia portuguesa na 
América.
Os escravos vindos do Golfo da Guiné eram denominados de minas.
Mais tarde, de acordo com Souza (2007), além das designações mais gerais de 
negro mina, ou negro da Guiné. Na Bahia, os escravizados vindos de áreas 
mais a Oeste eram chamados de jêjes e cultuavam os voduns.
Prezado(a) estudante, a fi gura a seguir mostra uma negra mina.
FIGURA 1 – MULHER MINA
FONTE: Disponível em: <http://abentumba.blogspot.com.br/p/os-bantus.html>. 
Acesso em: 8 jun. 2012.
Os iorubás, vindos da região mais a Leste foram denominados de nagôs e 
cultuavam os orixás, mitologicamente ligados à cidade de Ifé, de onde teriam 
se originado todos os reinos da região do Golfo da Guiné.
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3Africanos no Brasil
No século XIX, chegaram ao Brasil, mais especifi camente à Bahia, grupos 
africanos denominados de hauçás, aprisionados nas guerras contra os iorubás. 
Os hauçás eram islamizados e acabaram por manter e difundir práticas islâmicas 
na sociedade baiana.
FIGURA 2 - CRIANÇA DO GRUPO ÉTNICO IORUBA
FONTE: Disponível em: <http://www.nairaland.com/647752/modern-traditionalattire-
nigeria/2>. Acesso em: 8 jun. 2012.
Entre as infl uências culturais africanas, Souza (2007) sinaliza que a 
infl uência banto é a mais antiga e a mais disseminada por todo o Brasil. As 
manifestações culturais de infl uência banto são resultado de misturas mais 
antigas, incorporando elementos das culturas indígena, portuguesa e iorubá.
Segundo essa mesma autora, a infl uência iorubá é mais forte na região de 
Salvador, que manteve fortes laços com a Costa da Mina.
Em suma, diversas regiões brasileiras receberam diferentes grupos 
africanos. Esses grupos foram reagrupados no Brasil, com as denominações 
de: Angola, Congo, Benguela e Cabinda e identifi cados pelos portos de onde 
haviam sido embarcados na África.
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4 Cultura Africana
FIGURA 3 - NEGROS DE DIFERENTES NAÇÕES DE ETNIA BANTO
FONTE: Disponível em: <http://abentumba.blogspot.com.br/p/os-bantus.html>. 
Acesso em: 8 jun. 2012.
Caro(a) estudante, é inegável a presença dos diferentes grupos 
africanos no Brasil. Estes grupos, mesmo na condição de escravos, refi zeram 
elementos que faziam parte da cultura africana, inserindo ou justapondo-os 
aos elementos da cultura brasileira. Estudaremos a irradiação de elementos 
culturais no Brasil.
À medida que o africano era inserido na sociedade brasileira tornouse 
afro-brasileiro. Usa-se o termo afro-brasileiro para indicar produtos de 
mestiçagens para os quais as matrizes são africanas. Matrizes estas, presentes 
na formação do povo e da cultura brasileira.
Além dos traços físicos e marcas genéticas nas feições da população, 
a música e a religiosidade, talvez sejam, as manifestações culturais em que a 
presença africana esteja mais evidente.
Desta forma, vamos nos apropriar das características culturais de 
matrizes africanas presentes na cultura brasileira.
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5Africanos no Brasil
2 AS MANIFESTAÇÕES DAS RELIGIOSIDADES AFRICANAS
 Ao longo da história da humanidade, a religiosidade sempre esteve 
presente. Seja qual for a forma de devoção ou crença, as religiões sempre 
trouxeram princípios éticos, buscando o sentido da vida e tentando explicar a 
morte.
Na África, a religião tem lugar central na cultura, sendo a esfera de onde 
vem toda a orientação para a vida, a garantia do bem-estar, da harmonia e da 
saúde. As práticas mágico-religiosas, por meio das quais os homens entram em 
contato com entidades sobrenaturais, espíritos, desuses e ancestrais constituíam-
se em aspecto central na vida dos africanos. Assim como viria a ser na vida de 
seus descendentes.
No Brasil, as religiões africanas foram transformadas, ritos e crenças 
de alguns povos se misturaram com os de outros, com os dos portugueses e 
índios. Nesse processo, muitas características africanas foram mantidas. (SOUZA,

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