A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
152 pág.
1.1. Apostila da UC 07 - Técnicas de Produção Vegetal

Pré-visualização | Página 5 de 35

controle natural de pragas e outras técnicas que não agridem o meio ambiente. No manejo 
do solo, por exemplo, adotam-se a rotação e a consorciação de culturas, incluindo princípios 
alelopáticos – trabalhando com espécies, variedades e raças nativas já adaptadas ao local. 
Alelopatia
Fenômeno de liberação de substâncias químicas pelas próprias plantas no meio ambiente 
que provocam efeitos estimulantes ou inibitórios na germinação, no crescimento e no 
desenvolvimento de outras plantas.
Confira algumas práticas envolvidas no sistema de produção orgânica:
G
Em áreas em que esteja plantada uma só espécie vegetal, deverão ser plantadas 
outras espécies, de preferência árvores nativas, para evitar a monocultura e 
estimular a biodiversidade vegetal.
O solo deve proporcionar os nutrientes para as plantas por meio da regeneração 
de sua fertilidade, dando-se preferência aos adubos orgânicos e minerais de 
lenta liberação dos nutrientes. Não poderá haver agroquímicos ou adubos 
químicos solúveis nas propriedades orgânicas.
Curso Técnico em Agronegócio
18 As plantas nativas são consideradas parte do ecossistema – elas devem ser 
manejadas, e não erradicadas.
Devem-se promover a diversificação de culturas, a integração de atividades 
agrícolas e agroindústria, e o aproveitamento comercial dos subprodutos e dos 
resíduos das culturas.
A unidade de produção deve estar atenta às condições de armazenamento, 
transporte e comercialização dos produtos segundo os critérios da legislação 
vigente.
A unidade de produção orgânica deve possibilitar a visita de consumidores 
interessados em conhecer o processo e as condições de produção.
Uma exploração orgânica, para ser economicamente viável, deve estar atenta à sua 
comercialização observando três fatores básicos: quantidade produzida, continuidade da 
produção e qualidade, sendo igualmente importantes e inseparáveis. A escolha da espécie a 
ser cultivada deve levar em consideração as características edafoclimáticas (de solo, clima e 
chuvas) e a proximidade dos centros consumidores.
Fonte: Shutterstock
As regiões próximas aos grandes centros consumidores sofrem grande especulação imobiliá-
ria, levando, muitas vezes, o produtor a procurar áreas mais baratas. Contudo, quando o local 
de produção é distante dos centros de consumo e comercialização, fazem-se necessários o 
transporte e a conservação em frio (câmaras frigoríficas), com aumento das perdas e, logo, 
com aumento dos custos de produção e de comercialização.
Técnicas de Produção Vegetal
19
Em 2012, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA estimou no Brasil, no 
mínimo, 11.500 unidades de produção controlada ligadas aos sistemas produtivos de produtos 
orgânicos, incluindo propriedades rurais e estabelecimentos de processamento de orgânicos.
O
Informações extras
Os critérios de produção orgânica são monitorados. Para vender um produto 
como “orgânico”, é preciso obter certificação. Acesse o AVA e saiba mais sobre o 
assunto.
Atualmente, o Brasil conta com 1,5 milhão de hectares com certificação orgânica, sendo o 
Estado do Mato Grosso o campeão em área, com 622.800 hectares, seguido do Pará, com 
602.600 hectares, e do Amapá, com 132.500 hectares. Porém, se analisarmos o número de 
produtores que trabalham com certificação orgânica, o Pará se destaca, com cerca de 3.300 
produtores, seguido do Rio Grande do Sul, com 1.200, do Piauí, com 768, de São Paulo, com 
741, e do Mato Grosso, com 691. Veja, no infográfico a seguir, alguns dados sobre os produtos 
orgânicos mais representativos de cada região.
Fonte: MAPA (2015).
Curso Técnico em Agronegócio
20
2. Produção Integrada Agropecuária
A Produção Integrada – PI é um sistema moderno baseado em boas práticas agropecuárias. 
Ela contribui para o desenvolvimento humano, levando em conta a segurança do trabalhador, 
a legislação trabalhista, a qualidade de vida dos produtores e das comunidades, a conservação 
do meio ambiente (especialmente, solo e água), a sanidade e o bem-estar dos animais. Esse 
sistema de produção é muito demandado pelos compradores internacionais.
O sistema resulta em alimentos seguros, principalmente para o consumo humano, com 
monitoramento em todas as etapas de produção, análise de resíduos de agrotóxicos e uso de 
tecnologias apropriadas que otimizam o modo de trabalhar. Esses procedimentos permitem 
a continuidade do sistema produtivo, com sustentabilidade ao longo dos anos, e elevam os 
padrões de qualidade e competitividade dos produtos ao patamar de excelência.
O
Informações extras
A Produção Integrada Agropecuária no Brasil vem de 2010, quando o Ministério 
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA editou a Instrução Normativa 
nº 27, a qual ampliou as diretrizes da Produção Integrada de Frutas – PIF para as 
demais cadeias do agronegócio, inclusive a cadeia agropecuária. Essa instrução 
instituiu e validou normas técnicas específicas para se obter o selo oficial de 
certificação em produtos de origens animal e vegetal.
As regras para a Produção Integrada estão relacionadas a capacitação de trabalhadores rurais, 
manejo, responsabilidade ambiental, segurança alimentar e do trabalho, e rastreabilidade, 
sendo esta uma das etapas significativas do sistema. Com acompanhamento e gerenciamento 
de todas as fases, da colheita até as gôndolas do comércio varejista, é possível assegurar que 
o processo é sustentável, o que preserva seus nutrientes e a qualidade.
Os seguintes produtos estão credenciados para a Produção Integrada: algodão, tabaco, 
cana-de-açúcar, milho, hortaliças folhosas, guaraná, anonáceas, morango, rosas, citros e 
flores tropicais, amendoim, arroz, batata, café, mangaba, tomate (mesa e indústria), feijão, 
mandioca, gengibre, inhame, taro, trigo, ovinos, mel, leite, cacau, borracha, pimentão, oliveira, 
ervas aromáticas, entre outros.
Como exemplo de sucesso, o Vale do Rio São Francisco, onde o sistema é bastante utilizado 
(juntamente com os estados do Rio Grande do Norte e do Ceará), é responsável por 40% 
dos mais de 600 milhões de dólares exportados em 2010. Isso demonstra como a Produção 
Integrada é fundamental, considerando o alto grau de exigência imposto pelos mercados 
europeus, que aceitam e recomendam o sistema.
Técnicas de Produção Vegetal
21
d
Comentário do autor
A adesão à Produção Integrada é voluntária, e o produtor que optar pelo sistema 
terá de cumprir as orientações estabelecidas. Para isso, pode-se acessar o site 
do MAPA ou contatar o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia 
– Inmetro para saber como adotar esse sistema de produção e verificar se o 
produto que deseja produzir já possui norma técnica publicada. Se tiver, então 
o Inmetro fornecerá a lista de empresas credenciadas para certificar aquele 
produto em Produção Integrada.
3. Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – iLPF
O sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – iLPF é uma atividade em crescimento, 
inclusive nas áreas de agricultura familiar. Esse sistema é uma denominação coletiva para 
sistemas de uso da terra e práticas agrícolas nos quais se integram espécies lenhosas perenes 
(eucalipto e pínus, por exemplo) com cultivos anuais e/ou animais na mesma unidade de 
manejo da terra.
De acordo com a natureza de seus componentes, existem as seguintes modalidades de 
sistemas iLPF:
Agrossilvipastoril
Sistema que utiliza o consórcio entre as produções agrícola, florestal e 
animal.
Agropastoril
Sistema que usa o consórcio entre a produção de culturas anuais e a 
produção animal.
Silvipastoril
Sistema que utiliza o consórcio entre a produção florestal e a 
produção animal.
Agroflorestal Sistema que usa o consórcio entre as produções agrícola e florestal.
g
Saiba mais sobre o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta assistindo 
ao vídeo disponível no AVA.
Curso Técnico em Agronegócio
22
Encerramento do tema
Neste tema, você se atualizou com relação a alguns aspectos econômicos das principais cul-
turas agrícolas e suas representatividades