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1.1. Apostila da UC 07 - Técnicas de Produção Vegetal

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a manutenção do balanço positivo de carbono nos seus tecidos. Os cactos, o 
abacaxi, as pitaias e as orquídeas são exemplos típicos de plantas com esse comportamento.
A eficiência fotossintética varia significativamente entre plantas com metabolismo tipo C3, C4 
e CAM de fixação de CO2 atmosférico. As plantas C4 são mais eficientes fotossinteticamente, 
dentre as quais se destacam o milho, a cana-de-açúcar, o sorgo e os capins tropicais. As plantas 
C3, menos eficientes, incluem arroz, feijão, trigo, soja, algodão, amendoim, batata e mandioca.
Soja, planta C3 Cana-de-açúcar, planta C4 Cactáceas, plantas CAM
Enquanto a planta cresce, ela se desenvolve. O conceito de “crescimento” refere-se mais 
ao tamanho da planta, enquanto que “desenvolvimento” envolve diferenciação. A planta 
passa por diversos estágios e fases até fechar o ciclo reprodutivo, produzindo sementes que 
perpetuarão a espécie. De forma genérica, fala-se em fase vegetativa, floração, frutificação, 
maturação e senescência.
Fases são períodos do ciclo da vida das plantas e não podem ser 
confundidos com estágios, que são momentos. 
A descrição das fases e dos estágios é denominada fenologia. Importante, ainda, é o termo Dias 
Após a Emergência (DAE), muito utilizado para acompanhar o ciclo de desenvolvimento das 
plantas.
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A duração do ciclo de uma dada espécie vegetal é razoavelmente constante. Logicamente, 
depende de que as condições ambientais sejam adequadas, isto é, haja disponibilidade de 
nutrientes e água, de luminosidade, temperatura adequada do ar e do solo etc. Podemos en-
contrar variedades ou cultivares de ciclos precoce, médio e tardio. Em relação à luminosidade, 
destaca-se a duração do dia, que leva ao fenômeno do fotoperiodismo. A indução da floração 
é afetada pelo fotoperíodo, ou duração do dia, em muitas espécies. Há plantas que são fotos-
sensíveis – algumas de dias longos e outras de dias curtos.
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Comentário do autor
Cada espécie vegetal apresenta suas peculiaridades, portanto, para melhor 
conhecê-las, é preciso estudar individualmente cada cultura para conhecer suas 
características marcantes em relação aos fatores mencionados.
4. Atmosfera 
A atmosfera é uma camada gasosa que envolve a Terra, essencial às formas de vida que aqui 
evoluíram. Ela surgiu em razão das dimensões e dos processos físico-químicos e biológicos que 
se desenvolveram no planeta. A composição química da atmosfera variou bastante durante 
as eras geológicas, tendo atingido o equilíbrio dinâmico nos últimos 200 milhões de anos. A 
tabela a seguir apresenta a composição média dos gases mais importantes na atmosfera e no 
solo para a produção agrícola.
Composição média dos gases na atmosfera
Componente % Atmosfera % Solo
Nitrogênio 78,084 < 80
Oxigênio 20,946 0 - 21
Gás carbônico 0,033 0,3 - 15
Outros 0,937 -
Esses gases podem tanto ir da atmosfera para o solo, quanto do solo para a atmosfera, e, 
para compreendermos melhor a “atmosfera do solo”, o conhecimento de leis e princípios que 
regem o movimento dos gases no solo é de grande importância. 
As plantas e os organismos aeróbicos exigem certos níveis de oxigênio na atmosfera do 
solo, consumindo O2 e liberando CO2. Em função disso, a atmosfera do solo, em geral, possui 
menor concentração de O2 e maior de CO2 em comparação com a atmosfera acima do solo. 
Os processos de troca de gases entre a atmosfera superior e atmosfera do solo, muitas vezes, 
podem ser limitantes à produção para a maioria das culturas agrícolas, exceto para o arroz, 
por exemplo, que se desenvolve em ambientes anaeróbicos (sem oxigênio). 
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A análise físico-química dos processos de transferência de gases no solo é bem complexa. Há 
no solo “fontes” e “sumidouros” de CO2, O2, NH3, N2, SO2 e uma série de compostos orgânicos 
voláteis. A renovação do O2 no solo vem da atmosfera superior por difusão, por fluxo de 
massa ou em solução com água. 
Difusão
O movimento do gás por difusão acontece devido à variação de concentração de 
qualquer constituinte da mistura gasosa que provoca migração das moléculas 
da zona de alta para a de baixa concentração. Como exemplo de difusão, 
podemos citar a troca de gases entre a atmosfera e os poros do solo. 
Fluxo de 
massa
O fluxo de massa, também conhecido por “convecção”, acontece devido à 
variação de pressão do gás – a massa de ar da zona de alta pressão se move 
para a zona de baixa pressão, por exemplo, a penetração de água no solo 
durante uma infiltração.
Acredita-se que a difusão seja o principal processo responsável pela transferência de gases 
no solo.
De maneira geral, para que as trocas gasosas ocorram de forma eficiente, é preciso que nos 
atentemos ao manejo adequado das adubações e do uso correto da irrigação, e evitemos a 
compactação do solo por meio do uso inadequado de maquinários agrícolas. Assim, estaremos 
evitando que essas trocas se tornem limitantes para a máxima produtividade agrícola. 
Tópico 2: Sistemas de Manejo do Solo
O manejo do solo se constitui de práticas indispensáveis ao bom desenvolvimento das culturas 
e compreende um conjunto de técnicas que, utilizadas racionalmente, proporcionam alta 
produtividade. Porém, se mal utilizadas, podem levar à destruição dos solos em curto prazo, 
podendo chegar à desertificação de áreas extensas. De maneira geral, podem-se considerar 
os seguintes tipos de manejo do solo:
• Preparo convencional: provoca inversão da camada arável do solo mediante o uso de 
arado; a essa operação seguem-se outras, secundárias, com uso da grade ou do cultivador 
para triturar os torrões. Nesse sistema, 100% da superfície é revolvido por implementos 
(arado, grade, cultivador). Ele tem como princípio melhorar o solo para a germinação de 
sementes e a eliminação de plantas daninhas antes do plantio, e corrigir características 
na subsuperfície do solo que necessite de incorporação de corretivos ou rompimento de 
camadas compactadas. 
• Cultivo mínimo: consiste na redução de operações de preparo do solo. Baseia-se no 
uso de implementos sobre os resíduos da cultura anterior, com o revolvimento mínimo 
necessário para o cultivo seguinte. Geralmente, é utilizado um escarificador (implemento 
que corta o solo sem revolvê-lo) a 15 cm de profundidade, o que é suficiente para romper 
crostas e descompactar o solo. Ele pulveriza menos o solo, deixa mais resíduos na sua 
superfície, reduz a compactação do solo, melhora a infiltração de água e diminui as perdas 
de solo e água por erosão em relação ao preparo convencional.
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Fonte: Shutterstock
• Plantio direto: ocorre onde as sementes são semeadas por meio de semeadora especial 
sobre a palhada de culturas do cultivo anterior ou de culturas de cobertura produzidas 
no local para esse fim. Proporciona melhor cobertura do solo, mantém a umidade em 
profundidade, contribui para a manutenção da matéria orgânica no solo durante a 
entressafra, possibilita melhor ciclagem de nutrientes no solo e é, hoje, amplamente 
difundido no Brasil como o método mais adequado para as condições edafoclimáticas 
do nosso país.
• Plantio semidireto: semelhante ao plantio direto, faz a semeadura direta sobre a superfície 
com semeadora especial, diferindo deste sistema apenas por haver poucos resíduos na 
superfície do solo.
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Leitura complementar
Na biblioteca do AVA, você encontra o artigo “Sistema de plantio direto na 
palhada e seu impacto na agricultura brasileira”. Acesse e leia para saber mais! 
O preparo mínimo, o plantio direto e o plantio semidireto são conhecidos como sistemas 
conservacionistas – uma das melhores formas, estabelecidas até o momento, para a 
conservação de água e do solo.
As técnicas de manejo do solo a serem aplicadas em determinada área dependem de vários 
fatores. Cada área rural tem suas peculiaridades e requer decisão própria. Para cada caso, 
são definidas técnicas de acordo com: a textura do solo, o grau de infestação de invasoras, os 
resíduos