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(a) (b)
Figura 2.7 - (a) Medida-padrão e (b) máscara mortuária de um araó mostrando o antebraço.
O que muitos historiadores chamam de milagres ou mistérios nas grandes construções egíp-
cias pode ser traduzido por:
» adoção de sistemas construtivos inovadores;
» planejamento detalhado do sistema de construção;
» atendimento às normas de qualidade estabelecidas;
» implantação de novos materiais;
» controle rígido de processos.
2.3 Qualidade nas dinastias chinesas
A China é uma das mais antigas nações a ter desenvolvido uma civilização. O sucesso obtido
pelas dinastias da China, desde a primeira – Dinastia Xia (século XXI a.C.) até a destruição da
Dinastia Qing (1911) – pode ser atribuído a um sistema político rígido que atuou no controle do
país, auxiliando a instalação de práticas gerenciais sólidas e uniormes. Por exemplo, a Dinastia
de Zhou (séc. XI a.C.–séc. VIII a.C.) estabeleceu um sistema composto de um número especí�co de
organizações gerenciadas por o�ciais.
Essas organizações oram divididas em grandes departamentos de acordo com as unções por
elas desempenhadas:
29Qualidade nas Edificações do Mundo Antigo
» coleta, processamento, armazenamento e distribuição de matéria-prima e materiais
semiacabados;
» manuatura de produtos;
» armazenamento e distribuição de produtos;
» elaboração de normas para qualidade e produtividade;
» inspeção e ensaios regidos por normas.
A Figura 2.8 apresenta o mapa da China Antiga. O império chinês manteve, de maneira cen-
tralizada e documentada, a tecnologia construtiva de templos, edi�cações e muralhas.
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Figura 2.8 - Mapa da China Antiga.
Há um velho provérbio chinês que diz: “O povo chinês tem uma mente histórica”, ou seja, o
passado é considerado um ator crucial para o entendimento da mentalidade chinesa. Durante
o período da dinastia Zhou, muitos avanços importantes oram conseguidos, como:
» surgimento de grandes �lósoos, como Conúcio (nome latino do pensador chinês Kung-
-Fu-Tze), a �gura histórica mais conhecida na China;
» ormação de um sistema de comércio sólido, que utilizava dinheiro em vez da prática do
escambo, ou seja, troca de mercadorias como meio de pagamento;
» proibição da venda de utensílios e matérias-primas cujas dimensões ou qualidade não
atendessem às exigências das normas.
30 Qualidade na Construção Civil
Nessa mesma época existia um sistema de medição de comprimento, volume e massa com
a utilização de instrumentos-padrão para tais medições. A exigência no sistema de qualidade era
tamanha que eram obrigatórias, duas vezes por ano, a aferição e a calibração de instrumentos, que só
podiam ser usados após a fixação do selo de calibração.
A Figura 2.9 apresenta artefatos cerâmicos fabricados na China, sujeitos ao controle de quali-
dade da época.
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(b)
Figura 2.9 - (a) Prato e (b) jarros cerâmicos chineses.
Atualmente os carros de luxo têm em seu motor, por exemplo, a inscrição do nome do enge-
nheiro que o fabricou. Na China Antiga, durante a Dinastia Tang (618 d.C.–907 d.C.), a venda de
armamentos de guerra somente ocorria se seguisse padrões estipulados pelos governantes e se eles
tivessem o nome dos trabalhadores inseridos na própria peça. As punições nessa época não eram
multas, mas castigos físicos.
Já na Dinastia Ming (1368 d.C.–1644 d.C.), as punições tinham foco nos artigos e utensílios de
baixa qualidade (produtos descartáveis) e para aqueles que tecessem seda abaixo das especificações.
A Figura 2.10 apresenta armamentos de guerra e roupa feita de seda.
31Qualidade nas Edificações do Mundo Antigo
A Muralha da China, também chamada de “Grande Muralha”, oi ormada por diversas mura-
lhas construídas no decorrer de várias dinastias chinesas, iniciando-se a construção em 220 a.C. e
concluindo-se no século XV, durante a Dinastia Ming, um total de quase 2 mil anos.
A �m de se proteger de invasões dos povos ao norte, os chineses começaram a erguer muros, o
que ocorreu antes da uni�cação do império. Com a uni�cação dos sete reinos em um país, o impera-
dor Qin Shihuang (259–210 a.C.), da Dinastia Chin, procedeu à uni�cação da muralha, com o apro-
 veitamento de outras orti�cações existentes. Medindo cerca de 3.000 km de extensão naquela época,
oi gradativamente ampliada nas dinastias seguintes. Diversos segmentos desta obra oram construí-
dos com tijolos, tendo-se alcançado um alto nível de tecnologia.
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(a) (b)
Figura 2.10 - (a) Cavaleiro com armamentos e (b) bailarina com antasia em seda.
Houve uma reconstrução durante os séculos XV e XIX, concluída com 2.400 km que cru-
zam parte do país de leste a oeste, atravessando planícies e montanhas. Sua parte mais estreita tem
40 cm de espessura e a mais larga mede 6 metros, com altura de 7 metros. Em toda a sua história, a
muralha só oi medida em 1700, por ordem do imperador Kangxi, (quando se contaram aproxima-
damente 8.000 km) e em 2006 (ocasião em que oram registrados 21.196,18 km).
Como a muralha oi construída com materiais disponíveis em cada região, ela conta com par-
tes eitas de pedra e outras revestidas de tijolos. As construções realizadas tinham garantia de um
ano; caso houvesse danos durante esse período, eram aplicadas punições aos o�ciais e artesãos res-
ponsáveis pelo trabalho, sendo reeito o trabalho sem qualquer ônus para o Estado. A Figura 2.11
apresenta trecho superior da Muralha e per�l da Muralha.
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(b)
Figura 2.11 - (a) Trecho superior da Muralha da China e (b) per�l da Muralha.
33Qualidade nas Edificações do Mundo Antigo
Madeira e tijolo são perecíveis e os chineses cuidaram muito pouco de seus monumentos, ao
contrário dos japoneses. Tudo o que caía em ruínas era requentemente abandonado, até que osse
necessário e �nanceiramente possível construir uma edi�cação com nova planta. Assim, oram raras
as obras de tempos antigos mantidas nos dias atuais.
A estrutura de madeira dessas construções conheceu progresso durante a Dinastia Ming;
houve amadurecimento das artes decorativas e oram utilizados tijolos para a construção de casas
populares.
A Figura 2.12 apresenta uma edi�cação pertencente à China antiga.
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Figura 2.12 - Edi�cação chinesa antiga.
A pedra é um dos materiais antigos mais utilizados. As técnicas de sua obtenção e de sua uti-
lização eram conhecidas pelas civilizações antigas. Rochas coloridas e de texturas exclusivas eram
consideradas como material nobre. A sua utilização ocorria em partes ou em todos os templos,
monumentos e obras de arte. O mármore era muito cobiçado pelos imperadores em arcadas de jane-
las, por exemplo.
Existiam artesãos com grande habilidade na conecção de esculturas que eram anexadas às
edi�cações e aos monumentos. A Figura 2.13 apresenta a imagem de um dragão esculpido em rocha.
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Figura 2.13 - Dragão esculpido em rocha.
A Dinastia Sui (581 d.C.–618
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