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Material de redação - Analfabetismo funcional

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MATERIAL DE REDAÇÃO: 
Caminhos para combater o analfabetismo funcional no Brasil. 
 
 
APARATO LEGAL 
LEI Nº 5.379, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1967 - Provê sobre a alfabetização funcional e a 
educação continuada de adolescentes e adultos (combate ao analfabetismo absoluto). 
 Art. 1º Constituem atividades prioritárias permanentes, no Ministério da Educação e Cultura, a 
alfabetização funcional e, principalmente, a educação continuada de adolescentes e adultos. 
 
DECRETO Nº 9.765, DE 11 DE ABRIL DE 2019 - Institui a Política Nacional de Alfabetização 
(combate ao analfabetismo, trazendo a perspectiva do analfabetismo funcional). 
Art. 1º Fica instituída a Política Nacional de Alfabetização, por meio da qual a União, em 
colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, implementará programas e ações 
voltados à promoção da alfabetização baseada em evidências científicas, com a finalidade de melhorar 
a qualidade da alfabetização no território nacional e de combater o analfabetismo absoluto e o 
analfabetismo funcional, no âmbito das diferentes etapas e modalidades da educação básica e da 
educação não formal. 
Art. 2º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se: 
I - alfabetização - ensino das habilidades de leitura e de escrita em um sistema alfabético, a fim de 
que o alfabetizando se torne capaz de ler e escrever palavras e textos com autonomia e compreensão; 
II - analfabetismo absoluto - condição daquele que não sabe ler nem escrever; 
III - analfabetismo funcional - condição daquele que possui habilidades limitadas de leitura e de 
compreensão de texto; [...]. 
 
NÍVEIS DE ALFABETIZAÇÃO 
 
A alfabetização é classificada pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), do Instituto Paulo 
Montenegro, em dois grupos principais: 
 
- Analfabetos funcionais: 
• Analfabetos – não conseguem ler ou escrever frases simples; 
• Rudimentares – são capazes de reconhecer algumas informações explícitas em textos simples 
como cartazes e calendários, ler números familiares e resolver operações matemáticas básicas 
ou estabelecer relações de grandezas. 
- Funcionalmente alfabetizados: 
• Elementares – indivíduos capazes de ler e fazer algumas inferências em textos de extensão 
média, bem como compreender e relacionar informações em tabelas e gráficos simples. Além 
disso, consegue resolver problemas matemáticos como valor de troco, parcelas sem juros, mas 
tem dificuldade com operações que exijam maior planejamento; 
• Intermediários – capazes de ler, localizar informações literais em textos diversos, fazer 
pequenas inferências e interpretações, além de elaborar sínteses sobre o que foi lido. Também 
conseguem resolver problemas matemáticos mais complexos que envolvem porcentagens e 
proporções; 
• Proficiente – capazes de ler e elaborar textos complexos e opinar sobre o posicionamento ou 
estilo do autor do texto lido, bem como interpretar informações em gráficos e tabelas que 
envolvam mais de uma variável e resolver situações em contextos diversos com diversas etapas 
de planejamento e inferências. 
 
ESTATÍSTICAS BRASILEIRAS 
 
Os dados da pesquisa do Inaf de 2018 demonstram que o grupo dos analfabetos funcionais 
corresponde a 29% da população brasileira. Isso significa que aproximadamente 3 de 10 pessoas não 
conseguem ler ou compreender as informações em um texto simples. 
 
Dos 29% de analfabetos funcionais: 
- 8% são analfabetos (não sabem ler ou escrever frases simples); 
- 12% são rudimentares (leem textos simples, mas não fazem inferências). 
 
Do grupo dos funcionalmente alfabetizados (71% da população brasileira): 
- 34% são elementares; 
- 25% são intermediários; 
- 12% são proficientes. 
 
No grupo dos analfabetos funcionais, os dados do Inaf indicam que 4% dos indivíduos estão no 
ensino superior. Apesar disso, a porcentagem de funcionalmente alfabetizados que concluíram o 
ensino superior (96%) é muito maior que a porcentagem dos que concluíram apenas os primeiros anos 
do ensino fundamental (29%). Pode-se dizer então que a escolaridade é um fator determinante para 
o nível de alfabetização, apesar de depender da qualidade do ensino para que o aluno desenvolva as 
habilidades de interpretação de texto, inferências, elaboração de opiniões e resolução de problemas. 
 
CONSEQUÊNCIAS DO ANALFABETISMO FUNCIONAL 
 
Um dos principais reflexos da grande parcela de analfabetos funcionais é que essas pessoas estão 
mais sujeitas à manipulação e fake news, especialmente no contexto das mídias sociais digitais. Uma 
vez que entendem apenas textos simples e associados ao seu contexto cotidiano (familiaridade), 
tendem a rejeitar informações científicas que não compreendem ou estão distantes da sua realidade e 
aceitar conteúdos manipulativos, em contextos falsos. A falta de habilidades de inferência e a 
capacidade limitada de elaborar opiniões sobre os conteúdos lidos dificultam a verificação da 
veracidade das informações, fazendo com que essas pessoas tenham potencial de se tornar agentes de 
propagação da desinformação. Nesse contexto, é necessário trabalhar na conscientização sobre o uso 
da internet e das redes sociais, incluindo a educação midiática no ensino básico. 
Estudos da campanha de conscientização Iceberg Digital, da Kaspersky e CORPA, realizada na 
Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, demonstraram 62% da população brasileira não 
consegue reconhecer uma notícia falsa. A pesquisa também demonstrou que os jovens (18 a 24 anos) 
são os que usam as redes para obter informações sobre os acontecimentos locais e regionais (38%), 
mas são os que menos compartilham notícias sem verificar a veracidade. 
 
“Assim como os icebergs, nem tudo o que vemos na internet é o que parece ser. Nas profundezas 
do mar, é possível esconder uma enorme massa de gelo capaz de afundar um navio de uma só vez, se 
acreditarmos apenas no que se vê na superfície. Podemos usar este exemplo para explicar as fake 
news, e-mails com links maliciosos, ofertas fraudulentas via SMS e até mesmo imagens que 
compartilhamos com colegas de trabalho. Ações aparentemente inofensivas podem gerar enormes 
danos pessoais e profissionais”, explica Fabio Assolini, pesquisador sênior de segurança da Kaspersky 
no Brasil. 
 
O combate ao analfabetismo funcional em uma era de ascensão da internet, redes sociais e ensino 
à distância é fundamental para também combater as fake news e os movimentos de pós-verdade. 
 
O Dicionário Oxford, na edição de 2016, destaca como palavra do ano a pós-verdade, 
conceituando-a como uma circunstância em que os fatos objetivos tem menos influência na formação 
da opinião pública do que os apelos emocionais e crenças pessoais. Assim, de acordo com esse 
conceito, a verdade individual é suficiente para desacreditar fatos comprovados cientificamente. 
 
COMBATE AO ANALFABETISMO FUNCIONAL 
 
A educação de qualidade é uma das chaves para combater o analfabetismo funcional, porém, 
ainda é um desafio no contexto brasileiro. A análise dos dados do Inaf sobre os índices de alfabetização 
demonstra que as pessoas carregam defasagens de ensino ao longo dos anos formais de educação, 
podendo inclusive chegar ao ensino superior sem saber elaborar opiniões sobre textos diversos. O 
resultado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) da OECD de 2018 não 
demonstrou avanços significativos do Brasil no desempenho dos alunos em leitura, matemática e 
ciências: 
- O Brasil apresentou uma tendência de estagnação do desenvolvimento; 
- Apesar de manter a média, o Brasil aumentou o número de adolescentes de 15 anos matriculados. 
 
Além disso, a desigualdade social brasileira se reflete no nível de educação. Estudantes de baixa 
renda e com pais analfabetos têm menor desempenho escolar e maiores índices de evasão, de acordo 
com um estudo realizado pelo movimento Todos Pela Educação em 2017. Nesse ano, 2,46 milhões de 
crianças e adolescentes de 4

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