Buscar

LEITURA E ESCRITA NO SISTEMA BRAILLE

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 3, do total de 137 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 6, do total de 137 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 9, do total de 137 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Prévia do material em texto

Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
LEITURA E ESCRITA NO 
SISTEMA BRAILLE
Autoras: Carolina dos Santos Maiola
 Eliane Caetano Venturella
411
M227l Maiola, Carolina dos Santos
 Leitura e escrita no sistema Braille / Carolina dos 
 Santos Maiola; Eliane Caetano Veturella. 
 Indaial : Uniasselvi, 2013.
 137 p. : il 
 
 ISBN 978-85-7830- 644-1
	 	 1.	Ortografia.	2.	Braille.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Ozinil Martins de Souza
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel
Equipe Multidisciplinar da
Pós-Graduação EAD: Profa. Hiandra B. Götzinger Montibeller
 Profa. Izilene Conceição Amaro Ewald
 Profa. Jociane Stolf
Revisão de Conteúdo: Profa. Tátila Cilene Leite de Oliveira
Revisão Gramatical: Profa. Iara de Oliveira
Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci
Copyright © Editora UNIASSELVI 2013
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial. UNIASSELVI – Indaial.
Mestre em Educação pela Universidade 
Regional de Blumenau; Especialista em 
Psicopedagogia Institucional e Educação Especial 
Inclusiva. Prêmio Mérito Universitário Catarinense 
em pesquisas relacionadas à inclusão de pessoas com 
defi	ciência	 no	 ensino	 regular.	 Atua	 como	 Professora	 no	
Atendimento	 Educacional	 Especializado,	 como	 Professora	
Tutora-Externa em cursos de Educação a Distância - 
Uniasselvi e nos cursos de especialização em Educação 
Especial Inclusiva, Psicopedagogia e Gestão Escolar. 
Desenvolve	 pesquisas	 relacionadas	 à	 Defi	ciência	 Visual,	
ao Transtorno Global do Desenvolvimento e à Formação 
de	 professores.	 Publicou:	 Práticas	 Inclusivas	 na	 Escola:	
o que os alunos têm a dizer sobre isso? ; Os dizeres dos 
acadêmicos	 com	 defi	ciência	 sobre	 o	 seu	 processo	 de	
inclusão na universidade; Das relações e dos dizeres: 
os sentidos de escola inclusiva para colegas e aluna 
com necessidades educacionais especiais; A criança 
com	paralisia	 cerebral	 e	o	papel	 do	 fi	sioterapeuta	
no contexto escolar; Políticas Públicas em 
Educação:	Um	olhar	sobre	a	diferença.	
Carolina dos Santos Maiola
Formada em Educação Especial - Habilitação 
Defi	cientes	Mentais,	 pela	Universidade	 Federal	 de	
Santa Maria no Rio Grande do Sul; Especialista em 
Interdisciplinaridade na Educação Básica pelo IBEPX 
- Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão 
das Faculdades Integradas “Espírita”; cursando pós-
graduação em Psicopedagogia, também pelo IBEPX; 
professora	 do	 atendimento	 educacional	 especializado	
na Rede Municipal de Itajaí - CEMESPI - Centro 
Municipal	 de	 Educação	 Alternativa	 de	 Itajaí;	 formadora	
de	 professores	 da	 rede	 comum	 de	 ensino	 na	 área	 de	
educação	especial	e	inclusiva;	professora	de	graduação	
e pós-graduação do SINERGIA de Navegantes na 
área	 de	 inclusão,	 deficiência	 visual	 e	 produção	 de	
materiais pedagógicos adaptados; produz materiais 
pedagógicos adaptados para alunos incluídos 
na	 Rede	 Municipal	 de	 Itajaí,	 professores	 do	
atendimento educacional especializado e 
da	 área	 da	 saúde,	 como:	 fisioterapeutas,	
psicólogos	e	fonoaudiólogos	do	CEMESPI.
Eliane Caetano Venturella
Sumário
APRESENTAÇÃO ........................................................................... 7
CAPÍTULO 1
Aspectos	Legais	e	Históricos	do	Sistema	Braille	 .................. 9
CAPÍTULO 2
O	Sistema	Braille ....................................................................... 31
CAPÍTULO 3
Aspectos	Metodológicos	no	Ensino	do	Sistema	Braille	 ..... 65
CAPÍTULO 4
Produção	de	Material	Pedagógico	Adaptado ........................ 93
CAPÍTULO 5
Recursos	de	Tecnologia	da	Informação	
e	Comunicação	–	TICS	 .............................................................. 119
APRESENTAÇÃO
Caro(a) pós-graduando(a):
O caderno de estudos “Leitura e escrita Braille” pertence a uma estrutura 
curricular que possibilitará a você conhecimentos pertinentes para a sua 
atuação no campo da Educação Especial, por meio do Atendimento Educacional 
Especializado, e na Educação Inclusiva, pelas orientações pedagógicas realizadas 
nas	escolas	e	demais	instituições,	referentes	à	Área	Visual	ou,	até	mesmo,	como	
aquisição	de	novos	conhecimentos	para	atuação	como	professor	de	sala	comum.
Este	caderno	está	organizado	em	5	(cinco)	capítulos,	distribuídos	de	forma	
a auxiliar o leitor a elaborar conceitos, compreender metodologias e conhecer/
aplicar	tecnologias	acessíveis	às	pessoas	com	deficiência	visual.	
Diante disso, veremos no Capítulo 1 – Aspectos Legais e Históricos do 
Sistema Braille, que relata os processos que levaram à criação do Sistema Braille, 
as Portarias Ministeriais que regem as normas da utilização do Braille no Brasil 
e,	 ainda,	 as	 instituições	 que	 oferecem	 atendimento	 especializado	 e	 materiais	
adaptados	às	pessoas	com	deficiência	visual.	
No Capítulo 2 - O Sistema Braille, apresentamos o código Braille, as 
estruturas	 em	 que	 se	 constituem	 as	 letras	 do	 alfabeto,	 pontuação,	 acessórios,	
simbologia	matemática	 até	 a	 construção	de	 frases	e	 textos,	 de	 acordo	 com	as	
normas para a utilização do Sistema Braille no Brasil.
No Capítulo 3 – Aspectos Metodológicos no Ensino do Sistema Braille, 
reportaremos sobre a importância do lúdico para o desenvolvimento das 
habilidades cognitivas, psicológicas e sociais da criança cega. Por meio do 
brincar,	 a	 criança	 poderá	 elaborar	 conceitos,	 explorar	 informações	 através	 dos	
sentidos remanescentes. Sugerimos, ainda, neste capítulo, alguns brinquedos 
adaptados que poderão ser de grande importância no atendimento educacional 
especializado e no contexto de sala de aula comum.
O Capítulo 4 – Produção de Material Pedagógico Adaptado apresenta, 
de	 forma	didática	e	prática,	 alguns	materiais	 adaptados	em	 relevo,	 os	 tipos	de	
texturas utilizados e a operacionalização da produção desses materiais. Neste 
capítulo, encontraremos também as normas para adaptação, transcrição, revisão 
e impressão de textos em Braille.
Finalizamos nosso caderno com o Capítulo 5 – Recurso de Tecnologia da 
Informação	e	Comunicação	–	TICs.	Nele	apresentamos	a	descrição	dos	principais	
leitores de tela e programas com síntese de voz e a aplicação da audiodescrição 
nos meios de comunicação de inserção social.
Além dos textos do caderno de estudo, você encontrará no decorrer dos 
capítulos	 sugestões	de	 livros,	 filmes,	 sites,	 jogos	e	programas	adaptados,	 bem	
como	uma	vasta	opção	de	referências	bibliográficas	que	ampliarão	ainda	mais	os	
seus estudos sobre os temas abordados. 
Organize	sua	agenda	de	estudos	e	inicie	este	novo	desafio!	
Bom	trabalho!
As autoras.
CAPÍTULO 1
Aspectos	Legais	e	Históricos	
do	Sistema	Braille
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
  Caracterizar	os	diferentes	momentos	históricos	do	sistema	Braille.
  Conhecer as portarias ministeriais que regem o sistema Braille.
10
Leitura e escrita no sistema braille
11
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
ConteXtualiZação
Estudar	sobre	a	defi	ciência	visual,	mais	especifi	camente	sobre	a	cegueira,	
remete-nos a conhecer também a dinâmica de leitura e escrita que estes utilizam 
como	forma	de	comunicação.
No primeiro capítulo desta disciplina, abordaremos um pouco da história 
do Sistema Braille, desde o seu surgimento, passando pelas tentativas de 
representação da leitura e escrita para cegos. Ainda, no decorrer do texto, 
conheceremos alguns aspectos legais que regem o direito das pessoas com 
defi	ciência	visual	a	materiais	apropriados	e	adaptados	as	suas	especifi	cidades,	
garantindo maior independência na sua comunicação e na aquisição de novas 
informaçõespor	meio	de	textos	escritos.
Histórico	do	Sistema	Braille
As pessoas cegas são as mais isoladas do mundo. Eu posso 
descrever um pássaro distinguindo-o de outro pelo som. 
Eu posso conhecer a porta de uma casa sentindo-a com a 
minha mão. Mas há inúmeras coisas que eu não posso ouvir 
nem sentir. Somente os livros podem libertar os cegos [...]. 
Finalmente eu encontrei a resposta para o problema do cego. 
Agora o cego pode ser livre. (Louis Braille sobre a criação do 
Sistema Braille).
O Sistema Braille é um código universal de leitura tátil e de 
escrita, inventado por um jovem cego chamado Louis Braille, em 1825. 
Podemos	dizer	que	a	criação	deste	sistema	foi	um	marco	para	as	novas	
conquistas	que	viriam,	principalmente	no	que	se	refere	à	oportunidade	
da educação das pessoas cegas e a sua emancipação no direito de ir 
e	vir,	da	comunicação	e	aquisição	de	novas	informações	pela	leitura	e	
pela escrita e da sua inclusão no contexto social e pedagógico.
Mas	nem	sempre	foi	assim...	Para	chegar	ao	Sistema	Braille	que	se	utiliza	
atualmente e que vamos estudar neste caderno, há registros de várias tentativas 
de se criar um meio que possibilitasse às pessoas cegas ler e escrever.
As primeiras tentativas para a criação de métodos que permitissem aos cegos 
o	acesso	à	linguagem	escrita	utilizavam	fundição	de	letras	em	metal,	caracteres	
recortados	 em	 papel,	 alfi	netes	 de	 diversos	 tamanhos	 pregados	 em	 almofadas,	
mas estes só permitiam a leitura de pequenos textos, enquanto a escrita era 
impossível de se realizar. (BELARMINO, 1996).
O Sistema Braille é 
um código universal 
de leitura tátil e de 
escrita, inventado 
por um jovem cego 
chamado Louis 
Braille, em 1825.
12
Leitura e escrita no sistema braille
Além desses métodos, podemos destacar o processo de representação 
dos caracteres comuns com linhas de alto relevo, ou seja, a pessoa aprenderia 
a realizar leitura tátil dos caracteres que conhecemos através da escrita em 
tinta.	 Esse	 processo	 foi	 adaptado	 por	 Valentin	Hauy,	 porém,	 com	 o	 uso	 dessa	
sistemática, pode-se perceber que o processo de representação de Valentin Hauy 
possibilitava	às	pessoas	cegas	apenas	a	leitura,	difi	cultando	a	comunicação	por	
meio da escrita individual.
Além	da	sua	contribuição	na	comunicação	para	cegos,	Valentin	Hauy	fundou	
a primeira escola para cegos do mundo, denominada Instituto Real dos Jovens 
Cegos, no ano de 1784, em Paris, espaço este onde Louis Braille estudou.
Ainda	 estudante,	 Louis	 Braille	 obteve	 informações	 de	 uma	
invenção	conhecida	como	sonografi	a	ou	código	militar,	 cujo	objetivo	
era	 o	 de	 viabilizar	 a	 comunicação	 noturna	 entre	 ofi	ciais	 na	 guerra.	
Criada por Charles Barbier, este invento se baseava em doze sinais, 
entre linhas e pontos salientes, que representavam sílabas na língua 
francesa.	 Não	 obtendo	 sucesso	 em	 seu	 objetivo	 militar,	 Barbier	
apresentou esta ideia ao Instituto Real dos Jovens Cegos, para ser 
experimentado	entre	as	pessoas	cegas.	A	signifi	cação	tátil	dos	pontos	
em relevo, criada por Barbier, inspirou o jovem Louis Braille a criar o 
sistema utilizado atualmente.
Louis	 Braille	 foi	 um	 personagem	 marcante	 na	 construção	 do	
Sistema Braille, por isso convidamos você para conhecer melhor a 
sua história. Vamos lá?
Figura 1 – Louis Braille
No ano de 1812, Louis Braille era um menino. Vivia ele em Coupvray, 
uma pequena cidade a 40 km de Paris na França. O pai de Louis tinha 
uma	loja,	onde	se	fabricavam	artigos	de	couro.	Um	dia	em	que	brincava	
na	 referida	 loja,	 tendo	 em	 uma	 das	 mãos	 uma	 sovela,	 instrumento	
A signifi cação tátil 
dos pontos em 
relevo, criada por 
Barbier, inspirou 
o jovem Louis 
Braille a criar o 
sistema utilizado 
atualmente.
13
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
cortante, caiu, enterrando a ponta do instrumento em um dos olhos. 
Mais tarde, contudo, tornou-se cego dos dois olhos. Embora tivesse 
apenas sete ou oito anos, já era obrigado a andar com uma bengala.
O povo de sua cidadezinha se apiedava quando o via tão pequeno 
completamente cego, seguindo seu caminho pelas ruas com uma 
bengala,	a	fi	m	de	encontrar	sua	direção.
Poucos anos depois, Louis entrou para uma escola para cegos 
em Paris, lá aprendeu a ler, isto é, aprendeu a reconhecer as vinte 
e seis letras, sentindo-as com os dedos. Mas as letras tinham 
muitas polegadas (cerca de 20 cm de largura e altura). Este era 
naturalmente um sistema muito primitivo de ler. Um artigo pequeno 
enchia inúmeros livros e cada livro pesava 8 ou 9 libras (3,624 Kg a 
4,077Kg).	Mais	 tarde,	 Louis	 tornou-se	 professor	 nesta	 escola.	 Ele,	
todavia, ansiava por encontrar um sistema de leitura para o cego, 
mas	isto	não	era	fácil.	Um	dia,	em	visita	à	sua	casa,	ele	disse	a	seu	
pai: “as pessoas cegas são as mais isoladas do mundo. Eu posso 
descrever um pássaro distinguindo-o de outro pelo som. Eu posso 
conhecer a porta de uma casa sentindo-a com a minha mão. Mas 
há inúmeras coisas que eu não posso ouvir nem sentir. Somente 
os livros podem libertar os cegos. Mas não há livros para lermos”.
Um dia, porém, estava ele sentado em um restaurante com um 
amigo, ouvindo-o ler, pacientemente, um artigo de um jornal. Este 
artigo era sobre Charles Barbier, um capitão do Exército que tinha 
um sistema de escrever, o qual podia ser usado no escuro. Ele o 
chamava Escrita da Noite (night-writing).
Na Night-Writing, o capitão usava um sistema de pontos e 
traços. Os pontos e traços eram construídos no papel, assim a 
pessoa	 podia	 senti-lo	 com	 seus	 dedos.	 Quando	 Louis	 ouviu	 falar	
sobre	 isto,	 fi	cou	 muito	 fascinado.	 Começou	 a	 falar	 e	 a	 soluçar.
- “Por favor Louis”, disse seu amigo. “O que há? Todos estão 
olhando para você”.
- “Finalmente eu encontrei a resposta para o problema do cego”, 
disse. “Agora o cego pode ser livre”.
No	 dia	 seguinte,	 Louis	 foi	 orientar-se	 com	 o	 Capitão	 do	
Exército e perguntou-lhe sobre seu sistema. O Capitão explicou-
lhe que usava um punção ou estilete, instrumento com ponta 
afi	ada,	 para	 fazer	 os	 furos	 e	 tracinhos	 num	 papel	 grosso.	 Uma	
14
Leitura e escrita no sistema braille
pessoa	 qualquer	 poderia	 sentir	 os	 furos	 e	 traços	 no	 outro	 lado	 do	
papel.	 Certas	 marcas	 signifi	cavam	 uma	 coisa,	 outras	 marcas,	
outras coisas. O instrumento que o capitão usava era do 
mesmo	 tipo	 que	 o	 ferira	 quando	 brincava	 há	 tantos	 anos	 antes.
- “Estou certo de poder usar este sistema”, disse Louis, “para 
ajudar as pessoas cegas a ler e lhes dar livros”.
Este	foi	um	maravilhoso	dia	para	Louis.	Mais	tarde,	ele	começou	
a estudar este novo sistema para usá-lo com o cego.
Estudou	diferentes	maneiras	de	fazer	os	furos	e	traços	sobre	o	
papel. Finalmente, conseguiu um sistema simples, no qual usava seis 
furos	em	diferentes	posições	dentro	 deste	 espaço.	Ele	 podia	 fazer	
63	 combinações	 diferentes.	 Cada	 combinação	 indicava	 uma	 letra	
do	alfabeto	ou	uma	pequena	palavra.	Havia,	também,	combinações	
para indicar marcas de pontuação, etc. Breve, Louis escreveu um 
livro usando o Sistema Braille.
Primeiramente o povo não acreditou que o Sistema de Louis 
Braille	fosse	possível	ou	prático.	Uma	vez	Louis	falou	diante	de	um	
grupo	de	pessoas.	Ele	 lhes	mostrou	 como	podia	 escrever	 fazendo	
estes	furos	no	papel	quase	ao	mesmo	tempo	em	que	alguém	lesse	
alguma	 coisa	 para	 ele.	Mas	 não	 lhe	 deram	 crédito,	 afi	rmavam	 ser	
impossível	 fazer	 isso.	 Disseram,	 inclusive,	 que	 Louis	 decorava	 o	
que lhe ditavam. Em toda parte era a mesma coisa, as pessoas não 
acreditaram nele. Em alguns casos, por uma razão ou por outra, eles 
não queriam acreditar. Até o Governo Francês não queria ouvir nada 
sobre	o	Sistema	de	Louis.	Disseram	que	já	estavam	fazendo	todo	o	
possível para o cego.
Louis continuou sempre a trabalhar com seu Sistema. Agora ele 
já era um homem doente. Cada ano tornava-se mais doente. Porém, 
trabalhava e trabalhava com seu Sistema para torná-lo melhor.
Ele construiuum Sistema de pontos para Matemática e Música. 
Um	dia,	uma	moça	que	nascera	cega,	tocava	piano,	magnifi	camente,	
diante de um grande auditório. Todos se encantaram. Então, a moça 
lhes disse que não deveriam agradecê-la por tocar tão bem. Deveriam 
fazê-lo	a	Louis	Braille,	só	ele	tornou	possível	o	seu	aprendizado	e	sua	
perfeição	no	piano.	Ela	 lhes	disse	 também	que,	naquele	momento,	
Louis Braille era um pobre homem cansado e doente. Ele estava 
às portas da morte. Subitamente, depois de tantos anos todos, 
começaram a se interessar pelo Sistema de Louis Braille. Os jornais 
15
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
escreveram artigos sobre ele. O Governo interessou-se também pelo 
Sistema	de	leitura	para	cegos.	Amigos	foram	visitá-lo	contando	o	que	
acontecera. Louis começou a chorar alto, dizendo:
- “Esta é a terceira vez em minha vida que eu choro. A primeira, 
quando me tornei cego. A segunda, quando ouvi falar sobre “night-
writing” e agora porque sei que minha vida não foi um fracasso.”
Poucos	 dias	 depois	 Louis	 Braille	 morreu.	 Tinha,	 ao	 falecer,	
somente 43 anos de idade.
Fonte:	Extraído	de	The	Story	of	Louis	Braille.	Disponível	em:	<http://www.
braille.com.br/historialouisbraille.htm>. Acesso em: 14 ago. 2012.
Atividade de Estudos: 
1) Até o surgimento do Sistema Braille criado por Louis Braille, 
como era a participação da pessoa cega no contexto educacional 
e social?
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
Você já teve a oportunidade de conhecer sobre a história do 
sistema braille? Conhece sua estrutura básica?
16
Leitura e escrita no sistema braille
O	Sistema	Braille	foi	de	grande	aceitação	para	a	maioria	das	pessoas	cegas,	
pois	além	da	aplicabilidade	e	efi	ciência,	ele	permitiu	a	possibilidade	de	viabilizar	o	
melhor meio de leitura e escrita para essas pessoas. Diante dessa invenção, 
Louis	Braille	defi	niu	a	estrutura	básica	do	sistema,	utilizada	mundialmente.
Depois	 da	 criação	 do	 Sistema	 Braille,	 novas	 tentativas	 foram	
realizadas	 para	 a	 adoção	 de	 outras	 formas	 de	 leitura	 e	 escrita	 e,	
ainda,	para	o	aperfeiçoamento	do	Braille,	porém	sem	sucesso.
Assim, como veremos com mais detalhe no próximo capítulo, constituiu-
se	o	Sistema	Braille	através	de	63	símbolos	diferentes,	organizados	a	partir	da	
utilização de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas, podendo ser 
usados	 tanto	 em	 textos	 como	 também	 na	 simbologia	 matemática,	 científi	ca,	
musical	e	na	informática.	
O	Sistema	Braille	no	Brasil
No	Brasil,	 o	Sistema	Braille	 foi	 adotado	a	partir	 de	1854,	 com	a	
criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamin 
Constant. 
Figura 2 - Instituto Benjamin Constant
Fonte:	Disponível	em:	<http://stargardtbrasil.blogspot.com.br/2011/04/
governo-federal-pretende-fechar-o.html>.	Acesso	em:	15 ago. 2012.
No Brasil, o 
Sistema Braille foi 
adotado a partir 
de 1854, com a 
criação do Imperial 
Instituto dos 
Meninos Cegos, 
hoje Instituto 
Benjamin Constant.
17
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
Para Cerqueira [2005?], a utilização do Sistema Braille no Brasil pode ser 
descrita em quatro períodos distintos:
• 1854	a	1942	–	em	1854,	o	Sistema	Braille	 foi	 adotado	no	 Imperial	 Instituto	
dos Meninos Cegos (atualmente denominado de Instituto Benjamin Constant), 
sendo a primeira instituição na América Latina a utilizá-lo. Deve-se isso aos 
esforços	 de	 José	Álvares	 de	Azevedo,	 um	 jovem	 cego	 brasileiro	 que	 havia	
aprendido na França.
• 1942 a 1963 – neste período, realizaram-se algumas alterações na 
simbologia	Braille	em	uso	no	Brasil.	Devido	à	reforma	ortográfi	ca	da	Língua	
Portuguesa	de	1942,	o	alfabeto	Braille,	de	origem	francesa,	 foi	adaptado	às	
novas necessidades da nossa língua, principalmente para a representação 
de	 símbolos	 indicativos	 de	 acentos	 diferenciais.	Pode-se	 destacar,	 ainda,	 a	
adoção da tabela Taylor de sinais matemáticos, de origem inglesa.
• 1963	 a	 1995	 –	 em	 05	 de	 janeiro	 de	 1063	 foi	 assinado	 um	 convênio	 luso-
brasileiro entre as mais importantes entidades dos dois países para a 
padronização do Braille integral (Grau 1) e para a adoção no Brasil de 
símbolos do código de abreviaturas usado em Portugal.
Sistema Braille Grau 1 é a representação por extenso, isto é, 
aquela em que todos os sinais têm exatamente os mesmos valores 
atribuídos	no	Alfabeto	Braille.
Destaca-se,	ainda,	neste	período,	a	atuação	profi	ssional	da	pessoa	cega	na	
área	da	Informática,	reforçando,	assim,	a	necessidade	da	criação	de	uma	tabela	
unifi	cada	que	estabelecesse	a	utilização	do	Braille	para	a	informática.	E,	ainda,	o	
trabalho	conjunto	da	Fundação	Dorina	Nowill	para	Cegos	e	do	Instituto	Benjamin	
Constant e a criação da Comissão Brasileira de Braille, em 1995.
• 1995 a 2002 – com o intuito de adotar uma política de diretrizes e normas 
para	 o	 uso,	 o	 ensino,	 a	 produção	 e	 a	 difusão	 do	Sistema	Braille	 em	 todas	
as modalidades de aplicação, especialmente na Língua Portuguesa, na 
Matemática	e	outras	ciências,	na	Música	e	na	 Informática,	considerando	as	
evoluções	técnico-científi	cas	que	surgem,	além	da	necessidade	de	intercâmbio	
com	 comissões	 de	 Braille	 de	 outros	 países,	 foi	 instituída	 no	 Ministério	 da	
Educação, vinculada à Secretaria de Educação Especial/SEESP, a Comissão 
Brasileira	do	Braille	pela	Portaria	nº	319	de	26	de	fevereiro	de	1999.
18
Leitura e escrita no sistema braille
Fique	 atento(a)!	 As	 especifi	cidades	 da	 Portaria	 nº	 319	 de	
26	 de	 fevereiro	 de	 1999	 serão	 discutidas	 no	 tópico	 PORTARIAS	
MINISTERIAIS. 
Portarias	Ministeriais
Ao analisar os processos históricos que envolveram o sistema Braille, 
podemos	perceber	que	houve	grande	esforço	para	a	atualização	e	a	unifi	cação	
deste sistema no Brasil e no mundo.
Consta-se	que	na	Portaria	nº	552,	de	13	de	novembro	de	1945,	ofi	cializou-
se o Braille para uso no Brasil, além de um código de abreviaturas, da autoria do 
professor	José	Espínola	Veiga	(essa	abreviatura	teve	uso	restrito,	entrando	em	
desuso	posteriormente).	E,	para	reforçar	esta	ação,	em	1962,	com	a	ofi	cialização	
das	 convenções	 Braille,	 surgiram	 difi	culdades	 para	 o	 estabelecimento	 de	
acordos	internacionais,	fazendo	com	que	os	especialistas	brasileiros	optassem	
por	 alterar	 seus	 conteúdos,	 em	 benefício	 da	 unifi	cação	 do	 Sistema	 Braille.	
(CERQUEIRA, [2005?]).
Diante	disso,	foi	instituída	no	Ministério	da	Educação,	vinculada	à	Secretaria	
de Educação Especial/SEESP, a Comissão Brasileira do Braille pela Portaria nº 
319	de	26	de	fevereiro	de	1999,	que	apresenta	as	informações	a	seguir:
A Comissão Brasileira do Braille é constituída por pessoas de notório saber e 
larga experiência no uso do Sistema Braille, nas seguintes áreas:
a) Braille integral e abreviado (Grau 1 e Grau 2) da língua portuguesa e 
conhecimentos	específi	cos	de	simbologia	Braille	usada	em	outras	línguas,	em	
especial	espanhol,	francês	e	inglês;
b) Simbologia Braille aplicada à matemática e às ciências em geral;
c)	 Musicografi	a	Braille;
d) Simbologia Braille;
e)	 Produção	Braille	 (transcrição,	adaptação	de	 textos,	gráfi	cos	e	desenhos	em	
relevo e impressão).
19
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
A	Comissão	Brasileira	do	Braille	será	formada	por	08	(oito)	membros	sendo:
I - 1 representante do Instituto Benjamin Constant - IBC;
II - 1 representante da União Brasileira de Cegos - UBC;
III	-		1	representante	da	Fundação	DorinaNowill	para	Cegos	-	FNDC;
IV	 -	 5	 representantes	 de	 instituições	 de	 e	 para	 cegos,	 escolhidos	 em	 fórum	
convocado pela União Brasileira de Cegos - UBC.
As competências da Comissão Brasileira do Braille são:
I. Elaborar e propor a política nacional para o uso, ensino e 
difusão	 do	 Sistema	 Braille	 em	 todas	 as	 suas	 modalidades	 de	
aplicação, compreendendo especialmente a língua portuguesa, a 
matemática	e	outras	ciências	exatas,	a	música	e	a	informática;
II. Propor normas e regulamentações concernentes ao uso, ensino 
e	 produção	 do	 Sistema	 Braille	 no	 Brasil,	 visando	 à	 unifi	cação	
das aplicações do Sistema Braille, especialmente nas línguas 
portuguesa e espanhola;
III. Acompanhar e avaliar a aplicação de normas, regulamentações, 
acordos internacionais, convenções e quaisquer atos normativos 
referentes	ao	Sistema	Braille;
IV. Prestar assistência técnica às Secretarias Estaduais e Municipais 
de Educação, bem como a entidades públicas e privadas, sobre 
questões relativas ao uso do Sistema Braille;
V. Avaliar permanentemente a Simbologia Braille adotada no País, 
atentando	para	a	necessidade	de	adaptá-la	ou	alterá-la	 face	à	
evolução	 técnica	 e	 científi	ca,	 procurando	 compatibilizar	 esta	
simbologia,	 sempre	 que	 for	 possível,	 com	 as	 adotadas	 nos	
países de língua portuguesa e espanhola;
VI. Manter intercâmbio permanente com comissões de Braille de 
outros	países,	de	acordo	com	as	recomendações	de	unifi	cação	
do Sistema Braille em nível internacional;
20
Leitura e escrita no sistema braille
VII. Recomendar, com base em pesquisas, estudos, tratados 
e convenções, procedimentos que envolvam conteúdos, 
metodologia e estratégias a serem adotados em cursos de 
aprendizagem no Sistema Braille com caráter de especialização, 
treinamento	 e	 reciclagem	 de	 professores	 e	 de	 técnicos,	 como	
também nos cursos destinados a usuários do Sistema Braille e à 
comunidade geral;
VIII.	Propor	 critérios	 e	 fi	xar	 estratégias	 para	 implantação	 de	 novas	
Simbologias Braille que alterem ou substituam os códigos em uso 
no Brasil, prevendo a realização de avaliações sistemáticas com 
vistas	a	modifi	cações	de	procedimentos	sempre	que	necessário;
IX. Elaborar catálogos, manuais, tabelas e outras publicações que 
facilitem	o	 processo	 ensino-aprendizagem	e	 o	 uso	 do	Sistema	
Braille em todo o território nacional.
Fonte:	Disponível	em:	<http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/
pdf/port554.pdf>.	Acesso	em:	10	set.	2012.
Figura 3 – 1ª Comissão Brasileira do Braille (10/6/1999) 
Fonte: Cerqueira e colaboradores (2006).
Considerando os resultados dos trabalhos técnicos e das ações desenvolvidas 
pela	Comissão	Brasileira	do	Braille,	foi	aprovado	através	da	Portaria	nº	2.678	de	
24	de	setembro	de	2002	o	projeto	da	Grafi	a	Braille	para	a	Língua	Portuguesa,	
recomendando	o	seu	uso	em	 todo	o	 território	nacional,	na	 forma	da	publicação	
Classifi	cação	Decimal	Universal	-	CDU	376.352	deste	Ministério,	a	partir	de	01	de	
janeiro de 2003.
21
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
Assim, a Comissão de Braille do Brasil e a de Portugal, em 
conjunto,	publicaram	a	Grafi	a	Braille	para	a	Língua	Portuguesa.	Esse	
documento	 tem	como	objetivo	normatizar	a	grafi	a	Braille	e	destina-se	
especialmente	 a	 professores,	 transcritores,	 revisores	 e	 usuários	 do	
Sistema	Braille.	Dessa	forma,	o	material	benefi	ciará	todas	as	pessoas	
cegas	dos	países	de	língua	ofi	cial	portuguesa.
Ainda,	além	de	símbolos	já	conhecidos	na	escrita	Braille,	a	Grafi	a	
Braille para a Língua Portuguesa (BRASIL, 2006, p.13), através da 
sua segunda edição, traz algumas alterações, novos símbolos e um 
conjunto de normas para a aplicação de toda essa simbologia. Segundo 
o próprio material, as alterações e a adoção de novos símbolos 
basearam-se principalmente nos seguintes critérios:
1.	 Ajustar	a	grafi	a	básica	à	nova	realidade	da	representação	Braille.
2.	 Favorecer	o	intercâmbio	entre	pessoas	cegas	e	instituições	de	diferentes	países.
3.	 Adequar	 a	 escrita	 Braille	 às	 modifi	cações	 realizadas	 nas	 representações	
gráfi	cas	decorrentes	do	avanço	científi	co	e	 tecnológico	e	do	emprego	cada	
vez	mais	frequente	da	Informática.
4. Atender às recomendações da União Mundial de Cegos (UMC) e da UNESCO 
quanto	à	unifi	cação	das	grafi	as	por	grupos	linguísticos.
5. Evitar a duplicidade de representação de símbolos Braille.
6.	 Ajustar	a	grafi	a	básica,	considerando	o	Código	Matemático	Unifi	cado	(CMU),	
adotado	no	Brasil	desde	2003,	em	conformidade	com	a	Grafi	a	Braille	para	a	
Língua Portuguesa, instituída pela Portaria ministerial no 2.678 de 24/09/2002.
7. Garantir a qualidade da transcrição de textos para o Sistema Braille, 
especialmente dos livros didáticos.
Atividade de Estudos: 
1)	 Vimos	em	nossos	estudos	que	a	Comissão	Brasileira	de	Braille	foi	
de	grande	importância	para	os	avanços	referentes	às	diretrizes	e	
às normas do Sistema Braille. Sugerimos que você realize uma 
busca na internet para conhecer os atuais integrantes desta 
comissão.	Bom	trabalho!
Assim, a Comissão 
de Braille do Brasil 
e a de Portugal, 
em conjunto, 
publicaram a Grafi a 
Braille para a 
Língua Portuguesa. 
Esse documento 
tem como objetivo 
normatizar a grafi a 
Braille e destina-
se especialmente 
a professores, 
transcritores, 
revisores e usuários 
do Sistema Braille.
22
Leitura e escrita no sistema braille
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
Braille ou Braile? 
Caro(a) pós-graduando(a), no decorrer dos seus estudos, você 
poderá	 encontrar	 nos	 textos	 acadêmicos	 diferentes	 grafi	as	 para	 a	
palavra “Braille”. Diante disso, buscamos nas normas estabelecidas 
pela Comissão Brasileira do Braille as recomendações para a escrita 
desta	palavra.	Leia	com	atenção!
Parecer	SoBre	a	Grafia	da	PalaVra	
“Braille”
A Comissão Brasileira do Braille – CBB, instituída pela Portaria Ministerial nº 
319,	de	26/02/1999,	empenhada	em	assuntos	referentes	à	padronização	do	uso	
do Braille no Brasil, inclusive na terminologia concernente à matéria, considerando 
23
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
dúvidas	por	vezes	suscitadas	sobre	a	grafi	a	correta	da	palavra	 “braille”	 (braile),	
em reunião ordinária realizada nos dias 08, 09 e 10 de junho de 2005, na cidade 
do Rio de Janeiro, elaborou o presente Parecer que, inicialmente esclarece e, 
afi	nal,	recomenda	o	que	se	segue:
Braille
Além	do	Brasil,	Portugal	e	os	demais	Países	de	Língua	Ofi	cial	
Portuguesa	(PALOPs)	mantiveram	historicamente	a	grafi	a:	“braille”.
O	Formulário	Ortográfi	co	da	Língua	Portuguesa	estabelece	em	
suas	 “Instruções	 para	 a	 Organização	 do	 Vocabulário	 Ortográfi	co	
da Língua Portuguesa”, aprovadas unanimemente pela Academia 
Brasileira de Letras, na sessão de 12 de agosto de 1943: “[...] 5. 
Os derivados portugueses de nomes próprios estrangeiros devem 
escrever-se	de	acordo	com	as	formas	primitivas”.
Com base nestas instruções, a AcademiaBrasileira de Letras 
registra	em	seu	Vocabulário	Ortográfi	co	da	Língua	Portuguesa:
“braile adj. 2 g. s. m.: braille
braille adj. 2 g. s. m.”
Fonte:	Disponível	em:	<www.academia.org.br>.	
Acesso em: 10 set. 2012. 
O Protocolo de Colaboração Brasil-Portugal nas Áreas de Uso e Modalidades 
de Aplicação do Sistema Braille na Língua Portuguesa, celebrado em Lisboa, 
aos vinte e cinco dias do mês de maio de 2000, assinado pelos presidentes da 
Comissão Brasileira do Braille e da Comissão de Braille de Portugal, representando 
os	governos	dos	dois	países,	emprega	a	palavra	“braille”	com	a	grafi	a	original	em	
todo	aquele	documento	ofi	cial.
No âmbito de organizações e serviços ligados ao ensino, à produção e ao 
uso do Sistema Braille no Brasil, utiliza-se, há 150 (cento e cinquenta) anos, a 
palavra	 “braille”	 em	 sua	 grafi	a	 original	 francesa,	 como	 no	 Instituto	 Benjamin	
Constant,	 Fundação	 Dorina	 Nowill	 para	 Cegos,	 Sociedade	 Pró-Livro	 Espírita	
em Braille, imprensas de inúmeras instituições brasileiras, nos CAPs (Centros 
de	 Apoio	 Pedagógico	 para	 Atendimento	 às	 Pessoas	 com	 Defi	ciência	 Visual),	
24
Leitura e escrita no sistema braille
NAPPBs (Núcleos de Apoio Pedagógico e Produção Braille), bibliotecas e setores 
especializados de bibliotecas públicas e particulares em todo o Brasil.
Finalmente, os dispositivos legais e documentos normatizadores adiante 
relacionados	empregam,	exclusivamente,	a	palavra	“braille”	em	sua	grafi	a	original:
Lei nº. 4.169, de 04 de dezembro de 1962, publicada no DOU 
de 11 de dezembro de 1962, que “OFICIALIZA AS CONVENÇÕES 
BRAILLE PARA USO NA ESCRITA E LEITURA DOS CEGOS E O 
CÓDIGO DE CONTRAÇÕES E ABREVIATURAS BRAILLE.”
[...]
RECOMENDAÇÃO
Pelas razões históricas, culturais, linguísticas e legais, 
anteriormente explicitadas, a Comissão Brasileira do Braille 
recomenda que a palavra “braille” seja sempre grafada com 
dois “l”, segundo a forma original francesa, internacionalmente 
empregada. 
Fonte: Comissão Brasileira do Braille. 
(BRASIL,	2006,	p.	91,	grifo	nosso).
Diante dos argumentos apresentados no texto acima, sugerimos a você, 
pós-graduando(a),	 que	 utilize	 a	 palavra	 “braille”	 com	 os	 dois	 “l”	 na	 sua	 grafi	a,	
mantendo-se		fi	dedigno	ao	que	se	normatizou	pela	Comissão	Brasileira	do	Braille.	
Além	 disso,	 os	 documentos	 ofi	ciais	 que	 regem	 a	 grafi	a	 Braille,	 as	 publicações	
originarias	de	instituições	referência	no	que	se	refere	à	produção	de	conhecimento	
sobre	a	defi	ciência	visual	e	os	materiais	expedidos	pelo	Ministério	da	Educação	
seguirão também esta mesma normativa.
InstituiçÕes	Parceiras
Você acompanhou no tópico anterior que a vinda do sistema Braille no Brasil 
esteve ligada a uma instituição hoje denominada de Instituto Benjamim Constant. 
Atualmente, além desta, encontramos outras instituições, reconhecidas em todo 
o	 país,	 que	 contribuem	 signifi	cativamente	 na	 divulgação	 do	 sistema	 Braille	 e	
25
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
demais	 tecnologias,	 bem	 como	 oferecem	 materiais,	 capacitação	 e	
produção acadêmica que evidenciam o que se tem de melhor na área 
da	defi	ciência	visual.	Selecionamos	para	este	caderno	algumas	delas,	
assim,	você	conhecerá	um	pouco	mais	do	seu	trabalho.	Ao	fi	nal	de	cada	
item, apresentaremos, como sugestão, alguns sites que contribuirão 
para os seus próximos estudos.
a) Instituto Benjamin Constant
Criado	 pelo	 Imperador	 D.	 Pedro	 II,	 foi	 inaugurado	 em	 1854	 na	
cidade do Rio de Janeiro, com o nome de Instituto dos Meninos 
Cegos. Esta instituição contribuiu historicamente para que barreiras e 
preconceitos	fossem	aos	poucos	eliminados,	mostrando	que	a	pessoa	
cega	teria	condições	de	educar-se	e	de	profi	ssionalizar-se.
Devido à grande procura, construiu-se um novo espaço e passou a 
ser intitulado como Instituto Benjamim Constant (IBC), homenageando 
o terceiro diretor da instituição. 
Atualmente, o instituto vê seus objetivos redimensionados, considerando-se 
um	centro	de	referência	nacional	no	que	tange	à	defi	ciência	visual.	Possui	uma	
escola	 a	 qual	 capacita	 os	 profi	ssionais	 que	 trabalham	 na	 área	 da	 defi	ciência	
visual, assessora escolas e instituições, reabilita, realiza produção de material, 
impressão	em	Braille,	publicações	científi	cas,	dentre	outros.
Se	 você	 fi	cou	 interessado	 e	 deseja	 conhecer	melhor	 o	 que	 o	
Instituto	Benjamin	Constant	oferece,	acesse	o	site:	www.ibc.gov.br.
b) Fundação Dorina Nowill para Cegos
Fundada	 em	 1946,	 em	 São	 Paulo,	 a	 fundação	 Dorina	 Nowill	 é	 uma	
organização	de	mais	de	seis	décadas,	sem	fi	ns	lucrativos,	que	tem	se	dedicado	a	
inclusão	da	pessoa	com	defi	ciência	visual	na	sociedade	por	meio	da	viabilização	
de	 livros	Braille,	 falados	 e	 digitais	 acessíveis	 e	 programas	 de	 reabilitação	 para	
pessoas cegas e com baixa visão.
A	fundação	surgiu	quando	Dorina	de	Gouvêa	Nowill,	cega	aos	17	anos	por	
uma	enfermidade	não	diagnosticada,	sentiu	uma	grande	carência	de	livros	Braille	
em nosso país. Atualmente, a instituição possui uma das maiores imprensas 
Encontramos 
outras instituições, 
reconhecidas 
em todo o país, 
que contribuem 
signifi cativamente 
na divulgação do 
sistema Braille e 
demais tecnologias, 
bem como 
oferecem materiais, 
capacitação 
e produção 
acadêmica que 
evidenciam o 
que se tem de 
melhor na área da 
defi ciência visual.
26
Leitura e escrita no sistema braille
Braille	 do	 mundo	 em	 capacidade	 produtiva.	 Segundo	 informações	 da	 própria	
fundação	 (fundacaodorina.org.br),	 já	 foram	 produzidas	 aproximadamente	 290	
milhões de páginas no Sistema Braille, seis mil títulos e dois milhões de volumes 
impressos em Braille. Ainda, a instituição produziu mais de 1600 obras em áudio 
e outros 900 títulos digitais acessíveis. Além de mais de 17mil pessoas atendidas 
nos serviços de clínica de visão subnormal, reabilitação e educação especial.
Figura	4	-		Fundação	Dorina	Nowill
Fonte:	Disponível	em:	<http://cidadania.fcl.com.br/cidadaniaempresarial/
cidadania/2011/fevereiro/notas_03.php>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
Dorina	Nowill	 faleceu	em	2010,	aos	91	anos	de	 idade,	e	exerceu	o	cargo	de	
Presidente	Emérita	e	Vitalícia	da	fundação	que	levou	o	seu	nome	até	a	sua	morte.	
Figura	5	-	Sra.	Dorina	Dowill	
Fonte:	Disponível	em:	<http://www.fundacaodorina.org.br/quem-
somos/a-fundacao-dorina/>.	Acesso em: 14 ago. 2012.
27
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
Quer conhecer mais? 
Acesse:	http://www.fundacaodorina.org.br
c) Laramara
A	Associação	Brasileira	de	Assistência	ao	Defi	ciente	Visual	–	Laramara	é	uma	
organização	sem	fi	ns	lucrativos,	fundada	em	1991,	em	São	Paulo,	por	Victor	e	Mara	
Siaulys	(pais	de	uma	garota	cega)	e	por	profi	ssionais	da	área	da	defi	ciência	visual.
A proposta da instituição consiste em promover a inclusão da pessoa com 
defi	ciência	visual	no	âmbito	 familiar,	escolar	e	social.	Desde	a	sua	 fundação,	 já	
atendeu	mais	de	9	mil	famílias	de	todas	as	partes	do	Brasil	e	exterior.	Atualmente,	
atende aproximadamente 700 crianças, jovens e adultos incluídos em programas 
ou serviços disponíveis na instituição. Dentre esses serviços podemos destacar: 
Avaliação Clínica e Socioeducacional, Programa de Atenção Educacional 
Especializada e o Centro de Tecnologia Adaptada (CTA). 
Figura 6 -Victor e Mara Siaulys
Fonte:	Disponível	em:	<http://www.laramara.org.br/portugues/conteudo.
php?id_nivel1=1&id_nivel2=LARAMARA>. Acesso em: 14 ago. 2012.
28
Leitura e escrita no sistema braille
Figura 7 - Fachada da instituição
Disponível	em:	<http://www.laramara.org.br/portugues/conteudo.
php?id_nivel1=1&id_=LARAMARA>. Acesso em: 15 ago. 2012.
Quer saber mais sobre esta associação?
Acesse:	http://www.laramara.org.br/portugues/index.php
d) Bengala Branca
Diferentemente	das	instituições	apresentadas	anteriormente,	a	Bengala	Branca	
é	a	empresa	pioneira	na	fabricação	e	comercialização	de	produtos,	equipamentos	
e	serviços	para	as	pessoas	com	defi	ciênciavisual.	Mantêm	fabricação	própria	de	
produtos	como	bengalas,	regletes	e	sorobans,	bem	como	fornece	a	distribuição	de	
softwares, impressoras e outros produtos na área da tecnologia.
Ficou interessado? 
Acesse:	http://www.bengalabranca.com.br
29
ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DO SISTEMA BRAILLECapítulo 1
Algumas	ConsideraçÕes
Neste	 primeiro	 capítulo,	 você	 pode	 acompanhar	 os	 diferentes	 momentos	
históricos do Sistema Braille, desde o seu surgimento até a normatização do 
sistema no Brasil.
Através	das	Portarias	Ministeriais	 foi	 instituída	uma	Comissão	Brasileira	do	
Braille cuja intenção consistia em propor uma política nacional para uso, ensino, 
produção	e	difusão	do	Sistema	Braille	no	Brasil.	Diante	disso,	apresentamos	em	
nossos	 estudos	 algumas	 das	 principais	 instituições	 que	 oferecem	 suporte	 às	
pessoas	 com	 defi	ciência	 visual,	 por	 meio	 do	 atendimento	 interdisciplinar	 e	 da	
produção de materiais adaptados.
No próximo capítulo, você verá com mais detalhes sobre como se constitui o 
Sistema	Braille	e	as	normas	que	regem	sua	grafi	a.	Esses	conhecimentos	darão	a	
você, pós-graduando(a), subsídios para a realização do atendimento educacional 
especializado e a atuação em escolas de ensino comum que atendam pessoas 
com	defi	ciência	visual.
ReferÊncias
BELARMINO, J. Associativismo e política: a luta dos grupos 
estigmatizados pela cidadania plena. João Pessoa: Idéia, 1996.
BRASIL. MEC. Grafi a Braille para a Língua Portuguesa. Brasília: SEESP, 2006.
______. Portaria nº 319, de 26 de fevereiro de 1999. Disponível em: <http://
portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/port319.pdf>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
______. Lei Ordinária nº 4169, de 04 de dezembro de 1962. Ofi cializa as 
Convenções Braille para Uso Na Escrita e Leitura Dos Cegos e o Código de 
Contrações e Abreviaturas Braille. Brasil, 1962.
______. Ministério da Educação. Portaria nº 2.678, de 24 de setembro de 2002. 
Disponível	em:	<ftp://ftp.fnde.gov.br/web/resoluçoes_2002/por2678_24092002.
doc>. Acesso em: 14 ago. 2012.
______ . Portaria no 552, de 13 de novembro de 1945.	Disponível	em:	<http://
portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/estenografi	a.pdf>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
30
Leitura e escrita no sistema braille
______. CDU 376.352 de 01 de janeiro de 2003.	Disponível	em:	<http://portal.
mec.gov.br/seesp/arquivos/txt/grafi	aport.txt>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
CERQUEIRA, Jonir	Bechara.	[2005?].	Disponível	em:	<www.ibc.gov.br>.	Acesso	
em: 10 ago. 2012.
______ et al. Grafi a Braille para a Língua Portuguesa. Secretaria de Educação 
Especial. Brasília: SEESP, 2006.
CAPÍTULO 2
O	Sistema	Braille
A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
  Conhecer	 a	 grafi	a	 Braille	 para	 aplicação	 no	 Atendimento	 Educacional	
Especializado (AEE).
  Relacionar	a	leitura	e	a	grafi	a	da	Língua	Portuguesa	com	a	leitura	e	a	grafi	a	
da escrita Braille.
32
Leitura e escrita no sistema braille
33
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
ConteXtualiZação
Estudar	 a	 Grafi	a	 Braille	 e	 promover	 sua	 correta	 utilização	 é	
de	 fundamental	 importância	 ao	 profi	ssional	 que	 a	 aplicará,	 pois	
a	 qualidade	 do	 material	 elaborado	 infl	uenciará	 nas	 experiências	
educacionais	 e	 culturais	 daqueles	 que	 farão	 uso,	 tanto	 no	 que	 se	
refere	à	leitura	quanto	à	escrita.
Este capítulo tem como objetivo apresentar o código Braille e um 
conjunto de normas para a aplicação das suas principais simbologias. 
Por isso, todo o estudo do texto a seguir é baseado nas explanações 
presentes no documento elaborado pela Comissão de Braille do Brasil, 
que	normatiza	a	grafi	a	Braille	em	nosso	país.	Este	documento	pode	ser	
estudado,	na	 íntegra,	por	meio	do	 texto	 “Grafi	a	Braille	para	a	Língua	
Portuguesa”. (BRASIL, 2006).
O	Código	Braille	na	Grafia	da	LÍngua	
Portuguesa
No primeiro capítulo deste caderno, podemos conhecer um pouco da 
história do Sistema Braille, bem como dos propósitos daquele que o criou. Com 
base em outras tentativas de comunicação, mas principalmente por Charles 
Barbier (o capitão do exército, que tinha um sistema de escrever, o qual podia 
ser usado no escuro, lembra-se?), Louis Braille criou um sistema de escrita em 
relevo,	constituído	por	63	sinais,	 formados	a	partir	de	um	conjunto	de	6	pontos,	
denominado	de	sinal	fundamental.	O	espaço	ocupado	por	ele	é	denominado	de	
cela Braille ou célula Braille. Veja só:
Figura 8 - Cela Braille
1 4
2 5
3 6
Os	pontos	 são	numerados	para	 sua	melhor	 identifi	cação,	 assim,	 podemos	
formar	sinais	a	partir	deste	espaço,	conforme	exemplifi	camos	logo	a	seguir:	
Estudar a 
Grafi a Braille e 
promover sua 
correta utilização 
é de fundamental 
importância ao 
profi ssional que 
a aplicará, pois 
a qualidade do 
material elaborado 
infl uenciará nas 
experiências 
educacionais e 
culturais daqueles 
que farão uso, tanto 
no que se refere 
à leitura quanto à 
escrita.
34
Leitura e escrita no sistema braille
Figura 9 - Letra “c” no Sistema Braille
 
Através dessas regras, o Sistema Braille apresenta uma sequência 
denominada	 ordem	 Braille,	 com	 as	 seguintes	 signifi	cações.	 Verifi	que	
a seguir a composição de alguns dos símbolos em Braille e sua 
classifi	cação	por	série.
a) Alfabeto em Braille
Figura	10	-	Alfabeto	Braille	(leitura)
Fonte: Sá (2007).
O Sistema 
Braille apresenta 
uma sequência 
denominada ordem 
Braille
35
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Atividade de Estudos: 
1) Você já deve ter percebido que o Sistema Braille é composto 
por uma organização própria e que será essencial para a sua 
formação	 ter	 conhecimento	 sobre	 este	 sistema	 utilizado	 pelas	
pessoas cegas. Diante disso, sugerimos que você exercite este 
conhecimento,	 identifi	cando	 os	 pontos	 e/ou	 as	 letras	 a	 seguir,	
conforme	os	exemplos:
Ex: Letra “d”: pontos 1 3 4 
Letra “e”: _______________________________________________
Letra “l”: _______________________________________________
Letra “k”: _______________________________________________
Letra “j”: _______________________________________________
Letra “m”: _______________________________________________
Letra “z”: _______________________________________________
Letra “r”: _______________________________________________
Letra “c”: _______________________________________________
No decorrer deste capítulo, você também verá outras tabelas que mostrarão 
letras com acentos, pontuações, escrita dos números, dentre outros, tão 
essenciais	para	a	construção	da	leitura	e	da	escrita	quanto	o	alfabeto	que	você	
viu anteriormente.
36
Leitura e escrita no sistema braille
b) Letras com diacríticos
Figura 11 - Letras com diacríticos
Fonte: Sá (2007).
Com	o	 alfabeto	 e	 as	 letras	 com	diacríticos,	 que	 tal	 visualizarmos	algumas	
palavras no Sistema Braille?
árvore
bola
Atividade de Estudos: 
1)	 Agora	 é	 a	 sua	 vez!	 Seguindo	 o	 exemplo	 apresentado	 acima,	
elabore 5 palavras que contenham letras com diacríticos. 
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
37
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
c) Pontuação e acessórios
O quadro a seguir apresenta as respectivas pontuações e acessórios 
utilizados na Língua Portuguesa e também aplicadas no Sistema Braille.
Figura 12 - Pontuação e acessórios
Fonte: Sá (2007).
Você deve ter observado que alguns sinais de pontuação e acessórios 
utilizam mais de uma cela Braille para compor seu sinal. É o caso, por exemplo, 
das setas, aspas, reticências e travessão. Porisso, podemos dizer que os sinais 
38
Leitura e escrita no sistema braille
do	Sistema	Braille	recebem	designações	diferentes,	de	acordo	com	o	
espaço que ocupam. Quando ocupam uma só cela, denominamos de 
SINAIS SIMPLES.
Por exemplo:
E quando encontramos combinações de dois ou mais sinais, 
denominamos de SINAIS COMPOSTOS.
Por exemplo:
Quanto às normas de escrita, elas estabelecem que os sinais de 
pontuação e acessórios não devem separar-se da palavra a que dizem respeito.
Exemplo:
Joana, 
Laura
O sinal 	(3),	além	de	ponto	fi	nal,	tem	o	valor	de	ponto abreviativo, tanto 
no	interior	como	no	fi	m	dos	vocábulos.
Exemplo:
V. Ex. a
Alguns sinais 
de pontuação e 
acessórios utilizam 
mais de uma cela 
Braille para compor 
seu sinal. É o 
caso, por exemplo, 
das setas, aspas, 
reticências e 
travessão.
39
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
 
As reticências, representadas pelo sinal composto 
(3	 3	 3),	 podem	aparecer	 isoladas	quando	 signifi	cam	omissão	de	 texto;	 podem,	
também, ser antecedidas ou seguidas de outros sinais.
Exemplo:
Um, 
dois, 
três, 
... 
Os parênteses e os colchetes (parênteses retos), em contextos literários, 
podem	 assumir	 duas	 formas	 distintas	 de	 representação:	 a	 forma simples e a 
forma composta. Veja só:
		Abre	e	fecha	parênteses
		Abre	e	fecha	colchetes
40
Leitura e escrita no sistema braille
Abre	 e	 fecha	 aspas	 	 	 (236),	 que	 em	 tinta	 aparecem	sob	 a	 forma	de	
vírgulas em posição natural ou invertidas, representam-se com o símbolo Braille 
já	referido;	as	aspas	sob	a	forma	de	pequenos	ângulos,	simples	ou	duplos,	têm	
como correspondente Braille o sinal composto (6 236); 
outras variantes de aspas são representadas pelo sinal composto 
(56 236).
Exemplo:
“Salve!”
O	travessão	pode	ser	antecedido	ou	seguido	de	outros	sinais,	mas	deve	fi	car	
sempre isolado em relação a palavras anteriores e seguintes.
Exemplo: 
“- Vamos passear?”
Os sinais (6 2) e (456) representam, respectivamente, 
a barra e a barra vertical. Em geral, não há espaços antes ou depois das barras, 
sendo a barra vertical seguida de, pelo menos, meia cela em branco.
41
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Exemplo:
MEC/SEESP
As setas horizontais para a direita (25 135), para a esquerda 
 (246 25) e de sentido duplo (246 25 135) 
empregam-se	isoladamente	e,	se	ocorrerem	no	fi	m	de	uma	linha,	não	se	repetem	
no início da linha seguinte.
Exemplo:
MEC (seta) SEESP
Atividades de Estudos: 
Para	 nos	 apropriamos	 das	 informações	 apresentadas	 até	
o	 momento	 em	 nosso	 caderno	 de	 estudo,	 é	 fundamental	 que	
exercitemos	bastante!	Por	isso,	responda	aos	itens	a	seguir:
1)	 Defi	na	o	que	signifi	cam	Sinais Simples e Sinais Compostos e 
exemplifi	que-os:
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
42
Leitura e escrita no sistema braille
2)	 Elabore	uma	frase	no	Sistema	Braille	com	cada	um	dos	 itens	a	
seguir:
 VÍRGULA
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 INTERROGAÇÃO
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 EXCLAMAÇÃO
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 TRAVESSÃO
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ASPAS
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 Obs.: Caso você necessite utilizar a letra maiúscula, leia o item a 
seguir que orienta sobre qual procedimento a ser realizado.
Sinais	EXclusiVos	Do	Sistema	
Braille
Encontramos também no Sistema Braille sinais exclusivos, 
utilizados	 na	 leitura	 e	 escrita	 Braille	 para	 especifi	car	 algumas	
características do texto. 
Encontramos 
também no 
Sistema Braille 
sinais exclusivos, 
utilizados na 
leitura e escrita 
Braille para 
especifi car algumas 
características 
do texto.
43
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Figura 13 - Sinais exclusivos
Fonte: Sá (2007).
Diante	 disso,	 fi	que	 atento	 a	 algumas	 normas	 de	 aplicação	 dos	 sinais	
exclusivos	 acima	 citados,	 conforme	 a	Grafi	a	Braille	 para	 a	 Língua	Portuguesa.	
(BRASIL, 2006). Apresentaremos a seguir as regras que compõem o sinal de letra 
maiúscula, sinal de algarismo e sinal de itálico, negrito ou sublinhado.
a) Sinal de Letra Maiúscula
• As letras maiúsculas representam-se pelas minúsculas precedidas 
imediatamente do sinal 		(46),	com	o	qual	formam	um	símbolo	composto.
44
Leitura e escrita no sistema braille
Exemplo:
 
Letra “A” Letra: “C”
 
 
João
• Para indicar que todas as letras de uma palavra são maiúsculas, utiliza-se 
o sinal (46 46) antes da primeira.
Exemplo:
UNIASSELVI
• Quando o número de palavras com todas as letras maiúsculas é superior a 
três, pode empregar-se antes da primeira o sinal composto 
(25 46 46) e antes da última o sinal composto (46 46).
• As siglas, constituídas por iniciais maiúsculas, representam-se antepondo o 
sinal composto.
Exemplo:
UBC – União Brasileira de Cegos
45
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
• Quando as iniciais das siglas são seguidas de ponto abreviativo, antepõe-
se a cada uma delas o sinal simples (46).
Exemplo:
 
S.O.S
b) Números e Sinal de Algarismo
 
Dando continuidade a apresentação dos sinais exclusivamente aplicados no 
Sistema Braille, veremos, a seguir, as normas que caracterizam a aplicação dos 
números e sinais matemáticos. Observe o quadro abaixo:
Você deve ter percebido que a escrita dos números em Braille é 
representada	 pelas	 10	 primeiras	 letras	 do	 alfabeto,	 precedidas	 do	 sinal	
de número 	 (3456).	 Quando	 um	 número	 é	 formado	 por	 dois	 ou	 mais	
algarismos, só o primeiro é precedido deste sinal.
Veja os exemplos a seguir:
23 322 
46
Leitura e escrita no sistema braille
c) Sinal de Itálico, Negrito ou Sublinhado
 
O sinal (35) é o correspondente Braille do itálico, sublinhado, negrito 
e da impressão em outros tipos (cursivo, normando, etc.). Antepõe-se e pospõe-
se	imediatamente	a	texto,	fragmento	de	texto,	palavra	ou	elemento	de	palavra	a	
destacar.
Exemplo:
Brasil
Se	 o	 texto	 a	 destacar	 é	 constituído	 por	 mais	 de	 um	 parágrafo,	 o	 sinal										 
(35) antepõe-se a cada um deles e pospõe-se apenas ao último.
SimBologia	Matemática
No item “b” de SINAIS EXCLUSIVOS DO SISTEMA BRAILLE, você pode 
estudar sobre a escrita dos números e o sinal com o qual devemos antecedê-
la.	Com	estas	informações,	vamos	avançar,	incluindo	em	nossos	saberes	outras	
regras que compõem a escrita matemática em Braille. Nesta etapa, estudaremos 
sobre a utilização dos pontos, vírgulas, operações matemáticas, números 
romanos,	 unidades	 de	 medida,	 cifrão,	 datas,	 dentre	 outros.	 Através	 desses	
elementos, será possível escrever cálculos e expressões matemáticas, com os 
seus respectivos sinais.
Porém,	 não	 esqueça	 que,	 neste	 caderno,	 você	 conhecerá	 a	 forma	 escrita	
dos números e sinais das operações. A realização dos cálculos, suas regras e 
aplicação no Atendimento Educacional Especializado (AEE) serão mostradas no 
caderno	de	estudos	que	apresentará	os	conteúdos	referentes	ao	Soroban!
a) Vírgula e pontoO sinal (2) representa a vírgula e o ponto que, em tinta, empregam-se 
para, num numeral decimal, separar a parte inteira da parte decimal. Veja só:
47
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
 
2,33 
0,30 
O ponto 3 representa o ponto separador de classes. Sugere-se que 
esta pontuação aconteça somente em números com mais de 4 algarismos, 
conforme	exemplifi	cado	a	seguir:
12.000
b) Números ordinais
Os números ordinais representam-se pelos caracteres da 5ª série, 
precedidos do sinal (3456) e seguidos de uma das terminações o, a, os, as.
Exemplos:
1º 2ª 
c) Operações matemáticas
A	tabela	a	seguir	ajudará	você	a	sistematizar	as	informações	referentes	aos	
sinais de operações matemáticas. Consulte-a sempre que necessário.
48
Leitura e escrita no sistema braille
Figura 14 - Operações Matemáticas
Fonte: Sá (2007).
 
• Adição, Subtração, Multiplicação e Divisão 
Os sinais de operação e de relação podem ser transcritos sem espaços.
EXEMPLOS:
4+1 
4-3 
 
7x2 
 
49
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
8÷1 
Não esqueça que além de incluir os sinais das operações, 
você deve também apresentar o sinal de algarismo (de número) 
(3456). 
• Expressão Numérica com palavras
Se uma expressão contiver palavra ou palavras, para maior clareza ou 
uniformidade	de	representação,	os	sinais	operatórios	e	de	relação	podem	usar-se	
entre espaços.
Exemplo:
Em + a = na
• Frações
Na	escrita	de	frações,	os	sinais	 (256) ou (5 256) representam 
o respectivo traço horizontal.
Exemplo:
 _3__
 7
50
Leitura e escrita no sistema braille
• Expoente
O sinal (16)	 confere	 aos	 elementos	 que	 o	 seguem	 o	 signifi	cado	 de	
expoente ou índice superior.
Exemplo:
5 elevado ao quadrado
4 elevado ao cubo
• Porcentagem
Os sinais compostos (456 356) e (456 
356 356) representam, respectivamente, por cento e por mil. Estes	sinais	fi	cam	
sempre	ligados	aos	números	a	que	se	referem.
Exemplos:
7 por cento
3 por mil
51
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
d) Cifrão
O	 cifrão	 (56) é usado para expressar a unidade monetária de 
numerosos países, incluindo-se o Brasil.
Exemplo:
50 reais
20 centavos
e) Datas
A	 apresentação	 das	 datas,	 na	 grafi	a	 Braille,	 também	 deve	 obedecer	 a	
algumas	regras	estabelecidas	pela	Comissão	Brasileira	do	Braille.	Por	isso,	fi	que	
atento(a) às normas a seguir:
a) Os elementos constitutivos da data devem ser colocados pela ordem dia-mês-
ano, utilizando-se dois algarismos para o dia, dois para o mês e dois ou quatro 
para o ano.
b)	 A	representação	deve	ser	feita	com	algarismos	arábicos.
c) Na representação do ano não se emprega o ponto separador de classes.
d)	 Os	elementos	constitutivos	da	data	devem	ser	separados	por	barra	ou	hífen.
e) O sinal de algarismo deve ser repetido antes de cada elemento.
52
Leitura e escrita no sistema braille
Exemplos:
 
14-07-1991 
13/02/2010
a) Numeração Romana
Para escrever a numeração romana empregam-se letras maiúsculas.
Exemplos:
V = 5
X = 10
 
C = 100
D = 500
Quando o número é constituído por duas ou mais letras, emprega-se o 
sinal (46 46) antes da primeira.
53
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Exemplos:
IV = 4 
XXX = 30
g) Unidades de Medida
Os símbolos das unidades de medida escrevem-se sem ponto abreviativo e 
fi	cam	separados	por	um	espaço	dos	números	que,	em	geral,	os	precedem.
Exemplos:
 
100 km
340 m
10 cm 
5 ml
54
Leitura e escrita no sistema braille
200 g
7 h
h) Representação de Amplitudes de Arcos, Ângulos e Temperaturas
Na representação de amplitudes de arcos e ângulos, expressas em graus
sexagesimais, o sinal (356) emprega-se como símbolo da unidade grau; 
o sinal (1256), como símbolo da unidade minuto; o sinal (1256 
1256), como símbolo da unidade segundo.
Exemplos:
 
 
45° 45 graus
10’ 10 minutos
3’’ 3 segundos
55
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Disponibilizamos	 a	 você	 as	 principais	 normas	 referentes	
à Matemática na escrita Braille. Caso você tenha interesse em 
conhecer	 e	 se	 aprofundar	 neste	 tema,	 sugerimos	 que	 você	 leia	
“A	 grafi	a	 Braille	 para	 a	 Língua	 Portuguesa”	 (BRASIL,	 2006).	 As	
referências	encontram-se	no	fi	nal	deste	capítulo.
Atividade de Estudos: 
1) Desenhe as celas (com o Braille) correspondentes às sentenças 
a seguir:
 a) 9 + 5 = 14 
 
 ____________________________________________________
 b) 50 – 15 = 35
 
 ____________________________________________________
 c) 18 x 6 = 108
 
 ____________________________________________________
 d) 90 ÷ 3 = 30
 ____________________________________________________
 e) 18 %
 ____________________________________________________
56
Leitura e escrita no sistema braille
	 f)	20/8/1984
 
 ____________________________________________________
 g) 01-01-2001
 ____________________________________________________
 h) 50 g
 
 ____________________________________________________
 i) 250 ml
 ____________________________________________________
 j) 23 km
 
 ____________________________________________________
 k) 7°
 ____________________________________________________
57
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Disposição	do	TeXto	Braille
A apresentação do texto em Braille deve assumir características 
muito parecidas com as dos textos escritos em tinta, lembrando 
sempre	as	especifi	cidades	da	leitura	tátil.	Diante	disso,	veremos	como	
a escrita Braille pode ser organizada dentro do texto. Fique atento às 
considerações a seguir:
a) Títulos e subtítulos 
Os	 títulos	 e	 subtítulos	 devem	 fi	car	 bem	 destacados	 em	 relação	 aos	
respectivos	textos.	O	destaque	pode	ser-lhes	conferido	através	de	uma	ou	mais	
linhas em branco ou de traço para sublinhar. Não devemos escrevê-los em 
páginas	diferentes	daquela	em	que	os	respectivos	textos	começam.
E	atenção!
Um	texto	só	deve	terminar	num	princípio	de	página	se	nela	fi	gurarem,	pelo	
menos,	duas	 linhas	de	 texto,	para	que	se	evite	 tomar	por	 título	deste	o	fi	nal	do	
texto anterior.
b) Parágrafos
Os	parágrafos	devem	ser	destacados.	A	abertura	pode	variar,	mas	tem	que	
fazer-se	pelo	menos	no	terceiro	espaço.	Quando	há	necessidade	de	economizar	
espaço,	 pode	 usar-se	 o	 “parágrafo	 compacto”.	O	 sinal	 de	 pontuação	 pelo	 qual	
um	parágrafo	 termina	é	 seguido	de	 três	espaços	em	branco;	 o	novo	parágrafo	
principia a seguir, na mesma linha, e a linha imediata começa, pelo menos, no 
terceiro espaço.
c) Molduras
As molduras (caixas) em que se destacam pequenos textos podem e devem 
ser reproduzidas em relevo, utilizando, para isso, linhas horizontais e verticais.
A apresentação 
do texto em Braille 
deve assumir 
características 
muito parecidas 
com as dos textos 
escritos em tinta, 
lembrando sempre 
as especifi cidades 
da leitura tátil.
58
Leitura e escrita no sistema braille
Exemplo:
Figura 15 - Molduras
Fonte: Brasil (2006, p. 58).
d) Versos
A transcrição dos textos em versos começa na margem, procurando sempre 
seguir	 a	 disposição	 do	 texto	 em	 tinta.	 Se	 o	 verso	 for	 muito	 extenso	 e	 ocupar	
mais de uma linha em Braille, o excesso não deverá começar, na linha imediata, 
antes	do	 terceiro	espaço.	As	estrofes	separam-se	entre	si	geralmente	por	 linha	
em	branco.	No	caso	de	poemas	formados	por	estrofes	com	número	variável	de	
versos,	sempre	que	o	fi	nal	de	uma	estrofe	coincida	com	a	última	linha	da	página	
Braille, deve-se deixar em branco a primeira linha da página seguinte.
59
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Exemplo:
Figura 16 - Versos
Fonte: Brasil (2006, p. 59).
e) Separadores de texto
Na escrita em tinta empregam-se, às vezes, separadores de textos ou de 
partesde	 um	 texto.	 Nas	 edições	 Braille,	 para	 o	mesmo	 efeito,	 podem-se	 usar	
diversos	grafi	smos.
f) Paginação
Para paginar os textos Braille, reserva-se a primeira ou a última linha da 
página. O número coloca-se, geralmente, no extremo direito da linha ou no meio 
dela, podendo, nesta última posição, ser dispensado o emprego do sinal de 
número. Seguem outras particularidades:
• Quando sobre a página Braille se indica o número da que lhe corresponde no 
texto em tinta – o que é sempre vantajoso nas obras didáticas – esta indicação 
deve	 fi	gurar	 na	mesma	 linha	 utilizada	 para	 a	 paginação	Braille,	 a	 partir	 da	
terceira cela. Se a página Braille contiver texto de duas ou mais páginas do 
original em tinta, podem-se escrever os números da primeira e da última, 
ligados	por	hífen.
60
Leitura e escrita no sistema braille
• Quando	se	utilizam	ambas	as	faces	do	papel	e	não	se	inclui	a	paginação	do	
original em tinta, basta numerar as páginas ímpares.
Normas	de	Aplicação	da	Escrita	
Braille
Neste capítulo, tivemos a oportunidade de conhecer uma grande 
quantidade	 de	 informações	 referentes	 às	 normas	 que	 norteiam	 a	
escrita Braille. Para que possamos colocar todas estas regras em 
prática, necessitamos de equipamentos de escrita que possibilitem 
concretizar estas ideias. O equipamento de escrita utilizado por Louis 
Braille consistiu numa prancha, uma régua com duas linhas com janelas 
correspondentes as celas Braille e a punção. Atualmente, a reglete é 
uma	 forma	aprimorada	do	aparelho	de	escrita	de	Louis	Braille	e	 todos	os	 tipos	
de reglete (modelos de mesa ou de bolso) consistem essencialmente em duas 
placas	 de	metal	 ou	 plástico,	 fi	xas	 em	 um	 lado	 com	 dobradiças	 para	 permitir	 a	
introdução do papel.
Figura 17 - Prancha, régua e punção
Fonte:	Disponível	em:	<http://www.hotfrog.com.br/Empresas/
F%C3%AAnix-Produtos-e-Servi%C3%A7os-p-Cegos/Reglete-De-
Mesa-P-Defi	cientes-Visuais-C>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
A placa superior possui as janelas correspondentes às celas Braille. A placa 
inferior	possui,	em	baixo	relevo,	a	confi	guração	da	cela	Braille,	assim,	com	auxílio	
do	punção,	formam-se	os	símbolos	em	Braille.
Atualmente, a 
reglete é uma 
forma aprimorada 
do aparelho de 
escrita de Louis 
Braille.
61
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Na reglete, escrevemos o Braille da direita para a esquerda, na 
sequência normal de letras ou símbolos, invertendo-se a numeração 
dos	 pontos,	 assim,	 quando	 virarmos	 a	 folha	 escrita,	 conseguiremos	
identifi	car	os	pontos	em	alto	relevo.
Figura 18 - Escrita com punção na reglete
Fonte:	Disponível	em:	<blog.brasilacademico.com>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
O Braille também pode ser escrito através de máquinas especiais de 
datilografi	a.	Nelas,	encontraremos	7	teclas,	sendo	6	teclas	correspondentes	aos	
pontos Braille e 1 tecla para a realização de espaçamento. É possível, também, 
realizar	 mudança	 de	 linha	 e	 retrocesso.	 O	 papel	 é	 fi	xo	 e	 deslizado	 quando	
pressionado o botão de mudança de linha.
Os símbolos se constituem a partir do toque de uma ou mais teclas 
simultaneamente,	cuja	numeração	dos	pontos	é	apresentada	da	seguinte	forma:
Figura 19 e 20 - Máquina Braille
Fonte:	Disponível	em:	<www.laratec.org.br>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
Diferentemente da 
escrita na reglete, o 
Braille na máquina 
datilográfi ca é 
produzido da 
esquerda para a 
direita, podendo 
ser lido sem a 
retirada do papel do 
aparelho.
Na reglete, 
escrevemos o 
Braille da direita 
para a esquerda, 
na sequência 
normal de letras 
ou símbolos, 
invertendo-se a 
numeração dos 
pontos, assim, 
quando virarmos 
a folha escrita, 
conseguiremos 
identifi car os pontos 
em alto relevo.
62
Leitura e escrita no sistema braille
Diferentemente	 da	 escrita	 na	 reglete,	 o	 Braille	 na	máquina	 datilográfi	ca	 é	
produzido da esquerda para a direita, podendo ser lido sem a retirada do papel 
do aparelho.
Não	se	esqueça,	a	escrita	Braille	se	faz	ponto	a	ponto	na	reglete	
ou letra a letra na máquina Braille e no computador.
Já as imprensas Braille produzem os seus livros utilizando máquinas 
semelhantes	 às	 máquinas	 especiais	 de	 datilografi	a,	 porém	 elétricas.	 Elas	
permitem a escrita Braille em matrizes de metal. Estas máquinas também 
permitem	a	impressão	do	Braille	nas	duas	faces	do	papel.
Figura 21 - Prensa elétrica para matrizes em liga de alumínio
Fonte: Brasil (2006).
Com as novas tecnologias, o Braille também já pode ser produzido pela 
automatização de recursos modernos dos computadores e de uma variedade de 
modelos de impressoras Braille.
Figura 22 - Impressora Braille 
Fonte:	Disponível	em:	<www.laratec.org.br>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
63
O SISTEMA BRAILLECapítulo 2
Figura 23 - Impressora Braille
Fonte:	Disponível	em:	<www.laratec.org.br>.	Acesso	em:	14	ago.	2012.
Leitura	Braille
Se você já teve contato com a escrita Braille, muito possivelmente, por pelo 
menos	 uma	 vez,	 você	 fechou	 os	 olhos	 e	 passou	 os	 seus	 dedos	 pelos	 pontos	
em relevo, certo? E, ainda, indagou-se sobre a capacidade que o cego tem de 
conseguir	identifi	car	símbolos	gráfi	cos	a	partir	de	pontos	tão	próximos.
Figura 24 – Leitura Braille
Fonte:	Disponível	em:	<www.inovacaotecnologica.
com.br>. Acesso em: 15 ago. 2012.
Dizemos que a realização da leitura em Braille é possível após 
estimulação dos dedos pelos pontos em relevo. Por isso, depois 
de muito exercício, é permitido compreender as letras quando se 
movimentam os dedos sobre cada linha escrita, num movimento da 
Dizemos que a 
realização da 
leitura em Braille 
é possível após 
estimulação dos 
dedos pelos 
pontos em relevo. 
A aquisição da 
leitura através do 
Sistema Braille é 
realizada por meio 
de um conjunto 
de estratégias 
metodológicas 
que visam à 
estimulação tátil 
e assimilação da 
composição deste 
sistema através 
dos símbolos em 
Braille.
64
Leitura e escrita no sistema braille
esquerda para a direita. Diante disso, a aquisição da leitura através do Sistema 
Braille é realizada por meio de um conjunto de estratégias metodológicas que 
visam à estimulação tátil e assimilação da composição deste sistema através dos 
símbolos em Braille. 
Algumas	ConsideraçÕes
Com base no documento elaborado pela Comissão de Braille do Brasil, 
que	 resultou	 no	 texto	 “Grafi	a	 Braille	 para	 a	 Língua	 Portuguesa”	 (BRASIL,	
2006),	 pudemos	 conhecer	 as	 especifi	cidades	 do	 código	 Braille,	 inicialmente	
apresentando	 como	 se	 constitui	 o	 alfabeto,	 bem	 como	 sinais	 de	 pontuação	 e	
acessórios,	construção	de	palavras,	frases	e	textos,	os	sinais	exclusivos	do	Braille	
e a Simbologia Matemática. Vimos, também, como ocorre a aplicação da escrita 
Braille e os tipos de equipamentos utilizados na produção desta escrita.
Com todos esses conhecimentos, partiremos para mais uma etapa da 
nossa caminhada no Capítulo 3, que consiste em conhecer algumas estratégias 
metodológicas	utilizadas	para	a	alfabetização	Braille.	Vamos	lá?
ReferÊncias
BRASIL. MEC. Grafi a Braille para a Língua Portuguesa. Brasília: SEESP, 
2006.
SÁ, E. D de. Defi ciência visual. São Paulo: MEC/SEESP, 2007.
CAPÍTULO 3
Aspectos	Metodológicos	no	
Ensino	do	Sistema	Braille
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
  Compreender a importância do lúdico para o desenvolvimento cognitivo da 
criança, por meio da utilização dos sentidos remanescentes.
  Utilizar	 a	metodologia	 da	 alfabetização	 Braille	 no	Atendimento	 Educacional	
Especializado.
66
Leitura e escrita no sistema braille
67
ASPECTOS METODOLÓGICOS NO 
ENSINO DO SISTEMA BRAILLECapítulo 3
ConteXtualiZação
Nossa trajetória de estudos sobre o Sistema Braille mostrou a importância 
de conhecermos sobre as normas que regem sua simbologia. A partir de agora, 
abordaremos sobre os aspectos metodológicos no ensino deste sistema para as 
crianças	em	processo	de	alfabetização.
Como	 qualquer	 criança,	 verifi	caremos	 queo	 desenvolvimento	 e	 a	
aprendizagem	perpassam	por	momentos	nos	quais	devemos	enfatizar	a	atividade	
lúdica,	a	utilização	do	material	concreto,	a	importância	de	se	ofertar	momentos	de	
construção de conceitos dos mais básicos aos mais abstratos.
Teremos, também, a oportunidade de conhecer alguns brinquedos sugeridos 
por Siaulys (2005), bem como algumas propostas didáticas e metodológicas de 
como utilizar estes brinquedos para otimizar novas aprendizagens da criança.
O	LÚdico	na	AprendiZagem
Nos capítulos anteriores, estudamos sobre o Sistema Braille, as normas que 
o regem, sua organização gramatical, os instrumentos utilizados para produzir a 
escrita Braille, bem como os equipamentos mais avançados que a tecnologia tem 
nesta área.
Assim,	é	importante	que	o	profi	ssional	que	atenderá	pessoas	com	defi	ciência	
visual tenha se apropriado de todo esse conhecimento, apresente experiência nas 
técnicas de utilização do Braille e, principalmente, atualize-se sobre as principais 
discussões	 referentes	 à	 área	 visual,	 para	 que	 isso	 se	 refl	ita	 em	 qualidade	 no	
atendimento educacional especializado. 
De modo geral, devemos salientar que os processos de 
aprendizagem da criança cega perpassam por caminhos muito comuns 
se comparados aos processos de aprendizagem de crianças videntes 
(que	enxergam).	Porém,	verifi	camos	que	na	prática,	muitas	vezes,	as	
experiências	no	dia	a	dia	de	uma	criança	cega	são	bem	diferentes	das	
de uma criança que vê. 
Frequentemente, as limitações nas experiências de vida da pessoa 
cega,	bem	como	as	barreiras	de	acessibilidade	física	e	de	comunicação	
podem comprometer o desenvolvimento e a aprendizagem daqueles 
que não possuem a visão. Por isso, destacamos a importância da 
Os processos de 
aprendizagem 
da criança cega 
perpassam por 
caminhos muito 
comuns se 
comparados aos 
processos de 
aprendizagem de 
crianças videntes 
(que enxergam).
68
Leitura e escrita no sistema braille
estimulação	precoce	da	criança	com	defi	ciência	visual,	de	modo	a	potencializar	
suas habilidades e diminuir as barreiras que as podem limitar.
Uma	 forma	 enriquecedora	 de	 estimulação	 está	 na	 utilização	
do lúdico no atendimento pedagógico, principalmente para as 
crianças nos seus primeiros anos de vida e para aquelas que estão 
construindo	 e	 tendo	 acesso	 aos	 signifi	cados	 dos	 conceitos.	 Através	
do lúdico podemos oportunizar descobertas, interações com o meio e 
com objetos de maneira divertida e prazerosa, envolvendo aspectos 
emocionais, sociais e intelectuais.
Siaulys (2005, p. 9) ainda destaca que:
 
As crianças precisam brincar, independente de suas condições 
físicas,	intelectuais	ou	sociais,	pois	a	brincadeira	é	essencial	a	
sua vida. O brincar alegra e motiva as crianças, juntando-as e 
dando-lhes	oportunidade	de	fi	car	 felizes,	 trocar	experiências,	
ajudarem-se mutuamente; as que enxergam e as que não 
enxergam, as que escutam muito bem e aquelas que não 
escutam, as que correm muito depressa e as que não podem 
correr. 
 
Figura 25 – Estimulação precoce
Fonte: Bruno (1997, p.24).
No	fazer	pedagógico,	o	ato	de	brincar	tem	seu	propósito	e,	por	isso,	deve	ser	
valorizado como estratégia educacional. A criança cega pode e deve ser incluída 
nessas experiências. Mesmo sem a utilização da visão, a criança cega poderá ter 
a oportunidade de manusear brinquedos, objetos e desenvolver habilidades para 
Uma forma 
enriquecedora de 
estimulação está na 
utilização do lúdico 
no atendimento 
pedagógico, 
principalmente 
para as crianças 
nos seus primeiros 
anos de vida e 
para aquelas que 
estão construindo 
e tendo acesso aos 
signifi cados dos 
conceitos.
69
ASPECTOS METODOLÓGICOS NO 
ENSINO DO SISTEMA BRAILLECapítulo 3
identifi	car	sons,	texturas,	temperaturas,	odores,	de	modo	a	estimular	os	sentidos	
remanescentes	e	a	utilização	de	um	referencial	perceptivo	que	não	seja	o	visual.
A discriminação tátil é uma habilidade importante a ser 
desenvolvida	na	criança	cega	e	deve	ser	contextualizada	e	signifi	cativa.	
É	 bem	 provável	 que	 uma	 criança	 com	 defi	ciência	 visual	 leve	 mais	
tempo para conhecer e reconhecer os objetos que manuseia, pois o 
modo	como	se	processará	a	 informação	acontece	de	 forma	diferente	
do que aquele que enxerga (pois o vidente percebe de uma só vez a 
totalidade	do	objeto).	Agregadas	a	estas	informações,	não	poderemos	
esquecer, ainda, de considerar as vivências pessoais que esta criança 
já teve, bem como os conceitos já construídos por ela.
Figura 26 – Utilização dos sentidos remanescentes
Fonte: Bruno (1997, p. 75).
Siaulys, em sua obra “Brincar para todos” (2005), propõe uma grande 
variedade de brinquedos que podem ser explorados pelos outros sentidos, além 
da	 visão,	 possibilitando	 uma	 aprendizagem	 signifi	cativa.	 Esses	 brinquedos,	 em	
muitos casos adaptados, têm como principal objetivo a aquisição de determinados 
conceitos e habilidades, de modo a explorarem, por meio do próprio corpo, 
do contato com o objeto, o ambiente onde o indivíduo está inserido, além de 
desenvolver os sentidos remanescentes e a aprender a escrita Braille.
Ficou curioso(a)? Que tal conhecer alguns desses brinquedos?
a) Apresentação dos Brinquedos
Você acompanhará a seguir, alguns dos brinquedos propostos por Siaulys 
(2005).	Sua	principal	intenção	foi	mostrar	uma	gama	de	possibilidades	de	materiais	
A discriminação tátil 
é uma habilidade 
importante a ser 
desenvolvida na 
criança cega e deve 
ser contextualizada 
e signifi cativa.
70
Leitura e escrita no sistema braille
a	serem	explorados	e	adaptados	para	as	crianças	com	defi	ciência	visual.	A	partir	
desses	exemplos,	você	mesmo(a)	poderá	confeccionar	brinquedos,	utilizando	os	
materiais disponíveis no seu contexto e de acordo com as necessidades dos seus 
alunos.
Com o objetivo de que a criança desenvolva a compreensão e a 
identifi cação de sons, bem como conheça e entenda seu corpo e o ambiente, 
Siaulys (2005) propõe brinquedos como:
b) Chocalho Gruda-Gruda
Figura 27 – Chocalho sonoro
Fonte: Siaulys (2005).
Material	forrado	com	texturas	diferentes	e	que	traz	em	seu	interior	um	tipo	de	
objeto que produza som (tampinha, guizo, pedrinha, milho). Em ambos, coloca-se 
uma	faixa	de	velcro,	possibilitando	que	se	prendam	um	ao	outro.
SUGESTÃO: Dar os chocalhos para o bebê, um de cada vez, para que ele 
explore,	 brinque,	 bata	 um	 no	 outro,	 sentindo	 sua	 forma,	 textura	 e	 som.	Ajudar	
o	bebê	a	perceber	que	são	dois	elementos	diferentes.	Dar	os	chocalhos	para	a	
criança segurar, um em cada mão. Mostrar como juntar um ao outro. Deixar que 
a	criança	 faça	 tentativas	para	 juntar	os	dois	chocalhos	e	ajudar,	se	 for	preciso.	
Incentivá-la a separar os chocalhos, puxando um para cada lado. Ajudar o bebê a 
perceber que os chocalhos produzem sons.
71
ASPECTOS METODOLÓGICOS NO 
ENSINO DO SISTEMA BRAILLECapítulo 3
b) Pulseirinha
Figura 28 - Pulseirinha
Fonte: Siaulys (2005).
Pulseira de elástico com contas e guizos intercalados.
SUGESTÃO: Colocar as pulseiras no bebê para que ele ouça o som que 
elas produzem toda vez que mexer os braços. Brincar com o bebê, agitando 
seus braços para que ele perceba as pulseiras. Incentivar o bebê a procurar as 
pulseirinhas com as mãos e agarrá-las. Colocar a pulseira no tornozelo direito 
do bebê e, em seguida, no esquerdo, brincar com suas pernas, levantando-as. 
Ajudar o bebê a pôr o dedo do pé na boca. Essa ação, realizada naturalmente 
por	todos	os	bebês	que	enxergam,	favorece	a	construção	da	imagem	corporal	e	é	
importante para estimular o movimento dos braços, pernas e corpo.
d) Cocos Decorados
Figura 29 – Coco decorado
Fonte: Siaulys (2005).
72
Leitura e escrita no sistema braille
Duas	metades	de	um	coco	decorado.	A	parte	 interna	 forrada	com	espuma	
para aumentar a espessura e a maciez. Amarrar dois cordões nas laterais para 
que sejam presos aos braços da criança.
SUGESTÃO: Incentivar a criança a bater as cascas, uma na outra, para 
produzir som, como se estivesse batendo

Materiais relacionados

Perguntas relacionadas

Materiais recentes

Perguntas Recentes