DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
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DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)


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DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
- Antes conhecida por retardo mental.
- A American Association on Intellectual and Developmental Disability (AAIDD) define deficiência intelectual como um tipo de incapacidade que se caracteriza por limitações significativas no desempenho intelectual (raciocínio, aprendizagem e solução de problemas) e no comportamento adaptativo (conceitual, social e habilidades práticas) que surgem antes da idade de 18 anos.
- Nos termos do DSM-5, o diagnóstico de deficiência intelectual deve ser feito somente nas situações em que houver déficits tanto no desempenho intelectual quanto no adaptativo (Tab. 31.3-1). Após a identificação da deficiência intelectual, o nível de gravidade é determinado pelo nível do comprometimento funcional adaptativo.
EPIDEMIOLOGIA
- Nos países em desenvolvimento, a prevalência de déficit intelectual com base populacional varia de 10 a 15 em cada 1000 crianças.
- Nas sociedades ocidentais, em qualquer época, estima-se que a prevalência de deficiência intelectual seja de 1 a 3% da população.
- O cálculo preciso da incidência dessa condição é uma tarefa extremamente difícil, tendo em vista que as deficiências leves podem não ser identificadas até a fase intermediária da infância.
- Os relatos de incidência mais elevada de deficiência intelectual se referem às crianças em idade escolar, com idades máximas de 10 a 14 anos.
- Essa deficiência é cerca de 1,5 vezes mais comum em homens do que em mulheres.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
- Manifesta-se antes dos 18 anos de idade.
- O ddo independe de distúrbios físicos ou de transtornos mentais coexistentes.
- Na aplicação de testes padronizados \u2013 o que ainda é a prática usual -, o termo significativamente abaixo da média é definido como um QI \u2264 70 ou dois desvios-padrão abaixo da média para o teste específico.
Deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) é um transtorno com início no período do desenvolvimento que inclui déficits funcionais, tanto intelectuais quanto adaptativos, nos domínios conceitual, social e prático. Os três critérios a seguir devem ser preenchidos:
A. Déficits em funções intelectuais como raciocínio, solução de problemas, planejamento, pensamento abstrato, juízo, aprendizagem acadêmica e aprendizagem pela experiência confirmados tanto pela avaliação clínica quanto por testes de inteligência padronizados e individualizados.
B. Déficits em funções adaptativas que resultam em fracasso para atingir padrões de desenvolvimento e socioculturais em relação a independência pessoal e responsabilidade social. Sem apoio continuado, os déficits de adaptação limitam o funcionamento em uma ou mais atividades diárias, como comunicação, participação social e vida independente, e em múltiplos ambientes, como em casa, na escola, no local de trabalho e na comunidade.
C. Início dos déficits intelectuais e adaptativos durante o período do desenvolvimento.
Leve: 85% dos casos
Moderada: cerca de 10%
Grave: cerca de 4%
Profunda: cerca de 1-2% 
- Com frequência, as características clínicas observadas em populações com deficiências intelectuais isoladas ou que façam parte de algum transtorno mental incluem hiperatividade, tolerância baixa a frustrações, agressividade, instabilidade afetiva, comportamentos motores repetitivos ou estereotipados e comportamentos de automutilação.
ETIOLOGIA
· CAUSAS GENÉTICAS
· Síndrome de Down
- Causa genética mais comum de DI.
- Os testes infantis provavelmente não revelem a dimensão total dos déficits. De acordo com relatos clínicos informais, crianças com síndrome de down são em geral tranquilas, alegres e colaboradoras, e se adaptam com facilidade ao lar. O quadro se altera no caso de adolescentes: é possível que os jovens com a síndrome tenham mais dificuldades emocionais e transtornos comportamentais, havendo, portanto, há um risco muito maior de incidência de transtornos psicóticos.
- De modo habitual, crianças portadoras da síndrome apresentam deficiências na exploração do ambiente; têm mais propensão a focar apenas um estímulo, o que dificulta a percepção das mudanças ambientais.
- A SD caracteriza-se pela deterioração na linguagem, memória, nas habilidades com cuidados pessoais e na solução de problemas por volta da 3ª década de vida.
· Síndrome do X frágil
- 2ª causa mais comum de DI.
- O perfil comportamental dos portadores dessa síndrome inclui taxa elevada de TDAH, transtornos de aprendizagem e transtorno do espectro autista.
- Os portadores aparentam ter habilidades relativamente fortes na comunicação e socialização; parece que o desempenho intelectual declina na puberdade.
· Síndrome de Prader-Willi
· Síndrome do miado do gato (cri du chat)
· Fenilcetonúria (PKU):
- Protótipo de distúrbio metabólico (erro inato do metabolismo) associado com deficiência intelectual.
- Deficiência de conversão da fenilalanina em paratirosina pela ausência ou inatividade da enzima hepática fenilalanina hidroxilase.
- As crianças que recebem o ddo antes dos 3 meses de idade e que são colocadas em um regime dietético ideal podem ter inteligência normal.
· Síndrome de Rett
· Neurofibromatose
· Esclerose tuberosa
· Síndrome de Lesch-Nyhan
· Adrenoleucodistrofia: desmielinização difusa da matéria branca do cérebro acompanhada de insuficiência adrenocortical. 
· FATORES ADQQUIRIDOS E EVOLUTIVOS
· Infecções maternas durante a gestação:
· Rubéola (sarampo alemão)
· Citomegalovírus
· Sífilis
· Toxoplasmose
· Herpes simples
· HIV: influência direta e indireta do vírus
· Síndrome alcoólica fetal (SAF): consequência da exposição pré-natal ao álcool. É uma das principais causas evitáveis de deficiências intelectuais e físicas.
· Exposição pré-natal a drogas: opioides (ex.: heroína) e cocaína.
· Complicações da gestação:
· Diabetes materno mal controlado
· Placenta prévia
· Descolamento prematuro de placenta
· Prolapso de cordão umbilical
· Produzem anoxia
· Uso de lítio: associado a algumas malformações congênitas, sobretudo no sistema cardiovascular (p. ex.: anomalia de Ebstein)
· Período perinatal:
· Baixo peso ao nascer
· Prematuridade
· Encefalite e meningite
· Traumatismo craniano: acidentes com veículos motorizados, acidentes domésticos, como quedas de mesas, de janelas abertas e de escadas, síndrome do bebê sacudido (hemorragias).
· Asfixia (situações de quase afogamento)
· Exposições de longo prazo a chumbo
· FATORES AMBIENTAIS E SOCIOCULTURAIS
- Deficiências intelectuais leves foram associadas a uma privação significativa de nutrição e estímulos.
ESCALAS DE CLASSIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
· Capacidade cognitiva
· Wechsler Intelligence Test for Children: crianças com idade entre 6 e 16 anos. 
· Wechsler Intelligence Test for Children- Revised: crianças entre 3-6 anos.
· Stanford-Binet Intelligence Scale 4ª ed.: tem a vantagem de poder ser usada em crianças ainda mais jovens, iniciando aos 2 anos de idade.
· Kaufman Assessment Battery for children: pode ser aplicada em crianças nas idades de 2 anos e meio a 12 anos e meio.
· Kaufman Adolescent and Adults Intelligence Tests: faixa entre 11-85 anos.
- Todos esses instrumentos avaliam as capacidades cognitivas em uma multiplicidade de domínios, incluindo verbalização, desempenho, memória e solução de problemas.
· Desempenho adaptativo (funções da vida cotidiana)
· Vineland Adaptative Behavior Scales: podem ser administradas a indivíduos desde o período da primeira infância até os 18 anos de idade, e incluem 4 domínios básicos: comunicação (receptiva, expressiva e escrita); habilidades da vida cotidiana (pessoais, domésticas e comunitárias); socialização (relações interpessoais, jogos e lazer, e habilidades de enfrentamento); habilidades motoras (refinadas e grosseiras).
EXAMES DIAGNÓSTICOS
· Estudos cromossômicos: 
- São realizados nas situações em que diversas anomalias físicas, atrasos no desenvolvimento e deficiências intelectuais se apresentam ao mesmo tempo.
- A amniocentese, na qual retira-se uma pequena quantidade de líquido amniótico da cavidade amniótica por meios transabdominais por volta da décima quinta semana