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13/02/2020 Disciplina Portal
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Direito do Consumidor
Aula 1 - O Direito do Consumidor e a
Constituição
INTRODUÇÃO
Iniciamos nossa disciplina com o estudo da Constitucionalidade da Proteção e Defesa do Consumidor.
A Lei 8.078 (Código de Proteção e Defesa do Consumidor \u2013 CPDC), de 1990, é a principal lei que regula as relações de
consumo. Devido a sua relevância social, o legislador constituinte lhe deu prestígio constitucional. Materializado por
meio do artigo 48 do ADCT (atos das disposições constitucionais transitórias, concepção da lei), do artigo 5, XXXII
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(garantia de existência no ordenamento jurídico da CRFB/1988) e 170, V (relevância econômica).
Inobstante tais fundamentações, temos que estudar as normas de consumo, materializadas por meio da Lei 8.078 de
1990, que resulta em uma verdadeira hierarquia fática em leis de mesmo naipe. Pois o CPDC é, tecnicamente, uma lei
ordinária. E, em havendo confronto com outra lei ordinária haverá uma supremacia do CPDC. Excetuado o princípio da
especialidade (ou especi\ufffdcidade).
Sendo assim, gostaríamos de convidar a reconhecer a relevância dos \u201caspectos constitucionais consumeristas\u201d.
OBJETIVOS
Analisar os aspectos Constitucionais dos direitos do consumidor;
Examinar suas fundamentações;
Esclarecer a supremacia e aplicabilidade da Lei 8.078 de 1990.
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O DIREITO DO CONSUMIDOR E SEU CAMPO DE APLICABILIDADE
Na verdade, não há o que se poderia determinar um
campo de incidência de forma sistematizada e
especí\ufffdca acerca do Código de Defesa do
Consumidor. Muito menos uniformidade.
São várias as opiniões que vão desde as que lhe
atribuem o caráter de mera lei geral, inaplicável em
áreas especí\ufffdcas do Direito já disciplinadas por leis
especiais, passando por aquelas com um
minissistema jurídico, com campo de\ufffdnido e
delimitado. Tal como \ufffdzeram as leis de locação
urbanas, registros públicos, falências, até chegar
naqueles que entendem tratar-se de um novo ramo
do direito \u2013 o Direito do Consumidor, com autonomia
e princípios próprios.
O que realmente existe é uma \ufffdloso\ufffda, uma diretriz
de defesa do consumidor. Dada a heterogeneidade
de sua aplicação, é vasta a aplicação de assuntos
que se possa atribuir ao termo \u201cconsumidor\u201d.
Sendo assim, o que se criou foi uma sobre-estrutura
jurídica multidisciplinar, aplicável em toda e qualquer
relação de consumo.
O Código de Defesa do Consumidor é aplicável em toda a estrutura jurídica em que existem duas \ufffdguras apolares:
CONSUMIDOR
O consumidor e sua de\ufffdnição legal (\u201c...toda pessoa física ou jurídica que adquire
ou utiliza produto ou serviço como destinatário \ufffdnal.\u201d)
FORNECEDOR
A concepção de fornecedor (\u201c...é toda pessoa física ou jurídica, pública ou
privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que
desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de
produtos ou prestação de serviços.\u201d).
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Diante do gigantismo numérico e das
atividades que exercem, vê-se que quase
tudo é matéria de consumo. A\ufffdnal, temos
mais de 204 milhões de brasileiros
realizando, na mesma proporção,
transações com objetivo \ufffdnal de consumo.
O Movimento Consumerista no Brasil não foi um fato estanque. A defesa do consumidor teve origem na Europa
arrasada pela Segunda Guerra Mundial, em que o mercado consumidor estava bastante enfraquecido.
1948
Os Estados Unidos viram, na destruição europeia, uma grande oportunidade de negócio através do Plano Marshall, que uniu os
países europeus no pós-guerra. Fato este que gerou a criação, em 1948, da Organização Europeia de Cooperação Econômica
(OECE), que expandiu o mercado norte-americano sobre a Europa.
1962
Em 1962, J.F. Kennedy vislumbrou duas faces bem distintas no mercado econômico: O consumidor e o fornecedor. No mesmo
ano, J.F. Kennedy, em discurso para o Congresso Americano, declamou a elaboração da \u201cCarta de Política dos Consumidores\u201d. Foi
o primeiro documento formal que estabeleceu uma política geral voltada, exclusivamente, para o consumidor.
O Texto tem sentido aberto e estabelece os direitos básicos, mas não especí\ufffdcos, dos consumidores.
1968
Já em 1968, fundou-se a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), unindo a OECE (europeia), EUA,
Canadá, Japão, Austrália e a Nova Zelândia, com o objetivo de estabelecer uma política de consumo entre seus membros.
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FINALIDADES
O claro objetivo do legislador constituinte, portanto, era o de que fosse implantada uma Política Nacional de Relações
de Consumo, uma disciplina jurídica única e uniforme destinada a tutelar os interesses patrimoniais e morais de todos
os consumidores.
E assim, na verdade, aconteceu, embora com certo atraso.
Sancionado em 12 de setembro de 1990, o
Código de Defesa do Consumidor foi
publicado neste mesmo dia como Lei 8078
de 11 de setembro de 1990, revelando-se,
desde então, um diploma moderno, à altura
das melhores e mais avançadas legislações
dos países desenvolvidos.
Seus princípios e normas são de ordem pública e interesse social, vale dizer, de aplicação necessária, conforme
disposto expressamente em seu primeiro artigo.
Lei 8.078/90 (glossário)
E tais fundamentos serão objeto de nosso estudo.
DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS
1969
No ano de 1969, a OCDE criou uma comissão para política econômica, com o objetivo de organizar e promover uma política para
os consumidores.
1976
Desta comissão originou-se a \u201cCarta do Consumidor\u201d, em 1976.
Observa-se que desde o término da Segunda Guerra Mundial até aquele momento na história houve um processo evolutivo
socioeconômico que impôs uma mudança de mentalidade.
1985
Nos idos de 1985, a ONU se reuniu em 10 de abril e elaborou a Resolução 39/248, que é o reconhecimento Universal da Carta do
Consumidores de 1976, regulamentando este documento, com várias regras, com a \ufffdnalidade de tutelar os direitos básicos do
consumidor e deveres dos Estados.
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No Brasil, em que pese haver a
presença de movimentos
consumeristas (glossário), somente
com a Constituição de 1988, a defesa
do consumidor ganhou proteção
positivada porque veio mencionada
expressamente no art. 48 do ADCT,
gerando a sua concepção. No art. 5°,
inciso XXXII, ganhou o status de
direito e garantia fundamental. E
determinou, no art. 170, V que a
defesa do consumidor é um princípio
inerente a ordem econômica. Sendo
tais fundamentações oriundas do
Poder Constituinte Originário.
Assim, em
setembro de 1990
foi publicada a Lei
8.078 \u2013 Código de
Defesa do
Consumidor, cujo
objetivo é
implantar uma
Política Nacional
de Consumo,
conforme
determina o art. 4°
do CDC e os
instrumentos para
colocar essa
Política Nacional
em prática estão
mencionados no
art. 5° do mesmo
diploma legal.
Concepção: art. 48 do ADCT
CRFB/1988 \u2013 Atos das Disposições
Constitucionais Transitórias:
Art. 48. O Congresso Nacional, dentro
de cento e vinte dias da promulgação
da Constituição, elaborará código de
defesa do consumidor.
Temos, nesta fundamentação, a
\u201cconcepção\u201d da futura lei que regulará
o \u201cCódigo de Defesa do Consumidor\u201d.
Destaca-se o fato de que a Lei 8.078
de 1990 não existia.