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TCC - Análise da Influência da Velocidade de Avanço na Resistência à Corrosão de Peças Torneadas de Aço Inoxidável AISI 304 e AISI 316

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Tafel e, por este motivo, raramente o método de 
extrapolação das retas poderá ser aplicado para a obtenção da velocidade de 
corrosão. (GENTIL, 1996) 
 
3.2.3.3 Polarização ôhmica 
 
É definida como sendo a sobretensão ôhmica resultante da queda ôhmica 
(iR), o produto entre a densidade de corrente que circula na célula 
eletroquímica e a resistência existente entre o eletrodo de referência e o 
eletrodo de trabalho. (ARAUJO, 1999 apud PEREIRA, 2014, p. 23) 
 
A polarização ôhmica é dada por: 
 
η = i x R (5) 
 
onde i é a densidade de corrente e R representa a resistência do eletrólito no 
caminho percorrido pela corrente. (RAMANATHAN, 1988) 
O sobrepotencial ôhmico aparece como produto de uma simples 
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resistência e uma corrente entre locais anódicos e catódicos de um processo de 
corrosão. Em vários processos corrosivos, esses locais são adjascentes uns aos 
outros e a queda ôhmica é insignificante, de modo particular, quando o próprio 
ambiente é um bom condutor eletrolítico, ou seja, a água do mar. No entanto, 
existem condições específicas em que a separação dos locais anódicos e catódicos 
podem ser um fator importante no avanço da corrosão. (ROBERGE, 2008 apud 
HECK, 2014, p. 23). 
 
3.2.4 Formas de corrosão 
 
É comum e conveniente classificar os processos de corrosão de acordo 
com a forma como eles se manifestam, considerando a aparência do metal corroído. 
(FONTANA, 1987) 
Neste contexto, segundo American Society For Metals (1987), a 
classificação mais familiar e comumente empregada, é a apresentada por Fontana 
(1987, p. 39) que indica oito formas de corrosão: corrosão uniforme, corrosão 
galvânica, corrosão em frestas, corrosão por pites, corrosão intergranular, lixiviação 
seletiva, corrosão por erosão e corrosão sob tensão. 
Algumas destas formas são singulares e incomparáveis, entretanto várias 
formas podem estar interrelacionadas, envolvendo mecanismos com características 
comuns. (AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987; FONTANA, 1987) 
 
Corrosão uniforme: É a forma mais comum de corrosão. Normalmente é 
caracterizada por uma reação química ou eletroquímica, que prossegue de maneira 
uniforme sobre toda a superfície exposta ou sobre uma grande área dela, 
frequentemente formando uma incrustação ou um depósito constituído de produtos 
de corrosão. (AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987; FONTANA, 1987) 
 
Corrosão galvânica: Ocorre quando dois metais com composições diferentes são 
acoplados eletricamente e, simultaneamente, expostos a um eletrólito. A diferença 
de potencial entre estes metais produzirá um fluxo de elétrons através do eletrólito. 
O metal mais reativo (menos nobre, de acordo com a série galvânica) atuará como 
ânodo e experimentará a corrosão; o metal mais inerte (mais nobre pela série 
galvânica) será o cátodo, estando protegido contra a corrosão. (AMERICAN 
30 
 
SOCIETY FOR METALS, 1987; FONTANA, 1987) 
 
Corrosão em fresta: Forma de corrosão localizada, ocasionada pela diferença na 
concentração de íons ou gases dissolvidos na solução eletrolítica entre duas regiões 
da mesma peça metálica. Esse tipo de ataque é geralmente associado à pequenos 
volumes de solução estagnada em frestas, formadas frequentemente por fendas 
superficiais, juntas sobrepostas e depósitos na superfície do metal. (AMERICAN 
SOCIETY FOR METALS, 1987; FONTANA, 1987) 
 
Corrosão por pites: Forma de ataque extremamente localizada, que consiste na 
formação de pequenos pites na superfície do material, os quais, com a ação da 
gravidade, podem evoluir transformando-se em buracos. Um pite pode ser iniciado 
por uma diferença de potencial ocasionada pela presença de um defeito localizado 
na superfície do metal ou uma pequena variação na sua composição química. 
(AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987; FONTANA, 1987) 
 
Corrosão intergranular: Forma de ataque localizado que ocorre preferencialmente ao 
longo dos contornos de grãos. É observada principalmente em alguns tipos de aços 
inoxidáveis que, quando aquecidos a temperaturas entre 500 ºC e 800 ºC, formam 
precipitados de carbeto de cromo ao longo dos contornos de grãos, tornando as 
regiões adjacentes, agora pobres em cromo, altamente susceptíveis à corrosão. 
(AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987; FONTANA, 1987) 
 
Lixiviação seletiva: Mas frequente em ligas de solução sólida, ocorre quando, um 
elemento ou constituinte é removido preferencialmente, por consequência dos 
processos de corrosão. O exemplo mais comum é a lixiviação seletiva do zinco em 
uma liga de latão. (AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987; FONTANA, 1987) 
 
Corrosão-erosão: Ocasionada pela ação combinada de um ataque químico com 
abrasão mecânica ou desgaste consequente do movimento de um fluido. É 
especialmente prejudicial às ligas que formam camada passivadora, uma vez que a 
erosão provocada pela ação abrasiva pode expor a superfície nua do metal. 
(AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987; FONTANA, 1987) 
 
31 
 
Corrosão sob tensão: Resulta da ação combinada de uma tensão trativa aplicada 
em ambiente corrosivo. Pequenas trincas se formam e então se propagam em uma 
direção perpendicular à tensão. (AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987; 
FONTANA, 1987) 
 
3.3 AÇOS INOXIDÁVEIS 
 
Os aços inoxidáveis são ligas de ferro e carbono, que contém um teor 
mínimo de 10,5% de cromo. (AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987) Outros 
elementos metálicos podem integrar essas ligas, entretanto o cromo é o elemento 
considerado mais importante, uma vez que é o principal responsável pela formação 
da camada passivadora que fornece uma elevada resistência à corrosão. (SOUSA E 
SILVA, 2007) 
Os elementos presentes nos aços inoxidáveis, especialmente o cromo, 
apresentam uma tendência natural de reagir com o meio ambiente, formando óxidos, 
hidróxidos e outros compostos químicos. Esses compostos formam a camada 
passivadora: um filme que protege o material de subsequentes ataques corrosivos. 
(CARBÓ, 2008) 
Em aços inoxidáveis em meios atmosféricos, por exemplo, 
aparentemente, essa camada passivadora é produzida pela reação entre a água e o 
metal base, formando um oxihidróxido de cromo e ferro. (CARBÓ, 2008; SOUSA E 
SILVA, 2007) Na região mais próxima do metal base predominam os óxidos; já 
naquela mais próxima do meio ambiente, predominam os hidróxidos. (CARBÓ, 
2008) 
Essa camada formada é resistente e uniforme, tem excelente aderência e 
plasticidade, baixa porosidade e volatilidade, além de solubilidade praticamente nula. 
(SOUSA E SILVA, 2007) Uma teoria bastante difundida afirma que o filme 
passivador atua como uma barreira de difusão que separa o metal do meio e, 
portanto, diminui a velocidade de reação. (PADILHA; GUEDES, 1994) 
Os aços inoxidáveis formam e conservam camadas passivadoras em uma 
grande variedade de meios, o que explica sua elevada resistência à corrosão em 
várias condições. (CARBÓ, 2008) 
Quando as condições são favoráveis à formação e manutenção da 
camada passivadora, os aços inoxidáveis apresentam taxas de corrosão 
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extremamente baixas. Se a camada passivadora é destruída em condições que não 
permitem a sua restauração imediata, o aço inoxidável corrói como um aço carbono 
ou um aço baixa liga. (AMERICAN SOCIETY FOR METALS, 1987) Em geral, os 
aços inoxidáveis apresentam elevada resistência à corrosão em ambientes 
oxidantes (que favorecem a formação e conservação da camada passivadora) e 
baixa resistência à corrosão em meios redutores (que destroem a camada 
passivadora ou não possibilitam a sua formação). (CARBÓ, 2008) 
 
Existe uma grande variedade de aços inoxidáveis, com níveis 
progressivamente maiores de resistência à corrosão, devido principalmente 
ao cromo, e resistência mecânica, propriedade obtida pela presença de 
níquel, além da adição de outros elementos de liga, originando propriedades 
específicas com relação à possibilidade de resistir a diferentes meios. 
(SOUSA E SILVA, 2007) 
 
Os aços inoxidáveis são divididos