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TCC - Análise da Influência da Velocidade de Avanço na Resistência à Corrosão de Peças Torneadas de Aço Inoxidável AISI 304 e AISI 316

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curvatura da ponta da ferramenta, velocidade e profundidade de corte), um 
aumento no parâmetro de avanço da ferramenta produz uma superfície com maior 
rugosidade. 
Ainda comparando os dados referentes aos corpos de prova constituídos 
de aço 304, pode-se observar que aquele com maior rugosidade (304/F0,3), obtido a 
partir do torneamento com maior parâmetro de avanço, 0,3 mm/rot, apresentou uma 
taxa de corrosão mais acentuada, 2,291 x 10-3 mm/ano. Da mesma forma, 
comparando os corpos de prova constituídos de aço 316, aquele com superfície 
mais irregular (316/F0,3), também obtido a partir do torneamento com maior 
parâmetro de avanço, 0,3 mm/rot, apresentou uma maior taxa de corrosão, 3,955 x 
10-3 mm/ano. 
Tais resultados condizem com a teoria descrita na sessão 3.1.3 acerca da 
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influência da rugosidade na resistência à corrosão de superfícies usinadas. 
Superfícies com rugosidades mais pronunciadas apresentam maiores quantidades 
de picos e vales, aumentando a área de contato da superfície com o meio, 
favorecendo um maior acúmulo de impurezas (neste caso, impurezas de caráter 
ácido, originadas da mistura água + HCl) nessa interface, acelerando o processo de 
corrosão. (AMORIM, 2002; SOUZA; MARQUES) 
Segundo Souza e Marques, o aumento na taxa de corrosão dos corpos 
de prova usinados com maior avanço deve-se ao fato de o aço inoxidável perder 
suas características de resistência à corrosão à medida que sofre deformação 
plástica, quando sua estrutura austenítica é transformada para martensita. (SOUZA; 
MARQUES) 
Comparando os corpos de prova 304/F0,1 e 316/F0,1, usinados nas 
mesmas condições (0,1 mm/rot de avanço), pode se observar que o último, 
constituído de aço 316, apresentou maior rugosidade superficial. Tal fato se explica 
pela presença de aproximadamente 2,5% de molibdênio no aço 316. Este elemento 
prejudica a usinabilidade do material, reduzindo o acabamento superficial da peça 
usinada. (PADILHA; GUEDES, 1994) 
Os corpos de prova usinados com 0,3 mm/rot de avanço, 304/F0,3 e 
316/F0,3, não apresentaram diferença significativa na rugosidade superficial. 
Esperava-se, assim como observado nos corpos de prova usinados com 0,1 mm/rot 
de avanço, uma superfície mais irregular para o corpo de prova de aço 316 devido à 
presença de molibdênio nesta liga, fato que não ocorreu. As alterações 
microestruturais provocadas pela aplicação de um maior parâmetro de avanço 
podem justificar essa incompatibilidade dos resultados obtidos com os resultados 
esperados. 
Os resultados também evidenciam a diferença no potencial de corrosão 
dos aços 304 e 316, quando usinados nas mesmas condições. O corpo de prova 
316/F0,1 apresentou menor potencial de corrosão em relação ao 304/F0,1, ambos 
usinados com 0,1 mm/rot de avanço. Da mesma forma, o corpo de prova 316/F0,3 
apresentou menor potencial de corrosão em relação ao 304/F0,3, sendo os dois 
usinados com 0,3 mm/rot. 
Ainda assim, os corpos de prova constituídos de aço 316 apresentaram 
maiores taxas de corrosão quando comparados àqueles constituídos de aço 304, 
quando usinados nas mesmas condições. Esperava-se um melhor desempenho dos 
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corpos de prova de aço 316, uma vez que, de acordo com Carbó, (2008, p. 18 e 19), 
a adição de molibdênio melhora consideravelmente a resistência à corrosão dos 
aços inox austeníticos na presença de íons cloreto. 
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6 CONCLUSÃO 
 
A relação entre material e processo constitui uma via de mão dupla: as 
propriedades intrínsecas do material influenciam o seu comportamento durante o 
processamento; da mesma forma, as condições de processo interferem nas 
propriedades do material conformado e, consequentemente, no seu desempenho 
em serviço. 
O processo de corrosão, como ocorre na interface metal/eletrólito, está 
intimamente ligado às condições superficiais do metal. Assim, as condições de corte, 
por interferirem nas propriedades superficiais, também influenciam na resistência à 
corrosão. 
De acordo com os resultados obtidos, o aumento de 0,1 para 0,3 mm/rot 
de avanço, tanto na usinagem do aço 304 quanto do aço 316, provocou aumentos 
significativos na rugosidade das superfícies usinadas. Conclui-se, então, que o 
parâmetro de avanço é diretamente proporcional à rugosidade, ou seja, um aumento 
no avanço da ferramenta durante o processo de usinagem produz uma superfície 
mais irregular. 
As superfícies mais irregulares, por apresentarem maior área de interface 
metal/meio, apresentaram taxas de corrosão maiores do que aquelas com menores 
valores de rugosidade. Assim, conclui-se que, submetidas às mesmas condições, as 
superfícies mais rugosas apresentam maior susceptibilidade à corrosão do que 
àquelas com menores rugosidades. 
 
 
 
 
 
 
 
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7 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 
 
 Realizar análise metalográfica, a fim de identificar as modificações 
microestruturais ocorridas durante a usinagem e sua relação com a 
resistência à corrosão. 
 
 Estudar a influência de outros elementos de liga na usinabilidade e na 
resistência à corrosão, a partir da análise de outros tipos de aços 
inoxidáveis austeníticos. 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
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com ferramenta de metal duro. 2002. 114 f. Dissertação (Mestrado em 
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do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 
 
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GOMES,