Farmacologia dos antipsicóticos
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Farmacologia dos antipsicóticos


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Antipsicóticos 
 São fármacos usados no tratamento de esquizofrenia e surtos psicóticos, sintomas 
motores de Huntington, transtorno bipolar, mania e depressão, ansiedade grave, náusea e 
vômito (antieméticos), tiques motores e soluços intratáveis e emergências comportamentais 
(delírio tóxico). 
Transtorno psicótico \u2013 esquizofrenia: 
 Os pacientes esquizofrênicos são muito heterogêneos, podendo apresentar mais um 
ou outro sintomas. Os sintomas são didaticamente separados em três \u201cfrentes\u201d. 
 Os sintomas positivos estão relacionados a uma exacerbação dos comportamentos. 
São eles: alucinações, principalmente auditivas; delírio, que podem ter caráter de perseguição; 
pensamento desorganizado, que se reflete na fala e o paciente não consegue distinguir o que é 
e o que não é relevante e distúrbios motores, que seria a catatonia ou a agitação. 
 Os outros sintomas são os prejuízos cognitivos (que incluem perda de atenção, de 
memória e problemas de linguagem) e os sintomas negativos (anedonia, isolamento social e 
vários sintomas emocionais). Esses sintomas, no geral, não são bem tratados pela maioria dos 
fármacos, ao contrário dos sintomas positivos. 
 A esquizofrenia tem baixa incidência (1%) e está relacionada a fatores genéticos e 
ambientais (uso de droga de abusos, exposição a vírus, parasitas, entre outros) e precisa-se da 
soma dos dois para a manifestação da doença. A incidência é maior em jovens e em homens. 
Quando ocorre em pacientes mais velhos, no geral, a doença é, desde o início, mais severa e 
de mais difícil tratamento. 
Bases neuroanatômicas: 
 Sabe-se que há, nessa doença, uma neurodegeneração progressiva, o que ajuda na 
piora dos sintomas ao longo do tempo. As principais anomalias anatômicas observáveis são 
atrofia, principalmente, da massa cinzenta e o aumento dos volumes ventriculares (VL e 3V). Já 
as alterações morfológicas/histológicas envolvem uma alteração na organização das camadas 
corticais. 
 Uma característica dessa doença é a polarização dos sintomas. Em geral, no início, o 
paciente apresenta sintomas positivos que são substituídos, com o tempo, por sintomas 
negativos. Isso certifica que há uma progressão da doença e a neurodegeneração pode ser a 
causa para isso. Ao passar do tempo ocorre um agravamento da doença e uma diminuição na 
eficácia dos fármacos. 
Hipótese monoaminérgica: 
 A grande atrofia cortical que acontece sugere alterações específicas em algumas vias 
transmissoras. A principal teoria é que a dopamina é um dos principais componentes da 
esquizofrenia. Foi observado que esse neurotransmissor tem efeitos pró-psicóticos. Por 
exemplo, a anfetamina aumenta a liberação de catecolaminas e pode causar episódio agudo 
de esquizofrenia, os antiparkinsonianos que facilitam a liberação, produção ou agem nos 
receptores da dopamina também podem causar alucinação e delírio e alguns receptores 
seletivos de dopamina do tipo D2 causam estereotipia motora e crises agudas de 
esquizofrenia. Todos esses efeitos ocorrem em pessoas saudáveis, mas, em esquizofrênicos é 
ainda mais grave. Existem teorias, também, de que esses fatores podem servir como gatilho 
para a doença. 
 Nos esquizofrênicos observa-se um aumento na síntese de dopamina no estriado 
(relacionado ao controle motor) e uma liberação de dopamina muito maior que o normal no 
caso de administração de anfetamina. Além disso, existe o uso empírico de fármacos 
antagonistas de dopamina para tratar essa doença. 
 Os receptores para dopamina estão separados em D1 e D2 e estão em diferentes 
concentrações nos diferentes locais do corpo. Uma alteração muito visível é a alteração 
endócrina, e é somente relacionado a D2, pois não há D1 no hipotálamo ou na hipófise. 
Vias alteradas: 
 A via mesolímbica começa com a produção de dopamina na área tegmentar ventral, 
que vai para a amígdala, hipocampo e núcleo accumbens. Há, portanto, uma grande alteração 
no controle emocional nos esquizofrênicos por hiperativação dos receptores D2 (sintomas 
positivos). 
 A via mesocortical \u201cleva\u201d a dopamina produzida na ATV até o córtex pré frontal, há 
uma hipoativação dos receptores D1 (sintomas negativos). 
 A via nigroestriatal é pouco afetada, mas parte da substância negra e vai até o 
estriado (controle motor). E a via túbero-infundibular, que também é pouco afetada, parte do 
arqueado até a hipófise, sendo que a liberação de dopamina nessa região inibe a liberação de 
prolactina (receptor D2). 
Terapia farmacológica da esquizofrenia: 
 Todos os antipsicóticos são antagonistas de receptor D2, com maior ou menor 
seletividade, e só são efetivos quando há o bloqueio de mais de 80% desses receptores, o que 
faz com que, muitas vezes, a dose a ser usada tenha que ser muito alta, aumentando também 
a incidência de efeitos indesejados. 
 Pacientes esquizofrênicos, no geral, fazem uso de antipsicóticos, ansiolíticos, 
antidepressivos, estabilizadores do humor e anticonvulsivantes (polifarmácia), o que é 
negativo tanto pela combinação das doenças quanto dos fármacos que podem interagir entre 
si. É um tratamento crônico, pois a doença não tem cura, mas os efeitos indesejados são muito 
amplos, o que diminui a adesão do fármaco pelos pacientes. 
 A eficácia dos fármacos parece estar relacionada com o bloqueio de receptores D2 na 
via mesolímbica, melhorando principalmente os sintomas positivos e pouco os negativos e 
cognitivos. Os efeitos podem começar a surgir apenas após semanas. Quanto maior a demora 
para o início do tratamento, mas difícil ele será. 
 Cerca de 30% dos pacientes são refratários, o que pode estar relacionado à uma 
variação genética. 
Antipsicóticos de primeira geração: 
 São antagonistas preferenciais D2, mas podem piorar os sintomas negativos por 
também antagonizarem D1. Por bloquear receptores D2 na via nigroestriatal, eles causam 
efeito motores extrapiramidais, ou seja, causam parkinsonismo secundário. 
 Esses fármacos são antagonistas, também, para receptores D1, H1, alfa1 e 5HT2A, o 
que colabora com a amplitude dos efeitos indesejados. 
 Principais exemplos: clorpromazina, haloperidol, levomepromazina. 
Antipsicóticos de segunda geração: 
 No geral, esses fármacos também bloqueiam receptores D2, mas bloqueiam em maior 
proporção os 5HT2A, e observando a eficácia desse tratamento, infere-se que não apenas a 
dopamina está envolvida na esquizofrenia. 
 Têm menos efeitos indesejados motores, têm maior eficácia em pacientes refratários e 
podem controlar dos sintomas negativos ou, pelo menos, não piorá-los, por serem menos 
seletivos para receptor D1. 
 Principais exemplos: clozapina, quetiapina, olanzapina, aripiprazol, risperidona. 
Perfil indesejado: 
 Esses fármacos são extremamente limitantes e severos. Possuem efeitos 
extrapiramidais e endócrinos devido que são inseparáveis do efeito terapêutico e alguns 
outros. 
 O efeito extrapiramidal \ufffd\ufffd observável em 90% dos usuários do fármaco e acontece 
devido ao bloqueio dos receptores D2 na via nigroestriatal. Para controlar esse efeito, as ações 
a serem tomadas podem ser diminuição da dose ou administração de um antagonista 
muscarínico (anticolinérgico). Existem 5 principais consequências extrapiramidais: 
 O parkinsonismo secundário ou farmacológico (1), que produz os mesmos efeitos, 
como tremor de extremidade, rigidez muscular, perda de expressões faciais, entre outros. A 
acatisia (2) que é uma agitação motora que pode estar relacionada a uma catatonia. A distonia 
aguda (3), que são espasmos musculares, geralmente na laringe, o que pode resultar em 
dificuldade ou tiques na fala e, em situações mais graves, esses espasmos podem ser tão 
graves a ponto de parecer uma convulsão. Discinesia aguda ou tardia (3), que costuma 
acontecer com o uso crônico dos antipsicóticos típicos, inclui movimentos voluntários 
principalmente na musculatura orofacial e bucolingual devido a hipersensibilização 
dopaminérgica. É irreversível e piora