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Resumo sobre estoques e gerenciamento de materiais: função reguladora (velocidades entrada/saída) com exemplo numérico; tipos e classificação direto/indireto; importância (Ballou); avaliação de níveis; sistema Máximo‑Mínimo (Emin, PP, TR, IR, LC, C, EMax) e gráficos de estoque.

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O Papel dos Estoques na 
Empresa
Logística e Gerenciamento de Materiais
Márcia Fiorin
Papel dos estoques
▪ Os estoques têm a função de funcionar como reguladores do 
fluxo de negócios.
▪ Como a velocidade com que as mercadorias são recebidas é 
usualmente diferente da velocidade com que são utilizadas, 
há a necessidade de um estoque, funcionando como um 
amortecedor (buffer).
▪ V(t) = velocidade 
de entrada
▪ v(t) = velocidade 
de saída
V(t)
E
v(t)
Papel dos estoques
▪ Quando a velocidade de entrada dos itens é maior que a de saída, 
ou quando o número de unidades recebidas é maior do que o 
número de unidades expedidas, o nível de estoque aumenta.
▪ Se, ao contrário, mais itens saem do que entram, o estoque 
diminui.
▪ E, se a quantidade que é recebida é igual a que é despachada, o 
estoque mantém-se constante.
▪ Exemplo:
▪ A empresa Bejotão consome o item BJ3 a uma velocidade de 450 unidades 
por dia. O BJ3 é comprado de terceiros e usado na montagem do produto 
final da empresa. Sabendo-se que, em uma semana útil de 5 dias, a Bejotão
recebeu dois lotes de 2.500 do item, qual foi a variação do estoque do BJ3 
nessa semana?
▪ Recebimento = 2 x 2.500 = 5.000 por semana
▪ Consumo = 5 x 450 = 2.250
▪ Variação = Recebimento – Consumo = 5.000 – 2.250 = 2.750
▪ Como a velocidade de entrada é maior do que a velocidade de saída, o 
estoque aumenta.
Tipos de estoques
▪Matérias primas
▪Produtos em processo (WIP - work in process)
▪Produtos acabados
▪Em trânsito
▪Em consignação
Classificação de materiais
▪Materiais Diretos: são os que se agregam ao
produto final. 
▪ Por exemplo: a borracha que faz parte da composição de um 
pneu.
▪ Materiais Indiretos (não produtivos, 
auxiliares): são utilizados no processo de 
fabricação, mas não se agregam ao produto
final.
▪ Por exemplo: a estopa usada para limpar um molde que vai
fazer um pneu.
Importância dos Estoques
▪Segundo Ronald H. Ballou:
▪ melhorar o serviço ao cliente
▪ economia de escala
▪ proteção contra mudanças de preço em épocas de 
inflação alta
▪ proteção contra incertezas na demanda e no tempo 
de entrega
▪ proteção contra contingências
Avaliação dos níveis de estoque
▪ Qual o nível de estoque mais econômico para a empresa?
▪ Os custos de estoque são influenciados por:
▪ Volume
▪ Disponibilidade
▪ Movimentação
▪ Mão de obra
▪ Recursos financeiros
▪ Em cada situação estas variáveis assumem pesos diferentes.
Sistema Máximo Mínimo
▪ Uma das técnicas utilizadas para trabalhar com níveis de 
estoque é o enfoque da dimensão do lote econômico para 
manutenção de níveis de estoques satisfatórios e que 
denominamos de sistema Máximo Mínimo
▪ Possibilita a manutenção dos níveis de estoques 
estabelecidos que configuram um sistema automático de 
suprimentos da manutenção de estoque.
▪ Novas ordens são emitidas em função da variação do 
próprio nível de estoque. Assim, toda vez que o estoque fica 
abaixo do nível de ponto de pedido é emitida uma requisição 
de compras para a peça em específico.
Sistema Máximo Mínimo
▪Cada produto ou material as seguintes informações:
▪ Emin – Estoque mínimo ou estoque de segurança (ES) ou 
estoque reserva – volume mínimo de peças que se deseja 
manter
▪ PP – Ponto de pedido – momento em que novas 
quantidades da peça devem ser compradas
▪ TR – Tempo de reposição – tempo necessário para repor a 
peça
▪ IR – Intervalo de reposição – tempo decorrido entre os 
pontos de pedido
▪ LC – Lote de compra – quantidade de peças que devem ser 
compradas
▪ C – Consumo
▪ EMax – Estoque máximo – volume máximo de peças no 
estoque
Gráfico de estoque
0
500
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
3.500
LC C
PP
TR
ES
EMax
IR
EMd
Gráficos de estoque
▪ Exercício:
▪ A figura abaixo representa o comportamento do estoque de uma 
determinada empresa que utiliza o sistema de ponto de pedido (ou 
sistema de reposição contínua) para reposição de estoque. 
Considerando que não existam atrasos no suprimento de materiais, 
analise os níveis de estoque, representados na figura, e determine: o 
ponto de reposição e o estoque de segurança.
Gráficos de estoque
Ponto de 
ressuprimento
Estoque de 
segurança
Gráficos de estoque
▪ A representação da movimentação de uma peça dentro de 
um sistema de estoque pode ser feita por um gráfico em que 
a abscissa é o tempo decorrido para o consumo e a ordenada 
é a quantidade em unidades desta peça no intervalo de 
tempo.
▪ Bastante utilizados pelas empresas, muitas vezes são 
chamados de “dente de serra” por causa de sua semelhança 
com os dentes de uma serra.
▪ Três generalizações são importantes:
1. O gráfico é uma forma simplificada, já que para construí-lo foi 
necessário assumir a hipótese de que o recebimento das 2.500 
unidades deu-se no fim do dia.
2. O recebimento das 2.500 unidades deu-se de uma única vez, 
instantaneamente, isto é, não se considerou o tempo gasto no 
descarregamento e acondicionamento do item.
3. O consumo de 450 unidades/dia dá-se a uma razão constante 
durante as oito horas do dia de trabalho. 
Gráficos de estoque
▪Exemplo:
▪ Variação dos estoques do item BJ3 durante uma semana. 
Valores em unidades:
▪ Vamos considerar que os itens são recebidos e 
contabilizados no fim do expediente do respectivo dia, e 
que o consumo se dá de forma uniforme durante as 8 horas 
do dia de trabalho.
Dia
Estoque
Inicial Recebimento Consumo Estoque final
2ª 830 2.500 450 2.880
3ª 2.880 0 450 2.430
4ª 2.430 0 450 1.980
5ª 1.980 2.500 450 4.030
6ª 4.030 0 450 3.580
Gráficos de estoque
830
380
2.880
2.430
1.980
1.530
4.030
3.580
0
500
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
3.500
4.000
4.500
E
st
o
q
u
e
TempoSeg Ter Qua Qui Sex 
2
.5
0
0
2
.5
0
0
Gráficos de estoque
▪Este ciclo será sempre repetitivo e constante se:
▪ Não existir alterações de consumo durante o tempo
▪ Não existirem falhas que provoquem um esquecimento de 
comprar
▪ O fornecedor não atrasa a entrega do produto
▪ Nenhuma entrega do fornecedor for rejeitada pelo controle 
de qualidade
Sistema Máximo Mínimo
▪Para trabalhar o sistema Máximo Mínimo é 
preciso:
▪Determinar o consumo previsto
▪Fixar o período de consumo
▪Calcular o ponto de pedido
▪Calcular os estoques máximo e mínimo
▪Calcular o lote de compra
TR – tempo de reposição
▪ Ao fazer um pedido de compra existe um tempo entre o 
momento de sua solicitação no almoxarifado, colocação do 
pedido de compra e passa pelo processo de fabricação no 
fornecedor até o momento do recebimento e liberação para 
produção.
▪ O TR é composto de 3 elementos:
1. Tempo para elaborar e confirmar o pedido junto ao fornecedor
2. Tempo que o fornecedor leva para processar o pedido
3. Tempo para processar a liberação do pedido na fábrica
▪ As variáveis 1 e 3 dependem de ações da empresa.
▪ A variável 2 depende de uma boa negociação com o 
fornecedor.
PP – Ponto de Pedido
▪ Quando um determinado item de estoque atende seu ponto 
de pedido deve-se fazer o ressuprimento de seu estoque, 
colocando-se um pedido de compra.
▪ Esta quantidade de peças irá garantir que a produção não 
sofra problemas de continuidade enquanto se aguarda a 
chegada do lote de compras durante o tempo de reposição.
▪ Para calcular o ponto de pedido usa-se:
PP = (C x TR) + ES
▪ PP = Ponto de pedido
▪ C = Consumo normal da peça
▪ TR = Tempo de reposição
▪ ES = Estoque de segurança
PP – Ponto de Pedido
▪ Determinada peça é consumida em 2.500 unidades 
mensalmente e sabemos que seu tempo de reposição é de 45 
dias. Então, qual é o seu ponto de pedido, uma vez que seu 
estoque de segurança é de 400 unidades?
▪ PP = ?
▪ C = 2.500 por mês
▪ TR = 45 dias = 1,5 mês
▪ ES = 400
PP=(CxTR)+ES
PP=(2.500x1,5)+400
PP=(3.750)+400
PP=4150 unidades
PP – Ponto de Pedido
▪ Qual seria o ponto de pedido desta mesma empresa se o 
tempo de reposição fosse de 15 dias?
▪ PP = ?
▪ C = 2.500 por mês
▪ TR = 15 dias = 0,5 mês
▪ ES = 400
PP=(CxTR)+ES
PP=(2.500x0,5)+400
PP=(1.250)+400
PP=1.650unidades
LC – Lote de Compra
▪É a quantidade de peças especificadas no pedido de 
compra, que estará sujeita à política de estoque de 
cada empresa.
EMax– Estoque Máximo
▪ Resultado da soma do estoque de segurança com o lote de 
compras.
EMax= ES + LC
▪ Exemplo:
▪ Qual é o estoque máximo de uma peça cujo lote de compra é de 1.000 
unidades e o estoque de segurança é igual a metade do lote de compra?
▪ LC = 1.000
▪ ES = 1.000/2 = 500
EMax= 500 + 1.000
EMax= 1.500 unidades
ES – Estoque de Segurança
▪ Também é chamado de estoque mínimo (Emin) ou estoque 
reserva.
▪ Irá corrigir variações.
▪ É utilizado quando ocorrem:
▪ Atrasos no TR
▪ Rejeição do LC
▪ Aumento na demanda
▪ A função deste estoque é prover condições de atendimento 
adequado ao mercado e um retorno de capital satisfatório 
aos acionistas, ao ocorrer um aumento inesperado na 
demanda e/ou atraso nas entregas.
▪ Serve também para melhorar o nível de serviço, a segurança 
contra as contingências e para proteção de mercado. Isso faz 
com que a empresa tenha que investir mais em estoques.
ES – Estoque de Segurança
▪ Pode ser calculado por diversos modelos matemáticos, 
dentre eles:
▪ Método do grau de risco (MGR)
▪ Método com variação de consumo/tempo de reposição (MVC)
▪ Método com grau de atendimento definitivo (MGAD)
MGR – Método do Grau de Risco
▪ Usa um fator de risco em porcentagem definido pelo 
administrador em função de sua sensibilidade de mercado e 
informações que colhe junto a vendas e a suprimentos.
ES = C x k
▪ ES = Estoque de segurança
▪ C = Consumo médio no período
▪ k = coeficiente de grau de risco
MGR – Método do Grau de Risco
▪ Uma empresa necessita definir o estoque de segurança de 
determinado produto que tem uma demanda média mensal 
de 600 unidades e, para tanto, o gerente de logística definiu 
um grau de risco de 35%. Nesse caso, qual seria o estoque de 
segurança?
▪ ES = ?
▪ C = 600
▪ k = 35% = 0,35
ES = C x k
ES = 600 x 0,35
ES = 210
MVC – Método com Variação de Consumo ou 
Tempo de Reposição
▪ Usado quando houver atrasos na entrega do pedido e/ou 
aumento nas vendas.
ES = (CM - Cmd) + (CM x Ptr)
▪ ES = Estoque de Segurança
▪ CM = Consumo maior previsto do produto ou consumo 
máximo
▪ Cmd = Consumo normal do produto ou consumo médio do 
produto
▪ Ptr = Porcentagem de atraso no tempo de reposição
Giro de estoque ou rotatividade
▪ Relação entre o consumo anual e o estoque médio.
▪ Avaliação do capital investido em estoques comparado com 
o custo das vendas anuais, ou da quantidade média de 
materiais em estoque dividido pelo custo anual das vendas.
▪ Quantidade de vezes que o valor do estoque gira ao ano, ou 
seja, o valor investido ou quantidade de peças que atenderá 
um determinado período de tempo.
▪ O valor do estoque pode ser monetário ou quantidade de 
peças.
▪ O custo anual das vendas representa valor anual das vendas 
menos a mão de obra e despesas gerais (custos dos materiais 
comprados no ano)
Giro de estoque ou rotatividade
𝐺 =
𝐶𝑉
𝐸
OU
𝐺 =
𝑄𝑉
𝐸
▪ G = Giro
▪ CV = custo das vendas anuais
▪ E = estoque
▪ QV = quantidade vendida
Retorno de capital
▪ A avaliação do retorno de capital investido em estoque (RC) 
é baseada no lucro das vendas anuais sobre o capital 
investido em estoques.
▪ Como parâmetro de uma boa administração de estoques, o 
retorno de capital deve situar-se acima de um coeficiente 1, e 
quanto maior for o coeficiente melhor será o resultado da 
gestão de estoques.
𝑅𝐶 =
𝐿
𝐶
▪ RC = retorno de capital
▪ L = lucro
▪ C = capital em estoque
Bibliografia
▪ Este material foi extraído de:
▪ BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: Transportes, 
administração de materiais, distribuição física. São Paulo: 
Atlas, 2007.
▪ CHIAVENATO, Idalberto. Administração de Materiais: uma 
abordagem introdutória. Campus.
▪ DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma 
abordagem logística. São Paulo: Atlas 4a. edição, 1998.
▪ FRANCISCHINI, G. Paulino; GURGEL, Floriano do Amaral. 
Administração de Materiais e do Patrimônio. São Paulo: 
Pioneira Thomson Learning, 2004.
▪ MARTINS, Petrônio Garcia; ALT, Paulo Renato Campos. 
Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São 
Paulo: Saraiva, 2009.

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