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ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO - Tutoria gastro

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hematócrito (hemoconcentração), da creatinina e ureia (avaliar função renal), o 
estudo da coagulação (por conta da cirurgia) e a dosagem de plaquetas (baixa = 
sepse) e leucócitos (inflamação), que são úteis para se determinar a gravidade do 
quadro clínico e orientar a reanimação do doente, gasometria e glicemia
- Ajudam a avaliar a presença e a gravidade de hipovolemia, leucocitose e 
anormalidades metabólicas (hiponatremia, hipocalemia). Anemia pode apontar para 
etiologia específica (p. ex., tumor, divertículo de Meckel e doença de Crohn) 
- Na suspeita de íleo paralítico, a dosagem de eletrólitos séricos pode contribuir para 
o esclarecimento diagnóstico
IMAGEM: 
Radiografia do abdome:
- A rotina radiológica para abdome agudo (tórax; e abdome em pé e deitado) pode 
nos dar importantes informações, como distensão de alças, níveis hidroaéreos, 
edema de parede e parada de progressão gasosa no ponto de obstrução
- Na obstrução do delgado, as alças distendidas tendem a ocupar uma posição mais 
central
- Os níveis hidroaéreos múltiplos são comuns em decúbito lateral e na posição 
ortostática, em que adquirem, muitas vezes, formato de degraus. A ausência de ar 
no cólon pode ser observada. Este achado caracteriza uma obstrução completa de 
delgado
- Nas obstruções do cólon com válvula ileocecal competente, notamos distensão 
deste segmento, que ocupa a periferia das radiografias de abdome. As haustrações 
colônicas ocupam apenas uma parte do diâmetro transverso da parede. A ausência 
de gás na ampola retal pode ser notada em casos de oclusão completa desse 
segmento 
- O íleo paralítico apresenta-se com distensão gasosa uniforme do estômago, 
intestino delgado e cólon
- Fecaloma — apresenta sinal de miolo de pão
* A ausência de ar no cólon e na ampola retal indicam obstrução do intestino delgado 
completa ou de oclusão completa do cólon (ausência na ampola) 
* Casos que existam duvidas quanto à localização do processo obstrutivo, podem 
ser utilizados radiografias contrastadas, como o trânsito intestinal e enema opaco
Tomografia computadorizada:
- Pode ser útil para diagnosticar a obstrução do intestino delgado, muitas vezes 
determinando a causa com precisão. É particularmente útil nos pacientes com 
história de neoplasia prévia, nas obstruções pós-operatórias e naqueles pacientes 
obstruídos sem passado de cirurgias
- A demonstração de uma zona de transição caracterizada por uma alça distendida 
com ar e líquidos de um lado e outra alça distal à obstrução, colapsada, quase 
sempre sela o diagnóstico
- Nas obstruções completas, a sensibilidade e especificidade chegam a 90%. A 
tomografia não tem sensibilidade tão boa nas obstruções parciais de delgado, 
situação na qual a enteróclise e o trânsito de delgado devem ser preferidos
- Além das vantagens descritas acima, a TC diagnostica com precisão o 
estrangulamento de alça decorrente de um vôlvulo, por exemplo. Vemos na imagem 
tomográfica uma alça dilatada em forma de U ou C, com a distribuição radial de 
vasos mesentéricos tracionados e convergentes em direção ao segmento que 
sofreu a torção. A grande desvantagem da TC é que esta somente detecta sinais 
Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXIV 	 	 	 	 Problema 2, TUTORIA
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sugestivos de estrangulamento em estádios avançados e irreversíveis, como a 
presença de pneumatose intestinal 
Ultrassonografia:
- Usado para distinguir um íleo paralítico de um quadro obstrutivo
- A US permite identificar alças intestinais distendidas, com níveis de líquido e 
aumento do peristaltismo
- A US é também útil para distinguir alças dilatadas de intestino delgado de grosso, 
através da identificação das válvulas coniventes
- Uma das principais vantagens da ultra-sonografia é a demonstração da presença 
ou não de peristalse em alças preenchidas por líquido e avaliação da espessura da 
sua parede
- A combinação de peristalse, distensão com conteúdo líquido e espessamento da 
parede sugere o diagnóstico de infarto da parede intestinal
Exames endoscópicos: 
- Pacientes com suspeita de obstrução colônica devem ser submetido a uma 
proctossigmoidoscopia
- A colonoscopia é contraindicada, pois a insuflação de ar para a realização do 
procedimento pode levar à perfuração intestinal
* A colonoscopia na presença de volvo de ceco ou de sigmoide alto, assim como na 
presença de corpos estranhos, pode permitir, além do diagnóstico, o tratamento, 
tentar desfazer 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
- As dificuldades do diagnóstico diferencial entre outros processos abdominais 
agudos só ocorrem quando o paciente é visto tardiamente, já instalada uma 
complicação
- Nessa fase, a dor é contínua, como na úlcera péptica perfurada, na apendicite 
aguda ou na pancreatite aguda, não se ouve peristaltismo e há defesa muscular e 
sinais de peritonite, como nessas entidades. Uma anamnese bem feita é chave do 
diagnóstico diferencial
- Pseudo-obstrução (doença que apresenta manifestações de obstrução intestinal 
sem lesão orgânica, havendo predomínio pelo intestino delgado, mas pode ocorrer 
em todo TGI), um exemplo de pseudo-obstrução seria a síndrome de Ogilvie. Os 
sintomas podem ser intermitentes, durando anos, sendo os mais comuns: vômitos, 
dor abdominal e distensão abdominal 
- Outras condições, não raro associadas à obstrução intestinal, porém sem uma ação 
causal definida, são o diabetes mellitus, o hipotireoidismo, o feocromocitoma, o 
hipoparatireoidismo, a dermatomiosite, o lúpus eritematoso, a distrofia miotônica, a 
doença de Parkinson, a esclerose múltipla e a amiloidose 
TRATAMENTO 
- A maioria dos casos o tratamento será cirúrgico
- É importante que os pacientes depletados em volume e com distúrbios 
hidroeletrolíticos (hipocalemia, hipocloremia) sejam tratados clinicamente por um 
período de cerca de 12 a 24 horas antes da operação 
CLÍNICO:
- Na fase inicial do tratamento da obstrução intestinal, de maneira geral, a 
abordagem clínica se aplica a todos os doentes
- Uma vez firmado o diagnóstico, deve ser tomada a decisão de operar 
imediatamente ou continuar sob tratamento clínico
- Em portadores de obstrução mecânica parcial, o tratamento clínico apresenta alto 
índice de sucesso e não possui morbidade significativa. Exemplos: aderências, 
doentes em período pós-operatório imediato, doença intestinal inflamatória, enterite 
por irradiação ou diverticulite, neoplasias avançadas com carcinomatose peritoneal 
e crianças com bolo de áscaris, entre outros
- O TRATAMENTO CLÍNICO inicia-se com acesso venoso, dieta zero, 
descompressão gástrica, pela passagem de sonda nasogástrica, hidratação 
parenteral (utilizando soro fisiológico com o intuito de elevar a pressão venosa 
central a níveis normais), correção de distúrbios eletrolíticos, eventualmente 
presentes, antibioticoterapia (com cobertura para bactérias gram-negativas e 
anaeróbios) e analgesia
- A nutrição parenteral pode ser indicada, caso se acredite que o doente não possa 
receber dieta enteral ou oral pelo menos nos cinco dias seguintes
- Quando o doente tem antecedentes de cirurgias abdominais prévias ou suspeita-se 
de aderências, o conhecimento do tipo de cirurgia realizada pode auxiliar na 
conduta, pois se admite que a possibilidade de sucesso com tratamento clínico é 
menor em alguns tipos de procedimento
- Nesses doentes com bridas, deve-se considerar a possibilidade de tratamento 
cirúrgico precoce. Não havendo melhora, ou havendo piora nas 12 horas iniciais de 
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tratamento clínico, deve-se considerar a conveniência de indicar o tratamento 
cirúrgico
- A grande maioria (até 90%) das obstruções mecânicas no pós-operatório precoce é 
causada por aderências, e as principais indicações

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