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Resumindo o Tratado de fisiologia médica

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ao vetor de 
despolarização. Mas, ela é quase sempre 
totalmente obscurecida pelo grande 
complexo QRS ventricular. 
 
Lembrar que: 
 A direção do potencial elétrico (negativo para 
positivo) é da base dos ventrículos para o 
ápice. 
 O eixo elétrico médio dos ventrículos normais é 
de 59º. 
 
Esse eixo pode desviar no coração normal 
de cerca de 20º até 100º, devido à 
diferenças anatômicas do sistema de 
distribuição de Purkinje ou da musculatura 
dos diferentes corações. Mas, várias 
condições cardíacas anormais podem 
causar desvio do eixo, além dos limites 
normais: 
1. Mudança da Posição do Coração no 
Tórax - pode acontecer tanto para direita 
para esquerda. 
2. Hipertrofia de um Ventrículo - pode 
acontecer no ventrículo esquerdo 
(hipertensão, estenose valvar aórtica, 
regurgitação valvar aórtica ou várias 
condições cardíacas congênitas) ou no 
ventrículo direito (estenose valvar 
pulmonar congênita, tetralogia de Fallot e 
o defeito do septo interventricular). 
3. Bloqueio de ramo - acontece se um dos 
maiores ramos dos feixes estiver 
bloqueado; desvio do eixo para a 
esquerda, se bloqueio do ramo esquerdo; 
intenso desvio do eixo para a direita, se 
bloqueio do ramo direito. 
 
Condições que causam voltagens 
anormais do complexo QRS 
Voltagem aumentada: quando a soma das 
voltagens de todos os complexos QRS nas 
três derivações padrão é maior que 4 
milivolts, considera-se ECG de alta voltagem. 
Com muita frequência a causa dos 
complexos QRS de alta voltagem é o 
aumento da massa muscular do coração, 
hipertrofia do músculo. 
Voltagem diminuída: é comum após 
múltiplos infartos miocárdicos pequenos 
terem causado atrasos locais da condução 
de impulso e voltagens reduzidas, devido à 
perda de massa muscular dos ventrículos. 
Pode acontecer pela presença de líquido no 
pericárdio, derrame pleural, enfisema 
pulmonar. 
 
Padrões Prolongados e Bizarros do 
Complexo QRS 
O complexo QRS perdura enquanto a 
despolarização continua a se espalhar pelos 
ventrículos, por isso, se a condução é 
prolongada, o complexo QRS também é. 
Pode acontecer por: 
o Bloqueio do sistema de Purkinje: Quando 
as fibras estão bloqueadas, o impulso 
cardíaco deve ser conduzido pelo 
músculo ventricular, o que torna a 
condução mais lenta. 
o Destruição do músculo cardíaco em várias 
áreas do sistema ventricular, com 
substituição desse músculo por tecido 
cicatricial. 
 
Corrente de lesão 
Anormalidades cardíacas que lesam o 
próprio músculo cardíaco fazem com que 
parte do coração permaneça parcial ou 
totalmente despolarizada durante todo o 
tempo. A parte lesada do coração é 
negativa, porque essa é a parte que é 
despolarizada e lança cargas negativas nos 
líquidos circundantes, enquanto a 
Unidade III 
Waleska - Med IX - UFOB 
polaridade do resto do coração é neutra ou 
positiva. 
 Trauma mecânico, doenças infecciosas 
e isquemias causadas por oclusões 
coronarianas. 
Ponto J ponto em que todas as partes dos 
ventrículos se tornam despolarizadas, 
incluindo tanto as partes lesadas como as 
normais; assim, não existe fluxo de corrente 
em volta do coração. 
Isquemia Coronariana 
A insuficiência do fluxo sanguíneo para o 
músculo cardíaco diminui o metabolismo das 
células musculares por três processos: 
 (1) falta de oxigênio; 
 (2) acúmulo excessivo de dióxido de 
carbono. 
 (3) falta de nutrientes. 
Nas áreas com isquemia não pode 
acontecer repolarização. 
Ocorre isquemia extrema do músculo 
cardíaco depois de oclusão coronária, e 
forte corrente de lesão flui da área infartada 
dos ventrículos durante o intervalo T-P entre 
os batimentos cardíacos. 
 
 Um dos aspectos diagnósticos mais 
importantes dos eletrocardiogramas 
registrados após trombose coronariana 
aguda é a corrente de lesão. 
Infarto Agudo da Parede Anterior 
O aspecto diagnóstico 
mais importante desse 
eletrocardiograma é o 
grande potencial de 
lesão na derivação 
torácica V2. Será 
encontrado um forte 
potencial de lesão 
negativo durante o intervalo T-P, significando 
que o eletródio torácico na parte anterior do 
coração está em área de potencial 
fortemente negativo. 
Infarto da Parede Posterior 
O principal aspecto diagnóstico desse 
eletrocardiograma está também na 
derivação torácica. Se for traçada uma linha 
de referência de potencial zero pelo ponto J 
nessa derivação, fica de pronto aparente 
que, durante o 
intervalo T-P, o 
potencial da 
corrente de lesão é 
positivo. 
Recuperação da 
trombose coronariana 
aguda 
-derivação torácica 
V3. 
-Por esse ECG, pode-
se ver que o 
potencial de lesão é forte, imediatamente 
após o ataque agudo (segmento T-P 
deslocado positivamente em relação ao 
segmento S-T). 
Infarto miocárdico antigo recuperado 
 
 
 
 
 
Onda Q na derivação I no infarto de parede 
anterior e a onda Q na derivação III no 
infarto da parede posterior. 
“Angina pectoris” 
Dor vinda do coração, geralmente a dor é 
causada por isquemia moderada do 
coração. A insuficiência coronariana passa a 
ser suficientemente intensa para impedir a 
repolarização adequada de algumas áreas 
do coração durante a diástole. 
Anormalidades da onda T 
-Condução lenta da onda de 
despolarização: quando a condução do 
impulso de despolarização pelos ventrículos 
é retardada, a onda T tem quase sempre 
polaridade oposta à do complexo QRS. 
- Despolarização encurtada: a repolarização 
dos ventrículos não 
começará no ápice. 
Isso pode acontecer 
em uma isquemia 
leve. 
- Efeito de Digitálicos: quando são 
ministradas superdosagens de digitálicos, a 
duração da despolarização em parte dos 
ventrículos pode ficar 
aumentada. Pode gerar 
uma onda T bifásica. 
Unidade III 
Waleska - Med IX - UFOB 
Capítulo 13 
Arritmias cardíacas e sua 
interpretação eletrocardiográfica 
 
As causas das arritmias cardíacas 
geralmente são combinações das seguintes 
anormalidades: 
1. Ritmicidade anormal do marca-passo. 
2. Mudança do marca-passo do nodo sinusal 
para outro ponto do coração. 
3. Bloqueios, em diferentes pontos, da 
propagação do impulso no coração. 
4. Vias anormais de transmissão dos impulsos 
no coração. 
5. Geração espontânea de impulsos falsos 
em quase qualquer parte do coração. 
 
Ritmos sinusais anormais 
Taquicardia 
Frequência cardíaca rápida, em um adulto 
considera-se acima de 100 batimentos/min. 
 
 
 
 
 
A frequência cardíaca determinada pelos intervalos de 
tempo entre os complexos QRS é de cerca de 150 por minuto, 
em vez de 72 por minuto. 
 
Causas: aumento da temperatura, estimulação 
do coração pelos nervos simpáticos (cap 10) e 
patologias tóxicas. 
A febre causa taquicardia porque o 
aumento da temperatura aumenta a 
intensidade do metabolismo do nodo sinusal, 
aumentando sua excitabilidade e a sua 
frequência de seu ritmo. 
(18 batimentos para cada 1°C que aumenta, até 
40,5°C, pois acima disso a frequência diminui). 
Bradicardia 
Frequência cardíaca lenta, em geral 
definida como menos de 60 batimentos/min. 
 
 
 
 
 
É comum em atletas, devido ao coração mais 
forte que o normal para bombear um grande 
débito sistólico. Quando em repouso, reflexos de 
feedback e outros efeitos provocam 
braquicardia. Acontece também quando 
estimula o nervo vago, que libera acetilcolina, 
produzindo efeito parassimpático. Ocorre 
frequentemente na síndrome do seio 
carotídeo. 
Arritmia sinusal 
Decorre de alterações nas forças dos sinais 
dos nervos simpáticos e parassimpáticos 
para o nodo sinusal do coração. 
 
 
 
 
 
 
 
Ritmos anormais que decorrem de 
bloqueio dos sinais cardíacos nas vias 
de condução intracardíacas 
Bloqueio sinoatrial 
O impulso do nodo sinusal é bloqueado 
antes de entrar no músculo atrial. 
 
 
 
 
 
Interrupção abrupta das ondas P com a resultante parada 
dos átrios e novo ritmo assumido pelos ventrículos pela 
geração espontânea do impulso,