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Crise hipertensiva

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(Crise hipertensiva) 
É uma condição de elevação aguda da pressão arterial definida como pressão arterial 
sistólica (PAS) igual ou maior que 180mmHg e/ou pressão arterial diastólica (PAD) 120mmHg. 
Apesar dos valores serem referência devemos estar atentos aos pacientes em crise hipertensiva 
com valores abaixo dos citados. 
Pode ser dividida em urgência ou emergência, de acordo com a presença ou ausência de lesão 
de órgão-alvo, aguda e progressiva. 
No ponto de vista prático, a emergência hipertensiva é toda e qualquer situação 
associada à uma crise hipertensiva que põe o paciente em risco iminente de morte 
ou que tenha em progresso uma lesão de órgão-alvo. 
Exemplo: eventos cerebrovasculares (AVC), eventos cardiovasculares (angina instável, infarto 
com ou sem supra, síndromes aórticas aguda), insuficiência renal rapidamente progressiva 
(nefroesclerose maligna), crises adrenérgicas graves (feocromocitoma, abuso de drogas como 
cocaína e anfetamina), e hipertensão na gestação (eclampsia após a 20ª semana de gestação). 
A urgência hipertensiva está relacionada ao paciente com crise hipertensiva 
propriamente dita, mas sem risco eminente de morte e/ou lesão de órgão-alvo em 
atividade. 
Ambos precisam de intervenção rápida e monitorização. Quando não bem tratada a urgência 
pode se tornar uma emergência. 
A emergência precisa de uma intervenção mais agressiva para controle rápido e gradual da PA. 
É essencial diminuir a PA de 15-20% na primeira hora e após, dentro de 24hrs, ir reduzindo a 
PA até o padrão normal. 
A meta é que a PA esteja menor que 140x90mmHg em 48hrs. 
FÁRMACOS USADOS: 
Damos preferência a fármacos administrados por via intravenosa já que são drogas que: 
• Tem ação mais rápida, proporcionando redução de forma adequada 
• Tem meia vida mais curta. Sendo assim, caso o paciente não evolua bem com a droga 
administrada podemos interromper sua administração no mesmo momento (ex: paciente 
com síndrome aórtica aguda que progride para hipotensão arterial caso o medicamento não 
seja retirado). 
MONITORAMENTO INTENSIVO: 
Esse paciente precisa ser internado e ter uma monitorização adequada. 
É necessário observá-lo com ECG contínuo, monitorização de oximetria de pulso e de PA 
(invasiva ou não invasiva). 
O tratamento irá variar de acordo com o quadro apresentado pelo paciente. 
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É ideal que a PA do paciente em urgência hipertensiva seja reduzida dentro de 24-48hrs, de 
forma lenta de gradual. 
Pode ser usado fármacos por via intravenosa ou oral, mas é recomendável usar fármacos por 
via oral nesses casos. 
O monitoramento desses pacientes deve ser feito com PA não invasiva, ECG e monitorização de 
oximetria. 
 
Emergência hipertensiva Urgência hipertensiva 
Redução rápida e gradual da PA (minutos a 
horas) 
Redução lenta e gradual da PA (24-48 horas) 
Fármacos administrados via intravenosa Fármacos administrados via oral 
Monitoramento intensivo Monitoramento normal 
 
Sexo masculino, 49 anos, portador de HAS e DM, admito em serviço de urgência 
queixando-se de dispneia iniciada há poucos minutos. Refere abandono de 
tratamento com clonidina nos últimos dias e estresse emocional após ser dispensado 
de seu emprego. Apresentava crepitação pulmonar bilateral, FR 25 irpm, SatO2 88%, 
PA 190/110 mmHg, ECG com taquicardia sinusal sem alterações de repolarização, FC 
105 bpm. Rotina laboratorial sem alterações.
Trata-se de uma emergência hipertensiva secundária ao edema agudo pulmonar hipertensivo. 
QUAL A CONDUTA A SER TOMADA? 
• Monitorização cardíaca contínua, oximetria de pulso e aferição de PA não invasiva 
(inicialmente) 
• Exames laboratoriais: hemograma, função renal, eletrólitos e biomarcadores cardíacos (ex: 
troponina) 
• Exames complementares: radiografia de tórax (AP) no leito e ECG 
• Suporte ventilatório 
• Terapia farmacológica com diuréticos, terapia coadjuvante e vasodilatadora 
Terapia farmacológica com diuréticos: furosemida 
A furosemida é um diurético de alça que gera venodilatação de 3-5min e aumento da diurese de 
20-30min após sua administração. 
• A dose recomendada é 0,5-1,9mg/kg por via intravenosa. 
Observação: em um primeiro atendimento, indivíduos com IRC podem necessitar de uma 
dose maior de diuréticos. 
• Efeito indesejado: hipovolemia, distúrbios eletrolíticos e alcalose metabólica. 
Terapia coadjuvante: morfina 
Não será usado no primeiro momento, mas pode auxiliar no tratamento. 
Nesse caso temos a morfina, um analgésico opioide, que gera venodilatação de 3-5min e redução 
da carga adrenérgica. 
• A dose recomendada é de 2-5mg por via intravenosa. 
Por apresentar muito comumente depressão respiratória, deve ser usado com muita cautela! 
 
 
 
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Terapia vasodilatadora: nitroprussiato de sódio 
Pode ser usado o nitroprussiato de sódio, um potente vasodilatador arterial e venoso, que gera 
efeito de vasodilatação imediatamente à sua administração. 
Apesar de ser um medicamento muito usado na emergência, é necessário atenção na sua 
administração pois pode causar intoxicação por tiocianato e causar agitação psicomotora, dor 
abdominal, rebaixamento do SNC, náuseas e vômitos. 
Além disso, seu uso deve ser preferencial em pacientes sem história prévia de DAC pois pode 
causar a síndrome do roubo coronariano. 
• A dose recomendada é de 0,23-10mcg/kg/min por via intravenosa. 
• O medicamento deve ser diluído de 2 mL (50mg) em 248 mL de SG 5% (concentração de 200 
mcg/mL). 
• Por ser uma droga fotossensível, é necessário utilizar bomba de infusão com frasco/equipo 
protegidos da luz. 
Terapia vasodilatadora: nitroglicerina 
A nitroglicerina é um vasodilatador arterial e, principalmente, venoso com efeito esperado 
dentro de 2-5min após administração. 
O uso deve ser feito preferencialmente em pacientes com história prévia de DAC ou síndrome 
isquêmica miocárdica aguda. 
• A dose recomendada é de 5-100mcg/kg/min por via intravenosa. 
• O medicamento deve ser diluído em 10 mL contendo 50mg da droga em 240mL de SG 5% 
(concentração de 200mcg/mL). Nesse caso pode usar a bomba de infusão comum. 
• Efeitos indesejados: cefaleia, taquicardia e flushing. 
Masculino, 49 anos, portador de HAS e DM, admitido em serviço de urgência 
queixando-se de dor torácica iniciada há poucos minutos enquanto caminhava. Não 
apresentava alterações ao exame físico. Sinais vitais estavam normais, exceto pela 
PA 200/120 mmHg, FC 108bpm. ECG mostrava taquicardia sinusal sem alterações de 
repolarização. Exames laboratoriais normais, exceto por troponina positiva. 
Trata-se de uma emergência hipertensiva causada por uma síndrome isquêmica miocárdica 
aguda (infarto sem supra). 
QUAL A CONDUTA A SER TOMADA? 
• Monitorização cardíaca contínua, oximetria de pulso e aferição de PA não invasiva 
(inicialmente) 
• Exames laboratoriais: hemograma, função renal, eletrólitos e biomarcadores cardíacos (ex: 
troponina) 
• Exames complementares: radiografia de tórax (AP) no leito e ECG 
• Suporte ventilatório 
• Terapia farmacológica para controle de PA e FC, terapia coadjuvante e antitrombótica 
Terapia para controle de PA e FC: nitroglicerina 
Na isquemia miocárdica aguda devemos usar preferencialmente a nitroglicerina, que é um 
vasodilatador arterial e, principalmente, venoso com efeito esperado dentro de 2-5min. Esse 
fármaco também diminui a pré-carga. 
• A dose recomendada é de 5-100mcg/kg/min por via intravenosa. 
• O medicamento deve ser diluído em 10 mL contendo 50mg da droga em 240mL de SG 5% 
(concentração de 200mcg/mL). Nesse caso pode usar a bomba de infusão comum. 
• Efeitos indesejados: cefaleia, taquicardia e flushing. 
 
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