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Crise hipertensiva

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Quando não usar os nitratos? 
• É contraindicado no infarto de VD, pois esse coração está “acostumado” a trabalhar 
sobrecarregado, ou seja, a pré-carga deve estar aumentada para a manutenção adequada do 
débito cardíaco e os nitratos podem rapidamente diminuir a pré-carga. Com a administração 
de nitratos no paciente com infarto de VD, ele pode evoluir pro choque cardiogênico. 
• Também é contraindicado em inibidores de PDE-5. 
Terapia coadjuvante: esmolol 
É um betabloqueador seletivo de meia-vida curta com efeito de controle da FC dentro de 1-2min. 
Seu uso é preferencial em pacientes com síndrome isquêmica miocárdica aguda e síndrome 
aórtica aguda. 
• A dose recomendada é: 
o Ataque – 500mcg/kg/min por via intravenosa 
o Manutenção – 25-50mcg/kg/min por via intravenosa 
• Deve ser diluído em 10mL (250mg) em 240mL de SF 0,9% (concentração de 10.000mcg/mL). 
Nesse caso pode usar a bomba de infusão comum. 
• Efeitos indesejados: náuseas, vômitos e hipotensão arterial 
Terapia coadjuvante: metoprolol 
Como o esmolol é um medicamento caro e nem sempre disponível no pronto atendimento, 
podemos optar pelo metoprolol que é um betabloqueador seletivo com efeito esperado dentro de 
5-10min após administração. 
• Dose recomendada é de 5mg por via intravenosa (repetir de 10/10min até 20mg, se 
necessário). 
• Efeito indesejado: bradiarritmia, broncoespasmo. 
Quando não usar o betabloqueador? 
Nunca usar betabloqueador em nenhum desses casos: 
• FC menor que 60bpm 
• PAS menor que 100mmHg – risco de choque cardiogênico 
• PR maior que 240ms/BAV de 2º e 3º graus 
• Disfunção ventricular grave/Killip maior ou igual a II 
• Doença arterial oclusiva periférica grave 
• DPOC ou asma grave 
Terapia coadjuvante: morfina 
Não será usado no primeiro momento, mas pode auxiliar no tratamento, principalmente no 
alívio da dor. Nesse caso temos a morfina, um analgésico opioide, que gera venodilatação de 3-
5min e redução da carga adrenérgica. 
• A dose recomendada é de 2-5mg por via intravenosa. 
• Efeito indesejado: rebaixamento da consciência e depressão respiratória. 
Terapia coadjuvante: atorvastatina 
A atorvastativa é um hipolipemiante com efeito esperado na redução da mortalidade por seus 
efeitos pleiotrópico. 
• Dose recomendada é de 80mg por via oral. 
Terapia antitrombótica: AAS 
A terapia antitrombótica pode ser usada na emergência com AAS 160-325mg por via oral 
associado a inibidores de P2Y12 e terapia de recanalização. 
O segundo e/ou terceiro antiagregante é opcional. 
 
 
 
B i a n c a L o u v a i n | 5 
 
Feminino, 29 anos, sem comorbidades prévias conhecidas, 22ª semana de gestação. 
Admitida em serviço de urgência queixando-se de cefaleia e edema em MMII. 
Encontrava-se letárgica e evoluiu com crise convulsiva tônico-clônica generalizada. 
Sinais vitais normais, exceto por PA 200/120mmHg, FC 95bpm. ECG mostrava 
taquicardia sinusal sem alterações de repolarização. Exames laboratoriais estavam 
normais, exceto por creatinina 3,2mg/dL, discreta elevação de transaminases e EAS 
com proteinúria. 
Trata-se de uma emergência hipertensiva por eclampsia. 
QUAL A CONDUTA A SER TOMADA? 
• Monitorização cardíaca contínua, oximetria de pulso e aferição de PA não invasiva 
(inicialmente) 
• Exames laboratoriais: hemograma, função renal, eletrólitos, hepatograma, coagulograma e 
biomarcadores cardíacos (ex: troponina) 
• Exames complementares: ECG 
• Suporte ventilatório 
• Terapia farmacológica para controle da crise convulsiva e de PA e encaminhamento para o 
especialista. 
Controle da crise convulsiva: sulfato de magnésio 
O controle da crise convulsiva pode ser feito pelo sulfato de magnésio, que é um eletrólito. 
Devemos ter atenção para sinais de intoxicação por magnésio (arreflexia, bradpneia e oligúria). 
Em casos de intoxicação o antidoto é o glucanato de cálcio. 
• Dose recomendada: 4g por via intravenosa em infusão de 5-10min, seguido de 1g/h por 12-
24hrs. 
Controle da PA: hidralazina 
O controle da PA é feito pela hidralazina, que é um vasodilatador de ação direta, com efeito 
esperado em 10-30min após administração. 
• Dose recomendada: 10-20mg por via intravenosa. 
• Efeitos indesejados: taquicardia reflexa, cefaleia, vômitos e exacerbação da angina. 
A administração por via oral pode ser reconciliada após a estabilização da paciente. 
Importante: a hidralazina pode causar taquicardia reflexa. Mas como isso ocorre? 
Essas drogas provocam uma vasodilatação arterial importante 
que, para compensar, gera uma taquicardia reflexa. O aumento 
do DC, gera aumento da demanda miocárdica por oxigênio e temos 
a exacerbação da angina e ampliação da área isquêmica. 
Por isso as drogas com resposta vasodilatadora arterial, como os 
bloqueadores de canais de cálcio diidropiridínico, são 
contraindicados em síndromes coronarianas agudas, por causa da 
ativação simpática reflexa. 
Hidralazina e Nifedipino 
 
Vasodilatação arterial 
 
Taquicardia reflexa 
 
Exacerbação da angina 
B i a n c a L o u v a i n | 6 
 
A característica primordial de uma droga para ser usada em uma crise hipertensiva é ter seu 
inicio rápido e meia-vida curta. 
Ausência de risco iminente de vida Observações 
Captopril 12,5-50mg 
IECA é contraindicado na 
gestação 
Furosemida 40-80mg 
O indivíduo hipertenso 
crônico já tem um estado de 
hipovolemia e o problema 
dele é a vaso reatividade ou 
aumento da resistência 
vascular sistêmica. Por isso 
devemos ter atenção ao usar 
diuréticos nesses pacientes. 
Clonidina 0,1-0,2mg 
Repetir até 0,8mg, se 
necessário. 
No SNC tem efeito sedativo. 
Propanolol 10-40mg 
É uma droga não seletiva e 
por isso devemos ter atenção 
nos pacientes com doenças 
arteriais oclusivas 
periféricas crônica ou grave, 
com quem pode fazer 
broncoespasmo, etc. 
Hidralazina 25-50mg 
Vale lembrar que pode fazer 
taquicardia reflexa e 
exarcebar a angina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências: Questões em cardiologia.