A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
206 pág.
E-book OAB - Direito Civil - Parte Geral

Pré-visualização | Página 1 de 50

2 
 
SUMÁRIO 
1. DIREITO CIVIL E CONSTITUIÇÃO ................................................................................................................ 3 
2. DIVISÃO DA PARTE GERAL ......................................................................................................................... 4 
3. PESSOAS NATURAIS ................................................................................................................................... 5 
4. TUTELA E CURATELA ................................................................................................................................ 22 
AÇÃO DE TUTELA............................................................................................................................................. 27 
AÇÃO DE INTERDIÇÃO E NOMEAÇÃO DE CURADOR ..................................................................................... 34 
5. DIREITOS DA PERSONALIDADE ................................................................................................................ 38 
6. AUSÊNCIA ................................................................................................................................................ 62 
7. PESSOAS JURÍDICAS ................................................................................................................................. 63 
8. DOMICÍLIO ............................................................................................................................................... 77 
9. BENS JURÍDICOS ....................................................................................................................................... 82 
10. FATOS JURÍDICOS ............................................................................................................................... 98 
11. NEGÓCIO JURÍDICO ........................................................................................................................... 109 
AÇÃO DE ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO .............................................................................................. 154 
AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO ..................................................................... 157 
AÇÃO REVOCATÓRIA OU AÇÃO PAULIANA ................................................................................................. 160 
12. ATO ILÍCITO ...................................................................................................................................... 179 
13. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA ........................................................................................................... 194 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
1. DIREITO CIVIL E CONSTITUIÇÃO 
 
Apesar de o Direito Civil ser ramo do direito privado, em razão de ter utilidade 
particular, deve ser interpretado a luz das normas constitucionais. Os ramos do Direito não 
podem ser interpretados de forma isolada e estanque. Há, nesse sentido, a chamada 
constitucionalização do direito privado ou do direito civil. Este processo refere-se a 
aplicação das normas constitucionais na interpretação do direito privado. 
Então, se houver a interpretação das leis civis de acordo com a Constituição e os 
direitos fundamentais haverá a possibilidade da permanente evolução do Direito Civil, 
adaptando-se, dessa maneira, à evolução da sociedade. 
No direito brasileiro, este processo ocorreu, especialmente, a partir da Constituição 
Federal de 1988, quando as normas garantidoras de direitos e garantias fundamentais 
passaram a ser aplicados e respeitados no âmbito civil. Com isto, o direito civil está, 
permanentemente sob a tutela constitucional e os direitos fundamentais, que já eram 
respeitados por parte do Estado, passam a ser, também, no âmbito privado, nas relações 
entre particulares. Exemplo disto são os direitos fundamentais da igualdade, liberdade, 
dignidade, devido processo legal, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
01 
 
4 
 
PA
RT
E 
GE
RA
L
DAS PESSOAS
pessoas naturais
pessoas jurídicas
domicílio
DOS BENS
DOS FATOS 
JURÍDICOS
negócios jurídicos
atos jurídicos lícitos
atos ilícitos
prescrição e decadência
prova 
 
2. DIVISÃO DA PARTE GERAL 
O Código Civil divide a parte geral em três partes. A teoria das pessoas, que trabalha 
com os sujeitos de direitos (pessoas naturais e jurídicas); a teoria dos bens, que se destina 
a estudar os objetos de direitos; e a teoria dos fatos, que são os eventos que criam, 
modificam, conservam, transferem ou extinguem direitos (negócios jurídicos, atos jurídicos 
– lícitos e ilícitos, prescrição e decadência, prova). 
Existe, portanto, uma lógica de estudo. 1) estudam-se as pessoas; 2) estudam-se os 
bens, que são os objetos dos direitos; 3) estuda-se os fatos jurídicos, ou seja, o meio pelo 
qual nascem, modificam-se e extinguem-se os direitos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
02 
 
5 
 
 
3. PESSOAS NATURAIS 
A função do Direito é regular a sociedade e esta última é formada de pessoas. A todo 
direito, corresponde um sujeito, que é, então, o titular. 
É nesse sentido o art. 1.º, CC: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem 
civil”. 
Somente as pessoas podem ser sujeitos de Direito, sejam elas naturais ou jurídicas. 
Animais e coisas são objetos do Direito, mas não podem ser sujeitos dele. 
A questão, agora, é saber a partir de quando a pessoa pode ser considerada sujeito 
de Direito, ou seja, basta que uma pessoa nasça para que seja assim considerada e, dessa 
forma, adquira personalidade. 
 
3.1. Personalidade/ Aquisição da personalidade jurídica 
Personalidade jurídica é a “aptidão genérica para titularizar direitos e contrair 
obrigações, ou, em outras palavras, é o atributo necessário para ser sujeito de direito”1. A 
partir do momento em que o sujeito tem personalidade, que ele se torna sujeito de direito, 
podendo praticar atos e negócios jurídicos. 
O art. 2.º, CC afirma que a personalidade civil começa com o nascimento com vida, 
mas traz a ressalva de que a lei protege os direitos do nascituro desde a concepção: 
 
Art. 2.º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei 
põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
 
Dessa maneira, o marco inicial da personalidade é o nascimento com vida. O 
nascimento ocorre quando a criança é separada do ventre materno, seja por parto natural, 
seja por cesárea. O importante é que a unidade biológica seja desfeita, de forma que mãe 
e filho sejam dois corpos, cada um com uma vida biológica e orgânica própria. 
Mas como saber se houve nascimento com vida? Basta que a criança tenha respirado. 
Se respirou, viveu, mesmo que tenha morrido em seguida. Neste caso, lavra-se o assento 
de nascimento e o de óbito (art. 53, § 2.º, Lei de Registros Públicos). 
 
1 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil: parte geral. 18.ed. v.1. 
São Paulo: Saraiva, 2016, p. 132. 
03 
 
6 
 
Qual o motivo de toda essa importância dada ao nascimento com vida, a saber se a 
criança respirou ou não? Traga-se um exemplo para clarificar. 
Ex.: casal João e Maria, casados pelo regime da separação de bens. João falece e 
Maria está grávida. Se o filho de Maria e João nascer com vida, respirar, tornar-se-á 
herdeiro do patrimônio junto com Maria. Assim, se ele falecer em seguida, Maria receberá 
todo o patrimônio, pois é herdeira do filho. Contudo, se a criança não tiver respirado, o 
patrimônio de João será transmitido a Maria e aos pais de João. 
Como é feita a constatação do nascimento com vida? Através de um exame chamado 
docimasia hidrostática de Galeno, que se baseia no princípio de que se o feto respirou, 
inflou de ar seus pulmões. Assim, retirando-se os pulmões do feto que veio a falecer, 
colocando-se em um recipiente com água,