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E-book OAB - Direito Civil - Parte Geral

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QUE TIVERAM?) No 
julgamento da ADIn 3510 o STF entendeu, pelo relator, Min. Carlos Ayres Britto que o 
 
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nascituro só tem proteção com a implantação do embrião no útero materno, permitindo, 
assim, a pesquisa com células tronco embrionárias. 
O certo é que ao nascituro são reconhecidos certos direitos, desde que reconhecida 
sua personalidade e, posteriormente, sua capacidade. Sendo assim, possui capacidade 
reduzida. 
Mas o art. 2.º, CC também protege os direitos do natimorto, ou seja, aquele que não 
chegou a nascer com vida (não chegou a respirar). Nesse aspecto, o enunciado 1 das 
Jornadas de Direito Civil prevê que há a proteção do nome, da imagem e da sepultura: 
 
A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne 
aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura. 
 
3.2. Capacidade de fato e Capacidade de direito 
As pessoas naturais possuem dois tipos de capacidade: capacidade de direito e 
capacidade de fato. 
Adquirida a personalidade jurídica, toda pessoa passa a ser capaz de direitos e 
obrigações. Dessa forma, passa a ter a capacidade de direito, ou seja, a aptidão que as 
pessoas têm, conferida pelo ordenamento jurídico, para serem titulares de uma situação 
jurídica. 
Assim, toda pessoa tem capacidade de direito. Contudo, nem todos podem exercer 
seus direitos pessoalmente, pois pode faltar a consciência para o exercício de atos de 
natureza privada, em razão de determinadas limitações (orgânicas – idade, p.ex. – ou 
psicológicas – viciados em tóxicos). Estes detêm apenas a capacidade de direito. 
Aqueles que puderem atuar pessoalmente no exercício de seus direitos terão, além 
da capacidade de direito, a capacidade de fato. 
Assim, aqueles que tiverem as duas capacidades – de fato e de direito – terão a 
capacidade civil plena. 
 
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Contudo, capacidade é diferente de legitimidade/legitimação. Muitas vezes, uma 
pessoa capaz não é legitimada a praticar determinados atos. 
Ex.: art. 1521, IV, CC – dois irmãos, ainda que capazes, não poderão casar entre si, 
pois não há legitimação. Se não for respeitado esse impedimento, haverá nulidade do 
matrimônio. 
Ex.: art. 1.647, I – atos de alienação, praticados por pessoa casada. Há a necessidade 
de autorização do cônjuge. Se não for respeitada essa legitimação e a alienação for feita 
sem a autorização do cônjuge, o negócio será anulável, dentro do prazo de 2 anos, a contar 
do fim da sociedade conjugal (art. 1.649, CC). 
 
3.3. Incapacidades 
As pessoas que não possuem a capacidade de fato têm capacidade limitada e são 
chamadas de incapazes. Não existe incapacidade de direito, já que, conforme o art. 2.º, 
CC todos que nascem com vida adquirem a capacidade de direito (mas não a de fato). 
Dessa maneira, as incapacidades são restrições impostas às pessoas, em condições 
peculiares, que necessitam, em razão dessa condição, de proteção especial. 
Deve-se destacar que o Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei 13.246/2015, 
alterou significativamente a teoria das incapacidades. 
CA
PA
CI
DA
DE
 C
IV
IL
 P
LE
N
A Capacidade de Direito
comum a toda pessoa.
inerente a personalidade
toda pessoa é capaz de 
direitos e deveres
termina com a morte
Capacidade de Fato
relacionada com o exercício 
dos atos da vida civil
nem todas as pessoas 
possuem capacidade de fato
adquire-se com a maioridade 
civil ou emancipação
 
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3.3.1. Pessoas Absolutamente Incapazes 
 
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil 
os menores de 16 (dezesseis) anos. 
 
A incapacidade absoluta impede que a pessoa exerça por si só o direito. Dessa forma, 
o ato só poderá ser praticado pelo representante legal do absolutamente incapaz. 
O absolutamente incapaz possui direito. Porém, não pode exercê-lo por si próprio. 
São as pessoas que não tem aptidão para praticarem, sozinhas ou por si próprias, os atos 
da vida civil. Significa dizer que possuem capacidade de direito, mas não possuem a 
capacidade de fato ou exercício. 
Nestes casos, o ato jurídico é praticado por outra pessoa (o representante legal), em 
nome do incapaz. Trata-se da REPRESENTAÇÃO. Dessa maneira, o ato é praticado pelo 
incapaz, representado pelo pai ou responsável legal. 
Ex.: Fulano de tal, menor absolutamente incapaz, representado por seus pais, 
Beltrano e Beltrana de Tal. 
A inobservância dessa regra gera a nulidade do ato, nos termos do art. 166, I, CC. 
Como já mencionado, o Estatuto da pessoa com deficiência alterou a teoria das 
incapacidades. Atualmente, não há outra hipótese de incapacidade absoluta que não seja 
em razão da idade (menor de 16 anos). Antes dessa alteração, as pessoas com deficiência 
eram absolutamente incapazes. Agora, não são. As pessoas com deficiência são, via de 
regra, plenamente capazes de exercer atos da vida civil. Não há mais, portanto, interdição 
absoluta. Poderá ocorrer alguma situação de incapacidade relativa (art. 4.º, CC). 
O art. 6.º do Estatuto da pessoa com deficiência (lei 13.146/2015) determina que a 
deficiência não afeta a plena capacidade para gestão do plano familiar e existencial do 
indivíduo: 
Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para: 
I - casar-se e constituir união estável; 
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos; 
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a 
informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; 
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; 
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e 
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou 
adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. 
 
 
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Além disto, às pessoas com deficiência é permitida a adoção da tomada de decisão 
apoiada ou o estabelecimento da curatela, conforme art. 84 do Estatuto da pessoa com 
deficiência. 
Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua 
capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas. 
§ 1o Quando necessário, a pessoa com deficiência será submetida à curatela, 
conforme a lei. 
§ 2o É facultado à pessoa com deficiência a adoção de processo de tomada de 
decisão apoiada. 
§ 3o A definição de curatela de pessoa com deficiência constitui medida protetiva 
extraordinária, proporcional às necessidades e às circunstâncias de cada caso, e 
durará o menor tempo possível. 
§ 4o Os curadores são obrigados a prestar, anualmente, contas de sua 
administração ao juiz, apresentando o balanço do respectivo ano. 
 
A tomada de decisão apoiada está prevista, também, no art. 1.783-A, CC. Trata-se de 
um processo pelo qual o deficiente pode escolher duas pessoas idôneas e de sua confiança 
para auxiliar nas decisões de atos da vida civil. 
 
3.3.2. Pessoas Relativamente Incapazes 
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os 
exercer: 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua 
vontade; 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação 
especial. 
 
A incapacidade relativa permite que o incapaz realize o ato, desde que esteja assistido 
pelo representante legal. Nesses casos, o próprio indivíduo, relativamente incapaz, pratica 
o ato, sendo assistido pelo representante legal. Trata-se da ASSISTÊNCIA. 
Maiores de 16 anos e menores de 18 anos. 
Aqueles indivíduos que estejam entre os 16 e os 18 anos de vida podem praticar atos 
da vida civil, mas assistidos pelos representantes legais, sob pena de ser anulado o ato. 
Caso seja praticado o ato, poderá ser anulado (art. 171, I, CC), desde que a ação 
seja proposta no prazo de 4 anos a contar do momento