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E-book OAB - Direito Civil - Parte Geral

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em que cessar a incapacidade (art. 
178, CC). 
 
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Contudo, existem atos que podem ser praticados pelo relativamente incapaz, mesmo 
sem a assistência do seu representante legal, como p. ex., ser testemunha (art. 228, I, CC), 
aceitar mandato (art. 666, CC), fazer testamento (art. 1.860, § único, CC), casar (art. 1.517, 
CC – necessita de autorização dos genitores). 
Havendo conflito de interesses entre o pai/representante legal e o relativamente 
incapaz, o juiz deverá nomear curador especial (art. 1.692, CC). 
Deve-se observar que o objetivo do Código Civil é estabelecer uma proteção 
diferenciada para os maiores de 16 e menores de 18 anos. 
Dessa forma, caso o relativamente incapaz pratique um ato ocultando sua idade, não 
poderá invocar a idade para eximir-se de obrigação, pois o Código não protege a má-fé. 
Nesse sentido é a disposição do art. 180, CC: 
 
Art. 180. O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma 
obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela 
outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior. 
 
Se, contudo, não houver malícia por parte do relativamente incapaz, o ato será 
anulável, nos termos do art. 171, I, CC: 
 
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio 
jurídico: 
I - por incapacidade relativa do agente; 
 
Mas essa incapacidade, por se tratar de exceção pessoal, só pode ser arguida pelo 
próprio incapaz ou pelo representante legal. Nesses termos, o art. 105, CC: 
 
Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela 
outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, 
neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. 
 
 
Deve-se observar que esse ato pode ser convalidado: 
Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de 
terceiro. 
 
Ébrios habituais e viciados em tóxicos 
Aqueles que sejam viciados em álcool ou tóxicos serão considerados relativamente 
incapazes. Situações de uso de tóxicos ou álcool que seja habitual e reduza a capacidade 
 
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de discernimento. Os que forem usuários eventuais e que, temporariamente não puderem 
exprimir sua vontade, serão enquadrados o inciso III, do mesmo dispositivo. 
Deverá haver um processo de interdição relativa, com a instituição da curatela, 
analisando se é caso de incapacidade ou não. Neste caso, o processo de interdição e 
curatela está disposto no CPC/2015, no art. 747 e seguintes. 
Especificamente, o art. 753, § 2.º, CPC/2015 dispõe que a perícia a ser realizada no 
processo de interdição, definirá a extensão da mesma, ou seja, para quais atos o interditado 
estará impedido. 
 
Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir a 
vontade 
Aqui enquadram-se todas as pessoas que não possam exprimir sua vontade, seja por 
situação permanente ou transitória. Nesse quadro estão os surdos-mudos, desde que não 
tenham recebido educação adequada e permaneçam isolados. Se tiverem recebido 
educação e puderem, por qualquer forma, exprimir sua vontade, serão capazes. 
Também se encaixam os portadores de mal de Alzheimer. 
Em todos os casos, necessária a interdição, conforme já mencionado. 
Alguns, mais desavisados, podem questionar: e os portadores de síndrome de down, 
são enquadrados como? Em razão do Estatuto da pessoa com deficiência que, sabiamente, 
alterou a teoria das incapacidades, estes indivíduos – até por questões de desenvolvimento 
e estímulo – são, via de regra, plenamente capazes. Eventualmente, pode ser caso de 
tomada de decisão apoiada ou, então, enquadrados como relativamente incapazes por 
força do inciso III, do art. 4.º, CC. Contudo, é situação excepcional. A regra é a capacidade 
plena. 
 
Pródigos 
Pródigo é aquele que dissipa seu patrimônio desvairadamente, aquele que gasta 
imoderadamente, colocando seu patrimônio em risco. Contudo, o pródigo só passará a ser 
considerado relativamente incapaz com a sentença de interdição que lhe qualifique como 
tal. 
A justificativa da interdição do pródigo é o fato de que está permanentemente em risco 
de se submeter a miséria, colocando todo seu patrimônio fora. Sua interdição refere-se tão 
 
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somente quanto a atos de disposição e oneração do patrimônio. Pode administrar seu 
patrimônio, mas não poderá praticar atos que venham a desfalca-lo. Os demais atos (votar, 
ser jurado, testemunha, etc) poderá praticar. 
 
Situação dos índios 
O art. 4.º, no seu § único traz a normatização com relação aos índios, deixando para 
lei especial a apreciação. O Estatuto do Índio (lei 6.001/73), deixa a responsabilidade, 
quanto a sua proteção, a cargo da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). A Lei 6.001/73 
(Estatuto do Índio) considera que o índio que não estiver integrado ficará sob tutela, 
reputando-se nulos todos os atos praticados por eles sem a devida assistência do órgão 
responsável (art. 8.º). Contudo, se o índio demonstrar discernimento, aliado à inexistência 
de prejuízo pelo ato praticado, será considerado plenamente capaz para os atos da vida 
civil. 
Sabe-se que os índios estão constantemente sendo integrados na sociedade 
brasileira, de forma que não há mais justificativa para que sejam considerados incapazes. 
Assim, os índios somente poderão ser considerados incapazes quando restar comprovado 
que não são civilizados e que não possuam discernimento sobre os atos a serem 
praticados. 
 
3.4. Modos de suprimento das incapacidades (representação e assistência) 
A incapacidade absoluta é suprida através da representação pelos pais ou 
representantes legais. Se o absolutamente incapaz praticar atos sem a devida 
representação o ato será nulo. Dessa forma, no caso da representação, é o representante 
quem pratica o ato, no interesse do incapaz. 
A representação (legal ou voluntária) está disciplinada nos arts. 115 a 120 do CC. 
Contudo, deve-se ter em mente que existem dois tipos de representação diferentes: a 
representação legal e a representação voluntária (aquela que ocorre através de mandato – 
procuração) – art. 115, CC. A representação voluntária – mandato – será tratada nos 
negócios jurídicos. 
O suprimento da incapacidade relativa, por sua vez, se dá pela assistência, ou seja, 
o relativamente incapaz pratica o ato jurídico em conjunto com o assistente, sob pena de 
nulidade. 
 
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3.5. Cessação da incapacidade 
A incapacidade cessa quando desaparecem os motivos que a determinam. Quando a 
causa da incapacidade é a idade, desaparece pela maioridade ou pela emancipação. 
 
3.5.1. Maioridade 
Nos termos do art. 5.º, CC, a incapacidade cessa aos 18 anos, quando a pessoa passa 
a estar habilitada para praticar todos os atos da vida civil. A menoridade cessa, dessa forma, 
no primeiro momento do dia em que o indivíduo perfaz os 18 anos, ou seja, se o nascimento 
ocorreu em 29 de fevereiro de ano bissexto, completa a maioridade no dia 1.º de março. 
Ex.: nasceu em 05/10. Completa a maioridade em 05/10. 
O critério é etário e não há diferença entre o homem e a mulher. Contudo, essa 
capacidade civil não pode ser confundida com a capacidade eleitoral ou a capacidade para 
o casamento, previstas em dispositivos especiais, nem mesmo com a maioridade penal. 
Com a maioridade, os jovens passam a responder civilmente pelos danos causados 
a terceiros, ficando autorizados a praticar todos os atos da vida civil, sem a necessidade de 
assistência de seu representante legal. 
 
3.5.2. Emancipação 
Mas a capacidade plena também pode ser antecipada, em razão da autorização dos 
representantes legais do menor ou do juiz ou, ainda, pela ocorrência de fato que a lei atribui 
força para tanto. Trata-se dos casos de emancipação. 
A emancipação é, portanto, uma forma de aquisição da capacidade civil antes da 
idade legal. É a antecipação da aquisição da capacidade de fato (exercício da capacidade 
civil por