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E-book OAB - Direito Civil - Parte Geral

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O direito, contudo, permanece 
incólume, mas sem a proteção jurídica para solucioná-lo. 
 
Pretensões imprescritíveis 
Apesar de a prescrição ser a regra, existem pretensões que são imprescritíveis 
(exceção): 
a) Que protegem os direitos da personalidade: vida, honra, liberdade, integridade 
física ou moral, imagem, nome, obras literárias, artísticas ou científicas. 
b) As que se prendam ao estado das pessoas: filiação (prescreve, contudo, a ação 
de petição de herança – 10 anos a contar do óbito), qualidade de cidadania 
(interdição), condição conjugal (separação, divórcio) 
c) As de exercício facultativo ou potestativo: não existe direito violado, como as 
destinadas a extinguir o condomínio (ação de divisão – Art. 1.320, CC), pedir a 
meação no muro do vizinho; 
d) As referentes a bens públicos de qualquer natureza; 
e) As que protegem o direito de propriedade, que é perpétuo; 
f) As pretensões de reaver bens confiados à guarda de outrem, a título de depósito, 
penhor ou mandato. 
g) As destinadas a anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou 
contrato (Art. 1.167, CC). 
h) Pretensões de ressarcimento do erário por danos decorrentes de atos de 
improbidade administrativa (segundo o STJ) 
 
 
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Prescrição e institutos afins 
Alguns institutos, por também sofrerem a ação do tempo, são semelhantes à 
prescrição, mas com ela não se confundem: 
Preclusão – perda de uma faculdade processual, por não ter sido exercida no tempo 
certo. Ex.: não juntou documentos com a inicial, precluiu o prazo para juntar. 
Perempção – também de natureza processual, consiste na perda do direito de ação 
pelo autor contumaz, que tenha dado causa a três arquivamentos sucessivos. Passa a 
poder alegar o direito apenas como matéria de defesa (não pode ingressar com nova ação). 
 
Disposições gerais sobre prescrição 
A prescrição é a perda ou extinção da pretensão, por relacionar-se com um direito 
subjetivo. 
Os arts. 205 e 206, CC tratam dos prazos de prescrição. 
O prazo de prescrição inicia sua contagem, segundo o enunciado 14 do CJF/STJ, do 
surgimento da pretensão – violação do direito subjetivo: 
 
Enunciado 14: Art. 189: 1) O início do prazo prescricional ocorre com o surgimento 
da pretensão, que decorre da exigibilidade do direito subjetivo; 2) o art. 189 diz 
respeito a casos em que a pretensão nasce imediatamente após a violação do 
direito absoluto ou da obrigação de não fazer. 
 
Assim, no caso de uma dívida, a prescrição começa a correr no momento em que não 
há o pagamento (vencimento + inadimplemento). No caso de um ato ilícito, inicia a 
prescrição com a ocorrência do evento danoso. 
Em havendo uma condição ou prazo, a contagem da prescrição inicia com a 
implementação 
Mas para que se configure a prescrição, necessária a presença de três elementos: 
a) Existência de uma pretensão exercitável; 
b) Inércia do titular pelo seu não exercício; 
c) Decurso de tempo fixado em lei. 
 
O art. 190 estabelece que a exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão. 
A exceção é a alegação de uma pretensão como defesa. 
 
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Renúncia da prescrição. 
Art. 191 – não cabe renúncia prévia da prescrição. Só é cabível quando já consumada 
a prescrição. Assim, são dois os requisitos para a validade da renúncia à prescrição: a) que 
já tenha sido consumada; b) que não prejudique terceiros (credores que poderão ser 
prejudicados com a renúncia da prescrição). 
A renúncia pode ser: 
a) Expressa – manifestação taxativa, inequívoca, escrita ou verbal, por parte do 
devedor, de que não pretende se utilizar da prescrição. 
b) Tácita – art. 191, CC, é a que se presume de fatos do interessado, incompatíveis 
com a prescrição. Ex.: uma vez consumada a prescrição, ato de reconhecimento 
da dívida por parte do devedor, como, por exemplo, o pagamento parcial da dívida 
ou composição visando a solução futura do débito. 
Sendo assim, mesmo havendo dívida prescrita, não há óbice ao fato de o devedor 
quitar tal dívida. Contudo, o art. 882, CC determina que não cabe repetição do indébito 
quando feito pagamento para quitar dívida prescrita. 
 
Prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo entre as partes 
Art. 192 – os prazos prescricionais não podem ser alterados por acordo entre as 
partes. 
 
Prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição 
Art. 193 – a parte a quem aproveite a prescrição pode ser alegada em qualquer fase 
ou estado da causa, em primeira ou segunda instância, ou seja, em qualquer fase do 
processo de conhecimento (mesmo que não tenha sido alegada em contestação). 
Não cabe alegar prescrição em fase de cumprimento de sentença, salvo a 
superveniente, ou seja, aquela que surja após a sentença. 
Se a prescrição não foi arguida na primeira ou segunda instância, não cabe sua 
alegação perante os Tribunais Superiores (STJ ou STF), por falta de prequestionamento. 
 
Prescrição pode ser alegada pela parte a quem aproveita 
Art. 193 – A alegação da prescrição não cabe apenas ao devedor, mas a quem possa 
interessar seu reconhecimento. Ex.: credores do devedor (ou prescribente) insolvente. 
 
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Também pode alegar a prescrição o representante do Ministério Público. 
 
A prescrição pode ser suprida de ofício pelo juiz. 
Com a revogação do art. 194, CC, verifica-se da possibilidade de que o juiz, de ofício, 
reconheça a prescrição, até mesmo em razão da celeridade processual. Contudo, o 
reconhecimento, de ofício, pelo juiz, da prescrição, não retira a possibilidade de renúncia 
da prescrição por parte do devedor (enunciado 295, CJF/STJ). 
 
Cabe ação contra os representantes que deram causa à prescrição 
Art. 195 – Segundo o art. 195, CC, os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas 
têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais, que derem causa à 
prescrição, ou não a alegarem oportunamente. Cabe, portanto, indenização pelos prejuízos 
sofridos. Ex.: tutelado tem direito a receber indenização do tutor que tiver lhe causado 
prejuízo em razão da prescrição. 
 
Prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o sucessor 
Art. 196 – Uma vez que se inicie a correr a prescrição, segue a contagem contra o 
herdeiro, de forma que o sucessor terá apenas o prazo faltante para exercer a pretensão, 
quando do óbito do autor da herança. Tanto o prazo contra, como o a favor do sucessor 
não inicia nova contagem (prossegue, mesmo com o óbito). 
 
Causas que impedem ou suspendem a prescrição 
Os arts. 197 a 201, CC tratam das causas que impedem ou suspendem a prescrição, 
de acordo com o momento em que surgem. 
Quando se fala em suspensão da prescrição, se trata de situações em que o prazo 
iniciou a contagem e, por algum fato previsto em lei, há a suspensão. Cessada a causa de 
suspensão, o prazo volta a correr de onde tinha parado, ou seja, apenas pelo tempo 
restante. 
Não corre prescrição (suspende ou impede): 
 
Art. 197. Não corre a prescrição: 
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal; 
 
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Aqui incluem-se, não só os cônjuges, durante o matrimônio, mas também os 
conviventes, durante a união estável (enunciado 296, CJF/STJ). 
 
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar; 
 
O poder familiar cessa quando o filho completar 18 anos. 
 
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou 
curatela. 
 
Art. 198. Também não corre a prescrição: 
I - contra os incapazes de que trata o art. 3o; 
II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos 
Municípios; 
III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra. 
 
Quanto a situação dos arts. 197, II e art. 198, I, CC, deve-se destacar a questão dos 
alimentos. Em se tratando de suspensão ou impedimento de início da contagem do prazo 
prescricional, deve-se considerar que, no caso de alguém com 17 anos não corre 
prescrição,