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E-book OAB - Direito Civil - Parte Geral

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Averbação é anotação feita à margem do registro para informar sobre alguma 
alteração ocorrida no estado jurídico do registrado. Nesse sentido, o casamento é 
registrado e o divórcio, averbado. 
Todo nascimento deve ser levado a registro no local onde ocorreu o parto ou no lugar 
da residência dos pais, no prazo de 15 dias ou, no prazo de até 3 meses quando o local do 
parto ou da residência for distante mais de 30 km da sede do cartório. 
 
Art. 50. Todo nascimento que ocorrer no território nacional deverá ser dado a 
registro, no lugar em que tiver ocorrido o parto ou no lugar da residência dos pais, 
dentro do prazo de quinze dias, que será ampliado em até três meses para os 
lugares distantes mais de trinta quilômetros da sede do cartório. 
§ 1º Quando for diverso o lugar da residência dos pais, observar-se-á a ordem 
contida nos itens 1º e 2º do art. 52. 
§ 2º Os índios, enquanto não integrados, não estão obrigados a inscrição do 
nascimento. Este poderá ser feito em livro próprio do órgão federal de assistência 
aos índios. 
§ 3º Os menores de vinte e um (21) anos e maiores de dezoito (18) anos poderão, 
pessoalmente e isentos de multa, requerer o registro de seu nascimento. 
§ 4° É facultado aos nascidos anteriormente à obrigatoriedade do registro civil 
requerer, isentos de multa, a inscrição de seu nascimento. 
§ 5º Aos brasileiros nascidos no estrangeiro se aplicará o disposto neste artigo, 
ressalvadas as prescrições legais relativas aos consulados. 
 
O registro de nascimento do indivíduo compete, pela ordem legal (art. 52, LRP): 
 
Art. 52. São obrigados a fazer declaração de nascimento: 
1º) o pai ou a mãe, isoladamente ou em conjunto, observado o disposto no § 2o do 
art. 54; 
2º) no caso de falta ou de impedimento de um dos indicados no item 1o, outro 
indicado, que terá o prazo para declaração prorrogado por 45 (quarenta e cinco) 
dias; 
3º) no impedimento de ambos, o parente mais próximo, sendo maior achando-se 
presente; 
4º) em falta ou impedimento do parente referido no número anterior os 
administradores de hospitais ou os médicos e parteiras, que tiverem assistido o 
parto; 
5º) pessoa idônea da casa em que ocorrer, sendo fora da residência da mãe; 
6º) finalmente, as pessoas (VETADO) encarregadas da guarda do menor. 
§ 1° Quando o oficial tiver motivo para duvidar da declaração, poderá ir à casa do 
recém-nascido verificar a sua existência, ou exigir a atestação do médico ou parteira 
que tiver assistido o parto, ou o testemunho de duas pessoas que não forem os pais 
e tiverem visto o recém-nascido. 
§ 2º Tratando-se de registro fora do prazo legal o oficial, em caso de dúvida, poderá 
requerer ao Juiz as providências que forem cabíveis para esclarecimento do fato. 
 
Deve-se observar que a Lei nº 13.484, de 2017 prevê, uma alteração no art. 54 da lei 
dos registros públicos, no que diz respeito ao local da naturalidade do indivíduo, que será 
o município do nascimento ou o de residência de sua genitora: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13484.htm#art1
 
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§ 4º A naturalidade poderá ser do Município em que ocorreu o nascimento ou do 
Município de residência da mãe do registrando na data do nascimento, desde que 
localizado em território nacional, e a opção caberá ao declarante no ato de registro 
do nascimento. 
 
 
 
4. TUTELA E CURATELA 
A tutela, assim como a curatela, faz parte do chamado “direito assistencial”, no 
estudo das relações familiares. A base de sustentação destes dois institutos é a 
solidariedade familiar. 
4.1 Conceito: TUTELA X CURATELA 
Apesar de as vezes serem tratados como sinônimos, tutela e curatela são institutos 
jurídicos diferentes e autônomos, mas que possuem uma finalidade comum: proporcionar 
a representação legal e a administração de sujeitos incapazes de praticar atos 
jurídicos. 
A diferença fundamental entre ambas é a de que, enquanto a TUTELA refere-se à 
menoridade legal (indivíduos menores de 18 anos não emancipados, não sujeitos ao poder 
familiar), a CURATELA destina-se àquelas pessoas que são incapazes de gerir sua vida, 
pessoas estas, devidamente interditadas. Conceitos baseados nas alterações trazidas pelo 
CPC/2015 e pelo Estatuto da Pessoa Portadora de Deficiência, Lei 13.146/2015. 
 
4.2 Tutela – art. 1.728 e ss., CC e art. 759 e ss. CPC/2015 
A tutela é a representação legal de indivíduo menor de idade, seja absolutamente ou 
relativamente incapaz, em razão da falta de seus pais (falecimento, ausência ou perda do 
poder familiar). Art. 1.728, CC. 
Seu grande objetivo é a administração dos bens patrimoniais do menor. 
 
4.2.1Tutores 
O art. 1.729, CC estabelece que os pais têm o direito de nomear tutor, através de 
testamento ou outro documento público. Isto porque, o tutor será a pessoa responsável pela 
formação e pela administração do patrimônio dos infantes cujos pais não mais existem. 
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Se o testamento contiver a nomeação de mais de um tutor, entende-se haver uma 
ordem de preferência, de forma que a tutela será deferida àquela pessoa primeiro nomeada, 
sendo que os demais serão substitutos. Art. 1.733, §1.º, CC. 
Se, contudo, os pais não tiverem feito a nomeação, o art. 1.731 estabelece a ordem 
de preferência na indicação dos tutores: 
 
Art. 1.731. Em falta de tutor nomeado pelos pais incumbe a tutela aos parentes 
consangüíneos do menor, por esta ordem: 
I - aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto; 
II - aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos aos mais remotos, 
e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer dos casos, o juiz 
escolherá entre eles o mais apto a exercer a tutela em benefício do menor. 
Este rol não é absoluto, cabendo ao juiz analisar a situação que maior benefício trará 
para a criança ou adolescente. 
Além disto, aos irmãos, será nomeado um só tutor e, no caso de não haver tutor 
indicado pelos pais e, ainda, não sendo possível nomear tutor que seja parente 
consanguíneo da criança ou adolescente, o tutor nomeado deve residir no mesmo local em 
que os tutelados. 
 
4.2.2 Espécies 
São três as formas de tutela: 
a) Testamentária: regulada pelos arts. 1.729 e 1.730, CC, quando o tutor será 
nomeado pelos pais, em conjunto. Enquanto vivos os pais podem – no exercício do poder 
familiar – deixarem testamento nomeando tutor aos filhos menores de idade. Esta 
nomeação pode ser feita através de testamento ou de qualquer outro documento público 
ou particular – qualquer documento, desde que as assinaturas dos pais estejam com firma 
reconhecida pelo Tabelionato. 
b) Legítima: é a tutela que se estabelece quando não há a nomeação de tutor por 
parte dos pais. Está indicada no art. 1.731, CC, sendo estabelecida a ordem de preferência 
– esta ordem não é absoluta, devendo ser observado o melhor interesse da criança e do 
adolescente. 
c) Dativa: esta é a tutela que ocorre quando não há a nomeação de tutor pelos pais 
e não há a possibilidade de ser nomeado nenhum dos parentes do menor de idade 
 
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indicados pelo art. 1.731 (ou porque não existem ou porque são inidôneos). Está prevista 
no art. 1.732, CC. 
 
4.2.3 Incapacidade para o exercício da tutela 
Não é qualquer pessoa que pode exercer a tutela. Assim, em razão da grande 
responsabilidade a ser assumida, além da capacidade civil (maioridade), também é exigida 
capacidade especial, de forma que o art. 1.735, CC estabelece os casos daqueles que não 
poderão ser tutores, sendo, portanto, excluídos da tutela: 
 
Art. 1.735. Não podem ser tutores e serão exonerados da tutela, caso a exerçam: 
I - aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens; 
II - aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se acharem constituídos 
em obrigação para com o menor, ou tiverem que fazer valer direitos contra este, e 
aqueles cujos pais, filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o menor; 
III