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E-book OAB - Direito Civil - Parte Geral

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nos casos de pessoa com deficiência. 
 
4.3.2 Pessoas sujeitas à curatela 
Estão sujeitas a curatela as pessoas que não possuem capacidade civil, com 
exceção dos menores de idade, que estão sujeitos à tutela. Nestes termos, o art. 1.767, 
CC, dispõe: 
Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela: 
I - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua 
vontade; 
II - (Revogado); 
III - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art123
 
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IV - (Revogado); 
V - os pródigos. 
 
A curatela será deferida durante o curso do processo de interdição (arts. 747 e ss., 
CPC/2015), que terá natureza declaratória, com eficácia ex tunc, de forma que o magistrado 
apenas declarará uma situação já existente. 
 
4.3.3 Prestação de contas 
O art. 1.783, CC estabelece que quando o curador for o cônjuge e o regime de bens 
do casamento for o da comunhão universal de bens não haverá a obrigatoriedade de 
prestação de contas, salvo por determinação judicial. 
Dessa forma, o curador deve periodicamente prestar contas ou todas as vezes em 
que for instado a tal mister, assim como o tutor. 
 
4.3.4 Cessação da curatela 
Ao contrário da tutela que é temporária, a curatela tem um ânimo definitivo. Todavia, 
ocorrerá o término da curatela por impossibilidade material da continuidade por parte do 
curador (por exemplo, se estiver doente) ou na hipótese de negligência, prevaricação ou 
incapacidade superveniente (aplicação analógica do art. 1.766, CC). 
Também cessa a curatela pelo falecimento do curador ou do curatelado. 
 
4.4 Processo de interdição 
Para que alguém seja posto sob curatela, precisa passar por um processo de 
interdição, cujo procedimento está previsto no art. 747 e ss. do CPC/2015. 
A interdição pode ser promovida por: 
 
Art. 747. A interdição pode ser promovida: 
I - pelo cônjuge ou companheiro; 
II - pelos parentes ou tutores; 
III - pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o interditando; 
IV - pelo Ministério Público. 
Parágrafo único. A legitimidade deverá ser comprovada por documentação que 
acompanhe a petição inicial. 
 
Na inicial deve estar especificado o motivo e os fatos que demonstrem a 
incapacidade do interditando para administrar seus bens (art. 749, CPC/2015). Havendo 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art123
 
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necessidade, o juiz pode nomear curador provisório (art. 749, § único, CPC/2015), contudo, 
deverá haver laudo médico para provar as alegações do autor (art. 750, CPC/2015). 
O juiz ouvirá o interditando em audiência ou, na impossibilidade de deslocamento, 
no local onde se encontrar (art. 751, § 1.º, CPC/2015), utilizando-se dos meios tecnológicos 
necessários para a entrevista. 
O interditando pode (e deve) defender-se, no prazo de 15 dias (art. 752, CPC/2015). 
Haverá intervenção do MP como fiscal da lei (art. 752, § 1.º, CPC/2015). 
Após este prazo de defesa, haverá a produção de prova, com perícia no interditando 
(art. 753, CPC/2015). O laudo deve indicar os atos para os quais há incapacidade. Trata-
se, portanto, de uma interdição relativa, já que os interditandos são sempre relativamente 
incapazes. 
Uma vez que se tenha o laudo e todas as provas, o juiz sentenciará. Na sentença, o 
juiz obedecerá alguns requisitos: 
 
Art. 755. Na sentença que decretar a interdição, o juiz: 
I - nomeará curador, que poderá ser o requerente da interdição, e fixará os limites 
da curatela, segundo o estado e o desenvolvimento mental do interdito; 
II - considerará as características pessoais do interdito, observando suas 
potencialidades, habilidades, vontades e preferências. 
§ 1o A curatela deve ser atribuída a quem melhor possa atender aos interesses do 
curatelado. 
§ 2o Havendo, ao tempo da interdição, pessoa incapaz sob a guarda e a 
responsabilidade do interdito, o juiz atribuirá a curatela a quem melhor puder 
atender aos interesses do interdito e do incapaz. 
§ 3o A sentença de interdição será inscrita no registro de pessoas naturais e 
imediatamente publicada na rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a 
que estiver vinculado o juízo e na plataforma de editais do Conselho Nacional de 
Justiça, onde permanecerá por 6 (seis) meses, na imprensa local, 1 (uma) vez, e no 
órgão oficial, por 3 (três) vezes, com intervalo de 10 (dez) dias, constando do edital 
os nomes do interdito e do curador, a causa da interdição, os limites da curatela e, 
não sendo total a interdição, os atos que o interdito poderá praticar autonomamente. 
 
Se o interdito se recuperar, poderá levantar a interdição e a curatela, nos termos do 
art. 756, CPC/2015. 
 
4.5 Tomada de decisão apoiada 
O art. 1.783-A prevê a tomada de decisão apoiada: 
Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com 
deficiência elege pelo menos 2 (duas) pessoas idôneas, com as quais mantenha 
vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de 
 
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decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e informações 
necessários para que possa exercer sua capacidade. (Incluído pela Lei nº 
13.146, de 2015) (Vigência) 
§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com deficiência 
e os apoiadores devem apresentar termo em que constem os limites do apoio a ser 
oferecido e os compromissos dos apoiadores, inclusive o prazo de vigência do 
acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da pessoa que devem 
apoiar. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa a ser 
apoiada, com indicação expressa das pessoas aptas a prestarem o apoio previsto 
no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o juiz, 
assistido por equipe multidisciplinar, após oitiva do Ministério Público, ouvirá 
pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe prestarão apoio. (Incluído pela Lei 
nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, 
sem restrições, desde que esteja inserida nos limites do apoio 
acordado. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode solicitar 
que os apoiadores contra-assinem o contrato ou acordo, especificando, por escrito, 
sua função em relação ao apoiado. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 
2015) (Vigência) 
§ 6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, 
havendo divergência de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores, 
deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão. (Incluído pela Lei 
nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
§ 7º Se o apoiador agir com negligência, exercer pressão indevida ou não adimplir 
as obrigações assumidas, poderá a pessoa apoiada ou qualquer pessoa apresentar 
denúncia ao Ministério Público ou ao juiz. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 
2015) (Vigência) 
§ 8º Se procedente a denúncia, o juiz destituirá o apoiador e nomeará, ouvida a 
pessoa apoiada e se for de seu interesse, outra pessoa para prestação de 
apoio. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
§ 9º A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar o término de acordo 
firmado em processo de tomada de decisão apoiada. (Incluído pela Lei nº 
13.146, de 2015) (Vigência) 
§ 10. O apoiador pode solicitar ao juiz a exclusão de sua participação do processo 
de tomada de decisão apoiada, sendo seu desligamento condicionado à 
manifestação do juiz sobre a matéria. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 
2015) (Vigência)