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Negociações e realçoes sindicais

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NEGOCIAÇÃO E RELAÇÕES SINDICAIS
AULA 1
Profª Amanda Cecatto Alcantara
CONVERSA INICIAL
As relações existentes e instituídas entre empregados e empregadores são disciplinadas pelo Direito do Trabalho, que as rege por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, Decreto-lei n. 5.452/1943), com o auxílio da Constituição da República de 1988 (CF/1988), além de leis, princípios, jurisprudência e costumes.
O Direito do Trabalho pode ser divido em Direito Individual do Trabalho, que envolve, como o próprio nome diz, individualmente o empregado e o empregador, e Direito Coletivo do Trabalho, que trata dos diversos aspectos das relações laborais coletivas.
Nesta aula, trataremos do Direito Coletivo, primeiramente diferenciando com precisão as relações individuais do trabalho e as relações coletivas do trabalho, para posteriormente fazer a distinção do Direito Coletivo frente ao Direito Sindical a fim de deixar claro o objeto do presente estudo.
Diante disso, analisaremos a função e o conteúdo do Direito Coletivo do Trabalho com o objetivo de esclarecermos a importância da disciplina, observando da mesma forma os princípios que lhe cabem.
Finalizando a presente aula, abordaremos o tratamento resguardado ao Direito Coletivo pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), com a finalidade de oferecer a visão mundial sobre esse ramo do Direito do Trabalho mundialmente.
CONTEXTUALIZANDO
De acordo com a notícia a seguir, houve cancelamento de feriado que comemoraria o Dia do Comerciário em Salvador, na Bahia. O feriado, caso não fosse cancelado, daria aos empregados do comércio o direito à folga referente ao dia 21/10/2019, pois todas as lojas deveriam ser fechadas.
Nova decisão judicial cancela feriado do Dia do Comerciário nessa segunda (21)
[...]Depois dos comerciários conseguirem na Justiça o direito de folgar nesta segunda-feira (21) pelo Dia dos Comerciários, os patrões conquistaram uma nova liminar neste sábado (19) que permite a abertura das lojas na data. Na decisão judicial, a desembargadora do Trabalho, Margareth Rodrigues Costa, do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, cancela o feriado do Dia dos Comerciários na próxima segunda-feira (21). (Jornal Correio, 2019)
Como informa a matéria, houve liminar a favor do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia, que derrubou a liminar anterior, que garantia a folga então conquistada pela categoria de empregados.
Seria esse um caso pertinente ao Direito Individual do Trabalho ou ao Direito Coletivo do Trabalho?
Por meio do conteúdo a seguir será possível entender a questão.
 TEMA 1 – RELAÇÕES INDIVIDUAIS DO TRABALHO X RELAÇÕES COLETIVAS DO TRABALHO
Podemos dizer que no ambiente de trabalho criam-se algumas espécies de relações. Essas relações se materializam por contratos de trabalho e por negociações individuais e coletivas. 
Conforme mencionado anteriormente, é importantíssimo fazer a diferenciação conceitual das relações individuais do trabalho e das relações coletivas do trabalho, visto que ambas possuem particularidades e são empregadas em situações especificas. 
De acordo com Nascimento (2013):
No direito do trabalho há dois tipos fundamentais, embora não apenas esses, de relações jurídicas, assim entendidas as relações sociais disciplinadas pelo Direito: as relações coletivas e as relações individuais de trabalho. Estas diferem pelos sujeitos e pelos interesses que as caracterizam.
É importante também mencionar que se distinguem por regras, institutos e princípios.
1.1 RELAÇÕES INDIVIDUAIS DO TRABALHO
De início, destaca-se que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, Decreto-lei n. 5.452), criada em 1943, regula tanto as relações individuais quanto as coletivas do trabalho, como bem menciona seu art. 1º.
As relações individuais do trabalho abrangem a relação especifica entre empregado e empregador, ou seja, os contratos e acordos, como os próprios nomes dizem, são tratados de maneira individual, e podem incluir: salário, função exercida, horário de trabalho, dentre outros.
Como bem lembra Carrion (2008, p. 22), “A relação individual de trabalho é a que entrelaça um empregado a seu empregador, mediante direitos e obrigações recíprocas”.
Os sujeitos do Direito Individual do Trabalho são: empregado e empregador. De acordo com Delgado (2017, p. 211), 
[...] toda a estrutura normativa do Direito Individual do Trabalho constrói-se partir da constatação fática da diferenciação social, econômica e política básica entre os sujeitos da relação jurídica central desse ramo jurídico específico Em tal relação, o empregador age naturalmente como ser coletivo, isto é, um agente socioeconômico e político cujas ações – ainda que intra empresarial têm a natural aptidão de produzir impacto na comunidade mais ampla Em contrapartida, no outro polo da relação inscrev se um ser individual, consubstanciado no trabalhador que, como sujeito desse vínculo sócio jurídico não é capaz, isoladamente, de produzir, como regra, ações d impacto comunitário
O Direito Individual do Trabalho é regido por princípios particulares como: proteção, norma mais favorável, condição mais benéfica, primazia da realidade, dentre outros.
O Contrato Individual do Trabalho é tratado no “Título IV” da CLT (Decreto-lei n. 5.452/1943).
1.2 RELAÇÕES COLETIVAS DO TRABALHO
As relações coletivas do trabalho abrangem, como o próprio nome diz, o Direito Coletivo do Trabalho, ou seja, os grupos de empregadores e de trabalhadores e suas as relações, que se dão entre Sindicatos de Trabalhadores e Sindicatos Patronais ou Empresas que visam resguardar os direitos coletivos de categorias de trabalho. Observa-se, assim, a diferença entre as relações individuais e coletivas.
Nesse caso, as disputas são mais abrangentes, pois englobam as categorias profissionais e visam, por exemplo, aumento salarial, inclusão de benefícios, diminuição de jornada de trabalho, entre outros. 
Os sujeitos das relações coletivas são os grupos tanto de trabalhadores quanto de empregadores.
Tem-se como exemplo de princípios relativos ao Direito Coletivo do Trabalho: princípio da liberdade associativa e sindical; princípio da autonomia sindical; princípio da adequação setorial negociada; princípio da criatividade jurídica da negociação coletiva; e princípio da lealdade e transparência na negociação coletiva.
A CLT (Decreto-lei n. 5.452/1943) reserva o “Título VI” às convenções coletivas do trabalho.
TEMA 2 – DIREITO COLETIVO X DIREITO SINDICAL
Como vimos no tema anterior, o Direito Coletivo do Trabalho atinge as relações entre grupos de empregados e empregadores. Constitui este um ramo especializado, composto de regras, princípios e categorias que organicamente se integram.
Antes de adentrar no presente tema, é válido mencionar que, embora o direito sindical seja também conceituado como Direito Coletivo do Trabalho, nem toda relação coletiva será composta, tendo o sindicato como parte.
2.1 BREVE HISTÓRICO DE DENOMINAÇÕES
Em épocas mais antigas, o Direito Coletivo do Trabalho era alcunhado de forma diferente. Como bem menciona Delgado (2017, p. 1454), este já fora denominado de Direito Industrial, Direito Operário e Direito Corporativo. Entretanto, tais nomenclaturas não perduraram, visto as inúmeras debilidades que apresentavam.
Atualmente, a doutrina se divide quanto à denominação. Alguns autores como Mauricio Godinho Delgado, Antônio Álvares da Silva e Octávio Bueno Magano adotam apenas a expressão Direito Coletivo do Trabalho, afirmando que tal nomenclatura é adotada pelo Direito Internacional do Trabalho, além de também contemplar trabalhadores que não estão organizados em sindicatos e regulamentar interesses de uma categoria, no sentido de coletividade.
Outros doutrinadores, como Amauri Mascaro Nascimento, José Carlos Arouca e José Cláudio Monteiro de Brito Filho, adotam a expressão Direito Sindical, argumentando ser este o estudo jurídico sobre sindicatos e ações sindicais, além de estar caminhando para sua autonomia como ramo do Direito.
É oportuno salientar que existem doutrinadores que adotam