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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA - UNIVERSO CURSO DE ENFERMAGEM MOLUSCO CONTAGIOSO Autor: Leandro Bichara Henriques Professor: Disciplina: Campos dos Goytacazes, 2020 INTRODUÇÃO O molusco contagioso consiste em uma doença viral cutânea caracterizada pelo aparecimento de pápulas (brotoejas) lisas, brilhantes, de cor rosada, apresentando depressão central característica (pápula umbilicada), com cerca de 2 a 5 mm de diâmetro. 2 Atinge com mais frequência crianças e adolescentes, além disso, pode também infectar adultos, especialmente, quando há imunossupressão associada. É uma dermatose causada por um vírus pertencente à família dos poxvirus (Poxviridae), gênero Moluscipox, sendo mais encontrado em climas tropicais, sua incidência pode chegar a 20% das crianças, cuja transmissão dá-se, sobretudo, por contato direto ou autoinoculação. Cabe destacar que ocorre normalmente em crianças entre os 2 e os 5 anos. Há 3 tipos de vírus causadores da infecção 1.Orthopoxvirus 2.Parapoxvirus 3.Não classificado, intermediário. Há vários subtipos de vírus que vão do I ao IV O tipo mais comum na população, em geral, é o tipo I. Em paciente portadores do vírus HIV, o subtipo mais comum é o II. No entanto, não há diferença da distribuição no corpo nem das características das lesões entre os diferentes tipos de vírus. PERÍODO DE INCUBAÇÃO O tempo entre o contato e o aparecimento das lesões varia de 2 a 7 semanas. As lesões podem ocorrer após este período ou o paciente pode entrar em um período de latência de até 6 meses. COMPLICAÇÕES O molusco contagioso não é uma doença que costuma causar complicações. A mais comum é a infecção das feridas por bactérias, caso o paciente fique coçando ou mexendo nelas frequentemente. As feridas infectadas podem provocar grande inflamação e deixar cicatriz. Os pacientes com lesões próximas aos olhos podem desenvolver conjuntivite. QUAIS SÃO OS SINTOMAS ? - Nos adultos, a região genital, a parte inferior do abdômen e a parte interna das coxas são as áreas mais afetadas. - Já nas crianças, as lesões surgem habitualmente no rosto, pescoço, axilas, braços e topos das mãos. - A lesão não dói e nem sempre provoca coceira. Se o paciente ficar mexendo nas feridas, elas podem se contaminar com bactérias da pele e ficarem bem inflamadas. - Ao coçar ou raspar, as pápulas podem ser removidas. Isso além de facilitar a infecção da ferida ajuda a espalhar o vírus, aumentando o risco de contágio para outras partes da pele e para pessoas próximas. - As pápulas geralmente surgem de 2 a 6 semanas após a exposição ao vírus. - A doença pode durar de vários meses até mais de um ano. - Durante esse tempo, algumas lesões podem desaparecer por conta própria e outras novas podem surgir. Em raros casos, a doença pode demorar mais de 3 anos para desparecer. - Nas lesões do molusco desaparecem, elas podem deixar manchas mais claras na pele, que desaparecem com o tempo. Não é comum a doença deixar cicatriz ou marcas permanentes. - Nos pacientes HIV positivos e com imunossupressão, as lesões costumam ser maiores e mais difusas. COMO OCORRE A TRANSMISSÃO ? - O vírus do molusco contagioso se espalha a partir do contato físico direto de pessoa para pessoa e através de objetos pessoais contaminados, tais como roupas, lençóis, toalhas, esponjas de banho e brinquedos. - O vírus pode se espalhar para outras partes do corpo, caso o paciente esfregue uma das lesões e, em seguida, toque em outra parte do corpo com a mesma mão, sem lavá-la. - O ato de se barbear ou se depilar também pode espalhar o vírus, pois causa rompimento das lesões. - Ainda não se sabe se a doença pode se espalhar pelo contato simples com lesões aparentemente intactas. Acredita-se que seja necessário causar algum tipo de rompimento na lesão para que o vírus possa se propagar. Isso pode ocorrer através do ato de coçar, arrancar as lesões com dedo, fricção na cama, traumas nas lesões, etc. - Na dúvida, o ideal é não tocar nas pápulas. 8 - A transmissão entre crianças é mais comum em países de clima quente, nos quais é comum as crianças andarem e brincarem sem camisa e com pouca roupa cobrindo a pele. - Nos adultos, a principal forma de transmissão do molusco é através do contato sexual. - O vírus do molusco contagioso permanece na camada superior da pele (epiderme) e não circula pelo interior do organismo. Sendo assim, não há transmissão através da tosse ou espirro. - Como o vírus vive apenas na camada superficial da pele, quando as lesões desaparecem, o vírus desaparece junto. O molusco contagioso não é como o vírus da herpes, que pode permanecer adormecido em seu corpo por longos períodos e depois reaparecer. DIAGNÓSTICO Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito através do exame simples da pele, pois as lesões são bastante características. Um dermatologista faz esse diagnóstico com tranquilidade. Em alguns casos, algumas lesões de pele podem se parecer com as do molusco contagioso e enganar médicos menos experientes. Exemplos: - São as lesões provocadas por criptococose, histoplasmose, infecção por Penicillium marneffei, verrugas planas, condiloma acuminado, condilomata lata, granuloma piogênico, tumores anexiais, histiocitose de células de Langerhans, carcinoma basocelular e melanoma amelanótico. Se houver alguma dúvida, a raspagem ou biópsia da lesão deve ser feita para confirmar o diagnóstico. TRATAMENTO PARA UM TRATAMENTO EFICAZ, É IMPORTANTE: - Não ficar mexendo nas lesões. - Não compartilhar itens pessoais, como toalhas e roupas. - Lavar as mãos com frequência. Cobrir as lesões com roupa, se possível. O tratamento, apesar de não ser estritamente necessário, muitas vezes é feito porque ele acelera a cura e impede a transmissão do vírus para outras pessoas. QUANDO O PACIENTE E O MÉDICO OPTAM PELO TRATAMENTO, AS PRINCIPAIS OPÇÕES SÃO: - CRIOTERAPIA A crioterapia é feita com aplicação de nitrogênio líquido em cada uma das lesões através de swabs (um tipo de cotonete grande). Como o tratamento envolve “congelar” as pápulas, há alguma dor durante a aplicação do nitrogênio líquido, o que dificulta a sua realização em crianças pequenas. Adolescentes e adultos toleram melhor essa técnica. Formação de cicatrizes e hipopigmentação (manchas claras) temporária ou permanente da pele são potenciais efeitos adversos da crioterapia. - TERAPIA A LASER Esse método também tem se mostrado efetivo no tratamento do molusco contagioso, porém, não é em nada melhor que as terapias tradicionais, só mais cara. - CURETAGEM É o processo de remoção através da raspagem das pápulas. - ATRAVÉS DO USO DE MEDICAMENTOS Exemplo: CANTARIDINA É aplicada sobre as lesões, provocando a formação de bolhas e, em seguida, o desaparecimento das lesões sem deixar marcas. O tratamento deve ser repetido de 2 a 4 semanas até todas as lesões terem desaparecido. O medicamento deve ser aplicado pelo médico. Outros medicamentos utilizados: - Tretinoína - Ácido cloroacético - Ácido salicílico - Ácido lático - Ácido glicólico - Nitrato de prata - Hidróxido de potássio - Iodopovidona diluído