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Rodrigo Pires exercício seminário VII

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IBET
Módulo I – TRIBUTO E SEGURANÇA JURÍDICA
Seminário VII – SANÇÕES, CRIMES E PRESUNÇÕES TRIBUTÁRIAS 
Aluno: Rodrigo Gonçalves Pires.
1.	Conceituar e apresentar as principais diferenças (se existentes) entre: (i) tributo, (ii) ilícito tributário, (iii) infração tributária, (iv) multa tributária, (v) juros de mora; (vi) da correção monetária (vii) crime contra a ordem tributária e (viii) sanção penal tributária.
De acordo com o CTN, em seu artigo 3° do CTN:
“Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”
Leandro Paulsen de forma clara conceitua tributo da seguinte forma: 
“tributo é prestação em dinheiro exigida compulsoriamente pelos entes políticos de pessoas físicas e jurídicas, com ou sem promessa de devolução, na ocorrência de situação estabelecida em lei quer revele sua capacidade contributiva ou sua vinculação a atividade estatal que lhe diga respeito diretamente, com vista a obtenção de recursos para o financiamento geral do Estado ou para o financiamento e atividades ou fins específicos realizados pelo Estado ou por terceiro no interesse público.” [footnoteRef:1][1]. [1: [1] PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário: completo. 5° edição.] 
O ilícito tributário é o ato de violar uma determinação prevista na lei tributária, sem ter caráter criminal. Diferente da infração tributária, que pode ser entendida como o descumprimento aos deveres tributários, envolve os valores pecuniários e, também, os deveres instrumentais. Tanto os ilícitos tributários, como a infração tributária, seguem as regras do Direito Administrativo, uma vez que não possuem natureza Penal.
          
  A multa tributária é uma espécie de sanção tributária e tem o intuito de penalizar e coagir aquele que cometeu um ato ilícito ou incentivar o pagamento pontual das obrigações tributárias. Já os juros de mora são acréscimos de natureza civil. Os juros são cobrados por lei e através de atividade administrativa plenamente vinculada, não possuem caráter punitivo e sim remuneratório considerando o tempo excedente ao que foi permitido, sendo, portanto, adicionados ao valor do débito.
A correção monetária é a atualização do valor do débito, ela leva em consideração a desvalorização da moeda e se dá por meio de índices determinados periodicamente. 
A correção monetária não diz respeito à regra matriz do imposto, não participa da incidência tributária, e não está jungida aos limites constitucionais da competência tributária. É sim, instrumento de justiça e paz social que deve estar presente em qualquer relação obrigacional de cunho pecuniário, seja ela público ou privada. Por tal motivo, considerando o sábio entendimento de Paulo de Barros Carvalho, podemos concluir que a correção monetária, não pode ser entendida como uma espécie de sanção[footnoteRef:2][2]. [2: [2] CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva.
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Os crimes contra a ordem tributária são aqueles previstos e regidos pelas leis e princípios do Direito Penal. A sanção penal tributária é a pena aplicada pelo poder judiciário ao sujeito ativo que tenha praticado um ilícito penal tributário.
2.	Há limites constitucionais para a eleição de hipóteses sancionadoras? As sanções tributárias sujeitam-se aos princípios constitucionais tributários? Analisar especificamente a aplicabilidade dos princípios da legalidade, irretroatividade, não confisco, capacidade contributiva, tipicidade, segurança jurídica, proporcionalidade, razoabilidade e anterioridade.
Através do artigo 150 da Constituição Federal encontramos os limites para a eleição de hipóteses sancionadoras, sendo os princípios da legalidade, segurança jurídica, retroatividade, proporcionalidade, tipicidade e razoabilidade. Quanto aos princípios constitucionais tributários podemos dizer que não se aplicam todos às sanções tributárias, sendo eles os princípios do não confisco, anterioridade, capacidade contributiva visto que somente tem como cor respondentes os tributos e não a sanção tributária, na qual somente se aplicam os princípios penal tributários. 
Além disso, analisando o princípio da legalidade encontramos respaldo constitucional, como vimos ao iniciar o tema, como também no CTN em seu artigo 97, V, em que prescreve que somente a lei poderá estabelecer penalidades tanto para ações como omissões que vão contra o s dispositivos do CTN ou outras infrações nela definidas. Ademais, quanto ao princípio da irretroatividade, o artigo 106, II do CTN prescreve que a lei será aplicada a fatos e atos passados quando não estiver definitivamente julgado, quando deixar de ser infração, quando não mais for contra qualquer exigência de ação ou omissão contanto que não tenha sido fraudulento e nem correspondente a inadimplência do tributo e por fim quando a penalidade for menos severa que aquela prevista em lei em vigor no momento de sua prática. 
Antes de definirmos o que é o princípio do não confisco devemos entender o que é confisco. O confisco nada mais é do que a apreensão de bens privados de modo definitivo pelo Poder Público de maneira abusiva, ou seja, quando o tributo cobrado ocorre de forma desproporcional fazendo com que o contribuinte sofra a perda do bem afim d e pagar o tributo. No Brasil não adotamos o confisco ao s tributos. O princípio do não- confisco está prescrito no artigo 150, IV da CF/ 88 em que veda aos entes federativos “utilizar tributo com efeito de confisco”. Ademais, devemos atentar ao fato de que nossa legislação não admite o confisco de tributo de forma absoluta contudo quanto às penalidades pecuniárias tal princípio tem aplicação relativa, para exemplificar a aplicação do confisco em penalidades pecuniárias temos o artigo 243, da CF/88 que discorre sobre a expropriação das glebas destinadas a cultivo ilegal de plantas psicotrópicas em seu caput, já no seu parágrafo único é possível visualizar novamente a aplicação do confisco em casos de apreensão de bens de qualquer valor econômico que advenha do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Portanto, fica claro que o confisco aqui possui um viés punitivo pois se o próprio tributo não é sanção de ato ilícito consequentemente não pode ter nenhum efeito confiscatório, em contrapartida a penalidade em pecúnia, ou seja a multa possui ligação com o confisco. Quanto ao princípio da capacidade contributiva, a Carta Magna prevê em seu artigo 145, §1º que “ sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultando à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.” 
Iniciando agora o princípio da tipicidade temos Albert Hensel como precursor desse princípio na esfera tributária. Seu estudo relacionou a tipicidade com a legalidade. Para ele, a tipicidade estaria configurada e assegurada quando houvesse incidência do imposto e os fundamentos para o cálculo do montante de imposto a pagar ou base tributária e taxa de imposto constassem em lei, além disso o autor defende a atribuição de amplos poderes a administração tributária para a concretização do que foi posto em lei. Quanto ao princípio da segurança jurídica, encontramos respaldo na CF/88 em seu artigo 5º XXXVI como direitos e garantias fundamentais em que prescreve que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”
3.	Diferençar infrações objetivas e infrações subjetivas. Qual a natureza jurídica da multa tributária aplicada em razão do não pagamento do tributo e/ou não cumprimento de dever instrumental? O descumprimento de norma tributária em decorrência de circunstâncias de força maior ou de caso fortuito excluem a antijuridicidade da conduta? 
Infrações objetivas – é aquela