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Rodrigo Pires exercício seminário VII

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em que não é preciso apurar a vontade do infrator, ou seja, ocorrendo o resultado previsto na descrição normativa, qualquer que seja a intenção do agente, dá-se configurado o ilícito.
Infrações subjetivas – é aquela que o autor do ilícito age com dolo ou culpa, em qualquer de seus graus.
A multa por infração tributária possui natureza pecuniária pois consiste numa obrigação de dar uma quantia em dinheiro para o sujeito ativo. Isso quer dizer que a partir do momento em que a multa é efetuada há uma diminuição dos bens jurídicos do contribuinte, isso ocorre com o intuito de amenizar o mal ocorrido pelo contribuinte e também para ensinar/impedir que a mesma ação seja repetida pelo contribuinte. Há também a possibilidade de a multa ser imposta com carga indenizatória, para ressarcir ou compensar, isso tudo para evitar que o infrator tenha algum tipo de benefício pelo ato ilícito cometido.
A antijuridicidade nada mais é do que a conduta contrária à prescrição de um enunciado normativo que pode ocorrer através de uma ação ou omissão que acaba violando, impedindo ou perturbando uma norma jurídica ou um direito subjetivo tutelado pelo mundo jurídico. As excludentes são situações que acabam retirando o caráter ilícito da ação ou omissão praticada pelo agente. O artigo 393, do Código Civil prescreve as hipóteses de caso fortuito e força maior, em que não se pode evitar ou impedir determinados efeitos. Ainda sobre esse tema temos dois elementos a discorrer, sendo eles, o subjetivo e o objetivo, o primeiro ocorre quando não existe culpa e o segundo se constitui pela inevitabilidade do evento. Na ocorrência dessas duas situações não podemos afirmar que ocorrerá a antijuridicidade, ou seja, não poderá o sujeito ser responsabilizado por algo que ocorreu em razão do caso fortuito e força maior.
4.	Quanto às multas tributárias:
a) Diferencie: (i) multa de mora, (ii) multa de ofício, (iii) multa agravada, (iv) multa qualificada e (v) multa isolada. 
A multa moratória tem carácter indenizatório e tem relação direta com o não pagamento da obrigação principal do tributo. O objetivo dela é buscar a reposição de prejuízos sofridos pelo erário.
Já as multas de ofício, agravada, qualificada e isolada são espécies de multas punitivas e tem caráter de sanção administrativa aplicadas pelo não cumprimento do dever principal e/ou instrumental.
As multas isoladas são aplicadas de ofício pelo órgão fiscalizador pelo descumprimento do contribuinte do dever principal e instrumental antecipadamente, dependendo de ato de ofício do fisco pela inobservância das obrigações.
Ela é prevista no inciso II, do artigo 44 da Lei 9.430/1996, nos seguintes termos: 
II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:
  ....... 
b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.
	Caso haja declaração e relação jurídica tributária constituída ou se há pagamento parcial de tributo devido, fala-se apenas em multa de oficio, e não em isolada.
Dessa forma, tanto a multa de ofício quanto a multa isolada deverão ser produzidas de ofício, mediante auto de infração e imposição de multa. 
Em relação a multa agravada é caracterizada quando o dispositivo legal que a aplica recebe um preceito sancionatório superior em face de seu maior potencial lesivo ao fisco.
Por último temos as multas qualificadas, que são aquelas que na prática trazem consigo o elemento subjetivo de dolo, logo, são consideradas e sancionadas pelo direito penal também.
b) O não pagamento de tributo é hipótese suficiente para a imposição de sanção ou somente para a cobrança da mora? Os juros de mora e a multa de mora podem ser exigidos simultaneamente?
Sanção é o elemento que garante o cumprimento das normas tributárias, assim como, a consequência de quem não cumprir com os deveres estabelecidos na legislação, mediante a aplicação de medidas punitivas. A cobrança da mora, através da multa, é decorrente de uma penalidade estabelecida pelo contribuinte. Logo, na hipótese do não pagamento de um tributo, o fisco poderá aplicar a sanção através dela.
A Multa e juros da mora são acréscimos legais incidentes sobre o valor dos tributos quando não há o cumprimento da obrigação principal. Eles poderão ser exigidos simultaneamente, tendo em vista que os dispositivos possuem características distintas. A multa da mora tem o objetivo de estimular, bem como, advertir o contribuinte para que seja realizado o pagamento do tributo na data correta. Dessa forma, será aplicada a multa de mora pelo cumprimento parcial ou fora do prazo de vencimento. Já os juros de mora é aplicado sempre quando não há o pagamento do tributo no tempo certo, dívida pecuniária.
c) É possível aplicação concomitante da multa de ofício, pelo não pagamento de tributo apurado no final do ano-calendário com a multa isolada, cobrada pelo não recolhimento da estimativa do IRPJ? Caso a resposta seja negativa, qual das multas deveria ser aplicada? Analise a jurisprudência do CARF e do STJ (anexos I e II), levando em consideração o artigo 112 do CTN.
Tomando por partida que a multa de ofício seria o descumprimento da obrigação principal e a multa isolada sendo o descumprimento dos deveres instrumentais, há divergencia doutrinária quanto a aplicação concomitente das duas multas.
A corrente mais tradicional entende ser importuno a exigência cumulativa das multas descritas acima, visto caracterizar dupla penalidade sobre a mesma infração. Contudo a segunda corrente, mais adequada no meu entender, segue na linha da possibilidade de aplicação das duas multas concomitantemte, tendo em vista que a multa de ofício aplica-se para o não recolhimento do valor principal e a multa isolada para o não cumprimento das obrigações acessórias.
d) Quais os critérios para aplicação da multa qualificada? Defina os conceitos de sonegação, fraude e conluio (vide anexo III). O Fisco pode requalificar uma operação realizada pelo contribuinte como ilícita, aplicando multa qualificada, sobre a justificativa de ausência de “propósito negocial”?
A multa qualificada são aquelas abarcadas pelo Direito Penal mesmo quando determinada conduta é punida na esfera tributária. Para a incidência da multa qualificada é preciso identificar na prática o elemento subjetivo dolo direto, e em algumas circunstancias, o dolo eventual, podendo dessa forma o indivíduo realizar a conduta com dolo, fraude ou simulação. Para a aplicação dessa multa é preciso observar o artigo 60, CP que prescreve que o juiz deverá atender à situação econômica do réu, observando o princípio da dignidade da pessoa humana. Outro critério para aplicação da multa versa acerca da incidência sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua família, segundo o artigo 50, § 2º, CP. 
Sobre a sonegação podemos conceituá-la como “ocultação dolosa, mediante fraude, astúcia ou habilidade, do recolhimento de tributo devido ao Poder Público”, segundo o Professor Gianpaolo Poggio Smanio. Contudo, é no artigo 1º da Lei nº 8137/90 que encontramos o critério identificador da sonegação, sendo ele, os delitos contra a ordem tributária a supressão o u redução de tributo ou contribuição social ou acessório, após isso, é elencado taxativamente as modalidades que levam à supressão ou redução, para então constituir de maneira geral o que seria a sonegação fiscal.
A Lei 4502/1964 definiu o conceito de fraude em seu artigo 72, sendo ele: “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento”. Além disso, legislações recentes entendem como infração administrativa subordinada a multa agravada em circunstâncias de “evidente intuito de fraude,