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Rodrigo Pires exercício seminário VII

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definido nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4502/64” O conluio por sua vez, é o acordo/ajuste doloso entre duas ou mais pessoas com o intuito de alcançar os efeitos da sonegação e fraude.
5.	Em que constitui a denúncia espontânea? Identifique se as multas tributárias são excluídas pela denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN nos seguintes casos: (i) tributo declarado integralmente e pago de forma parcial ou atrasada, antes do início de um procedimento fiscalizador; (ii) tributo declarado parcialmente e pago, depois declarado integralmente, mediante retificação, e pago; (iii) cumprimento de obrigação acessória a destempo (vide anexos IV e V).
A denúncia espontânea consiste na exclusão da responsabilidade tributária no que tange a multa devida do tributo. Ela também pode ser chamada de confissão espontânea ou autodenúncia pois o próprio contribuinte informa a Fazenda Pública da sua dívida afim de receber em troca a exclusão da multa do tributo, assim prescreve o artigo 138 do CTN
(i) tributo declarado integralmente e pago de forma parcial ou atrasada, antes do início de um procedimento fiscalizador
Para o STJ não é possível se beneficiar da denúncia espontânea caso o contribuinte não tenha pago integralmente o tributo que tem como fundamento o artigo 138 e artigo 155-A, § 1º do CTN.
ii) tributo declarado parcialmente e pago, depois declarado integralmente, mediante retificação, e pago;
Não seria possível o benefício da denúncia espontânea pois o STJ interpreta literalmente o que diz o artigo 138 do CTN, ou seja, deverá o tributo devido ser pago na sua integralidade conjuntamente de juros de mora sem haver qualquer tipo de parcelamento. Tendo em vista que a posterior retificação configura de certa forma o parcelamento do tributo devido entendemos que nessa hipótese não recairá os benefícios da denúncia espontânea
(iii) cumprimento de obrigação acessória a destempo
Não será beneficiado o contribuinte através da denúncia espontânea visto que o artigo 138 do CTN não alcança as obrigações acessórias, assim interpreta a jurisprudência atual brasileira.
6.	Com relação aos crimes contra a ordem tributária, pergunta-se:
	
a) Qual o momento consumativo dos crimes contra a ordem tributária previstos no art. 1º da Lei 8.137/90? Há necessidade de esgotamento da esfera administrativa para a propositura da ação penal? (Vide Súmula Vinculante n. 24 do STF e anexo VI e VII).
Nos termos do que rege a Súmula Vinculante n. 24 do STF, temos que “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo”.
    
  Dessa forma, é importante o esgotamento da esfera administrativa para propositura da ação penal, salvo quando da existência de prova de constituição definitiva, que, objetivamente autoriza ajuizamento de ação prévia ao termino do procedimento administrativo fiscal.
	
b) A decadência e prescrição tributária são causas de extinção da punibilidade penal dos crimes contra a ordem tributária? Fundamentar. (Vide anexo VIII).
	
De acordo com o artigo 150 do CTN:, o prazo de lançamento do crédito tributário pela administração é de cinco anos contados da ocorrência do fato, e a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter se efetuado para o caso do tributo que possui o lançamento por homologação, ou também a partir da data da decisão definitiva que tornou nulo o lançamento anterior por motivo de vício formal, conforme o artigo173 do CTN. Entendo que ocorrendo a prescrição e decadência tributária, extingue-se o crédito tributário, logo, extingue-se a punibilidade penal dos crimes contra a ordem tributária.
c) O parcelamento do tributo devido é causa de extinção da punibilidade dos crimes contra a ordem tributária? ? E a compensação com tributos pagos indevidamente? (vide anexo X).
Não, tendo em vista que o Art. 156 do CTN somente prevê a possibilidade de extinção do crédito tributário pelo pagamento, compensação, transação, remissão, prescrição e a decadência.
7.	Que caracteriza as denominadas sanções políticas? Identifique se as seguintes medidas constituem-se como sanções politicas e analise sua constitucionalidade: (i) Apreensão de bens; (ii) Inscrição de créditos tributários no CADIN; (iii) Protesto de Certidão de Dívida Ativa; (iv) Cancelamento de Registro Especial de Funcionamento (vide Decreto-Lei 1.593/1977 e ADI 3.952); (v) regime especial para cumprimento de obrigações nos casos de embaraço à fiscalização e prática reiterada de infrações à legislação tributária (vide Lei 9.430/96, disciplinada pela Instrução Normativa RFB 979/09; art. 96, V da Lei n. 12.670/99 do Estado do Ceará e Decreto Estadual n. 48.494/11 do Rio Grande do Sul - vide anexos IX e X); (vi) averbação pré-executória (art. 25 da Lei n° 13.606/18, que acrescentou, dentre outros, o artigo 20-B, §3°, II à Lei nº 10.522/2002 e Portaria PGFN n° 33/2018, modificada pela Portaria PGFN n° 42/2018). 
De acordo com Hugo de Brito Machado as sanções políticas“correspondem a restrições ou proibições impostas ao contribuinte, como forma indireta de obriga-lo ao pagamento do tributo, tais como a interdição do estabelecimento, a apreensão de mercadorias, o regime especial de fiscalização, entre outras.[footnoteRef:3] [3: http://sistemas.qis.com.br:8084/hugomachado/conteudo.asp?home=1&secao=2&situacao=2&doc_id=7] 
Identifique se as seguintes medidas constituem-se como sanções politicas e analise sua constitucionalidade:
(I) Apreensão dos bens: É uma sanção política a apreensão dos bens do contribuinte inadimplente visto que fere os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. No mesmo sentido o STF redigiu a Súmula 323 que informa a inadmissibilidade de apreender mercadorias como forma de coagir o contribuinte inadimplente.
(ii) Inscrição de créditos tributários no CADIN: É sanção política e já foi considerada inconstitucional pelo STF através da medida cautelar nº 1454-4.
(iii) Protesto de Certidão de Dívida Ativa: Não constitui sanção política o protesto de Certidão de Dívida Ativa. É constitucional o protesto de Certidão de Dívida Ativa pelo STF haja vista que foi julgado improcedente aADI 5135 em 2016 na qual a Confederação Nacional da Indústria questiona quem seriam sujeitados a protesto de Certidão d e Dívida Ativa. A maioria dos votos seguiu o relator Luís Roberto Barroso que argumentou dizendo: “O protesto das certidões de dívida ativa constitui mecanismo constitucional e legítimo por não restringir de forma desproporcional quaisquer direitos fundamentais garantidos aos contribuintes e, assim, não constituir sanção política.
(iv) Cancelamento de Registro Especial de Funcionamento (vide Decreto-Lei 1.593/1997 e ADI 3.952): É considerada sanção política o cancelamento de registro especial de funcionamento. Acerca do tema o STF redigiu a súmula 70 que diz: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo.” Sendo as sim, não pode o Poder Público impossibilitar o funcionamento de determinada pessoa jurídica visto que limitaria a liberdade de trabalho do contribuinte. 
Dessa forma, enxergamos que o cancelamento de registro especial de funcionamento é inconstitucional.
(v) regime especial para cumprimento de obrigações nos casos de embaraço à fiscalização e prática reiterada de infrações à legislação tributária (vide Lei 9.430/96, disciplinada pela Instrução Normativa RFB 979/09; art. 96, V da Lei n. 12.670/99 do Estado do Ceará e Decreto Estadual n. 48.494/11 do Rio Grande do Sul – vide anexos IX e X): O STF dita requisitos para o caso de regime especial para cumprimento de obrigações nos casos de embaraço à fiscalização e prática reiterada de infrações à legislação tributária. Para o STF somente seria poss ível o regime especial quando houvesse inadimplência injustificada, ou seja, também considerada como inadimplência reiterada. 
(vi) averbação pré-executória (art. 25 da Lei nº 13.606/18, que acrescentou, dentre outros, o artigo 20-B, § 3º,